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Entrevista a Ana Paula Tavares Destaque

Escrito por  CM - PVarzim
CE – Após extrair alguns poemas soltos do seu site na Internet, vejo uma poesia muito ligada à terra e com um léxico muito característico e musical. Por exemplo, “massambala” o que significa?

APT – Massambala é um cereal aborígene, usado para fazer farinha e, também, para fabricar uma espécie de cerveja…


CE – Na sua poesia, a terra surge como um corpo feminino estando, também, presentes a tristeza e a melancolia…


APT – É a celebração da vida, dos ciclos da vida. E há também fome, solidão, que parte do quotidiano da mulher em África e também do Mundo.

A mulher sofre no mundo inteiro, engendra, cumpre os ciclos, apaixona-se.


CE – E no Ocidente?


APT – Sim, mas eu não trabalho isso como um estereótipo, numa perspectiva etnográfica. A mulher é vítima e beneficiária da globalização como um todo…


CE – Em que aspectos?

 

APT – É beneficiária, por exemplo, no acesso aos cuidados de saúde, mas a desigualdade também se sente aqui, de forma violenta, as cidades (ou sociedades) conspiram contra ela. A desvantagem é o acesso não ser igual, as dificuldades económicas, a dependência do marido apesar da mulher ser a maior força activa de trabalho, sobretudo na agricultura.

E depois, ela não é tão igualitariamente beneficiária, depende da motivação do incentivo familiar…


CE – O peso das tradições…


APT – O peso da tradição é grande, mas aqui convivem lado a lado, a tradição e a modernidade. Por exemplo, uma mulher pode beber Coca-colamas há reticências em ir ao hospital…As coisas estão, no entanto, a mudar. O que era verdade há dois dias hoje pode não o ser…A guerra traz o protagonismo das mulheres que começam a ocupar escolas e universidades. Estamos a atravessar um período de transição, de mudança…


CE – E isto nota-se na poesia…


APT – A poesia situa-se na não-ficção. Entre a ficção e a realidade existem pontes. Eu vivo não no passado mas no quotidiano e vou, ao mesmo tempo, buscar coisas às tradições tentando passar (a escrita poética) para o dia de hoje.

Tento ver como a mulher sobrevive e entra em conflito com a modernidade ou se integra nessa mesma modernidade…

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