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"A Contemporaneidade Exige do Escritor um Compromisso com a Sua Própria Formação."

Escrito por  Rita Chaves

Uma conversa à volta dos estudos das literaturas africanas no Brasil é o conteúdo das próximas linhas. Rita Chaves é leitora assídua das literaturas mais pujantes do espaço dos cinco países que se expressam em português e formam uma comunidade. Professora universitária da Universidade de São Pulo (USP), aponta Luandino Vieira como uma das melhores referências da literatura angolana e, diria mesmo, o ponto de partida para uma geração inteira que lhe seguiu as peugadas. Quando a entrevista estava em curso surge a notícia. Luandino, o "nosso" Luandino, é prémio Camões. Rita Chaves, que é com Tania Macêdo co-autora de Portanto..., sobre Pepetela, e de Boaventura Cardoso, a escrita em processo, aqui também com Inocência Mata, considera que a leitura é o ponto de partida e chegada da interacção entre o escritor e o leitor. Entre outros aspectos, explica porquê que há interesse crescente na literatura angolana e quais os autores mais lidos.

 

 

 

P - É vice-coordenadora da área de pós-graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Faculdade de Letras e Ciências Humanas da USP; como se interessou pelas letras e fez delas o seu constante objecto de estudo?

R - Já não sou vice-coordenadora da área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, mas continuo trabalhando no mesmo programa de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo. Tive sempre muito interesse pela Literatura e mesmo pelo estudo da Língua Portuguesa. Nos começo dos anos 70, quando fazia o Curso Clássico e me preparava para a Universidade, estava dividida entre o Jornalismo e a Literatura, mas, talvez seduzida pelas aulas excelentes de uma professora (chamava-se Lúcia Helena Viana ), acabei me decidindo pela Faculdade de letras. A descoberta das Literaturas Africanas veio mais tarde. Aconteceu no final dos anos 70 e graças a outra professora decisiva no meu percurso: a Prof.a. Vilma Áreas, que me apresentou a essa produção.

P - Temos recolhido, a nível dos escritores angolanos, testemunhos de recordações de infâncias e de influências literárias deste período. Que tem a dizer a professora Rita Chaves a este respeito?

R - De facto, minhas recordações da infância não são nem muito fortes nem muito positivas. As grandes influências estão localizadas na adolescência e na juventude. As duas professoras que indiquei acima são as mais marcantes. Com elas, cada uma em seu tempo, aprendi a ler de modo diferente e a descobrir um encanto maior na literatura. E também na vida.

P - Tem surgido nos últimos anos um interesse crescente pela literatura africana em particular e, entre nós, a de expressão portuguesa. Que autores e obras mais têm sido referenciados nos programas curriculares da USP, onde lecciona?

R - Sem dúvida alguma, nós podemos citar o Luandino Vieira e o Pepetela. Luuanda, A Vida Verdadeira de Domingos Xavier e Nós, os do Makulusu, de Luandino, assim como Mayombe, Lueji e A Geração da Utopia, de Pepetela, são livros sobre os quais já se produziu um considerável número de dissertações de mestrado e teses. São dois autores muito estudados entre nós desde praticamente o início dos estudos africanos na USP. Depois veio o Mia Couto que abriu o espaço para Moçambique. Hoje, felizmente, com a consolidação da área, esse leque se vem ampliando. Nomes como Boaventura Cardoso e Manuel Rui, por exemplo, já são bem conhecidos. O Ruy Duarte de Carvalho também tem conquistado novos leitores, como ficcionista, como poeta e como antropólogo.

P - Que base científica mais tem extraído da literatura angolana nos seus trabalhos de investigação e de análise comparada?

R - A literatura angolana é uma porta aberta para o conhecimento de Angola e suas realidades multifacetadas. Sua leitura não substitui a pesquisa noutros domínios do conhecimento como a História, a Sociologia, mas, sobretudo quando escritos com seriedade, os textos literários nos ajudam a compreender aspectos importantes das culturas que o país abriga. Os textos do Arnaldo Santos e do Pepetela, entre outros, nos levantam questões importantes sobre a sociedade angolana em diferentes tempos. Romances como Vou lá visitar pastores e As Paisagens Propícias, do Ruy Duarte de Carvalho, ensinam-nos muito sobre um espaço ainda tão pouco visitado pelo discurso científico e pela produção literária. A sua poesia também nos abre o mundo da tradição oral. Assim como a da Paula Tavares.

P - É professora convidada de universidades tão distintas como a Yale (EUA) e a Eduardo Mondlane (Moçambique). Ao nível dos estudos comparados quais têm sido [se é que existem] os principais pontos de contacto entre estes e a literatura angolana?

R - Sem dúvida, a Literatura Angolana tem suscitado muitos trabalhos no domínio dos estudos comparados. Há muitos estudiosos que se vêm dedicando à abordagem das relações entre os escritores angolanos e os brasileiros. Em nosso programa, já houve teses sobre Luandino e escritores tão diversos como Guimarães Rosa e Clarice Lispector, entre Castro Soromenho e Jorge Amado, assim como trabalhos que reflectiram sobre uma relação mais ampla como a que se pode verificar entre o Modernismo Brasileiro e a Geração dos Novos Intelectuais de Angola. Nesse momento, eu estou orientando uma dissertação sobre Óscar Ribas e Câmara Cascudo. Felizmente, já se nota também um interesse em estabelecer paralelos no terreno das literaturas africanas, entre escritores angolanos e moçambicanos, por exemplo. Há pessoas estudando Luandino e Mia Couto, por exemplo.

P - Realizou-se há alguns anos um encontro de literaturas africanas, em São Paulo. Um dos seus objectivos foi abrir novas perspectivas de trabalho, visando maior aproximação com os estudos africanos em geral. Já existe, de facto, este intercâmbio de informações entre a literatura brasileira e a dos PALOP?

R - Infelizmente, embora a situação de trocas venha melhorando, ainda estamos no início. É preciso fazer muito mais do que temos sido capazes. O encontro foi uma iniciativa que rendeu bastante, mas a distância que nos separa impõe a realização de outros encontros e a adopção de outras medidas, de carácter contínuo, que possam criar outros canais de contacto entre as duas margens do Atlântico.

P - Já é uma realidade, a nível do ensino fundamental e médio, a inclusão de tópicos relacionados com a presença africana na formação da cultura brasileira, com destaque para os elementos ligados à História e à Literatura Africanas, na medida em que parte da sua população brasileira é oriunda ou natural de países africanos?

R - A assinatura da lei 10.639, que prevê a obrigatoriedade de conteúdos de História e Cultura Africanas e História e Cultura Afro-Brasileiras em todos os níveis de ensino, foi um passo importante. E também porque, situada num quadro maior de políticas de inclusão do Governo Lula, essa medida gerou um clima diferente que precisa ser melhor aproveitado por nós. As pessoas estão sedentas de informações nessa área e nós temos que encontrar formas de viabilizar o acesso a esse conhecimento. Penso que se pode dizer que a mudança é uma realidade que necessita ser consolidada com acções práticas.

P - Num debate que presenciei em Luanda afirmou que existem escritores angolanos - António de Assis Júnior é um deles - que sofreram influência da literatura brasileira. Por exemplo Mia Couto sofreu influência de Luandino Vieira que, por sua vez, afirma que inspirou-se em Guimarães Rosa para recriar a língua portuguesa a partir da linguagem dos "favelados" de Luanda. Este fenómeno é comum nas literaturas?

R - Esse é, sim, um fenómeno comum. Há sempre autores importantes no processo de formação de outros escritores. O repertório de leituras sempre pesa na produção de textos. Quase sempre um bom escritor é um grande leitor. Quanto à relação entre os escritores angolanos e os brasileiros, acho que há aí um equívoco, pois eu não incluiria o Assis Jr. nesse quadro de autores que tiveram grande interesse pela literatura brasileira. Depois do Maia Ferreira, ainda no século XIX, eu penso que o grande momento de troca se deu a partir do final dos anos 40. A geração de António Jacinto e a seguinte é que foram marcadas pela nossa literatura. Foram os grandes leitores de Jorge Amado, de Graciliano Ramos, de José Lins do Rego e, mais tarde, de Guimarães Rosa, assim como de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

P - "O poeta não renuncia à tradição que se dinamiza na roda da história." Quer comentar esta sua afirmação, circunscrita, aliás, ao livro Boaventura Cardoso, a escrita em processo?

R - Penso que tal colocação pode ser relacionada com o que eu disse acima sobre a importância das leituras na produção da literatura. No ocidente, a leitura é uma via importante para que o escritor entre em contacto com a tradição cultural da sociedade de que ele é parte. No caso dos países africanos temos, sem dúvida, elementos complicadores e enriquecedores desse processo de relação com a tradição a que os escritores não renunciam. Trata-se dos vínculos com aquele universo cultural que não foi sistematizado pela escrita. Noutras palavras, o escritor africano, e muitos deles reflectem a respeito dessa situação, vê-se na contingência de trazer para a obra a relação entre a modernidade - de que a actividade literária é sinal - e a tradição oral, uma das matrizes fundamentais na constituição das culturas africanas. Os autores mais criativos são, na minha opinião, aqueles que não procuram aprisionar a tradição oral, limitando-se simplesmente a traduzir para a escrita as temáticas mais constantes, mas, sim, aqueles que potencializam a riqueza da oralidade evocando-a de forma inventiva.

P - Ao lado de Tânia Macedo, Rita Chaves preparou um livro sobre a obra de Pepetela. Que análise faz da evolução literária do prémio Camões angolano, sobretudo após a publicação da saga de Jaime Bunda e Predadores?

R - No momento em que respondo a essas questões, felizmente, Pepetela não é o único angolano agraciado com o Prémio Camões. O facto de Luandino Vieira ter recusado não lhe tira o mérito que o júri correctamente lhe reconheceu. Penso que é isso que merece a nossa consideração e não as razões que conduziram o autor ao surpreendente procedimento. Quanto ao Pepetela, penso que essas mudanças que localizamos em sua trajectória não põem em causa o seu lugar na história da literatura. Sua opção por um género especial, como nas duas edições do Jaime Bunda, revelou o seu domínio narrativo e é isso que conta num grande escritor. Se gostamos ou não do género, é outro problema. Em Predadores, ele, de certa maneira, retoma uma veia anterior. Se vamos para o campo do gosto pessoal, eu diria que os meus textos preferidos são o Mayombe, o Lueji , A Geração da Utopia e A Gloriosa Família, todavia é preciso não considerar absolutos os critérios que movem as nossas escolhas.

P - Gostaria que nos falasse sobre o ponto de partida para a preparação de um livro ensaístico [ou (auto)biográfico?] sobre o escritor Boaventura Cardoso.

R - A organização do livro sobre o Boaventura Cardoso se associa, de certo modo, à publicação do Portanto... Pepetela, que a Prof.a. Tânia Macedo e eu organizamos. A ideia de organizar o Portanto nasceu de uma conversa com o Jacques dos Santos em Luanda no ano de 2000. E tinha como propósito homenagear o autor pelos seus 60 anos e reunir um conjunto de dados e textos que fossem úteis aos nossos estudantes que têm enorme dificuldade no acesso à bibliografia no terreno dos estudos africanos. Como Pepetela é dos autores mais estudados entre nós, um livro dessa natureza cumpriria um papel importante. Quando fomos a Luanda para o lançamento do livro, já em 2003, levávamos a certeza de que seria muito produtivo estender a lista de livros sobre autores africanos. Tínhamos a intenção de fazer um sobre Mia Couto (que está em preparação) e de estender a lista dos angolanos. Propusemos a ideia à UEA numa reunião com o Secretário-Geral. Ele gostou da ideia e o nome do escritor Boaventura Cardoso, um autor que vem ampliando o seu público no Brasil, foi seleccionado para dar continuidade a esse projecto de publicações. Para viabilizar as contribuições fora do Brasil, convidamos a Prof.a. Inocência Mata a trabalhar connosco. O livro ficou pronto e o projecto dessas edições vai tendo repercussões muito positivas.

P - Que contactos teve e tem com o autor e com a sua a obra e, a par do seu ensaio constante no livro, que opinião tem da literatura de Boaventura Cardoso?

R - O Boaventura Cardoso é um autor que leio com muita atenção. Tive sempre um gosto especial pelos contos de Dzanga Dia Muenhu. Até que vieram os romances, que constituem para minha área de pesquisa um interesse especial. Maio, Mês de Maria e Mãe Materno Mar são narrativas instigantes que colocam problemas importantes para o estudioso do romance como um género fundamental na contemporaneidade. Não tenho publicado as minhas reflexões sobre esse repertório, mas trabalho com seus textos nas minhas aulas e posso afiançar que é grande o entusiasmo que provoca nos alunos essa leitura.

P - Até que ponto, do ponto de vista da sociologia da literatura, é expressivo o acento tónico que este escritor angolano coloca no português falado em Angola?

R - Julgo que todo bom autor manifesta o seu movimento de busca de uma linguagem que nunca o satisfaz e é esse movimento que considero interessante na produção de Boaventura Cardoso. Trata-se de um escritor inquieto e isso se revela também na sua forma de utilizar a língua portuguesa e o modo, ou melhor, os modos pelos quais ela é apropriada pelos angolanos no presente. Não se trata simplesmente de registrar as subversões imposta à língua oficial, mas de aproveitar as potencialidades que os muitos usos facultam, transformando-a numa língua nova.

P - Outros escritores angolanos têm sido alvo de sua análise. É o caso de Costa Andrade, "Ndunduma". Referindo-se à sua palavra poética, refere que o poeta se "recusa o rótulo de arauto". Porquê?

R - A poesia do Costa Andrade é uma poesia que ainda não foi estudada o bastante. Há um trabalho muito bom sobre o autor feito pela Prof.a. Vera Lúcia de Oliveira, da Universidade de Lecce, na Itália, mas seria bom que outros pesquisadores se dedicassem ao estudo de um autor que tem uma obra multifacetada. Para além da chamada "poesia de guerrilha", que é uma modalidade que tem seu espaço no processo de formação do sistema literário angolano, o autor também se destaca no campo que talvez pudéssemos identificar como o do lirismo amoroso. Há belíssimos poemas de amor assinados por ele. Eu destacaria também sua preocupação com a vida social, pois Costa Andrade é um homem que tem também a sua atenção voltada para os problemas de seu país, um intelectual voltado para a sua sociedade.

P - José Eduardo Agualusa é dos escritores angolanos mais lidos no Brasil. Foi o autor mais vendido na Festa Literária Internacional de Parati de 2004, no Rio de Janeiro, onde dividiu o palco de debates com o compositor Caetano Veloso, leitor aficcionado de sua obra. Que tratamento é dado a este escritor pelos estudiosos brasileiros?

R - Efectivamente, o José Eduardo Agualusa é dos escritores africanos mais celebrados pela mídia no Brasil. A FLIP é, sem dúvida, um grande palco para os escritores num país com tão poucos eventos em torno da literatura e o Agualusa aproveitou positivamente o espaço aberto. A declaração do Caetano Veloso é também um reforço importante. As suas frequentes vindas ao Brasil também favorecem a sua projecção e isso é bom, não só para ele, mas também para aumentar a divulgação das Literaturas Africanas. E há estudiosos de algumas universidades brasileiras que vêm estudando a sua obra. Sei que há trabalhos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Na USP, entretanto, ele ainda não é muito estudado, o que de modo algum diminui o seu prestígio no Brasil.

P - "Viajar ainda é a melhor maneira de um escritor se inspirar." O facto de um escritor - como Agualusa - ser itinerante, que se passeia pelas Américas, e com maior mobilidade pela Europa, quando não está em África, permite-lhe ter uma visão mais global, menos local de literatura?

R - Eu sou uma apaixonada pelas viagens. Aliás, o meu quotidiano é dividido entre o Brasil e Moçambique, o que também me assegura uma certa capacidade de trânsito. E eu penso que essa convivência com realidades africanas interfere positivamente no meu trabalho. Não penso, entretanto, que viajar seja uma condição para uma visão mais global da literatura. A própria literatura pode facultar experiências de viagem de outra natureza. E temos casos representativos de escritores que não vêem nas viagens a sua principal fonte de inspiração. O José Luandino Vieira escreveu grande parte de sua extraordinária obra impedido de se deslocar. O Carlos Drummond de Andrade, um dos nossos maiores poetas, viveu mais de 80 anos e só fez uma viagem para fora do Brasil. E a sua obra não tem nada de provinciana. Sua poesia dá lições de cosmopolitismo, sem perder o elo com a sua terra. O José Craveirinha, um excelente poeta moçambicano, não saía muito de sua casa encostada à Mafalala. Não acho que correr mundos atrapalhe, pode, aliás, ajudar muito a alguns escritores, mas não é garantia de maturidade literária.

P - Que escritores angolanos estão na vanguarda nos estudos literários no Brasil?

R - José Luandino Vieira e Pepetela já foram citados como os dois autores mais estudados entre nós. Porém, felizmente, já podemos notar uma abertura em relação a outros autores. Há trabalhos importantes voltados para autores como Manuel Rui, Boaventura Cardoso, Agostinho Neto, Uanhenga Xitu e Ruy Duarte de Carvalho, para citar apenas alguns. Já me referi a estudos sobre o Agualusa e posso informar também que o Ondjaki está sendo focalizado em trabalho de pesquisa na PUC-SP. Nós temos preparado um livro chamado Encontros Brasileiros com a Literatura Angolana, que oferece um mapa dos estudos que se vêm desenvolvendo aqui. Na diversidade de autores e de focos de abordagem manifestam-se sinais da consolidação desses estudos no nosso país. O facto é que, se os livros circulassem mais, outros autores seriam contemplados.

P - "Divorciando-se dos modelos e das fontes cansadas de inspiração, (...) o poeta despoja-se dos floreados, das construções acessórias, para atingir o fundo da questão da forma poética, no tempo e no espaço dos fuzis" (Mário Pinto de Andrade). O escritor deve ou não, para além da "forma", ter uma base quase académica de ferramentas de literatura?

R - Eu não falaria em base quase académica de ferramentas de literatura. Eu penso que a contemporaneidade exige do escritor um compromisso com a sua própria formação. Volto a insistir na importância da leitura como base para o trabalho criativo. A literatura não depende apenas de inspiração, ela pressupõe certos conhecimentos, que serão movimentados pelo talento de cada um. Um escritor precisa necessariamente saber o que os seus colegas hoje estão fazendo, em diferentes pontos do mundo. E precisa também estar atento ao que se passa em seu país, em sua cidade, em sua aldeia.

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