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«Eu Inspiro-me em Tudo o que a Natureza Nos Dá»

Escrito por  Cremilda Lima

Entrevista de Aguinaldo Cristóvão

 

«O escritor, quer seja de literatura infantil quer seja de outro tipo de literatura para adultos, deve trazer sempre algo que permita que a imaginação possa viajar para este ou aquele país, conhecer este ou aquele aspecto da fauna, da flora, conhecer vivências, porque as vivências de um povo são marcadas por aquilo que é a cultura, o que se realiza no dia-a-dia, a alimentação, os trajes, os seus penteados..»

 

P: Falamos com Cremilda Lima, que escreve literatura infantil tendo-se iniciado na década de 80, época em que provavelmente mais se escreveu com maior profundidade para crianças. Fale-nos um pouco desta época e do contacto que teve com Dario de Melo, Octaviano Correia, entre outros.

 

P: Falamos com Cremilda Lima, que escreve literatura infantil tendo-se iniciado na década de 80, época em que provavelmente mais se escreveu com maior profundidade para crianças. Fale-nos um pouco desta época e do contacto que teve com Dario de Melo, Octaviano Correia, entre outros.

R: A minha actividade como escritora de literatura infantil partiu do facto de eu ser professora do ensino primário, com o Magistério Primário feito em 1962, na primeira escola do Magistério Primário que abriu em Angola, no Bié. Fui exercendo a minha profissão ao longo dos anos. Depois, em 1977, fui contactada pela direcção do Ministério da Educação para trabalhar no Centro de Investigação Pedagógica e Inspecção Escolar, ou CIPIE, para contribuir ou colaborar na reforma educativa. Sabe que anteriormente a 1975 Angola era uma província portuguesa, por conseguinte, os manuais e os programas tinham conteúdos de carácter português. E era necessário reformular os programas, manuais e os cadernos de actividades. Não só adequar, mas fazer uma mudança total, no sentido de lhes dar aquele cunho, que é o cunho angolano, da tradição cultural e do que são as vivências angolanas. Daí eu passei a trabalhar no CIPIE, fazendo parte do grupo de língua portuguesa, para fazer então os novos manuais, guias e cadernos de actividades para o ensino de base, primeiro nível. Começava então a reforma educativa nesse ano em Angola.

P: Aqui foi levada a escrever para crianças...

R: Ora, ao elaborar estes manuais para o primeiro nível, começámos a reformular a primeira classe e o pré-escolar. Era preciso adaptar, fazer histórias, lengalengas, cantilenas. Actividades para que a criança pudesse realizar o seu dia-a-dia na escola. Sobre os conteúdos programáticos, eles estavam divididos em unidades de trabalho: para a pré primeira, segunda, terceira e quarta classes. Nós iniciámos com a primeira classe e o pré-escolar. Então, para estes conteúdos, era necessário criar estórias. E eu, que integrei o grupo de língua portuguesa, passei a criar estórias para cada tipo de conteúdos programáticos. Era aquilo que já gostava de fazer, que era contar as estórias oralmente, porque, antes de 75, a literatura, era a literatura portuguesa. Portanto, sempre tive muito jeito. Gosto muito de contar estórias, gosto de ler, gosto de fazer teatrinhos, gosto de fazer actividades culturais e já no internato onde eu estava fazia isso. Só que possibilidades para escrever e editar é que não tínhamos nenhumas. Então, a partir daí, com a edição dos livros, eu tive uma colega que me incentivou muito, a Irene Guerra Marques, que fazia parte do meu grupo e que me dizia «porquê que tu não editas as tuas estórias? São estórias tão engraçadas». E então surgiu a primeira, que é «A velha sanga partida», que foi entregue ao Instituto Nacional do Livro e do Disco e fez parte de uma colecção, que se chama colecção Piô-Piô, editada em 1982, pelo INALD, da qual fizeram parte 12 escritores. Cada escritor com seis estórias. As minhas foram «A velha sanga partida» e «O tambarino dourado». Depois, havia uma situação que fazia com que eu sentisse cada vez mais gosto de escrever. O Jornal de Angola tinha uma página infantil,com o título «1 de Dezembro», e nessa página havia passatempos, cançõezinhas, histórias, palavras-cruzadas, quer dizer, uma série de actividades para as crianças. O papá comprava o jornal e a criança ficava com a parte infantil. No Ministério da Educação, inclusive eu, tinha um dossier onde arquivava todas as páginas desse jornal e que me serviam também de apoio aos programas e conteúdos programáticos, porque havia inovações e estórias bonitas. Enessas estórias apareciam nomes como o de Dario de Melo, Octaviano Correia, Gabriela Antunes, Rosalina Pombal, Maria do Carmo, Manuel Rui, que escreveu um livro de poemas muito bonito com o título «O Assalto». Havia a livraria Miruí e nós, escritores, quer dizer, principiantes ainda agora não me considero uma grande escritora, porque eu poderia ser uma escritora realmente se visse os meus livros nas livrarias, se eu visse que as pessoas compravam e liam, inclusivamente se a televisão divulgasse, se a rádio divulgasse, pois, se a pessoa não luta por isso, as coisas não aparecem íamos à livraria Miruí e juntávamo-nos com as crianças realizando várias actividades.

P: Recordo-me de títulos que foram importantes na iniciação literária das crianças. A Menina e o Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen, é um exemplo. De que forma os escritores angolanos podem trazer ao imaginário infantil estórias que lhes estejam sempre presentes?

R: O escritor, quer seja de literatura infantil quer seja de outro tipo de literatura para adultos, deve trazer sempre algo que permita que a imaginação possa viajar para este ou aquele país, conhecer este ou aquele aspecto da fauna, da flora, conhecer vivências, porque as vivências de um povo são marcadas por aquilo que é a cultura, o que se realiza no dia-a-dia, a alimentação, os trajes os seus penteados. Quando me fala nesses livros, apesar de fazerem parte dos manuais escolares, realmente deve haver a parte educativa e a recreativo-cultural e aquela parte que nos leva a conhecer outros mundos. Quando me fala, por exemplo, d A Menina e o Mar, quando me fala da Fada Oriana, todos estes livros fizeram parte, também, de trabalhos de pesquisa que nós realizamos. Também não nos vamos ater só àquilo que nós escrevemos. Temos de conhecer outros escritores. O António Torrado, por exemplo, tem estórias maravilhosas, a Sophia de Mello Breyner Andresen, que faz uma visita muito interessante à União dos Escritores Angolanos, escreveu A Menina e o Mar, da qual eu tenho o livro, da qual eu tenho uma cassete. Quer dizer, eu sou uma pessoa que me dedico muito a este tipo de actividades, porque há estórias universais, que devem ser do conhecimento das crianças todas, e tudo isso tem de fazer parte de uma educação que nós temos de dar às nossas crianças.

P: Entre nós já se escrevem, na sua opinião, estórias a que possa colocar o cariz de universal, que podem ser lidas aqui, em Portugal, no Brasil?

R: Vamos falar da Bela Adormecida, vamos falar do Soldadinho de Chumbo, da Branca de Neve e os Sete Anões Eu penso que nós, aqui em Angola, poderíamos atingir um patamar um bocadinho maior. O que nos falta é divulgação, porque as nossas estórias são muito pouco divulgadas. É mais fácil divulgar um disco, divulgar uma música, divulgar o trabalho de um cantor do que divulgar o trabalho de um escritor. Há aqui um livro que eu tenho, As 4 Estórias, que tem uma estória do Dario de Melo, que é uma estória que tem como título «Quem teima e não tem razão». Eu acho que esta estória, bem lida, bem analisada e bem aproveitada E quem fala nesta fala noutras, como «O Grilo e as Makas». O Dario tem uma série de estórias. Eu também tenho já algumas publicadas nomeadamente: O Maboque Mágico, A Kianda e o Barquinho de Fuxi. De mim eu não vou falar porque não me compete, mas as estórias não são divulgadas, esta é que é a verdade. Agora que se fala na inserção das línguas nacionais no ensino: eu trabalhei no CIPIE e depois INIDE eu já estou fora do INIDE desde 91 e nós há muito tempo que tínhamos na nossa programação a inserção das línguas nacionais no ensino. Sempre tive essa preocupação, sempre que eu conseguisse escrever uma estória introduzia termos em línguas nacionais, porque eu acho que isso vai fazendo parte do conhecimento, vai permitindo que as crianças os conheçam. Dizer se temos estórias de cariz já universal, essa é uma questão que as pessoas podem pôr esse cunho, se elas acharem que realmente merecem isso, mas, para mim, se isso falha, é uma questão de divulgação. E eu não sei porquê? Mas as pessoas também não pesquisam,e eu também sei que as pessoas dificilmente têm um livro, há muita complicação, por isso é que não entendo.

P: Voltemos à sua infância. Hoje Cremilda tem a carreira já feita, mas este gosto pelo teatro, a literatura e as canções vêm da infância

R: Eu tenho uma sensibilidade muito grande para tudo o que é ler, para tudo o que é escrever e para tudo o que é comunicar. Na minha infância, eu vivia com a minha mãe e com a minha avó Ximinha, que falava mais quimbundo que português, que falava connosco muitas vezes em quimbundo, em português, e nós acabávamos por entender a mensagem. E depois eu aprendi muito quimbundo com ela, porque eu gostava muito e gosto. A minha mãe também falava muito bem o quimbundo e o português. Então, eu lembro-me de coisas da minha infância. Uma das coisas que me marcou muito foi que eu vivia com duas senhoras mais velhas. Uma delas era a avó Muturi, que nós chamávamos avó Turi, e a outra a Ngonguinha, que eu não me esqueço dela, muito alta; e era a minha mãe e era a avó Ximinha e a minha irmã. Era na altura da Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 45, e havia falta de pão. Eu era muito pequenina, a minha mãe era muito morena e eu com um cabelo muitoliso, muito branquinha. Como havia muita dificuldade em se comprar pão, elas levavam-me à padaria e punham-me logo à frente. Eu era muito espertinha e a senhora ou o senhor que vendia o pão despachavam-me imediatamente porque achavam piada, e elas à espera de mim lá atrás e tinham logo pão, quando havia tanta escassez. Então, deram-me uma alcunha muito engraçada que era «Kajimbolo», «Mucuajimbolo». O meu nome de carinho era Kajimbolo dado por elas e, quer dizer, aquela que traz o pão. Lembro-me dessa minha infância, lembro-me da minha avô Muturi, que era muito alta, magrinha, andava de preto porque ela era viúva e era muito educada. A minha avó Ximinha tinha uns padrões de educação e de filosofia de uma cortesia e de uma educação, que não era preciso andar na escola, porque, nas pessoas daquele tempo, a educação nascia já com elas e transmitiam-nos. Eu, a partir de todas estas vivências no Bairro Operário e depois nas Ingombotas, fui viver com a tia Guinhas, uma senhora que morava nas Ingombotas, que era cega, que tinha uma magia muito grande nas mãos, que curava as pessoas que tivessem entorses e outros problemas. Ela foi a pessoa que ajudou a minha mãe quando eu nasci. A tia Guinhas foi uma pessoa que também muito me marcou. A família Vieira Dias também. Quer dizer, ouve «x» pessoas, mas as mais importantes foram a minha avó Ximinha e a minha mãe, que me deram toda essa vivência. Eu, por exemplo, quando vou na rua e, sem querer, de repente, alguém quer passar, eu não digo «passa», eu digo «bite,bite!». O meu marido acha imensa graça, porque eu gosto de dizer «nga sakidila», xalénu kiambote». Quer dizer, eu acho que são interessantes esses termos, porque são a nossa cultura.

P: Nessa altura, leu alguma coisa...

R: Era isso que eu queria dizer. Então eu era pequenina e a minha mãe já me contou «A cabra e os sete cabritinhos». É verdade, porque ela foi uma pessoa que ficou com a quarta classe, nem chegou a fazer, mas quando eu fui para o Bié fazer o meu curso, ela escrevia-me cartinhas. Quando eu fui para Malange trabalhar, ela escrevia e eu respondia. Ela era uma pessoa que tinha um sexto sentido para as coisas de educar os filhos, de dar todo o carinho e ela foi a primeira pessoa que me contou «A cabra e os sete cabritinhos». A minha avó contou-me também a estória do homem-macaco, do «Zé do Telhado», que era um homem que subia aos telhados, que foi depois parar até ao mar Fui lendo estórias e na minha adolescência li aqueles livros que se liam. «A Condessa de Segur»,«Brigite», havia uma colecção «Savil» de 20 livros, que era um policial, li sempre muito. Gosto muito de ler e uma coisa que vi no internato, que era muito giro, era que, enquanto as meninasfaziam a renda, quem tinha boa dicção e quem lia bem, lia para as colegas todas ouvirem. E isso fazia muito bem.

P: Mais tarde surgia a literatura angolana que veio aumentar a quantidade de títulos para crianças...

R: Os escritores angolanos foram surgindo por altura da independência. Antes da independência, não havia livros de escritores angolanos aqui postos à venda e a circular, mas sei que um dos primeiros livros que for feito no maquis foi As Aventuras de Ngunga, que eu li mais que uma vez, que utilizei para os manuais de leitura para o quarto ano. Havia os livros de Maria Eugénia Neto, E na Floresta os Bichos Falaram, os livros do Octaviano e uma Obra que me marcou e que eu gostei muito foram os livros do Uanhenga Xitu. Não vi no teatro Manana, fiquei com muita pena, porque era muito tarde, mas li o livro mais que uma vez. Kahitu li também, gosto muito, tenho ali, de vez em quando vou ler. O escritor Uanhenha Xitu é realmente um marco na nossa literatura. Li vários livros do Pepetela mas o livro que me marcou e que eu acho que é um ponto de referência muito grande é o livro Sagrada Esperança. Quanto mais leio, mais ele me traz mensagens. Acho que é um livro maravilhoso. Muito inspirador.

P: Falando em Uanhenga Xitu Falou atrás da importância da inserção das línguas nacionais na literatura. Essa narração que Uanhenga Xitu faz à volta de Kahitu, incluindo a introdução de inúmeras expressões em quimbundo, tudo isso torna interessante o ambiente e também traz as línguas nacionais para a literatura

R: Claro! Eu acho que é importante, porque eu, às vezes, estou a ver o programa «Janela Aberta» [Talk-show emitido nos dias de semana na TPA] e realmente vêm os mais velhos cantores claro, os jovens interpretar música angolana. E para mim deveria surgir a tradução. O artista canta e eu até tenho ali um apanhadozinho que fiz, mas liguei duas ou três vezes e não consegui. Porque eu acho que, quando o artista canta em línguas nacionais, não há nada melhor que aparecer a tradução. Porque a melodia é tão linda, mas o conteúdo é tão lindo também. Porque por ser falado em quimbundo toca muito mais a quem entende, e a tradução é muito importante. Porque saber que Paulo Flores interpretou esta música que é muito bonita, interpretada em quimbundo, como Carlos Burity, ou Carlos Lamartine sem a conseguir traduzir toda, a mensagem perde-se. Na altura da independência, entre os anos 75/80, eu sentava-me a ouvir as músicas de Carlos Lamartine e sabia-as todas de cor. Não sei muito quimbundo mas entendo muito. E eu acho que devia haver a preocupação de uma tradução. Porque nós vemos nos programas brasileiros que o artista canta aquelas canções lá do sertão e a tradução está ali. Nós também precisamos de ter ali a tradução, até para poder fazer a ligação de uma coisa com outra. E sobre isso as línguas nacionais, houve um encontro na Biblioteca Nacional, precisa¬mente sobre a inserção das línguas nacionais nas escolas. E eu acho que os programas infantis da televisão deviam de quando em vez apresentar diálogos simples. Como, por exemplo: em vez de dizer «dá-me o prato»/«nguibane o dilonga», devia fazer-se a ligação do «dá-me o prato» com o «nguibane o dilonga». Por exemplo, se eu digo: «moxi, yadi, tatu,» quer dizer que os miúdos a brincar e sem se aperceberem estão a aprender a contar um, dois, três etc. Porque em inglês também aprendem assim. A brincar e a cantar vai-se aprendendo.

P: Aliás, tem utilizado muitos destes argumentos nos seus livros...

R: No meu livro, A Kianda e o Barquinho de Fuxi, se eu lhe perguntar o que é «fuxi», não sei se saberá. Mas porquê que eu introduzi aqui o fuxi? Porque a Kianda é sereia, fuxi é o filho que nasce a seguir aos gingongos, gingongos são gémeos. Eu tenho gémeos e o filho que nasceu a seguir aos gémeos é o fuxi. E a minha avó dizia «cuidado, é preciso vir o «mbolo», porque o fuxi é considerado o criado dos gingongos, os gingongos vão querer mandar». O mbolo é mais amigo do fuxi. E quando os meus filhos nasceram, a minha avó tinha tão arreigadas tradições que tiveram que pôr a mesa, cantar A mim podia não dizer nada, porque eu não vivi esse tipo de actividade, mas seria do maior desgosto para a minha avó e para a minha mãe que não se pusesse a mesa dos gémeos, a convidar outros gémeos para assistir e participar naquela festa. Então, «fuxi» quer dizer «o filho que nasce a seguir aos gémeos». Quem conhece isso pode torná-lo universal, no caso de algum dia alguém se lembrar de lançá-lo cá para fora. Eu às vezes vejo o programa «Kandando» [emiti¬do quinzenalmente pela TPA, a partir de Lisboa] e nunca vi falarem de literatura infantil. E eu digo ao meu marido: «um dia vou lá e peço para a incluírem na programação, levo alguns livros infantis para que as pes¬soas também saibam que a nossa literatura tem aspectos culturais que nós temos que transmitir cá pra fora». É a falta de divulgação que não permite que a literatura infantil seja conhecida e até apreciada.

P: Sugere muito essas nuances culturais no seu livro O Maboque Mágico

R: Nesse livro, O Maboque Mágico e Outras Estórias, eu falo também da tradição, da vassoura de mussesse, da cola e do gengibre, que os nossos mais velhos mastigam de manhã ao acordar, antes de tomar o pequeno almoço, com um bocado de vinho abafado. Que dizer, coisas que temose que precisamos de da-lás a conhecer através da literatura.

P: Como poucos escritores, tem uma preocupação metódica de disposição de texto, imagem e composição de estórias...

R: Eu sou professora do ensino de base, primeiro ciclo. Fiz o meu curso no Magistério Primário como eu disse, fiz uma profissionalização na Escola Superior de Educação de Setúbal. Estive também com um grupo de colegas a fazer, na Faculdade de Letras de Lisboa, um estudo do português como segunda língua, uma vez que a maioria das nossas crianças não domina o português, mas sim a sua língua materna; fizemos um cursozinho sobre isso. Fiz também o ISCED [Instituto Superior de Ciências de Educação em Luanda]. Além disso acabei agora uma licenciatura para o ensino de base, primeiro ciclo, portanto, eu estou muito ligada à criança e muito ligada a tudo o que são manifestações que a criança apresenta. Ora, uma das manifestações que é muito importante é a comunicação. A criança para comunicar com alguém tem de saber e esse alguém tem de saber entender. Eu já não vou dizer que nós já não temos desvios à norma padrão da língua. Temos e eu trabalho há muitos anos no ensino. Já desde 1958 que trabalho, embora oficialmente tenha começado a trabalhar em 64 na escola primária da Maxinde, em Malange, e depois aqui em várias escolas.

P: Como professora que tem lidado com a disciplina de língua portuguesa, tem notado ao longo deste tempo, uma mudança na maneira de falar essa língua?

R: Se eu estou a ensinar um aluno meu a fazer uma redacção e ele lê um texto que não entende, ele vai confundir o texto, que tem uma literatura sem essa tal necessidade de ser padronizada. Eu acho que isso vai criar um conflitozinho na criança. Nota-se cada vez mais que a Língua Portuguesa tem sofrido mu¬danças bastante signi¬ficativas que só a enriquecem. No entanto, é necessário saber aplicar as regras gramaticais. Mas nós temos que ser maleáveis e não vamos aceitar que a criança nos venha dizer: «sôssora! Mi bateram naquela miúda!». Ora, eu, ao dizer «Não. Não é mi bateram naquela miúda, mas aquela miúda bateu-me», tenho de corrigir, porque de repente estamos na televisão e cada um fala e ninguém se entende. E os livros, para que servem? Eu tenho realmente a preocupação de escrever a minhas estórias de forma clara, simples, utilizando uma expressão vocabular que as crianças entendam e, quando não entendem, eu faço um glossário. Uma linguagem que vá de encontro àquilo que elas estão a aprender e têm de escrever, na sua redacção, ou na sua composição. Eu acho que é fundamental que se escreva bem para que as crianças também aprendam a escrever. É recrear, trabalhar o imaginário, ultra¬passar este dia-a-dia com uma rectidão de linguagem.

P: Para quem acompanha a sua base bibliográfica nota que na maior parte das estórias sobressaem dois aspectos fundamentais: a solidariedade e a necessidade de paz. Concorda?

R: Realmente. Eu também sinto isso. A solidariedade leva a que as pessoas consigam realmente trilhar um caminho na vida que não vá magoar terceiros com quem convivam. A solidariedade permite, como o termo diz, a ajuda mútua. A solidariedade não permite o egoísmo; quando há solidariedade, há mais entrega, mais paz e realmente a pessoa sente-se realizada. E eu acho que é bom incutir isso nas crianças. Eu, há dias, ao estabelecer regras com os meus alunos na sala de aulas, uma das coisas que quero que eles não esqueçam é a ajuda aos outros: a solidariedade. Porque a criança, para ser feliz, deve sentir que os outros a estimam, ela tem de se sentir bem, não se pode sentir rejeitada, porque ela é sincera, não é mentirosa. E quando ela aprende a mentir é porque já algo a martirizou. E quanto à necessidade de paz, eu acho que a paz dá conforto, a paz dá sossego, a paz permite sonhar, porque a guerra é muito complicada e não permite esta sensação de bem-estar, de sossego, de segurança. Eu acho que a paz é absolutamente necessária e a solidariedade também.

P: Um escritor, para transmitir todos estes valores ao leitor, sobretudo a uma criança, precisa necessa¬riamente de viver o mundo das crianças?

R: Para mim, não é nada difícil responder, porque eu vivo o mundo das crianças e de que maneira: eu sei colocar mediante de uma criança, sentir-me uma criança também e poder partilhar com ela as alegrias, tristezas e dissabores, nem que esteja aborrecida, triste, magoada com alguma coisa. Quando vejo uma criança triste, solitária, com alguma situação que possa minorar, esqueço as minhas preocupações e debruço-me, falo com ela e sou capaz até de ter menos, para poder fazer com que uma criança seja feliz. Ao contrário, se eu noto que uma criança é rebelde porque quer ser rebelde, não quer acatar os conselhos, acha que adulto está sempre a dizer coisas e acha que é aborrecido, é preciso dar-lhe a volta. Porque, se dissermos à criança «tu és isto, isso e aquilo», ela ainda fica pior. As coisas não melhoram «carregando» nelas. Se lhe dissessem «tu és horrível», ficarias mais afundado, mas se te dissessem «olha que tenho notado que estás a precisar de algum apoio, precisas de alguma coisa?! Queres que eu te ajude nisto ou naquilo?», a auto-estima sobe modifica e tudo fica melhor.

P: Angola figura entre os países onde, de acordo com relatórios da ONU, há piores condições para se ser criança. Como digere, como escritora e professora, estes factos?

R: Estes dados são muito difíceis de digerir. Difíceis mesmo. Há aquela canção que diz «eu sou criança eu sou flor/ eu sou a esperança do amanhã/ dentro de mim eu levo a paz/ para construir um mundo melhor». Criança que não consegue ter um ambiente sadio em casa, com as mínimas condições. Eu não estou a falar em grandes condições. Criança que não tem uma caminha para dormir, um banhinho para tomar, que não tem uma roupa para vestir, que não tem um carinho, que não tem escola, minimamente o caderno, o livro e um lápis, que não chega a casa com um sorriso, essa criança não pode ser feliz. E nós, os adultos, temos de lutar para que essas crianças encontrem este ambiente. Mas, na nossa terra, bem ou mal, podemos ter muitos problemas, mas estamos a procurar melhorar.Vemos na televisão,que há países onde as crianças estão numa situação»... Porque há guerra, porque há atritos, isso é horrível. Eu vi uma reportagem do Bié e fiquei feliz, porque estive no Bié e as coisas estão a melhorar, no Huambo as coisas estão a melhorar, no Lubango Nós aqui [em Luanda] temos muita gente [mais de 3 milhões de habitantes], por isso notamos mais, porque se nas nossas províncias começarmos a ter condições No Moxico, na Lunda Norte e na Lunda Sul. Eu já estive na Lunda Sul, em Saurimo, a fazer seminários e já têm um Instituto Superior de Ciências de Educação. Já se pode ir a Benguela de carro, de Luanda até ao Lubango também. A nossa terra está a melhorar e as nossas crianças vão melhorar também as suas vidas. Mas é claro que nós temos de fazer cada vez mais por elas, porque ainda falta muito. Luanda está super¬povoada e quem sofre mais com este superpovoamento são as crianças.

P: Como escritora, fica angustiada por saber que mais de metade das crianças angolanas não poderão ler os seus livros, porque não puderam ter uma alfabetização?

R: Eu tenho estado muito preocupada com isso. Para mim, as estórias infantis, os escritores como Dario, que tem tantas obras, como a Gabriela, que já não está entre nós e que trabalhou tanto, o Octaviano Correia, a Celestina Fernandes, a Maria do Carmo, a Rosalina Pombal, a Maria Eugénia Neto, o Manuel Rui Monteiro, que escreveu A Caixa primeiro livro publicado depois da independência e que devia ser reeditado. Para mim, nem são as crianças que têm culpa disto tudo. Se for visitar as livrarias, em Luanda que livros infantis encontra de escritores angolanos? Quase nada. Ora, eu tenho aqui nove livros. Tem de haver divulgação e, principalmente, tem de haver intervenção para as crianças poderem comprar. Há dias, fez-se um lançamento na Rádio Nacional e poucas pessoas foram comprar livros. E eu não sou contra o facto de se comprar discos, também têm de ser vendidos, mas a divulgação que se faz de um lado e do outro é um bocado diferente. Porque eu estive lá e dizia para a menina do Kaluanda Piô, «então vocês não vêm aqui fazer o programa?», e ela, «o material ficou lá dentro...». Esperámos e nada. Precisamos divulgar, nas rádios, na televisão, nas escolas, porque, com o tempo, as coisas vão cada vez esmorecendo mais. Para mim, deve haver mais edições. Ir buscar à UEA, ao INALD, a Nzila, etc, a lista dos livros já publicados, fazer novas edições e incidir nestas publicações actividades culturais com crianças. Para que realmente a literatura tenha lugar.

P: Falamos há pouco de Luanda, Lubango e outras províncias de Angola. Depois de ler alguns dos seus livros, fico com a impressão de que eles cingem-se a um espaço senão rural, pelo menos fora das grandes cidades, onde há muito contacto da criança com a natureza. Isso é notório em livros como O Tambarino Dourado e A Missanga e o Sapupo (editorial Nzila, colecção Lwini, 2001).

R: Vivo há muitos anos numa zona de cidade de Luanda onde o ambiente sempre foi muito verde e acolhedor. Dois grandes jardins com muitas árvores nomeadamente o Jardim da Cidade Alta e o do Parque Herói de Chaves. Há uns anos as coisas têm estão a mudar. A rua do Casuno não era assim. Não tinha tantas casas e o parque Hérois de Chaves era uma maravilha. Tinha um jardim muito grande, tinhas rosas de porcelana e o tambarineiro que serviu de inspiração para a minha estóriaé um tambarineiro que existe aqui na zona da rua do Casuno. Por isso é que dizes que o tipo de meio não era propriamente rural, mas existiam muitas hipóteses, porque havia grandes jardins, havia muitas árvores. E nas barrocas há um grande imbondeiro e foi esse imbondeiro que me deu a inspiração para a estória, A Múcua que Baloiçava o Vento, O Tambarino Dourado, já vai, salvo o erro, na terceira edição. É como O Maboque Mágico. Aqui há maboques e nós também temos coisas misteriosas. Eu também posso imaginar que o soba, mais velho de um quimbo, que quer ajudar um menino a atravessar um rio, pode trazer algo mágico e esse algo mágico é o maboque. Que também há palavras mágicas, «boque-maboque!», e as coisas vão acontecendo. Portanto, nós, com as nossas frutas, fazemos literatura maboque não há em todo o lado, só há uma terra com um fruto com o nome de maboque e essa terra é Angola. Mussulo, Uma Ilha Encantada: isto é Angola. Estes livros transmitem aquilo que é a nossa terra. IO livro O Balão Vermelho já foi vendido em Portugal há muitos anos. Foi editado pela Ulisseia. Eu fui lá e comprei o livro, ainda não consegui, mas vou reeditar.

P: Os seus personagens não variam muito: meninos de um quimbo, animais selvagens ou insectos, enfim, a fábula e a personificação estão sempre entroncadas...

R: Eu inspiro-me muito nas coisas da natureza. Por exemplo, eu vejo daqui aquela mulembeira. Essa mulembeira de repente fica frondosa e dá-me vontade, quando olho para ela, de criar uma estória relacionada. E porque é uma árvore milenar, antiga da nossa terra... Por exemplo, eu tenho muitas plantas no meu quintal e ultimamente eu tenho ido muito à Barra do Kwanza. Então, pelo caminho eu tenho a alegria e o prazer de ver maboques e vêem-se muitos imbondeiros e cajueiros. Quer dizer, eu adoro a natureza, a natureza inspira-me e tenho aqui uma pitangueira, um mamoeiro que no mesmo buraco criaram as suas raízes. E às vezes passo por aí e digo: «vou criar uma estória em que o mamoeiro e a pitangueira casaram», embora também tivessem cada um os seus filhos. Há um abraço fraterno entre os dois, porque eu acho que a natureza inspira coisas belas. Eu inspiro-me realmente na natureza, nas árvores, nos animais, nos frutos, em tudo o que a natureza nos dá.

P: Mas há uma base temática interessante que sobressai no livro A Kianda e o Barquinho de Fuxi, que é a adaptação de um ritual tradicional à escrita infantil...

R: Para os adultos, a festa da Ilha tem um significado,e há a organização de uma aquela actividade cultural, criam-se as barracas e as pessoas vão festejar, tipo piquenique. Depois, há um ritual em que as comidas e bebidas são deitadas ao mar, há xinguilamento E para as crianças o que é que há? Eu penso logo nelas. Então pensei em escrever esta estória. Mas realmente a ideia foi de que as crianças também tivessem conhecimento de que a festa da Kianda tem um significado cultural que elas têm o dever de saber.

P: O Maboque Mágico é considerado, também, como um livro infanto-juvenil, Ou seja, se antes escrevia menos,letras maiores e mais desenhos, nos seus mais recentes livros nota-se um sentido diferente. Pretende abarcar outro escalão de leitores, nomeadamente os jovens?

R: Acho que não tenho esta pretensão. Os alunos da quarta classe lêem perfeitamente esta estória, quinto e sexto ano também. Desde que a mamã pegue nas gravuras e faça a leitura de imagens a criança vai entender a estória. A estória dá para crianças, como adolescentes e até adultos. Mas há realmente um tipo de estórias que devem ser manuseadas pelas crianças como a A Missanga e o Sapupo. Isto é para também dar a entender ao professor que, com desperdícios, pode-se fazer muita coisa. Uma criança que nunca teve uma boneca pode perfeitamente com o caroço de milho, com as barbas do milho, o sapupo, fazer uma boneca. E nós antigamente usávamos o sapupo para esfregar os quedes [sapatilhas] e as barbas de milho dão também para fazer chá. O problema que me está a colocar acho que não é exactamente este. Esta estória é maiorzinha realmente, eu tenho várias estórias para os mais pequeninos. A minha tendência é sempre de escrever para os mais pequeninos. A minha vocação é trabalhar com crianças do pré-escolar até à quarta classe. Até ao sexto ano ainda vou lá, mas, depois, já se torna um bocado complicado, porque eu gosto muito desta infância, desta idade dos sete aos doze anos.

P: Dá razão à crítica que se faz aos seus livros, quando coloca propositadamente objectos que já não fazem parte do quotidiano das crianças do centro urbano a quem os livros chegam mais facilmente, nomeadamente a vassoura de mussesse, o moringue, o kissonde. Como é que estas crianças podem digerir estes elementos?

R: A minha preocupação em escrever sobre a sanga, a moringue, sobre o kissonde, sobre o maboque, estes termos todos que as crianças não conhecem, é precisamente reportar as nossas crianças às nossas tradições. Porque o adulto que está com elas sabe perfeitamente que estas coisas existiram. E se não sabe deve pesquisar para dizer à criança: «sabes que antes não havia geleira. Sabes como é que a minha avó tinha água em casa? » Era numa sanga, resguardada por uma armação de ripas de o madeira com uma pedra porosa em cima, a água caía para dentro da sanga. Quando a sanga desapareceu, apareceu o moringue. Em Luanda, vendiam muitos moringues. O moringue fica em cima da mesa, a água fica fresquinha e bebe-se. O kissonde é uma formiga grande. Temos que saber que no nosso país existe o salalé, e a kassumuna. A criança tem de conhecer estes termos. Ela tem de saber que a quissângua é uma bebida nossa. Ela tem de saber que o maboque é um fruto nosso, que cresce num arbusto que tem picos. Eu acho muito importante que as estórias contenham esta terminologia, para que as crianças não se esqueçam e para que os adultos não se esqueçam que isso é cultura de Angola. As crianças têm que conhecer estes termos, senão qualquer dia estão todas aculturadas e não pode ser.

P : Diria uma escrita tradicional adaptada às crianças?

R: Não é que seja uma literatura tradicional. É uma literatura em que as tradições culturais estão bem inculcadas, para que as tradições do nosso povo não se percam.

P: Não existe entre nós o hábito de contar estórias às crianças antes de dormir. Atrás falou da importância que a literatura oral teve no seu desenvolvimento cultural e da percepção dos fenómenos culturais do seu país...

R: É um costume, que se tem estado a perder porque antigamente, nas sanzalas, nos quimbos, os mais velhos contavam estórias à volta da fogueira. A literatura oral é a literatura mais importante que nós temos. Há escritores como o Dario e o Octaviano que fizeram muitas adaptações de estórias tradicionais para as crianças. Eu parto mais da minha imaginação, da minha criatividade, mas há gente que faz estórias a partir da recreação de um provérbio, de uma adivinha.

P: Falávamos atrás da inspiração para o livro A Múcua que Baloiçava o Vento. Mas tem outras estórias publicadas, nomeadamente «O Nguiko e as Mandiocas» inserido no livro Lutchila.

R: «O Nguiko e as Mandiocas» conta a estória das mandiocas que não se deixavam colher. As mandiocas viviam em casinhas de tecto arredondado e faziam montinhos. De repente, ouviram o Mingo dizer: «as mandiocas estão boas, avó. Vou começar a colher já estas mandiocas. Está ali uma bem grande». E a mandioca grande disse «já estou na maka. Ninguém me vai tirar daqui». «Olha, Mingo, corta também um tronco daquela mandioqueira que está a dar sombra para o tambor de água, porque o Chico já estragou o Nguiko para fazer o carrinho dele». Mas nesse dia na lavra estava tudo zangado, ninguém estava disponível. Então o Mingo, quando ia colher as mandiocas, elas prendiam-se ao chão. Não se deixavam arrancar. E quando tentava cortar o tronco, mexiam-se as folhas todas. A avó viu que aquilo era tão estranho e foram dormir sem fazer nada. Esta estória também representa uma reminiscência da minha infância. A minha avó Ximinha sentava-se num banquinho debaixo da mandioqueira e com o abano ia espevitando o fogo do fogareiro para mais rapidamente aprontar as refeições. A estória demonstra que a sabedoria dos mais velhos soluciona conflitos, em situações de crise.

P : Existem poucas referências de O Balão Vermelho.

R: Este para mim é célebre porque foi lançado num dos jardins do livro infantil que se fazia no parque Heróis de Chaves com teatrinhos, e foi mesmo escrito em homenagem ao jardim do livro infantil. John Bella, meu grande amigo, está-me sempre a perguntar quando é que será reeditado, porque já incutiu no filho a estória. A minha grande amiga Rosa Roque inspirada na pata patinha Zicoca criou o grupo infantil «Os patinhos» e fez com ele várias coreografias.Estou muito feliz porque brevemente farei o lançamento deste livro com a chancela da Editora Chá de Caxinde. Foram muitos anos de espera mas finalmente vou ter a alegria de ver os meus leitores a manusearem um livro escrito com tanto carinho.

P: Acredito que os autores de literatura infantil seriam os primeiros a ser finan¬cei¬ramente auto-suficientes, por os seus livros serem de grande valia no crescimento das crianças. Que passos faltam para chegarmos a este nível?

R: Realmente há pouca gente a escrever para crianças. Talvez também porque não há incentivos para isso. As edições acabam e precisa-se costan¬temente de mais reedições que não se fazem. Para que a literatura infantil volte a ter o lugar que teve nos anos 80, temos que investir muito mais. Mas, as livrarias, devíam ter livros a preços módicos para as crianças os poderem comprar. Eu acho que tem que se fazer muito mais pela literatura infantil. Para os autores de literatura infantil, poderem ser algum dia auto-suficientes há a necessidade de se rever com profundidade todos os aspectos que se prendem com a publicação de um livro desde a edição, à divulgação e distribuição pelas livrarias e bibliotecas de todo o País.

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