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A Múltipla Silvana Menezes Destaque

Escrito por  Vírginia Leal Crisóstomo

Entrevista concedida Vírginia Leal Crisóstomo

Uma mulher bonita, sensual, decidida, inquieta, agitada, contemplativa, intuitiva, impulsiva, briguenta, interessante, multifacetada. Foi alfabetizada em casa e freqüentou tarde a escola. Quem sabe, até mesmo por isso, logo cedo se encantou pela poesia. Gostava de recontar para os amigos as histórias que ouvia dos pais e avós, em noites de lua cheia.
Fonte: Interpoética

 

Cursou escola de teatro, no Sesc, só para afinar a interpretação e melhorar a performance. Apesar de jovem, percorreu uma bela, diversificada e longa trajetória pelo território das artes. Estou falando de Silvana Menezes, a produtora cultural, a educadora, a intérprete, a poeta, a mulher. A menina que para fugir da timidez inventa mulheres. A educadora que afirma serem tênues nossas verdades absolutas. Foram minhas impressões, ao entrevistá-la, no Centro de Cultura Luiz Freire, numa tarde agradável de junho. Da conversa informal que tivemos, extraí o material que segue abaixo, transcrito do que foi gravado.

As raízes

Sou de Dois Riachos, lugar muito bonito, distrito de Umbuzeiro, agreste, metade Paraíba, metade Pernambuco, terra em que nasceu Assis Chateaubriand.

Em Dois Riachos, na época não havia escola, meus pais, Jael e Manoel, eram de pouca leitura. Um dia, encontrei na estrada um pedaço de jornal e outro de disco e fiquei encantada, falei com minha mãe, e foi quando chamaram uma professora pra gente, madrinha Alzenira que passou a morar lá em casa durante a semana, dando aula pra gente e pras outras crianças da redondeza, de noite dava aulas para adultos, alfabetizando. Isto durou cinco anos, tempo em que fizeram o Grupo Escolar de Dois Riachos. Mais tarde fomos estudar em Umbuzeiro, andávamos mais ou menos uma hora e meia para chegar ao Grupo Escolar Manoel Pessoa, que era o nome do pai de João Pessoa ou era Epitácio Pessoa, ambos nascidos também em Umbuzeiro.

Minha mãe escutava o rádio enquanto costurava, ouvia rádio-novela e eu ficava por ali, chuleando, com o intuito de ouvir o rádio. Meu pai não gostava, proibia, sempre foi um grande contador de histórias, em noites de lua cheia, nos reuníamos com alguns vizinhos, para ouvir histórias de Camões, mas eram histórias bem diferentes das que conheço hoje, enfim, ainda costuro, mas não tenho um bom corte e por isso todo vestido que faço é godê (rs).

Já naquele tempo, imitava comerciais de rádio, juntava amigos, costurava roupa de boneca e vendia pras amigas (rs).

Histórias de Infância

Um dia de chuva, em Cascavel, que fica no Mundo Novo, perto de Dois Riachos, trazíamos umbus em bacias nas cabeças e a tarde escureceu, chuva bastante forte, encheu as bacias e expulsaram os umbus, que foram caindo na estrada, e as bacias pesadas de água, não atinamos, até que pai e mãe vieram ao nosso encontro, e olhamos pra trás e vimos os umbus, caídos pelo caminho. Essa imagem ficou marcada na cabeça. Nesse mesmo lugar, Cascavel, tinha um nascer de dia tão vermelho que parecia um tição, quando madrugávamos para catar algodão, era belo, imagem tatuada em mim.

Tinha uma senhora, Dona Janoca, ela morava bem na beirinha do riacho mesmo e ela tinha muito piolho e eu adorava catar piolho nela. Eu lembro quando o esposo dela estava muito doente, ela deu a ele uma manga, e quando ele estava morrendo ela toma a manga que tá dando na boca dele, para que ele segure a vela e eu continuei chupando a manga do senhor que tava morrendo e ela botando a vela e ele morrendo e eu ali do lado chupando a manga que era do velhinho que tava babando (rs).

A família

Eu adorava, porque ela contava muitas histórias eu catando, às vezes colocava piolho na minha cabeça, pra ver se pegava pra minha mãe e irmãs catarem piolho em mim, porque minha mãe teve muitos filhos, ela teve vinte e sete filhos que nasciam e morriam de doença da infância. Ficaram nove, um foi assassinado, com dezenove anos, foi quando a gente veio da Paraíba, eu vim primeiro, com nove, dez anos, fiquei na casa de um tio, a família veio depois.

Viemos fugindo da tragédia e porque meus pais pretendiam nos oferecer estudo de melhor qualidade. Somos agora oito, tenho cinco irmãs, Ana, Lúcia, Fau, Graçinha e Taciana, e dois irmãos, César, e Zé que mora ainda em Umbuzeiro e é meu irmão mais velho. E somos hoje Paraibucanos!

A convivência com os irmãos

Com o que morreu era muito bom, éramos muito amigos. Ele, Lúcia, Ana e eu brincávamos muito, montadas nos burros, pescando no riacho. Quando criança eu e Ana Márcia éramos muito parecidas. Éramos vestidas com roupas iguais, mesmo corte chanel, cabelos loirinhos, e ela era muito travessa, tinha o apelido de pinga fogo, aprontava na rua, brigava, me mandava na frente e eu apanhava no lugar dela (rs).

Teve o casamento da minha irmã mais velha, e mãe ganhou umas cambraias e fez vestidos iguais para gente, e comprou sapatos boneca, fitas brancas para o cabelo. Todo sábado, antes da data do casamento, Ana Márcia usava o vestido e o sapato dela. No dia da festa, o sapato dela tava aberto, e ela me convenceu a trocar de roupa e sapato: - mãe sabe que eu uso o vestido e que o sapato está com boca de sapo, vai prestar atenção em mim, mas em você não, troca comigo. Aceitei a proposta, trocamos de roupa. Na hora de sair mãe diz: - não, mocinha, você fica! Eu grito: - ela roubou meu vestido, e ela rindo dentro da Rural. Aí mãe me deu um copo de Crush, e até hoje eu sinto o sabor, fiz um Conto sobre isso, o prêmio de consolação (rs).

A iniciação

Quando comecei a escrever, aos sete anos, escrevia contos esquisitos para minha idade, meio eróticos... e isso era curioso para minha mãe, onde você aprendeu isso? Então, essa produção foi toda perdida, joguei fora, guardei algumas idéias, poesia da infância a resgatar.

A escrita veio muito como diário, coisas inventadas, como desabafo. Até então, pouca leitura ... Na minha casa não havia livros, acho que foi no Grupo Escolar de Umbuzeiro, eu tinha nove anos, quando entrei em contato com livro, literatura mesmo... lembro de um poema de Drumonnd, “fique quieto no seu canto/não ame/ os desesperados do amor/estão atirando tiro no peito”, aí Miró foi à minha casa e eu disse: - Miró esse poema ficou na minha cabeça, a primeira vez que vi eu disse o que é isso? Miro foi na bolsa, abriu na página do poema e me deu para ler, fiquei emocionada e chorei. Foi aí com esse poema do Drummond que comecei a me interessar por poesia, quando ficava ouvindo a rádio-novela e imitando os personagens e eu comecei a dizer poesias.

A atriz/educadora

A atriz e a poeta vieram juntas, a imitadora, a intérprete, porque hoje na verdade eu nem sei mais se sou atriz, eu sou intérprete de poesias - que não é a mesma coisa.

Na época que fiz o Curso de Teatro, minha vida toda era voltada para o teatro, enfrentava grandes dificuldades financeiras, e sempre dizia que quando eu fosse professora de teatro, eu deixaria de ser atriz, realmente, não fui mais ser atriz. Ainda dou aula, sempre estou trabalhando, tenho um projeto de Oficinas para escritoras e escritores, para eles lerem os próprios textos, venho recebendo pedidos de algumas pessoas e depois do Festival de Literatura eu vou me dedicar a isso.

A formação

Fiz o Curso Regular de Teatro no SESC, dois ou três anos, bons professores, os melhores de Pernambuco, na época eu estudei com quase todos, de interpretação, história, trabalho de corpo e de voz... depois eu fiz Letras.

Aí eu fui pra Universidade, fiz vestibular pra artes cênicas, não passei na segunda fase. Eu fiz letras, queria me aproximar mais da escrita, foi bom, bons professores, você lê muito, mas me afastou da escrita, me traumatizou, estou travada por causa da escrita científica, travou o meu criativo, lentamente estou retornando, até a minha vida.

O palco masculino

Continuei os recitais. Depois comecei a me irritar e me afastar dessa coisa dos recitais e de jogar para o retorno, cansei do embate, que não tem a presença feminina bem representada. Durante muito tempo tive com França e com outros poetas essa coisa, eles diziam um poema pra provocar e eu rebatia com outro para calar a boca, parecia uma guerra de palavras e não um recital de poesias, teve um dia que eu cansei e disse: não quero mais.

Vozes Femininas

Aí eu quis fazer diferente, porque os homens são todos juntos, são eles com eles, e porque a gente não se fortalece enquanto mulher, pra provocar com outros argumentos, nos unindo, aí há uns dois anos fiquei pensando nesse negócio de clube da Luluzinha, quando fomos convidadas pra fazer um recital na Anita Garibaldi, durante a Bienal do Livro, aí estávamos sentadas tomando um café, eu, Cida, Mariane e Susana, aí eu disse vamos criar o clube da Luluzinha? Cida já sabia do que se tratava, aí comecei a explicar pra Susana, ela disse: porque não Vozes Femininas. Aí pronto! naquele dia nasceu Vozes Femininas, e temos muitas dificuldades, porque falta tempo, todas as quatro mulheres são muito ocupadas, né? São quatro mulheres com personalidade bem definida, estou muito feliz mesmo com Vozes Femininas, preciso dedicar mais, escrevemos apenas um poema em conjunto que é O Palco.

Eu gostaria de ter mais tempo, eu acho que felicidade viria mais fácil se eu pudesse viver da escrita, do teatro, porque hoje pra você ser atriz tem que ser produtora, sua própria produtora, e eu quero ser atriz, chegar, fazer o papel, receber, fazer o ensaio, não dá... estou me sentido meio cansada.

A apresentadora/produtora

A produtora toma muito tempo, afasta um pouco a autora. Idealizar, produzir, ficar ligada no que está acontecendo, no palco, dando voz a tantas pessoas, que às vezes estão tão lá embaixo que você dá a mão, e quer a mão, o pé, o braço. Aí eu vejo as pessoas surgindo, vão lançando seus livros, e eu olhando, essa coisa de proteção que tenho forte. E também me vejo como única mulher produzindo, à frente de um recital em Pernambuco, pelo menos em Olinda não tem, Recife ainda não. Tinha eu e França, ele brincava dizendo que eu era a Mulher do Dia e ele o Homem da Meia Noite. Gostaria de ter três meses de férias, para dar um tempo para a poeta, para a escritora. E depois mais três ... mais três .... (rs)

A poeta

Por muita insistência de Cida, senão ninguém nunca ia ouvir falar de mim enquanto poeta, só os mais íntimos, saí na Marginal III. Antes eu fazia o recital solitário, eu fui casada com um músico que era também poeta e fizemos alguns trabalhos juntos, música e poesia. Estava caminhando paralelamente ao Movimento de Poetas Independentes de que nunca participei, mas eu estava fazendo poesia.

Aí chega Cida Pedrosa, me conhece na Biblioteca do Nascedouro, e ela começa a pedir meus textos, aí surge o Marginal Recife, depois, por convite de Claudia Cordeiro, entrego, no último momento, poemas para Pernambuco Terra de Poesia. Estou sentada num dos tamboretes dos vinte mortais, no site da Interpoética, mas nunca atualizo.

E agora estou nesse movimento de publicação, pois há muita cobrança, ah! Silvana é atriz, é interprete, mas que tipo de escritora é essa que não publica, eu já tô me cobrando, consegui separar o que escrevi, falta digitar, não tô conseguindo, tá doloroso, aí uma nova amiga ofereceu a secretária para digitar meus textos.

No meu curso de Letras não aprendi muita coisa para ajudar na escrita literária ou no inglês, mas aprendi um pouco de análise literária, então quero ter esse olhar crítico e dizer: - ah esse tem um bom mote, dá pra desenvolver, esse é apenas desabafo, esse é autobiográfico, nada contra o confessional... minha vida tem muita história pra contar.

O estilo

Não sei dizer qual meu estilo literário, tem essa linha autobiográfica, tem a metapoesia tem coisa que já vem pronta.
Tem um poema que um dia estava muito triste, e sento para olhar o mar, então veio:

As andorinhas sobrevoam o mar dos Milagres num fim de tarde de abril, meu coração em dia de agonia Pelas correrias da vida, sem seguranças de chegada, Preso, saltitando em mim, se acalma Olhando a paisagem consagrada, sagrada, Aquele balé me encanta Saio caminhando fascinada pela imagem sublime Atravesso a praça em construção. E paro o dia. Observo as aves de arribação Enquanto o vento divino sopra as águas Olhando a minha direita vejo o sol me sorrindo numa tela de encantadora beleza de cores A desejar-me um até amanhã imponente, certeiro Inebriada, olho para o mar e uma andorinha solta Voa rente às ondas finas. Senti inspiração intraduzível Como se entre ela e o mar, estivesse eu Leve como o vento aquecida de amor e calmaria.

Aquilo pra mim foi uma experiência espiritual, como se a mão de Deus fizesse assim...

O fazer literário

O poema vem pronto, eu só transcrevo. Teve uma noite que eu queria fazer o poema e não saia do canto e, quando o dia amanheceu, meu pai falou:

"Nivana! Nivana! A fulô que tu prantô fulorô! e me encanto com a singeleza de suas palavras quando acrescenta: "A mais mió coisa da vida, é quando no pispiá do dia e na boquinha da noite os campo fica cheim de fulô!"

Não sou uma escritora disciplinada, gostaria de ser, por isso essa relação: Se não veio eu não busco, se vem eu depois não trabalho nele, mas gostaria de estar disciplinada porque eu tenho muitas coisas boas para desenvolver, começadas e não terminadas.

As Quartas Literárias

As Quartas Literárias começaram num palquinho, naquela sala redonda, todos no chão, ambiente de pouca luz, era pra gente do Centro Luís Freire, eu enquanto educadora, tinha talento pra poesia, como atriz, só que nunca aconteceu só pra gente, no primeiro encontro veio um grupo de jovens e fez uma rádio-novela, estudavam conosco arte-educação era semanal, aí a coisa foi crescendo e hoje, nessa última quarta literária de junho, muitas pessoas me falaram: Silvana, eu conheço o projeto há oito anos e estou sentido falta dos nossos momentos, de conversar sobre literatura, do fazer poético, né?

O Quartas Literárias está com a agenda fechada até quase dezembro e olhe que tem grupos que estão querendo se apresentar há alguns anos e não tem espaço.

Eu vi muita gente surgir, vi muita gente que já estava na estrada, né? Porque a Quartas Literárias dá oportunidade tanto para novos como para quem já é consagrado. Vi muita gente que surgiu através da escrita. Tenho depoimento de pessoas que chegaram pra mim e falar que através das Quartas Literárias ele estava até pensando em desistir de tudo e teve um espaço pra falar, pra dizer, teve a auto-estima melhorada e hoje está em projeto de publicação e tudo, eu vi mulheres chegarem escondidinhas, eu cutuco muito as mulheres, para subir no palco, mesmo que seja pra ler e que a presença feminina esta presente, sempre está. É uma experiência muito grande, porque são oito anos, se você somar quantas Quartas já fiz.

Foram várias alegrias, agora no mês passado, aquela quarta dos oito anos, ter tanta gente maravilhosa falando sobre sua literatura, declamando, mesmo com a chuva, aquela Quarta foi fantástica.

Agora, eu não relaxo. Eu gostaria demais, todo produtor é assim mesmo, né? A gente só relaxa quando a produção passa. São todos os detalhes, já tive muitas alegrias com as Quartas Literárias, aí tem a Quarta que eu digo poesia com alma, tem outras menos inspiradas, já chegou Quarta de eu não dizer nenhuma poesia, porque tava triste ou não queria palco.

As perdas

Sou meio pavio curto, eu já briguei muito, eu sou briguenta, já briguei com muitos poetas, sabe? Hoje a coisa está mais tranqüila, acho que por causa de muitas perdas no ano passado, a gente ficou de certa maneira mais unida, perdi grandes amigos, se não era presencialmente, eram duas a três horas ao telefone, França, grande companheiro, Espinhara, grande amigo, o próprio Alberto, Ericksson... Porque se você é poeta e não tem a poesia...

Também não quero sair daqui para Rio de Janeiro ou São Paulo pra fazer sucesso, não, todo mundo sabe que um Raimundo Carrero, se for pro Rio de Janeiro, pra São Paulo, ele fica conhecido nacionalmente, internacionalmente, em dois tempos, um homem que tem a produção que ele tem, tantos livros editados, é o caso de algumas pessoas que têm que ir para o eixo Rio-Sampa para poderem ser reconhecidas. O circuito Rio-São Paulo é muito poderoso e muito injusto, aí vejo as mulheres como Cida Pedrosa, com a Interpoética, junto com Sennor fazendo um trabalho de uma importância tão grande, Heloísa Arcoverde, no Departamento de Editoração da Prefeitura, faz um trabalho maravilhoso.

A mulher com ela mesma

Vou fazer quarenta e um anos em 14 de julho e minhas férias seriam agora em julho, mas a Instituição já me avisou, nem sonhe, você não vai tirar férias, porque o Quartas Literárias tá sem se manter, tenho que correr atrás de financiamento, uma ONG sobrevive assim, vive de projetos.

A mulher vendo e estando no mundo

Não sou de levantar bandeira, de me filiar a nada. Já as tenho aqui nessa Instituição, porque concordo com a luta pela Igualdade dos Direitos Humanos.

Eu também sou educadora no Centro Luis Freire, trabalho com consciência corporal, teatro, brincadeiras com idosos, com confecção de pipas e ir à praia soltar, voltar a ser criança, trabalho com jovens com bonecas de pano, fuxico, senhoras que hoje se dedicam a um trabalho interessante, e eu digo meninas eu ensinei vocês a fazer fuxico? E elas: ensinou, a gente não sabia como é que cortava a roda e um simples detalhe de botar um copo e dá a base que a gente não tinha, você trouxe a técnica. Ensino historia do teatro, oficina de leitura e escrita, aprendendo a gostar de ler no Solar de Ler daqui do Centro Luiz Freire, para professoras, trabalho a intertextualidade da escrita, pra elas trabalharem com os alunos.

O mundo eu vejo como está, desregrado, violento, em transmutação, a natureza está desregrada, né? A gente maltratou demais a Terra, as crianças estão sendo maltratadas, matá-las tal fez Medeia, está na moda, os velhos estão sendo maltratados, a mulher, os homossexuais, um racismo absurdo, eu me penalizo mais com os velhos, porque depois de trilharem uma vida toda e quando vejo um velho abandonado na sarjeta eu fico muito triste.

Projetos futuros

Pretendo levar Vozes Femininas pro Brasil, dar prosseguimento às Quartas Literárias, gostaria que não me tomassem tanto tempo, porque tem o livro, o livro está quase pronto, só falta revisar, editar, não tem título, eu não consigo titular minhas poesias, meus escritos, tinha vontade de colocar o livro sem nome, as Quartas não eram Quartas Sem Nome? (rs) O primeiro cartaz era Quarta Literária, não, então Quarta Experimental Literária, aí foi que eu divulguei as Quartas Sem Nome Literárias. (rs)

É... tem o mestrado, às vezes penso me aprofundar na teoria da literatura, já comecei escrever a idéia do projeto, mas no momento vou sistematizar esses 8 anos com as Quartas Literárias.

Desabafo

Os Órgãos Governamentais querem chegar mais perto da literatura, mas caminham a passos de tartaruga para atingir o objetivo. Em se tratando de eventos literários, o corte sempre chega, cedo ou tarde, ou o financiamento já chega inviabilizando a execução do projeto e no final da história a Literatura fica em último plano, taí pra ver quem quer, é só observar... e vai o aviso que Literatura boa é Literatura viva! Depois não vale a pena colocar nome de rua, nem render homenagens ... (rs)

Os poetas hoje querem ser valorizados, ter uma ajuda de custo, muitos não tem trabalhos formais, vivem apenas da escrita, e infelizmente não vivemos mais na Grécia Antiga, onde aplacávamos guerras... estamos mais para Idade Média (rs). É um caminho lento, e nem todos têm a sorte de nascer numa família que tem condições de ajudar no desenvolvimento da arte da escrita.

Não dá pra você viver de arte, querer viver de poesia, de recitais, vai se cansar, porque dói, dói em mim quando o poeta chega e diz: me dá uma passagem ou me paga um lanche.

Acho que a iniciativa da Gerência de Biblioteca e de Carmen Lúcia Bandeira, de fazer ano letivo da Poesia, dos Poetas vivos também é muito louvável.

Eu lembro que quando surgiram as Quartas Literárias, em maio de 2000, não tinham tantos recitais como se tem hoje. França começava com o recital itinerante, o Eu, Poeta Errante, dando continuidade a um projeto antigo, que era A Sociedade dos Poetas Vivos, né? Aí depois surgiu o da Biblioteca do Nascedouro com seus recitais temáticos, Biblioteca de Afogados, os Afogados em Poesia, Biblioteca de Casa Amarela, com a Invenção de Poesia, o Papacultura, no Cabo de Sto Agostinho, que nem sei como está, o Zine De Cara com a Poesia, A União dos Cordelistas a própria Interpoética, o Quintal das Quintas do grupo Peixearte, o Nós Pós, os recitais nos mercados públicos da cidade e tantos outros, fruto de um trabalho árduo e de muita dedicação.

Experiência Profissional

Atuou em diversas montagens teatrais, a exemplo dos espetáculos Sóror Mariana (papéis: Mariana, Romeu, Sto. Agostinho), sob a direção de Gilberto Brito; vários Poetas em Casa, hoje Poetas da Terra (projeto), direção de Augusta Ferraz; Lobas, direção de Rudimar Constâncio, Na Lâmina Fria do Mar de Orismar Rodrigues com direção de Leidson Ferraz, O Avesso do Corpo e o Sem Fim do Coração de Teresa Tenório com direção de Breno Fitipaldi, O Capataz de Salema, direção de Marcondes Lima, Terror e Miséria no III Reich, direção de Edgard Franco de Sá; O Segredo da Arca de Trancoso, direção de Luiz Felipe Botelho, e em várias outras produções locais. Seus poemas foram dramatizados dentro do Projeto Poetas da Terra, com o título de: Um Poema para Virgínia Woolf, com direção de Wellington Júnior.

Para Televisão, participou de produção da TV Jornal, como atriz em produções da TV Pernambuco, a exemplo de Rosas Roubadas, em comemoração do dia Internacional da Mulher, e em Pernambucanos da Gema, com a direção de Kátia Mesel. E em Brasil 500 anos – para TV Educativa, realizado pela Fundação Joaquim Nabuco, além de outros trabalhos para Massangana Vídeo Som.

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