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As literaturas africanas derivam dos países europeus, diz Manuel Lima Destaque

Escrito por  Claúdio Fortuna
Para edição de hoje deste espaço de entrevistas com os que ensinam literatura, trazemos a estampa os argumentos de razão do Professor Doutor Manuel dos Santos Lima, um intelectual com provas dadas na literatura e sobretudo na academia, hoje na condição de professor jubilado, com largos anos de experiência e com idade para ter razão, nesta conversa o nosso interlocutor fala sobre a relação que se pode estabelecer entre a nossa literatura e as outra literaturas africanas, sobre à angolanidade na literatura e do papel que as Faculdades de Letras podem jogar no estudo literário angolano.
S.A- Enquanto professor, como é que avalia as literaturas africanas neste momento?

 

M.S.L- As literaturas africanas derivam dos países europeus que, colonizando os respectivos territórios africanos, impuseram a sua escrita, pois que, como sabe a África é essencialmente, o continente da oratura e não da literatura. Passou-se algo semelhante no plano político, dado que os Africanos copiaram o modelo de organização dos estados Europeus. 

 

S.A- Em que lugar colocaria à literatura angolana no naipe das literaturas que se produzem nos países africanos de expressão portuguesa?


M.S.L- Não há lugares marcados, cada literatura vale por si própria, quanto a mim, as comparações só são validas no âmbito das temáticas abordadas e eventuais influências ou aportes, sem perder de vista os condicionalismos de vária ordem que os moldam e entre os quais destaco, o factor político nos países que ao acederem as independências optaram por regimes de partido único.  


S.A- Gostaríamos, que estabelecesse uma relação em termos de projecção entre as literaturas africanas que se expressam em português e as outras que são veiculadas em francês e inglês.

 

MLS. As literaturas africanas de expressão portuguesa, como as de línguas francesas e inglesas, abordaram a temática do encontro dos africanos com os europeus, pela memória do passado – escravatura e dominação colonial e pela vontade de futuro e auto determinação.       


S.A- Pode-se falar de angolanidade na literatura de Angola?


M.S.L- Embora seja um conceito recente, essencialmente cultural e ligado à ideia de Angola como espaço territorial soberano, entender – se – á por angolanidade literária a escrita produzida por autores angolanos, independentemente da temática.            

 

S.A- Em que medida se pode falar deste elemento, e o que é isto de angolanidade?


M.S.L- Angolanidade é um sentimento de pertença e de identidade, tal como a lusitanidade ou a cabo-verdianidade.


S.A- Quais são os escritores angolanos que são marcas a nível internacional?


M.S.L- Ter maior projecção internacional pode ser apenas por uma questão de marketing ou factores que nada têm a ver com a qualidade da escrita. E é assim que autores há  que chegam ao Nobel sendo praticamente desconhecidos do grande público de certas culturas ou áreas geográficas, assim sendo não tem sentido para mim, citar nomes.   

 

S.A- Alguns estudiosos das literaturas africanas, dizem que a literatura angolana tem força, no naipe das outras dos PALOP´s , em seu entender, como é que é possível ela ocupar este lugar, quando a critica literária que serve de barómetro não é regular, nos últimos tempos em Angola?


M.SL- Compete aos que fazem tal afirmação, justifica-la.

 

S.A- Que papel pode desempenhar as Faculdades de Letras, para o resgate da critica literária em Angola?


M.SL- A Universidade deve indicar caminhos, rasgar horizontes, competindo depois a cada um mostrar o que vale.
 

S.A- Professor, foi criada em 2005, uma comissão multi-sectorial para trabalhar na feitura da história da literatura angolana, que teria a missão de apresentar um draft, em 2009, que infelizmente não conseguiu cumprir com este desiderato, os proponentes e os membros desta comissão têm uma certa dificuldade em se explicar, porquê que não atingiram este objectivo, em seu entender, como é que uma equipa do género deve partir para um trabalho do género?
 

 M.SL- Antes de mais é necessário, que os membros da comissão sejam pessoas escolhidas criteriosamente, em função das suas capacidades reais e não de critérios extra – literários. 
 

S.A- Para terminar professor, gostaríamos de ouvir o seu argumento de razão, em termos de conselhos, para aqueles que pretendem aderir a crítica e aos estudos das literaturas africana? 


M.S.L- O único concelho que um velho professor pode dar aos jovens é o de, humildemente adquirirem, pelo estudo poli facetado e persistente uma formação académica. E que, com intervalo mínimo de dez anos, releiam as obras de seu interesse e verão que, com a idade e a correspondente experiência de vida aos nossos olhos elas ganham nova dimensão.

Fonte SA

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