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Sendas de Sonho e Beleza: Algumas Reflexões Sobre a Poesia Angolana Hoje Destaque

Sobre o tema a professora diz que “a transgressão, errância, desafio, eroticidade, metalinguagem e desconstrução são alguns dos vectores da produção poética angolana das últimas décadas. A nova poiesis é tecida por perplexidades e incertezas. Uma heterogeneidade de tendências reflecte a dispersão dessa poesia que oscila entre a revitalização de formas orais da tradição e a ruptura / e ou recriação em relação a alguns dos procedimentos literários adoptados por gerações anteriores”.

Para a professora o “labor literário actual tem raízes na produção lírica dos anos 70 que, voltada para a redescoberta ética e estética do poder da palavra poética, foi designada por Luís Kandjimbo como "geração do silêncio", tendo-se caracterizado pela consciência crítica em relação ao ato de escrever, ou seja, por um mergulho abissal nas entranhas da própria poesia, em busca de procedimentos inovadores. O poema passou a ser, desse modo, o lugar do encontro do poeta consigo mesmo, o local, portanto, da descoberta existencial, política e literária. Nesse sentido, deu passagem à poética dos anos 80, que radicalizou, em vários aspectos, as conquistas estéticas da década de 70, diferenciando-se desta, contudo, por não adoptar a praxis do silêncio”, escreveu.

Carmen Secco diz ainda que “A poesia dos anos 80, definida por Kandjimbo como "geração das incertezas", e também a dos anos 90 têm como traço constante a temática da decepção e da angústia diante da situação de Angola que ainda não resolveu completamente a questão da fome e da miséria. As dúvidas em relação ao futuro interceptam as possibilidades entreabertas pelos ideais libertários dos anos 60 e a poesia se interioriza, não se atendo explicitamente às questões sociais. Ela "inscreve a demiurgia do Homem em todas as suas dimensões, engendrando um sub (sistema) literário com signos do tecido social, mas também de inquirição cogniscitiva." Entre os poetas angolanos contemporâneas, destacamos: João Maimona, João Melo, José Luís Mendonça, Paula Tavares, Lopito Feijoó, Frederico Ningi, Maria Amélia Dalomba, Maria Alexandre Dáskalos, Conceição Cristóvão, Fernando Kafukeno, Luís Kandjimbo, entre outros”, disse.

A professora acrescenta ainda que “não obstante a falta de perspectivas em relação ao social nos anos 90 em Angola, observamos que a poesia dessa fase nunca deixou de se oferecer como força geradora de utopia, pois os poetas continuaram a crer no poder transformador da linguagem poética, sonhando, segundo Adriano Botelho de Vasconcelos, com um lugar à passagem da lua/ que virá fecundar o valor da palavra” e adianta que “também as produções líricas posteriores à paz firmada em Angola, em abril de 2002, almejam esse lugar. João Maimona se impõe como intérprete da beleza. Em sua poesia, a palavra se encontra em ressurreição permanente, em diálogo intersemiótico com telas de Van, conforme apontou Jorge Macedo, no prefácio a essa obra”.

Ao terminar a sua dissertação a professora não quis deixar de parte a outra significativa voz do lirismo angolano Abreu Paxe o autor de “«A chave no repouso da porta», Prémio António Jacinto de Poesia – 2003, cujos poemas pressagiam importantes mudanças para o contexto político angolano dos próximos anos. O eu-lírico, com a serenidade de quem tem na mão a chave da porta, sabe que esta não tardará a se abrir. O poeta, então, se torna arauto da sonhada harmonia: O luar descia orgânico(...) / luas subiam as épocas (...) / nasciam face os textos cultivados”, concluiu.

UEA-Digital, Seomara Santos

 

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