«A Crioulidade Não Existe Em Angola»
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
O luso-tropicalismo é uma falácia. De invenção brasileira passou a doutrina do fascismo em Portugal. É por isso um anacronismo, segundo Luís Kandjimbo.
Romance é Reflexão
Entrevista à Época
O maior escritor da língua portuguesa, José Saramago, de 75 anos, Prémio Nobel de Literatura de 1998, acaba de lançar no Brasil o livro Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido (Companhia das Letras, 136 págs., R$ 29,00) . Na realidade, é uma peça de teatro, uma comédia, pensada para virar libreto em italiano de uma ópera. A parceria com o compositor italiano Azio Corghi já resultou numa ópera, que deveria ter sido estreada no teatro alla Scala de Milão em Março, mas uma greve adiou a estreia para data indeterminada.
«A Literatura Nasce na Ilha da Leitura»
Entrevista de: Aguinaldo Cristóvão
Os estudos culturais vêm sedimentando, nas últimas décadas, um espaço de reflexão teórico cujo objectivo acaba por ser o redimensionamento do que, por séculos, os aparatos culturais do ocidente branco-europeu procuraram deliberadamente rasurar. É essa a acepção de Laura Cavalcanti Padilha, professora de literatura da Universidade Federal Fluminense (Brasil). Ela tem-se dedicado, dentro do seu objecto de trabalho, à literatura angolana, no quadro do aumento significativo da expressividade desta literatura além fronteiras. É, pois, sobre literatura e outras coisas que a professora acedeu falar, quando aprestava-se para mais uma viagem de trabalho.
«A Minha Veia Poética Tem Como Fonte e Causa a Libertação Social do Povo Angolano»
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
Reza a história que os primeiros 40 membros da UEA são fundadores e estiveram nos dois primeiros dias de vida da associação. Eduardo Fernandes Pimenta é o membro 44. Nesta conversa, o autor conta as mais importantes passagens da sua vida, revelando-se preocupado com os aspectos discriminatórios da sua raça, a negra. Por isso, centra a sua atenção no musseque e no quimbundo, cujos valores transcendem os períodos históricos do país.
«O Meu Grande Problema é que Ando a Sofrer Pelos Outros»
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
A literatura angolana está de parabéns. Kudijimbe, pseudónimo literário de Nicolau Sebastião da Conceição, pensa que já se escreveu muita coisa boa e bonita, e que vão surgir mais factos positivos ainda. «Nós temos trabalhado muito, nós temos escrito muito. As pessoas estão admiradas com Angola neste aspecto, por isso eu encorajo a nossa gente a continuar a escrever». Militar com patente de oficial superior, o escritor encoraja os seus colegas militares a escrever o que viveram e o que lhes vai na alma. Nesta conversa, Kudijimbe revela o que se passa coma Brigada Jovem de Literatura de Angola.
«O Huambo é o meu Lugar de Encontro Com o Futuro»
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
«A multiplicidade os exemplos de adjectivação patentes na minha obra, reafirmava o meu desejo de concretização de um projecto com função gramatical: homenagear, em percursos da expressão sugestiva da metáfora, da metonímia e do símbolo, um magnífico tempo verbal: o pretérito imperfeito do indicativo. E decidi oferecer à sociedade por escrito e em universo poéticos estes versos (...)» In: Lugar e Origem da Beleza
«O Escritor é um Ditador no Momento da Escrita»
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
Artur Pestana dos Santos, escritor angolano, teve na guerrilha o epíteto que hoje lhe vale para a literatura: «Pepetela». É este o nome que encabeça a lista dos escritores angolanos mais lidos e conhecidos, também, no estrangeiro. Para ele, o Estado angolano deveria adoptar uma política para fomentar o gosto pela leitura. Os intelectuais têm o direito e o dever de exprimir as suas opiniões e até revoltas, mas aos leitores cabe a tarefa de interpretar um livro como quiserem.
«O Escritor Deve Ter a Liberdade de Escrever Sobre Tudo e da Maneira Que Entender»
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
Ao prefaciar o livro Tanto Amor, o escritor angolano Manuel Rui chama a atenção, ainda em 1989, para o arrojo inaugural de João Melo no contexto sócio-literário angolano. Referia-se a «coincidência da busca da nudez verbal com a sublimação do corpo, do gesto e da totalidade de existir na fugacidade orgásmica». Este foi o primeiro passo de João Melo rumo a uma estilística que se ajusta à sua maneira de encarar a poesia: o escritor deve incomodar às vezes, mas, sobretudo, deve ser livre de criar.
«Ainda Não Encontrámos Rumo Para Dar às Nossas Crianças»
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
Na azáfama do pós independência, enquanto a literatura colonial e os escritos de cárcere eram publicados, verificou-se que as crianças não tinham nada para ler. Nenhum livro de autores angolanos havia sido publicado para preencher esta lacuna. Neste processo, Dario de Melo destacou-se, de entre um grupo de escritores. Autor de mais de 18 livros e perto de 100 estórias, Dario já foi professor e inspector primário, numa vida que ainda lhe ofereceu o cargo de director do Jornal de Angola, o único diário angolano.
«A Marca da Minha Poesia é a Sua Diversidade de Leitura»
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
Poeta de longa carreira, prosador, ex militar e hoje médico, João Tala encerra uma vida repleta de momentos, os mesmos que compõem os níveis da sua composição poética. Para ele, o tratamento poético é, muitas vezes, irracional, embora exija do seu autor determinados conseguimentos estético-temáticos para alcançar o produto final. E explica como “coseu” o seu primeiro livro de prosa
