"Para Mim, o que Conta Mais é Ter Leitores em Angola"
O conflito armado, que durou 30 anos, levou à emigração de vários angolanos. Das memórias deste tempo consta o nome de um jovem que viria a tornar-se jornalista e escritor. Sousa Jamba é natural do Huambo, tem o umbundo como língua materna, e fala com semelhante aptidão o inglês e o português. Não espanta que o livro africano que mais o marcou seja The Man of the People, de Chinua Achebe. Sousa Jamba fez todos os estudos em língua inglesa, na Zâmbia, em Londres e nos Estados Unidos. Porém, afirma que nunca se desligou do continente africano e que nem pode ser considerado um exilado. Este cronista fala da paixão pelo jornalismo e "O meu sonho é ter uma bolsa para ir a uma instituição portuguesa ou brasileira para estudar, seriamente, a literatura portuguesa. Infelizmente, eu não faço parte do establishment literário", revela.
"Escrevo Quando Sinto Necessidade de Contar uma História Verdadeira"
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
Manuel Pedro Pacavira é um dos escritores angolanos cuja obra se centra num espaço peri-urbano, onde viveu e onde buscou influências literárias. Nesta conversa, o escritor revela-se como nacionalista e testemunha ocular do processo revolucionário que levou o seu país à independência. Com 14 anos e a quarta classe feita, foi preso sem qualquer motivo, tendo sido retirado da casa dos seus pais, na calada da noite, e levado para os calabouços do Posto Administrativo da vida. Nomes como António Jacinto, Luandino Vieira, António Cardoso ou o Cónego Joaquim Manuel das Neves fazem parte da memória de Manuel Pedro Pacavira.
Nunca Tive Medo do Povo, Porque o Povo é o Nosso Padrinho"
Entrevista de: Aguinaldo Cristóvão
Encontrámo-nos na sede da União dos Escritores Angolanos. Trazia um chapéu e um saco que poisou a seu lado, enquanto tentava sentar. Samuel de Sousa é um nome que vale por si na literatura angolana. Com mais de 80 anos de idade, começa a padecer das sevícias da terceira idade. Tem um cancro na próstata por tratar e complicações fisiológicas. A memória já lhe vai falhando, e apenas a vitalidade de alguém que nunca bebeu e fumou lhe permite caminhar longas distância
"Quando o Hino Nacional é Cantado no Basquete e no Futebol e a Selecção Ganha, Choro de Alegria."
Entrevista de Isaquiel Cori
Manuel Rui, autor do Hino Nacional da República de Angola, a par do músico Rui Mingas, é, hoje, um homem inteiramente dedicado à criação literária e à advocacia, embora já tenha exercido vários cargos políticos e académicos. Foi Director-geral da Informação, Ministro da Informação no Governo de Transição para a Independência e, posteriormente, Director da Faculdade de Letras do Lubango e do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), além de professor universitário.
"A Realização Literária é um Exercício de Liberdade."
O escritor vive intensamente a sua vida. Esta lógica guia o contista e cronista angolano Carmo Neto e serve para justificar a sua ligação com as letras. É que o que distingue o escritor dos outros profissionais liberais é a possibilidade de poder expiar as suas frustrações sobre o teclado de um computador.
O Debate É Mil Vezes Mais Estimulante
O Semanário Angolense, no pretérito mês de Março, entrevistou o poeta Adriano Botelho de Vasconcelos, Secretário-geral da União dos Escritores Angolanos. Com a devida autorização do S.A, publicamos na íntegra a referida entrevista para que os nossos visitantes conheçam a natureza do debate e polémicas que surgiram depois da entrevista do poeta e romancista Agualusa.
Angola Precisa de Literatura de Resistência
No seu bilhete de identidade, encontramos o nome de Carlos Sérgio Monteiro Ferreira. Autor de incontáveis crónicas, poesias e mérito na composição de canções, Cassé, como é também conhecido nas lides literárias e jornalísticas, fala da frustração e marco que teve a Brigada de Literatura Angolana, bem como do seu percurso literário.
Escrevo Com Cada Vez Mais Paixão
Margarida Rebelo Pinto licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Clássica. Teve uma breve passagem na Publicidade como copywriter até que iniciou a sua actividade jornalística passando por publicações como «O Independente», «Sete», «Marie Claire», «Diário de Notícias» e RTP. Em 1999 escreveu o seu primeiro romance, «Sei Lá». Nesse mesmo ano, foi vencedora do prémio literário Fnac 1999, tendo a obra já superado os 130 mil exemplares vendidos. Actualmente, para além do já referido best-seller, a escritora tem mais cinco livros editados: «Herman SuperStar», a biografia do conhecido humorista português; «Não há Coincidências», outro best-seller, editado em Abril do ano 2000, 33ª edição com mais de 140.000 exemplares vendidos , «As Crónicas da Margarida», igualmente sucesso de vendas e resultante de uma compilação das crónicas escritas para a revista Olá; «Alma de Pássaro», romance que encerra a trilogia dos anteriores, editado em Fevereiro de 2002 revelando-se mais um verdadeiro best-seller e por fim, publicado em Outubro de 2002, «Artista de Circo», o segundo livro de crónicas e mini-ficções. Paralelamente à escrita, Margarida dedicou-se também ao guionismo, sendo ela a autora do telefilme da SIC «Um passeio no parque».
"O Trabalho com os Acervos Literários é Importantíssimo"
"A Literatura se Alimenta de Literatura. Ninguém Pode Chegar a Escritor se Não Foi Um Grande Leitor."
José Luandino Vieira, português de nascimento e angolano por opção e por sua vida inteira e obra dedicada a essa nação africana, é um dos maiores nomes da ficção em língua portuguesa de que se tem notícia. Intelectual sintonizado desde muito cedo com as questões de seu povo, teve seu nome vinculado aos mais importantes movimentos estéticos e políticos de Angola durante a luta pela libertação popular do país, então colônia portuguesa. Sua produção continua a vir a lume.
