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Não Tem Pernas o Tempo

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O livro foi editado pela União dos Escritores Angolanos em 2013 e é um retrato social, com uma história de amor no fundo, que atravessa as últimas quatro décadas. A trama começa em Luanda nos primeiros anos da Angola independente, quando o motorista funerário Man'Toy perde emprego, por se ver tentado a consolar uma jovem viúva em pleno cortejo, gesto interpretado como assédio pela sogra desta. Mais tarde, na viagem de Luanda para o Bié, o autocarro em que seguiam acciona uma mina terrestre, resultando disso a amputação de uma perna ao personagem principal e o desaparecimento da namorada. O ano de 2002 e o fim do conflito armado vêm reforçar as esperanças de reencontro, entretanto dificultado por desconhecer o sobrenome da pessoa que procura. Entre vários aspectos, a narrativa questiona a imaturidade social que se seguiu aos primeiros anos da Angola independente, a busca da realização material através de atalhos como negócios escusos, recurso à feitiçaria, bem como as virtudes e os defeitos do papel das Organizações Não Governamentais no contexto de emergência. Pelo autor em 25 de Março de 2014.
«(...) Inusitado, porém, era o impulso com que o visitante se sentava diante do televisor, a seguir ao telejornal, para acompanhar o programa Nação Coragem.

Milhares de pessoas engrossavam diariamente as filas orientadas pela produção do programa, em Luanda, cada com a foto do familiar desaparecido e uma tocante mensagem. Vinha gente do norte, do centro, do sul, enfim, de subúrbios inimagináveis, vinham também esperanças da diáspora. Resistiam à fome e ao cansaço das horas que antecediam a gravação do Ponto de Encontro. Umas vezes, Veremos explodia de alegria diante da tela, contagiado por mais uma reunificação familiar. No entanto, também se davam desencontros ou, na mesma proporção, infelizes certezas de que A ou B já não está em vida, depoimentos de cortar o coração! E ele não resistia, derretia-se em lágrimas.

E enquanto assistiam...
— Mano Veremos, eu admiro bué o teu amor por esta miúda, a sério! É de dar varizes no coração... E se ela aparecesse, já esposa de outro homem?
— Amigo Perdido, estou em crer que as pessoas têm o direito de reaver, com a chegada da paz, o que a guerra lhes roubou.
— Acho que não me satisfez a resposta...
— Espero ter de volta a mulher. Acho que a paz é isso. Senão, um gajo acaba por se sentir um veterano da ironia do próprio Deus. Seria demais... É isso...
— Ya, estou a ver. No fundo, o que move as pessoas não é tanto dos actos infelizes, mas a sua própria impotência perante estes(...)»

In «Não Tem Pernas o Tempo», Pág 101-102, União dos Escritores Angolanos 2013

Informação Adicional

  • Autor: Gociante Patissa
  • Genero: Prosa
  • Editora: UEA
  • Ano: 2013

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1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

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