Livro Online

Emoções

Classifique este item
(0 votos)

Sobre a qualidade da obra Inocência Mata, Prof. Dra. especialista em Literaturas Africanas frisa o seguinte «na verdade, a interrogação do sujeito poético de «Emoções» já não é sobre o seu lugar sócio-histórico. É ontológico. Embora as suas motivações subtextuais sejam sociológicas (e não dizemos sociais). Talvez por isso, os poemas surjam como um monólogo interior verbalizado, apesar, por vezes, da aparência de um diálogo marcado sobretudo pelo imperativo vamos / oiçam, etc. ou o vocativo de uma segunda pessoa que mais parece ser ele próprio, numa «conversa» consigo próprio o que é determinante no texto são as marcas da primeira pessoa. Daí o hermetismo que o texto por vezes acusa, porque nessa constante interrogação, reflexão e procura, confluem silêncio expressivos, alusões, imagens lúbricas de termos semanticamente paradoxais, cruzamento de discursos e fragmentos discursivos que fazem dos poemas objecto linguístico-semiótico. Disso resulta que o poema se revela mais como estado de alma do que como produto ou resultado de qualquer reflexão ou proposta. Aliás, para Jean Ricardou, em Problémes du Nouveau Roman, o escritor não tem a pretensão de comunicar um «saber prévio» mas sim a de explorar a linguagem como espaço particular. A linguagem - a poesia, no caso - para A.B.V. já não é um instrumento de comunição, não contém nada atrás. É sua própria expressão».

 

E continua: «a esta altura do seu trabalho poético, afigura-se-nos temerário tirar conclusões sobre a poesia de A.B.V. «Sente-se», tal como o A. parece sentir quando escreve, a sua poesia como um campo de experimentação, um espaço de verificação de novidades, até técnico-formais. Muitas vezes é difícil ler essas tentativas de contemplar a linguagem como espaço lúdico, (para além da sua própria tematização e da sua percepção, o que já insinuámos), gerando uma espécie de autonomização de processo que ecoam como simples jogos e que se manifestam até na apresentação gráfica: o não - aproveitamento do espaço da folha, a indefinição estrábica, a ausência de maiúsculas, a escassez de títulos, o jogo com os caracteres tipográficos (a translineação, os parêntesis), etc. Todo um conjunto legível como marcas físicas de uma conturbada reflexão prenhe de interrogações, hesitações, silêncios, descontinuidades... a sugerir, na sua estruturação, uma complementaridade entre a comunicação verbal e a visual; enfim, elementos de grande inventividade que, chamando a atenção do leitor, conferem ao texto uma significação especial, mas ambígua. A.B.V. valoriza e explora a liberdade linguística do poeta e isso é uma características da sua poesia no contexto angolano, oscilando entre a tradição poética e a inovação».

 

Informação Adicional

  • Autor: Adriano Botelho de Vasconcelos
  • Editora: UEA
  • Ano: 1988

Contacto

AV. Ho-Chi-Min, Largo das Escolas
1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

Telefone: (222) 322 421 Fax: (222) 323 205

e-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Blogs

blogspotuea1    blogspotueamulembeira           blogspotueanguimba
         
ytlogo2   blog-poetenladen   logotips