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"Sou um Recoletor de Sonhos e Ecos"

Escrito por  Costa Andrade

Entrevista de: Aguinaldo Cristóvão

Que adjectivo atribuir a um escritor que, tal como tantos, ainda não se consideram como tal? Que dizer, se a sua poesia surge entrelaçada com a pintura, e a escultura lhe surge como uma consequência necessária de um homem com alargada visão política? Tantas interrogações merecem resposta. Fernando Costa Andrade, que nos últimos anos assina apenas com o pseudónimo "Ndunduma", é membro fundador da União dos Escritores Angolanos. Há escritos segundo os quais ele ajudou na materialização da sua constituição.

 

 

Durante muitos anos engajado na luta pela independência política e social de Angola, poderíamos, provavelmente, encontrar neste aspecto o epicentro da mescla entre o background que apresenta da realidade angolana e do seu desencanto, como diria o Cassé. Numa entrevista ou numa conversa nunca se esgotam os temas. Parecem-nos sempre incompletos. É, talvez, por esta razão, que Ndunduma foi dos pioneiros em Angola a publicar livros autobiográficos. O poeta diz-nos que Adobes de memória o não é, mas, mesmo assim, é o que lhe está subjacente.

P - "Nunca pensei em ser escritor, e nem acredito sê-lo." Esta sua afirmação permanece actual?

R - Acho que sim, sinceramente. Escrevo muito, mas sou fundamentalmente um recoletor de sonhos e ecos, o que não basta para ser escritor ou jornalista, segundo o grau de exigência que me imponho. Penso ter estado próximo disso em alguns livros mas infelizmente... Relativamente a uns poucos direi que Angola se deve orgulhar desses escritores. Da grande maioria de outros (é evidente que registo muitas excepções) que escrevem e publicam, se eles acham que são escritores, analistas, críticos ou lá o que for, e se desse modo se sentem felizes e realizados, pois que lhes faça muito bom proveito. É direito de cada qual ser tal e qual... Mas deixe-me acrescentar: ser ou não ser, no que se me refere, não depende, de modo nenhum, da opinião de terceiros, seja qual for o estatuto que se atribuam a si mesmos. Perguntar-me-á se calhar, porquê que os meus livros são quase todos prefaciados? Com o convite para um prefácio, introdução, ou palavras de apresentação, manifesto a meu modo amizade, simpatia, admiração, respeito, enfim os mesmos sentimentos que exprimo a alguém, que convido para padrinho do meu, ou meus (?) casamentos e dos meus filhos. De certa maneira, os meus escritos são meus filhos também... Permita ainda que conclua esta resposta: salvo erro no seu primeiro volume de Pessoas com quem falar só um escritor referiu o meu nome nessa qualidade. Não acha isso significativo? Houve até quem deixasse claro que o mais importante momento vivido por si, na história da UEA, terá sido, sem citar-me o nome, o «crime» da manifestação de solidariedade para comigo de alguns companheiros, quando para outros, que também tinham tido problemas, diga-se por motivos muitíssimo diferentes, não acontecera o mesmo. Haveria que perguntar aos respectivos amigos as causas reais, independentes da dose de melanina. Penso não valer a pena acrescentar mais nada sobre esta questão.

P - Teve uma infância muito ligada aos ideais da Revolução. O que leu neste período e que referências culturais guarda?

R - A minha infância não esteve propriamente ligada à revolução, mas a minha juventude, sim. Seria fastidioso e impossível, até, enumerar os livros mais importantes que li desde menino e que terão ajudado a definir um percurso de vida. Posso afirmar que li e continuo a ler muito, sim. Provenho de uma casa com hábitos intensos de leitura. A Biblioteca do meu Pai era efectivamente grande, considerada a circunstância de ser uma biblioteca particular, nos anos 40/50, em que na verdade havia duas, não mais de três livrarias em Angola, e uns poucos, raros revendedores de leituras. Em casa dos meus Kotas, não tínhamos senão um rádio, que nos ligava ao mundo, um móvel muito bonito, de madeira bem talhada, incluindo gira-discos, com o qual o meu Velho ouvia a BBC, a Emissora Nacional de Portugal, os Rádios Clubes de Angola e do Huambo, o Emissor do Álvaro de Carvalho, do Lobito. Ouvia sobretudo notícias sobre a evolução da Segunda Guerra Mundial e música. Víamos, quando passavam no Longonjo, as sessões de cinema, do ambulante Cine Pratas. Para tal percorríamos 34 quilómetros (ida e volta), da Emanha à vila do Longonjo. Até à minha ida para o Colégio, no Huambo, eram por conseguinte a leitura, as histórias da minha Avó Ngueve e as do Guarda Longuya, à volta do braseiro, a minha fonte principal de cultura; é claro, e as descobertas pessoais no mato, no quimbo e nas aldeias dos Sobas e Sékulos da Emanha, da Ayendja, do Mussinda, a caminho do Bongo. O tempo do meu Velho para as nossas longas conversas tinha lugar, durante as idas e vindas quase diárias ao Longonjo, na Fargo carregada de sacos de milho, nas viagens com a carrinha Ford 4 cilindros, ao Huambo, e no comboio, a Benguela e Lobito. Direi até que, antes dos 10 anos, perdi raras viagens do Velho, a distâncias de vários dias, por esta Angola de tanto amar e tanta beleza, mais tarde de tanta dor e tanta tristeza, mas de tanta entrega, para tornar-se pátria livre.

P - É verdade que, se fôssemos procurar a sua primeira manifestação poética, a encontraríamos aos 12 anos, quando escreveu versos para a sua colega da carteira de frente?

R - Sim. De facto registo na memória, como minha primeira criação poética, a quadra, que escrevi à Mizé (Simões Coelho), que hoje próxima dos 70 anos permanece uma belíssima mulher, com aparência de pouco menos de 40. A Mizé partiu os corações de toda uma geração no Huambo e no Lubango. Mas foi o Décio Espinha que a levou para lá. Eu parti para longe, fui pisar os caminhos do andar, na busca incerta da certeza do sonho.

P - Geralmente debita as suas ideias sobre um papel, ou perde horas a fio diante de um computador ?

R - Não direi que «debito» ideias. Fixo-as para eventuais desenvolvimentos futuros, em cadernos, agendas, raramente em folhas soltas. Quando obtive a minha primeira máquina de escrever, que ainda conservo como relíquia, a Olivetti – Lettera 22, passei a utilizá-la para esse efeito. Actualmente uso, como diz, o computador horas a fio, para múltiplos objectivos, entre os quais escrever os livros e outros textos que assino e muitos mais, que ficam por assinar. Geralmente, produzo literatura, de qualquer natureza - poesia, prosa, ensaio, intervenção política - de manhã muito cedo, a partir das cinco, e quando me é possível, faço as respectivas revisões ao fim do dia. Uso as horas de luz mais intensa, antes do meio-dia e após as quinze, certas épocas do ano, para desenhar e pintar. Infelizmente com a idade, vai sobrando pouco para o exercício físico, fundamental para manter a energia, que a saúde, o bem-estar comigo mesmo e também as agressões da vida exigem. E olhe que não tenho sido muito poupado por estas, com quanta injustiça e falsidade de permeio! Compensam-me entretanto e ajudam-me, «sine qua non», a Raquel, a Thaís Ynina e o Percy Nande. Sem eles, mais a amizade fraterna de tantos, até mesmo desconhecidos, que me surpreendem constantemente, talvez já tivesse sucumbido à morte lenta a que me condenaram ingratamente, uns dois, talvez três, frustrados, que se alimentam do seu próprio escorbuto... O tempo que dedico à poesia? É igual ao tempo que dedico a tudo o mais, com incidência e bem querer, na minha vida.

P - Que circunstâncias levam-no a optar pela escrita, ou pintura; a ficção ou a poesia?

R - Jamais me apercebi de ter optado alguma vez, previamente, como decisão pessoal, escrever primeiro poesia ou prosa, pintar, que sei eu, durante o meu processo criativo. Quantas vezes abandono um poema a meio, um conto, um quadro para ir fazer outra coisa, ouvir música, ler, etc.,? Acontece-me tantas vezes, que só nesse facto encontro explicação para a quantidade de trabalhos iniciados e não concluídos que tenho nas gavetas... Muitas vezes, ao encontrar-me frente a frente com um desses trabalhos, passados meses, anos ou dias, recomeço a trabalhar nele, como se estivesse a começá-lo nesse instante. E efectivamente recomeço-o. Sai no fim, tantas vezes, algo tão diferente da primeira ideia! Contudo, durante o exercício de produção jornalística ou intervenção política, a objectividade inalteravelmente sobrepõe-se ao devaneio criativo; o trabalho é praticamente concluído nessa ocasião.

P - Sei que tem conteúdos escritos para livros, mas prefere não publicá-los. Isto leva-nos a procurar entender os ciclos ou fases que observa antes da publicação de qualquer livro seu...

R - Durante anos, possivelmente condicionado por carências e dificuldades incontornáveis, escrevi os meus textos, de qualquer género, em cadernos. Aliás, alguns dos meus títulos são o Caderno de Acusação, o Caderno dos Heróis, etc. Não observo fases ou ciclos para efeitos de publicação. As fases ou ciclos correspondem a conteúdos, relacionados, como já afirmei atrás, com o reencontro do texto para o seu tratamento e conclusão. Tenho, por exemplo, um título, Gotas de Pele, redondilhas, poesia directa, imediata, para fácil memorização, que goteja mágoas, feridas raciais, vividas algumas, observadas outras, dolorosas todas, referentes aos racismos, em dupla e contraposta direcção, isto é, do branco versus negro, como deste contra o branco. É um caderno iniciado em 1975 e no entanto ainda não concluído, mesmo contendo redondilhas datadas de 2005. O ciclo do racismo, não só não está ultrapassado, como dá sinais claros de estar a renascer, com alguma intensidade, circunscrito na prática mais notada, a de Luanda, fundamentalmente entre os chamados intelectuais retro-diaspóricos e seu séquito da mídia, da suposta nova literatura de raiz purificada, tendencialmente autenticista. Dir-se-ia um certo mobutismo literário exclusivista, fazendo morada entre nós, tábua rasa de valores e humanismos, da história, e do circunstacialismo, que explica ocorrências. Enfim, aproveitamentos políticos, sem real fundamento cultural ou moral e sobretudo sem incidência na absoluta maioria do extraordinário povo de Angola. Por exemplo, como se da Geração da Mensagem ao surgimento das correntes literárias, que hoje se manifestam mais, aqui, imitando velhas aplicações, abandonadas alhures, a enxurrada, tal vibrião colérico, não tivesse deixado nada vivo que valha. Bom! Quanto a mim, que também sou filho de Deus, vou escrevendo gotas da minha pele, até que chegue a hora de secarem definitivamente as feridas. Talvez quando for cremado, quem sabe? Pouco me importa, cumpro a minha parte... enquanto viva.

P - Teve aulas de pintura em casa, na sua infância, no Huambo, pela mão de uma senhora conhecida, salvo erro, por Laura Gomes. Hoje, que sugestão estes elementos lhe dariam se estivesse diante de uma tela?

R - A Professora Laura Gomes foi Mestra de numerosos candidatos a pintores, desenhadores, artistas enfim, ensinando as técnicas então em voga, com predominância do figurativo a óleo sobre tela, aguarela, carvão ou crayon, como queira, lápis, pastel, guache, diversas técnicas do desenho, segurança do traço, etc. Ela afirmava que pintor nenhum do abstracto seria bom se não dominasse com segurança o figurativo. E informava, "o cubista Picasso desenha como ninguém um corpo humano". A Mestra Laura organizava, todos os anos, exposições dos seus alunos e também, na qualidade de professora do Colégio Alexandre Herculano e salvo erro, do S. José de Cluny, mostras do ano lectivo, no Huambo. Dava igualmente aulas de piano e música clássica. Não saberei dizer que sugestão retiraria desta evocação, uma vez ter chegado à conclusão de que têm grande parte de razão aqueles que constatam haver alguma intercomplementaridade entre a minha pintura e a minha poesia. Quem sabe se o próximo fim-de-semana?!

P - Afasta-se, como sublinhou a académica Rita Chaves, "daquela face da modernidade poética que se forja na sombra do símbolo fechado, num hermetismo que põe diametralmente ao canto comunitário". Como encara o hermetismo na poesia angolana e como proposta para a sua Obra poética?

R - O hermetismo na poesia angolana é antes de mais uma opção de alguns autores. Umas vezes resulta, outras nem tanto. Ser diferente nem sempre é ser referente. A diferença não garante necessariamente referência. Sobretudo porque a referência é muito difícil de atingir entre iguais. Não tenho nenhuma predisposição, contra ou a favor, do uso da linguagem hermética em literatura. Interessa-me a qualidade, o encontro final entre o demiurgo e o alvo. Não se trata de proposta para mim mesmo. O experimentalismo, que pratico na pintura, já me levou ao hermetismo. Se não permaneci nele, não quer dizer que não regresse alguma vez, para melhor exprimir, na minha concepção, determinada ideia. Jamais, porém, na condição dos que pensam: esta é a maior, a melhor, ou quem sabe?, a pior...

P - Ficou marcado pelo tempo que passou na guerrilha. Como justificar aos mais jovens leitores entender o desencanto que de forma implícita ou explícita os poetas (principalmente) denotam nas suas obras?

R - Discordo que os poetas que viveram a guerrilha denotem desencanto em toda a sua poesia. O desencanto, como o entusiasmo, são faces da mesma moeda. É um facto, como dizia Agostinho Neto, que nem sempre o despertar nos traz a realidade sonhada. Os poetas da guerrilha sonharam a felicidade e a liberdade. Chegaram à liberdade possível, à felicidade relativa. A felicidade não será a utopia? O eterno por achar? Quem vive apenas de encantos?

P - Numa apresentação de livro, o escritor e dramaturgo angolano Mena Abrantes teceu as seguintes considerações: "Parece-me positivo que Carlos Ferreira declare expressamente que já tem heróis, porque essa atitude revela que a idade das ilusões chegou ao fim e só lhe resta enfrentar a realidade (...)". Já se pode dizer que Ndunduma há muito ultrapassou esta idade?

R - Eu já ultrapassei todas, menos, felizmente, a minha própria idade. Esta, enfrento-a dia a dia, com as forças e as convicções que me restam, ou que absorvo, dos que me querem bem. Isso, por exemplo, de ter raiva, não gostar deste ou daquele, é algo que há muito deixei de herança definitiva, para seu deleite e usufruto, a dois ou três profissionais do ódio, apóstatas do meu direito de vida e apostadores do meu desaparecimento. A definição lapidar deste tema é dum meu irmão mais novo, o Gustavo, que a memória, neste momento, não ajuda a citar com todo o rigor.

P - Escreveu parte dos poemas de Poesia com Armas no papel higiénico, num calabouço no Brasil. Como conseguia, com aquela agitação incessante, pensar em arte?

R - Acreditar na sobrevivência é meio caminho andado para sobreviver. O que faltava em absoluto naquela condição era exactamente a agitação. Agitação é vida. O silêncio é, por vezes, sepulcral.

P - O contexto em que é publicado o texto dramático No velho ninguém toca foi, defende, de conspiração contra o novel estado independentista. Concorda que nesta fase a sua poesia assume um cunho e motivação mais políticos do que propriamente literários?

R - Aos meus leitores, e neste caso, a si, meu Amigo, caberá falar de motivações, contornos, cunho, mais ou menos político, menos ou mais literário, se o encontrarem em No velho ninguém toca, ou noutros textos meus. Eu não assumo nada disso. Assumo sim, que escrevi naquela época o texto, publiquei-o, ditado pelo tempo em que foi escrito. Cada voz simbolizou o seu próprio eco. De resto não faço jamais ensaios, análises estruturalistas ou outras, sobre o que escrevo. Deixo isso aos leitores e críticos, que tenham interesse neles, ou como se diz vulgarmente, saco para fazê-lo. Passem bem, divirtam-se se for o caso e muito obrigado.

P - Gostaria que nos falasse dos escritores da sua geração. Diz que a literatura angolana está viva e possante, mas tem-se notado decréscimo nos escritores mais velhos. Quer comentar?

R - Os escritores angolanos da minha geração não são muitos. Prefiro não alongar ainda mais estas respostas detendo-me sobre alguns deles, uma vez que seria fastidioso falar particularmente de cada um. Estou porém convicto de que pelo contrário não se verifica neles nenhum outro decréscimo, que não resulte eventualmente das intempéries da vida. Decréscimo de qualidade? De número de obras publicadas? Não estará a tomar partido, como entrevistador, por determinado tipo de linguagem e temática, que raramente encontra nos textos da minha geração, para concluir haver decréscimos comparativos? É verdade ser difícil encontrar nos escritores da minha geração: o "ósculo do útero ao falo do iconoclasta/ inebriado pela languinolência da mulembeira/ do areal grávido de sofrimento". O tempo e o modo eram outros, o que não quer dizer, porém, ser e ter melhor ou pior qualidade do que aquilo que o tempo e o modo de hoje evolutivamente permitem. Mas de um modo geral, os escritores da minha Geração estão situados, nacional e internacionalmente, nos patamares mais altos da literatura angolana. Claro, com a excepção que confirma a regra e a subscreve.

P - É verdade que a maior parte das suas criações artísticas, sobretudo a pintura, é concebida durante os fins-de-semana?

R - Não. A concepção necessita de uma certa maturação e leva algum tempo. Acontece, no entanto, que aos fins-de-semana ou em tempo de pausa das obrigações de trabalho disponho de mais espaço e serenidade, para tentar materializar o que foi sendo concebido e projectado.

P - Porquê que, de entre as suas temáticas preferidas, na pintura realça quase sempre aspectos ligados, não só à história de Angola, como reminiscências de viagens que realizou pelo país ao longo dos anos que esteve na guerrilha?

R - Talvez porque, de um modo geral e também talvez por defeito meu incorrigível, eu pense que muita gente, sobretudo intelectuais, se esqueçam ou ignorem, de modo premeditado, o tempo da guerrilha. Por vezes até parece que a amaldiçoam, por ela ter conquistado a independência. Sem ela, ninguém tenha ilusões, seríamos ainda colónia, com todas as implicações e consequências dessa tragédia. Era ver o que seriam hoje esses mesmos...

P - Existe uma relação de continuidade ou de prioridade, na sua vida, entre as letras e as artes plásticas?

R - Penso já ter respondido. Mas repito resumidamente: há intercomplementaridade e sobretudo necessidade de transmitir «amor com os olhos secos».

P - Estudou Belas Artes mas, penso, tem a escultura por hobby e a literatura por paixão. Porém, considera-se ainda um experimentalista. Não haverá por um lado, nesta afirmação, certa dose de modéstia?

R - Há muito tempo que não tento fazer escultura ou construtivismo, porque acho nunca ter atingido nesse capítulo a qualidade mínima que me exijo. Continuo, sim, a ser experimentalista, por insatisfação, ou melhor, por ambição, e não por modéstia. Sou modesto, sinto-me igual, não inferior ou superior, a quem quer que seja.

P - Certa vez, numa entrevista disse algo como "o patrocínio ao livro acaba por ser, normalmente, fundo perdido", enquanto na pintura acaba por ser um investimento de quem patrocina. Quer-nos explicar melhor?

R - Efectivamente, o patrocínio à edição é de há uns anos para cá um investimento "a fundo perdido", porque nem o patrocinador, muito menos o autor, que às vezes paga para ser publicado, recuperam alguma coisa do dinheiro que investem. Muitas vezes, nem sequer a fama ou a crítica que esperam. Na pintura, o artista, geralmente e por enquanto, vende alguns trabalhos, que pelo menos cobrem as despesas. As poucas galerias são caras e no exterior só se afirma quem faz marketing com ofertas prévias. Normalmente só vai ao exterior quem consegue o patrocínio total, isto é, tudo pago... e nome bem marketizado, antes.

P - Considerou, paradoxalmente, a sua primeira colecção de pintura - intitulada «As minhas Mãos» - como a melhor da sua vida. Mas naquela altura não tinha um quarto das condições para pintar que tem hoje...

R - «As minhas Mãos» era eu próprio, o coração e a mente, sem intermediários (lápis, pincéis), dizendo com gestos ao papel o que me ia na alma, com toda a sinceridade e carga emocional que vivia. Julgo ter sido entendido como nunca antes ou depois, e por isso vendi tudo o que então expus. O único quadro que sobrara perdeu-se no percurso das dificuldades percorridas.

P - Como avalia a internacionalização da cultura angolana e que papel desempenha, enquanto escritor e deputado, para cumprir este desiderato?

R - Se Angola quer projectar-se culturalmente no mundo, ultrapassar a casca do ovo, tem necessariamente de internacionalizar-se, levando o magma que tem dentro de si, e mostrá-lo. Mas esse magma, a gema desse ovo, não chegará aos olhos, à curiosidade e interesse do mundo, se se apresentar agora com vestes pré-históricas, como se nada tivesse acontecido aqui, desde então. Serão o modo e a linguagem como apresentarmos os nossos conteúdos, novos ou de sempre, que nos situarão na modernidade, com possibilidades de conquistar o nosso lugar, a que temos direito. A nossa pré-história, sem escavações, pesquisas de terreno, etc., é objectiva e teoricamente mais conhecida lá fora do que aqui dentro. Por isso é que vamos lá conquistar graduações, mestrados e outras competências necessárias. A globalização tem nódoas, todos o sabemos. Lutemos por limpar a quota-parte de manchas que nos cabem e não teimemos no prosseguimento da prática de tradições isolacionistas, que não levam a parte nenhuma. Estudemo-las e realizemos as sínteses necessárias.

P - O Parlamento angolano tem um número representativo de escritores, entre os quais Ndunduma. Nestas duas condições, como explica que leis como as que regulam e facilitam o acesso ao livro sejam, aparentemente, relegadas para segundo plano?

R - Como deputado e no lugar adequado faço as propostas em que acredito.

P - "Enquanto existirem utopias eu continuarei a tentar, continuarei a escrever, continuarei a pensar." O seu livro de memórias seguiu esta filosofia de vida?

R - Se nem sempre as leis da Economia se sobrepõem a todas as outras, por enquanto é quase sempre a Lei de quem dirige as Leis da Economia que prevalece sobre os evidentes e necessários interesses prioritários nacionais do desenvolvimento cultural. Tenho dito várias vezes, em vários fóruns, que será a cultura, por ser perene, que nos sobreviverá e não o contrário. Só ela garantirá, inclusivamente, se as Leis Económicas de hoje permanecerão válidas amanhã. Durante a guerra, que muitos reduzem a conflito armado, que retirou normalidade a tudo, compreendia-se. Passados quatro anos começa a ser tempo de dar à cultura a estrada larga que deve percorrer, para que chegue ao futuro, sempre antes de todos nós. Se a sua meta for a paz, não haverá guerra nunca mais, nem sequer conflito, mesmo desarmado.

P - Acredita, tal como alguns escritores, que não é a missão da poesia fazer o cru relato da realidade ou transformar o mundo?

R - Continuarei a pensar, a tentar e a escrever enquanto puder, com utopias ou realidades, mas sempre convicto, certo ou errado, acreditando honestamente nas minhas convicções. É claro que ao escrever memórias, do modo como o fiz, nem sempre o acto se sobrepõe ao facto, isto é, a ficção cede à realidade.

P - Ao longo de anos repartiu a sua vida entre o norte e o sul de Angola, de África para a Europa, Ásia e América. Hoje pertence aos livros e às cores da terra, com incursões na opinião política. Que actividades mais lhe encantaram ao longo destes anos de actividade político-cultural?

R - Houve um momento histórico da nossa vida, como povo, em que a poesia cumpriu a missão de transformar o mundo e conseguiu. Se ela hoje conseguir ajudar a transformar cada um de nós num ser melhor e mais humano, terá cumprido uma missão superior, que a ultrapassa. Se através da realidade, da imaginação, nua e crua, ou etérea e visionária, sob qualquer forma ou perfume, desde que poesia seja, ela se cumprir a si, o que é fundamentalmente a sua missão, poderemos dizer que ela ajuda sempre a transformar o mundo.

P - Teve passagem como director geral do Jornal de Angola. Que aspectos mais interessantes decorrem, na sua opinião, desta sua passagem?

R - Cumpri no J.A. a missão que me foi confiada, com toda a honestidade e o melhor de mim. Como qualquer homem e sem experiência para as funções que exerci, terei cometido erros, tal como acertei e realizei coisas positivas. Ajudei a formar Jornalistas e a vincular o estatuto da coluna de opinião, como pilar do órgão, por exemplo. Só me não acusa a consciência de ter agido ou ter praticado algum acto indigno da minha convicção de homem livre e que deu grande parte da sua vida à luta pela liberdade. Quero afirmar categoricamente, uma vez mais, que não privei ninguém da respectiva liberdade. Não sendo psiquiatra, não posso ajudar no tratamento dos que padeçam eventualmente de qualquer patologia persecutória ou dessa natureza, revelada por ódios que se diria cancerosos. Apenas posso fazer o que tenho feito: tentar compreender, tolerar os doentes, sem retaliar. 2Perdoai-lhes Senhor! Não sabem o que fazem!"

P - Costa Andrade tem mais de 40 anos de literatura. Publicou um livro autobiográfico sob o título genérico Adobes de Memória. Que temas faltariam se tivesse de publicar um terceiro volume?

R - Todos os que significaram para mim entrega total ao sonho de pátria e liberdade, independentemente dos resultados conseguidos. O terceiro volume de Adobes de Memória dirá sobretudo o que os dois primeiros não disseram. Estes, disso me orgulho, serviram para desbravar caminhos. Verifico com satisfação que muitos companheiros, e não apenas estes, começam a publicar memórias e testemunhos. Isso é importante e necessário, para que entendamos melhor o passado recente.

P - Porquê que os intervenientes da história de Angola receiam tanto contá-la na primeira pessoa?

R - A resposta anterior talvez fosse suficiente, mas acrescentarei que possivelmente houvesse um certo receio das reacções que as memórias suscitam. O passado parece ser incómodo para muita gente, que pensa que a importância do mesmo e até de Angola, e do que aconteceu, só vale com a sua intervenção pessoal, até nas farras de fim-de-semana. Muitos não escrevem, por timidez, porque não sabem, não entendem a importância de fazê-lo, outros por haver pouca documentação de suporte disponível. E também alguns (destes, um ou dois), escrevem porque consideram os Arquivos da Pide a fonte miraculosa, sacrossanta, inesgotável, da verdade verdadeira sobre o período da luta de libertação nacional, para denegri-la. E não falemos das fantasias envoltas de ódios e frustrações... enfim, fiquemos por aqui.

P - Insurge-se contra certos historiadores, afirmando que nada do que disse "terá terreno de cultivo, nem será algum adubo, (...) para a escrita da história necessária". Quem, na sua opinião, pode contribuir de forma válida com o seu acervo para que se forme a história daquele período de libertação a que se refere?

R - Todos os acervos e depoimentos honestos, sinceros, de quantos participaram e estudaram, com sentido de verdade, cada período da história da nossa luta de libertação nacional, podem e devem contribuir para que historiadores honestos e objectivos, cientificamente preparados, a escrevam.

P - Tem amizade de longa data com Luandino Vieira, a quem viu depois do 25 de Abril. Onde estava nos meses que se seguiram e como encarou o movimento cultural de então?

R - O Luandino Vieira é um dos amigos fraternos cuja amizade me orgulha e faz feliz. Depois de nos termos encontrado em Lusaka, fui em missão de trabalho a Portugal (sou um dos dois ou três primeiros guerrilheiros do MPLA a ser designado para o efeito, após o 25 de Abril) e fiquei alojado em casa da Linda e do Luandino, naquele bairro ao lado da Alameda Afonso Henriques, em Lisboa. O movimento cultural de então? Em Portugal reinava a euforia. Em Angola (nas cidades), onde cheguei dois meses mais tarde, era a saída da clandestinidade, do "gheto", como disse o David Mestre. Foi nessa ocasião que tive a satisfação do primeiro encontro com ele e com o Ruy Duarte de Carvalho. Reencontrei os meus camaradas Carlos Ervedosa e Arnaldo Santos, conheci o Jorge Macedo. Em missão em Belgrado, conheci o Zé Mena, que discutia questões da Angop. Então, o movimento cultural, se assim se poderia chamar, girava ainda em torno da Página Cultural da «Província de Angola», dirigida com amor e dedicação sem limites pelo Carlos Ervedosa. Havia no Huambo também algumas iniciativas, com o Inácio Rebelo de Andrade e o Ernesto Lara Filho mais em evidência. Na Huíla, o Cosme e o Garibaldino, que vinham de antes do início da guerra. No Lobito, o Orlando de Albuquerque mantinha uma pequena editora, a partir da qual conheci os nomes de Jofre Rocha e outros. Era uma época em que as divisões e ambições de líderes políticos e a precipitação de determinadas análises fomentadas por interesses externos arrasaram, paralisando e contrariando Angola, por mais de três décadas. A publicação do Mayombe do Pepetela, d’ O Clã de Novembrino do Abranches e de Quem me dera ser Onda do Manuel Rui, Chão de Oferta do Ruy Duarte e do magnífico Caderno do João Maria Vilanova, foram as grandes pedradas para diante. E houve então muita coisa boa e nova na literatura e nas artes, o Tamoda, os sonetos do Cardoso, a “Mulemba”, do Aires, as Crónicas do Lara, as numerosas revelações jovens, Boaventura, Melo, Lopito, Kandjimbo, Paula Tavares, Jacques, Darío e mais outros, que resumo no Maimona, no Mendonça, Jacinto Lemos, Rufino, Chikakata, Nehone, Botelho, sem precisarmos de falar dos Kotas, que nos mostraram o caminho, Neto, Jacinto, Viriato, M. António. Nas Artes Plásticas, o Viteix e o Ole, seguidos dos jovens Marcela, Van e Gumbe, ao lado de mais velhos como o Vaz de Carvalho, o Zan, eram as referências. O surto musical foi enorme. Mas o Rui Mingas distinguia-se. O Paulo Flores, o Teta Lando, a Belita Palma, três gerações com lugar no meu coração. Os jovens dispersos pelos vários e valiosos grupos, que têm vindo a ser recordados pela Rádio Nacional. Nesta grande casa de união e difusão cultural (não apenas noticiosa), o Rui Carvalho, o Berenguel, a Maria Luísa, o Chico Simons, mais do que locutores eram a voz nacional do despertar. Nos jornais, nasciam com entusiasmo os jornalistas do futuro, em geral pelas mãos da Gabriela Antunes. Seria injusto não citar, entre tantos com tanto mérito, o Artur Queirós das polémicas batalhas dessa época. O movimento cultural dos primeiros tempos da independência nacional é irrepetível e é normal que assim seja. Após a acalmia das águas, mesmo que não tivesse acontecido a tragédia da guerra, viria a decantação. "Mas esquecer, eu não consigo...", na voz do Santocas, o movimento cultural de Angola inteira. O Kituxi, o Mestre Camosso, tinham réplicas pouco conhecidas em Luanda, no Huambo, na Huíla, em Cabinda, no Leste. E os grupos teatrais? As rebitas? E o disco do grupo angolano de Moscovo? Seria não acabar e longe já vai a lembrança. Chega!

P - Quer-nos contar como ganhou os primeiros 50 dólares, depois de ter fugido de Portugal, naquilo que foi o primeiro exercício do "experimentalismo," a técnica de pintura que passou a ser-lhe característica?

R - Esse episódio, sem relevância, está relatado nos Adobes de Memória. Um dos muitos turistas americanos, que nesse tempo iam ricos, depois de velhos, à Europa, comprou-me (no momento em que misturava e experimentava algumas cores, sobre uma folha de jornal, num passeio de rua em Paris, para sugerir um tom a um amigo pintor) essa folha, como se fosse um quadro abstratérrimo. Foram os meus primeiros 50 USD ganhos com «pintura».

P Relata, no seu livro Chegada - segundo volume da obra autobiográfica, Adobes de memória -, que deram efectivo impulso à fundação da União dos Escritores Angolanos. A constituição da UEA foi um imperativo da época?

R - A Fundação da União dos Escritores Angolanos era, sim senhor, um imperativo nosso, do grupo que teve e concretizou a ideia. Inscreveu-se no vasto leque de acções e iniciativas da afirmação e criatividade da independência nacional. Considero ter sido uma iniciativa de ouro que, trinta anos passados, deveria ostentar junto do seu pendão a faixa-condecoração de mérito nacional, prevista para Órgãos de tão grande distinção e merecimento.

P - Usou vários pseudónimos. Gostaria que nos contasse como surgiu e ressurgia o Wayovoka André, ao mesmo tempo que Ndunduma?

R - Ndunduma não é um pseudónimo. É um nome, que me foi dado por antigos companheiros da guerrilha, porque era norma adoptar um «nome de guerra». Wayovoka André (diferentemente de outros nomes, esses sim, vários pseudónimos, dos quais uns usados apenas uma vez, tantos foram!), é um heterónimo surgido em circunstâncias já relatadas nos Adobes de Memória, pelo que penso não haver necessidade de voltar ao assunto.

P - Será que teve, ao trazer o heterónimo Wayovoka André, pretensão semelhante ao do escritor que cristaliza João Maria Vilanova?

R - Não conheci pessoalmente o extraordinário Poeta que foi João Maria Vilanova. No caso do Wayovoka André não se tratou de qualquer «pretensão» de imitar quem quer que seja. Imitações só fiz durante a guerrilha, quando para matar tempos mortos os companheiros pediam que contasse algum filme que tivéssemos visto anos antes. De preferência cowboyadas. Não sei se pela imitação ou se pela fidelidade à narrativa, várias vezes os camaradas interrompiam pedindo outro, porque esse já tinham «visto», a vez passada...

P - A versão que conta da história do Quadro que levou à prisão é, confesso, diferente da versão que a maior parte dos leitores conhece. Não concordaria que, para a época, o quadro foi demasiado irónico?

R - A tal versão, que, segundo diz, os leitores «conhecem», não há a menor dúvida de que se trata de uma qualquer versão imaginária, com a qual nada tenho a haver ou a ver, ainda menos do que com a versão real e que está relatada em Adobes de Memória. É evidente que, se fosse hoje, nem os autores teriam feito o que fizeram, nem as consequências seriam as mesmas. É no entanto forçoso admitir que, na época, a susceptibilidade política era mais aguda e eu chamei a atenção para isso na ocasião, havendo testemunhas desse facto. Hoje as coisas chegaram a tal ponto que algumas das mais altas figuras do Estado são insultadas, ofendidas, acusadas de falsidades ou no mínimo do resultado de especulações que não se coíbem de ferir a dignidade humana e o seu direito ao bom nome. Digo, por vezes, que até eu, vítima injustiçada dos insultos mais soezes publicados «cá na banda», nas duas últimas décadas, tenho sido mais poupado que o próprio mais alto Magistrado da Nação. Cada episódio da vida tem, no entanto, o seu momento próprio, que lhe traça os contornos respectivos. Por isso é que o espaçamento de tempo, entre as ocorrências e a sua análise objectiva, proporciona quase sempre conclusões mais seguras e uma compreensão muito mais objectiva dos mesmos.

P - No fundo, ficou marcado como a vítima mas também como o agressor. Como encara hoje estes factos?

R - Encaro-os com serenidade e compreensão da perspectiva histórica. Sem mágoas e sem nenhum trauma. Porque percebo com convicção que só uma mente clara, uma inteligência acima da média, e sobretudo um Homem de Bem, como é, sem qualquer dúvida, a Pessoa a que me refiro, tem a superioridade de construir amizade, futuro e respeito pelos outros, como tem procurado fazer em cada momento, sem perder de vista a pluridimensão dos fenómenos sucessivos e dos objectivos maiores que de si dependem.

P - O livro Ascendências é encarado na perspectiva de uma antologia. Ele é mesmo um dos mais importantes da sua Obra?

R - O livro Ascendências é possivelmente um dos mais importantes documentos que escrevi, destinado ao povo angolano. É a minha homenagem possível a uma parte dos angolanos e seus amigos, que de um modo ou de outro deram algo de si pela independência de Angola e também pelo engrandecimento do seu nome no mundo, situados de qualquer lado das diversas trincheiras. Escrevi o que materialmente me foi possível. O poema sobre Fidel Castro nasceu em Havana em 1959. Mesmo passados tantos anos, sejamos ou não críticos e contrários às ideias de Fidel, é forçoso reconhecer que ele representou um dos mais altos e nobres símbolos da luta dos povos do mundo contra a dominação imperialista, pela dignidade do povo cubano e de outros povos. Não tivesse existido Fidel e a sua geração, talvez Cuba continuasse hoje a ser a colónia yanque que numerosas repúblicas latino- americanas continuam a ser, embora um pouco mais mitigadas, graças precisamente à vitoriosa luta dos combatentes da Sierra Maestra. A história absolvê-lo-á! O poema para Agostinho Neto é óbvio. Pudesse ser melhor! Escreva-o quem tiver mais engenho!

P - A sua vida e Obra transcendem o espaço de uma entrevista. Porém, deixo-lhe aqui espaço para que diga o que queira...

R - Agradeço-lhe a gentileza das suas palavras. Direi, sem falsa modéstia, que a minha vida e obra não transcendem coisa nenhuma. Julgo apenas ter cumprido, o melhor que me foi possível, sem descontar os erros inevitáveis, o percurso e as vicissitudes que a vida me proporcionou. Aproveito o espaço que me oferece para fazer uma pequena comparação, sem outro objectivo além da relatividade próxima: se fosse verdade, uma pequena parte sequer, do labéu que me tem sido atribuído, já imaginou o escândalo que se poderia fazer, só por não ter sido, com outros, incluído, no primeiro, nem mesmo no segundo volume das Pessoas com quem falar? Não ligue. É a falar que as pessoas se entendem, é claro, quando querem entender-se.

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