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Exclusivo com académica Sheila Walher . Destaque

Escrito por  ´Claúdio Fortuna
A  Dra Sheila Walker, é especialista em Antropólogia cultural e cineasta, é directora executiva da Afrodiaspora, INC, uma organização sem fins lucrativos, que está a realizar uma serie documental e a elaborar materiais educativos sobre a integração de Africanos na Diáspora.
Realizou vastas muitas pesquisas de campo, incluindo palestras, consultas e participou em eventos culturais em muitos  países africanos e da Diáspora Africana, destas experiências resultou na organização de uma conferência internacional sobre  “ A Diáspora Africana e o Mundo Moderno “ , editou o livro Raizes Africanas/ Culturas Americanas: África na criação das Americas, produziu igualmente o documentário África Dispersa: Rostos e Vozes da Diáspora African. É membro do comité internacional da UNESCO sobre o projecto a Rota dos Escravos, mas recentemente produziu o documentário “Rota dos Escravos uma Visão Global para o Projecto ”  esta academica foi directora do Centro Annabel Irion Worsham Centennial para a África e Estudos Africanos, foi professora na Faculdade de Artes Liberais, foi igualmente professora  de Antropólogia   na Universidade do Texas na Cidade de Austin, é professora do William e Camille Cosby de Ciências Sociais e Humanas, é actualmente directora do Instituto Spelman da Diaspora Africana e do  Programa Mundial. É com academica  que o Angola24horas  conversou a margem do IV Encontro Internacional  da história de Angola, ocorrido no final do ano passado em Luanda,


SA- Professora como é que encara este encontro que acaba de participar?
SW- Estou muito feliz em estar aqui em Angola outra vez, sempre que cá venho fico satisfeita, quanto ao encontro foi muito interessante, pelo conteúdo das comunicações, o interesse dos participantes, enfim,  fiquei muito bem impressionada  com as perguntas que me foram colocadas, sobretudo pela natureza das discussões, foram muito bem organizadas. Quando recebi o convite para participar deste encontro disse para mim mesma, “mais o que é que eu posso dizer sobre a história de Angola? Quando até não sou historiadora, não conheço a história de Angola, mais conheço a presença de Angola nas Américas,” acho interessante esta  presença e uma das coisas que sabemos agora que  aprendemos que antigamente era impossível saber, É quantos africanos foram para as Américas? E quando? Agora sabemos que é possível saber, já existe um banco de dados na INTERNET ,www.slavevoyages.org de quase 35 mil viagens de barcos negreiros, com a data de saída e chegadas dos barcos da Europa, nos vários portos africanos, e as datas de chegada, e qual é o lugar das Américas, quantos homens, mulheres e crianças viajaram naqueles barcos? Então podemos saber muito, uma das coisas que sabemos agora, é que a maioria dos africanos saíram da África central sobretudo, entre Cabinda e Benguela, foram para ai cerca de 45%. Então não é ilógico que haja ainda, uma enorme presença da cultura angolana, mas não sabemos o que representa. Penso que comecei a ter esta consciência quando fui ao México, a Costa Caribenha do México, perto do Porto Caribenho de Vera Cruz , que foi um dos primeiros Portos, onde chegaram os africanos, sobretudo os da África Central e não só, fui a um lugar que se chama Matamba, visitei uma família afro-mexicana, Matamba na região do   México, também  vi em  Moçambique os Mandingá e os Mocambo. Então  eu disse. Oh! Tem uma presença aqui! Por exemplo nos Estados Unidos agora há muitos americanos afro- descendentes,  que querem saber exactamente às suas origens em África, através do ADN, que é possível saber, porque temos amostras de ADN de vários lugares de África, não temos muitos de Angola por exemplo, mas temos,  eu própria não queria fazer estes exames de ADN,  porque já conheço a África desde os meus 19 anos, não é um dado novo, não é uma África romântica, é uma África que faz parte da minha vida. Mais fiz, e o que aprendi, que é o mais lógico,  é que o meu ADN  mitochondrial quer dizer o ADN que vem da mãe é de Angola. Nós antes mesmos de estarmos orgulhosos por termos um passado africano, toda gente falava da avó ou  bisavó indígena das Américas, quer dizer  os chamados Índios. Conheci a minha bisavó , que tinha um fenotipo mais ou menos como dos Indígenas dos Estados Unidos, o  que  não sabia, é que o sobre nome dela era Congo ...(Risos). Então, quando soube, e porque sou Antropóloga não é, falei com uma tia minha, que me mostrou as fotos da minha bisavó de 1880, esta tia disse me o nome do pai da minha bisavó, que foi de facto à chave, fui ao Arquivo Nacional talvez por não ser historiadora,  havia me esquecido  de um dado importante para nós, que não éramos pessoas até 1685. Então,  não valia pena ir a busca de gente que não é gente, mas fruto da minha ignorância, olhei para o censo de 1840 e 1850, reparei que estavam cheios de  Congo ...(Risos). Dai, encontrei com muita facilidade o meu tartaravô, Noa Congo, encontrei  também a mãe dele Maria Congo, que nasceu em 1800, e o primeiro censo dos Estados Unidos  de 1790, que também tem um Congo, que é do mesmo lugar que a mãe do meu tartaravô, que era à  minha tratara tratara avó, acredito que  era o pai dela,  e posso saber mais sobre eles porque, eram livres e se eram livres, se tinham terras! Então se tinham terras ou se tinham documentos. Disse então, vou saber mais, se está no presente devo ter primos que se chamam Congo, e tenho primos que antes não conhecia, tenho um que é pastor de uma pequena Igreja separatista  que se chama Herman Congo. Agora esta igreja tem um cemitério cheio de Congo, e a última vez que estive lá na Igreja, encontrei uma prima minha que por acaso, vai a outra Igreja, que curiosamente também tem um
cemitério cheio de Congo, e tem sido uma oportunidade para reconstruir à minha árvore genealógica com ajuda dos primos e também com os arquivos.


SA- Em função dos testes de DNA, que fez e das informações que tem  nos Estados Unidos, de uma maneira geral das pessoas têm estado a fazer estes testes, são mais africanos de origem Angolana ou de outras partes de África?
SW- Bom! Não sei dizer, porque não tenho acompanhado estas pesquisas, mais  logicamente que são angolanos, porque a maioria é....(Risos). Mas é lógico  mais  não sei se, se têm feitos estudos deste género, comparando com as partes de África  que são mais bem representadas nestes estudos, mais acho que houve um actor de TV  Criste Wear, que esteve em Angola, porque era de origem angolana e me parece que veio um outro elemento que agora não lembro do nome, mas existe um outro  problema que tem a ver com à falta de amostras de ADN de Angola, por exemplo, disseram-me que o meu DNA era de Angola, que definiram  como tendo nove etnias, mas disseram-me que não temos amostras para sabermos se são de origem Bakongo, Umbundu etc. Não sabemos nada.


SA- Qual foi o papel que as Igrejas protestantes jogam na consolidação das identidades africanas?
SW- Oh! Nos Estados Unidos a Igreja foi é ainda a nossa instituição mais importante, a Igreja protestante, porque como sabe é um país que foi criado pelos Britânicos não é? A maioria dos africanos americanos são baptistas ou metodistas, e alguns pentencostais também, então a Igreja sempre foi um lugar de reunião, as primeiras reuniões politicas, as Igrejas, as Escolas sempre foram espaços de consciencialização
da cultura, as nossas Igrejas não são como as Igrejas europeias, não tem nada a ver, a musica é quente, tem ritmos e nos lugares onde o  tambor foi proibido mas as mão não foram, os pés não foram , nas nossas igrejas há sempre boas musicas, bons ritmos, a nossa musica  popular saiu da Igreja. Num determinado dia  estava na casa do meu avô ,  ele  estava a escutar musica religiosa na Rádio, a seguir ouvi um outra musica popular minha na Rádio, que mudaram apenas uma palavra. Era, “Stand by me , Jesus  Stand by me baby “ fica ao meu lado Jesus e fica ao meu lado baby...(Risos). Então, a Igreja tem sido importantíssima na continuidade da cultura, era o lugar mais importante da resistência, por isso é que muitos dos nosso lideres são pastores, Marthing  Luther King, Jeace Jesse  Jackson, Du Yan, e  Andrew Young que foi o primeiro embaixador africano americano que representou os Estados Unidos na ONU, nos Estados Unidos era pastor também.


SA- Como é que está o nível de conhecimento da África por parte dos americanos?
SW- Oh! Horrível...(Risos). Eu diria que temos três imagens de África,  a maioria das pessoas nos Estados Unidos, pensam que a África, ou é selvagem ou é um desastre. É selvagem pelas antigas imagens do Tarzhan, e agora é um desastre pelas imagens das guerras, nunca temos imagens de uma África sofisticada, nunca temos imagens de edifícios sofisticados como este não. Angola, agora quem fala de Angola?    Quando havia guerra, sim se falava de Angola, mais agora, o quê? Para dizer o quê?...(Risos) . Que tem engarrafamentos como ninguém imagina como em Nova York... (Risos). Não temos esta imagem de África. Então, temos esta imagem negativa, também entre nós africanos americanos, há pessoas que têm uma imagem  muito positiva, muito romântica, que somos todos filhos de reis e rainhas, África....tantos reis e rainhas, mas é o que eles pensam, e existem aqueles poucos que vêm a África e que sabem como é,  sabem que é um lugar como os outros, que não é trágico nem romântico,  é um lugar com pessoas. mas então, as pessoas que conheço e que vêm a África  gostam muito e vêm muitas vezes, gostam dos africanos, da hospitalidade das comidas das danças das musicas, mais das coisas que penso que seria bom para vocês e nós, seria conhecermos mais sobre à presença de Angola e de África, mais sobretudo de Angola   em todas as  Américas isto não aprendemos, aprendemos que os africanos foram involuntariamente as Américas só para trabalhar, foram como braços e corpos, mas não foram como cabeças, porque a África não tinha cultura, não tinha civilização, os africanos não sabiam nada, é o que aprendemos. Agora, o que estamos  aprender é que a base das tecnologias que criaram as Américas são africanas , que a mineração de ouro nas Américas são de ouro é africana, eram  indígenas  mais que foram mortos, pensamos que a mineração de prata também fosse, mas é falso, éo resultado do trabalho dos indígenas  das Américas, as comidas, à agricultura da América tropical são africanas,  comemos o Calulu, o Mondongo, o Wandu  que é o nome em Kikongo da ervilha (assim me disseram), que na Martinica   se chama feijão de Angola, e no Haiti dizem feijão do Congo, estamos conscientes  da presença angolana nas Americas, não conhecemos a História presente das Américas, por exemplo, estou a terminar um livro agora com um grupo de afro ….americanos que falam espanhol,  que tem por ai nove ou dez capítulos, em cada capitulo  fala-se da  alguma coisa que tem a ver com Angola, o meu santo preferido no mundo é o São João Congo,  é um Santo mulato fálico da Venezuela, quando fazem a festas em sua homenagem o que eles cantam o “ Malembe Malembe,  San Juan sé biene sé bá “ que quer dizer calma, devagar. Acho que seria bom os angolanos saberem, o quanto contribuíram na criação e desenvolvimento de todas as Américas nos Estados Unidos, conheço pelo menos seis lugares, no sentido de já ter lido e já fui pessoalmente a um que se chama Angola, já falei da minha famila Congo, uma parte desta familia aconteceu num lugar que do Estado de Galwear que se chama Angola, fui e tive que ir ver, no Estado de Nova York tem Angola, na Carolina do Norte tem Angola, em Virgínia tem Angola, na Florida tinha uma comunidade Teombola que se chama Angola, e a Cadeia no Estado de Lwiseara uma grande Cadeia  ...(Risos). Bem, não sei,  mais acredito que antes de ter esta cadeia era um lugar onde havia uma comunidade ou um espaço que se chamava Angola


SA- Ainda no âmbito do desconhecimento dos Americanos de Angola, segundo o professor Bender, dizia que os seus estudantes perante o mapa de África, tinha uma grande dificuldade em os países africanos, grande parte deles só conseguiam identificar a África do Sul, o resto era muito difícil para eles. Até que ponto é que este indicador pode fragilizar a imagem do nosso continente peregrino?
SW- Bom! Há muita gente que pensa que África é um país, e a África do Sul é a capital deste pais que se chama África, é a ignorância no Estados Unidos do mundo de fora, que é horrível, mais também há muita gente nos Estados Unidos que no Mapa dos Estados Unidos, não encontram Arizona, não encontram Air Rall... (Riso). Então, a nossa ignorância perante a geografia africana  é tanta comparando com a nossa ignorância em relação ao nosso próprio país onde vivemos. Mais já está a melhorar, sobretudo a nível das Universidades, a nível das escolas primárias e secundarias a imagem de África, se existe uma imagem é péssima e não representa à realidade, não sabem que África tem mais de cinquenta países, viajei com um Senegalês, um dos meus conterrâneos ele, perguntou  ao senegalês. Você é de a onde? Ele respondeu: eu sou do Senegal, ele retorquiu não estou a falar da sua Aldeia, não o seu país é África?   É incrível, mas agora tem uma coisa, bastante maravilhosa lá nos Estados Unidos, mas pouco conhecida, que é uma reinterpretação da criação da sociedade Norte americana, o lugar  onde os britânicos chegaram em 1607 e James Town , na Virgínia, eu morava ali, mas nunca tive curiosidade de lá ir, porque era  sempre a mesma história colonial dos britânicos, que haviam chegado os bons britânicos em busca da liberdade, que haviam encontrado selvagens que não deixaram os bons britânicos viveram em paz. Agora, com os outros britânicos que chegaram depois num barco, levaram consigo vinte poucos negros num determinado lugar, agora temos uma reinterpretação do comercio dos Estados Unidos, tem um Museu maravilhoso, a história diz que quando os britânicos chegaram, encontraram os Calrenter, os indígenas desta parte de Virgínia, tinham nome, tinham uma civilização, tinham indivíduos com nomes, tinham tecnologias, esta é parte de dentro do Museu, na parte de fora podemos ver a reconstrução de casas, por exemplo existe uma casa dos Peauter, que explicam a lógica da casa, havia lá sempre um pequeno fogo, que era fumaça, para quê? Bom! Por causa dos mosquitos e para perfumar a carne, os peixes, e fumaça ficava acima da cabeça das pessoas, era muito prático, dai os negros genuínos que haviam chegado já não eram genuínos, eram angolanos que estavam num barco, que iam para Vera Cruz no México, era um barco Espanhol que se chamava Tesouro, e os britânicos atacaram aquele barco,   retiraram vinte e poucos angolanos, é por aqui que se conta a história dos angolanos, se mostra  a tecnologia, se compara por exemplo uma Hatcha, dos Angolanos, do britânicos e dos Pelvetear,  isto para mostrar que a tecnologia dos três povos naquela  época em 1600, eram mais ou menos parecidas, antes da revolução industrial que veio a mudar tudo, falam da Rainha Nzinga, como a heroína que era, até tem um filme  sobre os angolanos. Agora, os angolanos fazem parte da criação dos Estados Unidos, acho maravilhoso, mas pouca gente sabe deste detalhe.


SA- A nível da  academia, haverá nos arquivos americanos teses  estudos bem desenvolvidos sobre Angola?
SW- Sim! Bom, as boas Universidades têm estudos africanos e estudos  da Diáspora africana, bem, não quantos, mas acho que tem, sei que existem teses, há bastantes documentos, agora sobre a relação entre Angola e os Estados Unidos,  há um livro muito mal escrito...(Risos) de uma pessoa que diz-se ser descendente destes angolanos, mas infelizmente o livro não é muito bom,  por não ser  bom, acabei por me esquecer do titulo do livro e do nome do autor, mas temos muitos dados, a nossa ignorância não resulta da falta de informação, é falta de interesse sobre África, mais à África só tem pobreza, só tem tragédias e não me interessa,  mais  também conhecemos muito pouco da América do Sul, não é? Quando dizemos por exemplo eu vou a Bolívia, perguntam-nos onde fica? Nós nos Estados Unidos, não somos os mais africano, os mais africanos são os brasileiros, e os colombianos, locais onde existem uma densidade de afro descendentes, na Colômbia que é a Consta pacifica da América do Sul, há comunidades só de afro descendentes, sem  mestiçagem, tenho imagens de comunidades do Norte do Equador na província de Esmeralda, que é uma província bem afro descente, onde se toca a marimba, que  consideram ser um instrumento emblemático dele, a marimba que vocês aqui têm, bem, não tem exactamente o mesmo formato, eles acham que é um instrumentos originário das Américas dos mal chamados Índios, pude mostrar umas  imagens do  Norte do Equador, que existem várias africanos, não importa a origem, são africanos genuínos, todos diziam, bom é África, eu sou dos Camarões, por ai em diante.  Acho fascinante  esta presença.


SA - Quanto a questão da Diáspora africana nos Estados Unidos, independentemente de se verificar alguns desfavorecidos, mais também há uns bem posicionados, com um um suporte intelectual e financeiro aceitável, até que ponto é que esta Diáspora poderá ajudar o seu continente peregrino, no sentido de lhe dar alguma dignidade e um outro desenvolvimento?
SW- Acho que o desenvolvimento de África, está nas mãos  dos africanos, mais  tem havido esforços dos africanos nos Estados Unidos, têm influenciado as politicas nos Estados Unidos, como é o caso do acto de desenvolvimento  de África, que visa facilitar as importações para os Estados Unidos, vindas de África , o problema é que os asiáticos estão a quebrar algumas das indústrias de exportação   de África e penso que existem esforços no sentido de se ajudar os países africanos a serem mais democráticos e terem melhores eleições,  existe hoje um maior interesse,  há uma organização de desenvolvimento, Africare, que é uma organização  Africana- Americana, e que o interesse é só o desenvolvimento dos países africanos, já existe a quarenta anos é uma das agências de desenvolvimento  que faz a menor quantia do dinheiro que recebem para os seus próprios gastos, a maioria do dinheiro angariado é para o desenvolvimento dos países africanos, não sei se eles estão em Angola. Vocês são ricos?...(Risos). Luanda é o lugar mais caro, onde eu tenho estado(Risos).


SA- Há autores que defendem que devia a ver uma maior solidariedade entre os africanos, da Diáspora, em relação ao nosso continente peregrino, no sentido de fazer com que  pudéssemos atingir outros níveis de desenvolvimento. Qual é a sua virtude de razão a este respeito?
SW- É, penso que nós partilhamos uma mesma história, quer dizer, se eu quero conhecer a minha historia tenho que conhecer as histórias dos lugares  africanos e, claro não moramos no mesmo continente, e a historia bifurcou o momento, mais me parece que a solidariedade entre nós, só pode servir de ajuda se for reciproca, a nossa ajuda nos interessa saber da nossa história antes de chegarmos as Américas , claro que começou com a escravatura, a escravidão não é de facto uma boa maneira de começar uma historia, mais devemos considerar que foi uma pequena parte da nossa história em geral, nos dá uma outra opinião de quem somos,  uma das coisas que acho importante, é saber que eu não me considero como parte de uma  pequena minoria oprimida, primeiro é que a minha identidade diz que eu sou a Diáspora africana, com passaporte dos Estados Unidos, ...do barco negreiro,  os meus descendentes decidiram onde queriam ir, logicamente que seria brasileira, não  é? Por a maioria dos afro descendentes nas Américas agora, são brasileiros, o Brasil é o segundo país africano, em termos de população.


SA - O presidente Obama, depois de tomar, na sua primeira visita ao nosso continente dizia “ África precisa de instituições forte e não de homens fortes para desenvolver” que leitura faz desta frase?
SW- Bom! Eu acho que é verdade, como sabemos existem muitos países africanos que são caracterizados por terem umas pessoas fortes, homens  cujas palavras são mais importantes que as instituições, podem mudar a constituição  por exemplo , é difícil um país depender somente de uma pessoa, de instituições que existem com o fim, um burocracia que funciona,   uma tecnocracia que funciona com o sim a qualquer pessoa, penso que é o ele queria dizer e penso que era também uma crítica dos chefes de Estado que ficam e que ficam e que ficam, do ponto de vista de quem é dos Estados Unidos onde o presidente não pode ficar mais do que oito anos, tem a possibilidade de mudar, mas também eu posso dizer que compreendo que os primeiros presidentes africanos ficaram e ficaram e ficaram, para  criarem uma nova sociedade, compreendo esta ideia de não estarem abertos muitas mudanças, no inicio da criação dos países independentes. Porque não é fácil, fiz a tempos uma conferência onde abordei as questões ligadas aos países europeus de África. O que é um país europeu de África? Foram os que criaram as fronteiras africanas,  a África não estava em Berlim, quando se criaram as fronteiras, se vocês estivessem, vocês africanos estivessem criados os vossos países seriam diferentes não é? E os problemas que vocês têm? Porque os britânicos, os franceses, juntaram civilizações que não tinham nada em comum e que não eram os melhores amigos, foi feito para criar problemas . Então, compreendo a necessidade de uma continuidade de pessoas, mas tem que a ver instituições forte.


SA- Alguns críticos do sistema norte americano, dizem que este modelo, mais sociedade civil e menos Estado foi um dos motivos que presidiu a crise económica financeira nos Estados Unidos, por isso é que defendem opção de pessoas fortes em detrimento de instituições fortes, qual é a sua virtude de razão face a este perspectiva de análise?
SW- Bem! Não conheço bem a economia, sou vitima da economia...(Risos), mais  foram uma as politicas do regime anterior que permitiram a criação dos problemas que temos hoje, não este governo de hoje, mais a minha opinião  não é muito informada.


SA - Alguns políticos africanos que dizem que a democracia foi nos imposta pelo ocidente. Que nós em África devíamos ter o nosso modelo de democracia, o que nos tem a dizer sobre esta tese?
SW- Penso que é óbvio que vocês têm que ter instituições que se desenvolvem logicamente do seu passado, impor um sistema que funciona num outro lugar , é lógico que não funciona, há todo um raciocínio diferente, todas as civilizações africanas tinham sistemas políticos, sistemas económicos que funcionaram. Teria sido melhor para vocês, desenvolver uma modernidade africana, sem interferência, mas houve quatro centos anos de exportação de africanos. E exportação que quais africanos? Não eram os mais fracos, os mais estúpidos. Então perder tanto gente em tanto tempo foi um problema, e logo a colonização interrompeu todo processo histórico de todos os países africanos, o que vocês têm que fazer, não estou a dramatizar, mais é a natureza do processo, é criar uma síntese das suas histórias, das suas instituições e de tudo que vos foi imposto, é complicado, não será uma tarefa fácil, porque há pessoas que não querem que a África desenvolva independentemente e para os africanos.


SA - Uma última pergunta um pouco provocatória, enquanto Antropóloga, acha que Angola é uma nação?
SW-  (Risos) Bom! Acho que sim, tem fronteiras, tem um governo,  do meu sentido de nação, é uma Nação, eu não compreendo muito bem as teses que dizem que não somos não, acho que é, não tenho problemas com esta designação, é uma nação tem que ser uma Nação, tem que continuar como uma nação, porque senão seria muito complicado, porque as Nações africanas que existem agora, como o Sudão, o Mali, se dividirem em dois países, mais penso que o que em agora é o que vai ter, temos que imaginar como é que se pode criar uma maior coesão numa situação artificial. Porquê artificial? Porque é artificial.  

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