Delirium, Marcha Lenta
Sobre a obra, Maria Nazareth Fonseca, Professora Doutora em Línguas Africanas, considerou o seguinte: «O título explora a imprevisibilidade de sentidos e, algumas vezes, a lógica de aproximações de termos que se realizam no âmbito da metáfora. A tendência maior dos poemas é cantar o «lastro penosíssimo» (p.11) de uma história que se faz de ais, gemidos, tristezas e de uma rotina metonimizada pelo verso «A minha vida é um milénio bárbaro de tédio» (p. 14). A temática da tristeza, do peso, do cansaço, por vezes se mostra de forma impermeável à compreensão dos sentidos que parecem sugeridos pela exploração de sememas que se deslocam entre o tédio, o espanto, e o prazer que pode estar apenas sugerido pelo «cheiro bom de caju e sexo e aguardente» (p. 47). A expressão poética mostra-se vigorosa e reveladora de um trabalho consistente com a linguagem, e a obscuridade presente em vários poemas reforça uma tendência que parece demonstrar que a linguagem poética precisa ser «descarnada» do contacto com o referente».
Informação Adicional
- Autor: Cristóvão Neto
- Editora: UEA
- Ano: 2005
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Extractos
