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Entrevista a Sofia Marrecas Ferreira Destaque

Escrito por  PVarzim
Sofia Marrecas Ferreira vive actualmente em Londres e, de visita a Portugal, antes do regresso a Lisboa, passou nas Correntes d’Escritas para desfrutar do convívio dentro de uma iniciativa que considera única em Portugal.

CE – Como surgiu este ano a ideia de participar no Correntes?

SMF – Este ano participo no Correntes d‘Escritas porque estou de férias e o meu editor achou que eu poderia passar pelo Encontro antes de ir para Lisboa e fez-me o convite! E como gostei tanto da experiência do ano passado, pela organização e, sobretudo, pelo gosto com que as coisas são feitas, decidi passar por cá…Só para rever as pessoas. E depois com este tempo, o barulho do mar…E é tudo feito com tanto profissionalismo, carinho, e ao mesmo tempo tão informal…O ano passado estive cá para lançar Da cor dos seus Olhos. Também já publiquei Mulheres de Sombra eUma história de Família.

CE – Como surge a sua inspiração para a escrita?

SMF – a inspiração é muito relativa. Tem de se ser persistente. É um processo bastante satisfatório e, à medida que os personagens se vão estruturando, tudo dentro de nós adquire uma vida própria. Temos de seleccionar. Escrever é um prazer que, nesta fase, se torna um prazer quase sofrimento. E passa a ser 99% trabalho e 1% de inspiração, onde as personagens adquirem a sua própria independência.

CE – É como em Umberto Eco, com O Nome da Rosa, onde todas as pistas se têm de encaixar…

SMF – Exactamente. Tem de haver um mínimo de coerência e tem de se obedecer a uma estrutura.

CE – E o próximo romance?

SMF – Sairá, em princípio, em Maio. A acção passa-se entre Lisboa e o Alentejo. Mais no Alentejo.

CE – E porquê o Alentejo?

SMF – É que o Miguel Torga escrevia que “no Alentejo, no meio das searas, o Homem funciona como o ponteiro do Sol.” É a única coisa vertical! É a única coisa que dá vida à vida que há…Mas o que mais me atrai são as lendas, as maldições, a magia, aquilo que é típico das terras pequeninas, o infinito, a força, telúrica da terra. O “meu Alentejo é aquele amarelo, ocre, árido, onde o ser humano adquire todo o seu significado, porque é no meio do nada que o homem adquire toda a sua dimensão verdadeira…

CE – No isolamento…

SMF – Há coisas muito estranhas no Alentejo, as velhas a fazerem as suas mezinhas…

CE – Os seus livros são, sobretudo, sobre as mulheres…?

SMF – São elas as personagens mais importantes, pela capacidade de sobrevivência, pela força.

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