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«Nada Mais nos Atrai no Título Para Além do Próprio Título»

Escrito por  Trajanno Nankhova Trajanno

Entrevista de Aguinaldo Cristóvão

A primeira impressão surgida da análise da obra de Trajanno Nankhova Trajanno envolve os recursos estilísticos que usa para fazer poesia. O leitor verá, a seguir, que a linguagem de Trajanno é sacralizada e que a religião também poderá ser um bom tema de conversa, para o entendimento do seu trabalho. Foi neste ambiente que o poeta, que usa habitualmente branco nos diz: «Não podemos reclamar frequentemente da tosse que nos grassa o órgão respiratório, se não nos propomos a largar o cigarro e os demais agentes nocivos que nos inviabilizam a cura. De que nos servem as lamentações sobre o cansaço se ao fim de cada jornada não procurarmos descansar?»

 

P: Qual foi a primeira vez que pegou numa caneta para escrever poesia? Recorda-se do lugar, o que escreveu...

R: São dois momentos distintos que se aglutinam em: uma «carta» e uma «praia». Cumpríamos o serviço militar voluntário. Correspondíamo-nos com muita frequência por muitos pontos do País, sobretudo com uma menina malanjina que residia em Malanje. Em certa carta terminou dizendo que as cartas mais se pareciam com poesias do que propriamente cartas, e que queria também receber cartas. Como nos achávamos ante a «praia morena», guardámos a carta e meditabundos ficámos a contemplar a praia. Em algum momento daquele quadro que nos absolvia da nostalgia da carta e nos absorvia para o mar entrou uma menina, chamou nossa atenção e colocou-se entre a lembrança da carta e a praia. De pronto um impulso incontrolável tomou-nos a vontade e transcrevemos as formas ondulantes da ginga da benguelense que se confundia com a ginga suave da onda morena que se espraiava até nossos pés. Nunca divulgámos o poema. Com sua licença, amigo Aguinaldo Cristóvão, não divulgaremos aqui. Até porque nunca conseguimos terminá-lo... Percebemos que por mais esforço que fizéssemos, escrever sobre a beleza feminina nunca conseguiríamos. A mulher é um poema escrito por Deus e qualquer tentativa do nosso lado em expressar a beleza feminina através da poesia sempre há-de ser o borrão de um plágio à belíssima obra da natureza. Decidimos gravar aquele que considerámos o nosso primeiro poema no refolho da alma, eram 12 do 12 de 78. No entanto, até à presente data o nosso primeiro poema se reescreve e transcreve ao contágio da intensidade da beleza feminina, ante seus anseios e receios. Ante suas esperanças e desesperos. Seus prazeres e dores. Seus temores e amores. O nosso primeiro poema vive no ritmo sistólico e diastólico do coração e no voo inebriante da alma!

P: Que ambiente cultural teve na sua infância, já a sua geração literária é, convencionalmente, chamada Geração das Incertezas?

R: Sem veleidade de índole alguma, recusamo-nos a chancelar epítetos como o acima referido, ou seja, a «geração das incertezas», como muitos outros, que hodiernamente dão corpo ao exercício analítico à volta da actividade artística cultural, por não encontrarmos elementos que nos identifiquem com os parâmetros de sustentação dos mesmos. As incertezas não são apanágios da nossa, da sua, nem da geração de nosso velho pai. Campeiam ao longo do nosso percurso evolutivo, um pouco menos em uma ou em outra geração. A «geração literária» do venerando Uanhenga Xitu fora indubitavelmente eivada de incertezas até não poder mais. Protagonizada pelo regime fascista. Provocando clandestinidades nas conversas, etc.. Incertezas permanentes não só com o segundo seguinte, em relação à publicação de suas obras literárias, sobretudo se seriam ou não queimadas pela polícia política, e muito para além disso, nunca se podia saber se Chão-Bom era um campo prisional ou um campo de morte. Antes, muito antes da geração do ti Mendes, uma geração literária cheia de incertezas viu florescer no século XIX como seu expoente o respeitável nacionalista Assis Júnior. Felizmente a geração a que pertencemos tem oportunidade de participar nas mudanças que ela mesmo quer ver a operarem-se. Ela é partícipe activa ou cativa conforme o uso de seu próprio livre-arbítrio, o que possibilita começar a prepararmo-nos com liberdade intelectual, técnica e moral para transmitir certezas às gerações vindouras. Pelo que julgamos entender, pertencemos, vivemos um período transitório como todas as épocas hão-de ser transitórias de alguma coisa, início de outra e afirmação de alguma. Dizia, vivemos um período de definição de «auto-determinação» que vem produzindo sua própria linguagem, seu próprio posicionamento, quer político quanto literário, melhor dito cultural. Ocupamos um espaço livre que caminha com palavra adulta na tecitura catalisadora das visíveis mudanças do planeta. Diria o poeta Neto: estamos a colocar nossa pedra no alicerce do mundo

P: Surge aqui a literatura panfletária com a qual o poeta angolano António Cardoso aparece conotado...

R: Com o respeito que nos merece, até porque cumpriu a sua função «a literatura panfletária», equilibrámo-la, adaptámo-la, para um novo palco e uma nova assistência. Saímos de um discurso cujas palavras ensaiadas em manuais impostos pelo tempo e as circunstâncias passa agora para uma nova roupagem com maior abertura, maior dinâmica e chances de transformação. Se no período transacto muitos dos homens das letras se permitiram influenciar por uma ou outra atitude da política e literaturas, de um dos dois blocos que arrogantemente partiam o mundo em dois, hoje o horizonte é de amplitude. Da mesma forma que nos incorporamos nas libertações Mata-Campo-Cidade, fizemos com a literatura, parte da transição do período monopartidário para o multipartidário. Exigimos, e sentimos hoje, que se aproximem os frutos sobre uma política mais actuante na área da cultura e da educação. Hoje, estamos reclamando uma nova ordem governativa para a área dos transportes, comunicação e habitação e outras. Nossas esperanças são vastas, da mesma forma que a literatura participa na promoção de novos valores na luta intrínseca pela mudança de comportamento, ante a secular diferença de direitos e deveres entre homens e mulheres. Já não estamos confinados ao observatório das regras portuguesas. No entanto, respeitamos os que ainda assim procedem. A literatura de nossa geração sabe de onde vem e procura achanar sua própria senda. Tem certeza do que quer, prevê onde julga que deve chegar e projecta. Equilibra os excessos dos resquícios de um tempo não independente e o choque de um tempo independente. Funciona como equilíbrio lúcido e dúlcido, é claro, com todo o sacrifício que as circunstâncias acarretam. Pelo que disse e pelo que deixei de dizer, caso nos permitisse a ousadia de nomeá-la, seria para nós: «Geração do Equilíbrio». Quanto ao ambiente cultural da nossa infância, se tivermos presente a independência em 1975, e tendo registado nossa chegada à terra nesta encarnação em 1958, logo, vivêramos um ambiente infanto-juvenil como o de todas as crianças colonizadas de então.

P: Porque normalmente aparece trajado de branco?

R: Faço-o na impossibilidade de com uma vara de condão terminar o flagelo que assolava a consciência de alguns angolanos que externavam suas mais variadas emoções através da violenta arma de fogo. E como estar contra algo ou alguém é uma posição de idiotia, uma vez que quem se coloca contra obriga à potencialização do opositor, e de contra em contra se dá expansão do erro, pois, então, optámos como ensina Mahatma Gandhi, estar a favor da paz. Para além de alguns escritos e algumas opiniões emitidas quer nos ciclos de amizade quer nos meios de comunicação, optámos trajar unicamente de branco, como uma das formas de exteriorizar permanentemente as nossas emoções a favor da vida. Já que a cor branca é convencionalmente tida como cor de paz! É claro que no instante em que lhe respondemos, para bem de todos, o País já não reivindica, já não manifesta suas inquietações e ideias, através do cano da arma em chama. Percebemos todos que existem muitas outras formas de comunicação, cada uma mais bela e mais compreensiva que outra. No entanto, falta-nos agora eleger como forma de vida a máxima que a terra já ouvira alguma vez: «AMARMO-NOS UNS AOS OUTROS».

P: A crença religiosa do poeta influencia na sua actividade?

R: Se pretende saber se o Cristianismo influencia em nossa actividade, lhe diremos que SIM! Perdoe-nos, não temos grandes familiaridades com o vocábulo «religião». Para sermos mais claros, muito pouco ou nada nos diz, a menos que queiramos percebê-lo no ponto de vista etimológico do vocábulo, o que nos parece não ser o caso. Encontramos no «Ensinamento Primitivo do Cristo», através da «Filosofia Espírita», uma abordagem que nos parece descompromissada, desapaixonada e raciocinada na procura da verdade entre a ciência e a crença, o esclarecimento da vida, que nos satisfaz. Nossa actividade, felizmente, aceita múltiplas influências, desde a formação da nossa personalidade à constante tentativa de aprimoramento em função das conquistas científicas que conduzem o planeta, assim como dos contemporâneos modos de compreensão e de condução dos princípios morais. Os novos ritmos, as novas leituras de comportamento juvenil, as novas tendências de modas e estilos nas mais variadas manifestações artísticas e profissionais. Em tudo que nos rodeia encontramos razão para influenciar nosso comportamento dentro da poesia e fora dela. Às coisas que ajuizamos como exemplos positivos de seguir, impregnamos nossa energia vibratória e adoptamo-la para nós, como parte de nós mesmos e somos gratos à Divindade. Perante as que consideramos nocivas, pedimos auxílio ao Senhor, enquanto damos o tratamento material e moral adequados.

P: Já pensou em escrever poemas, na vertente de um ateu?

R: Escrever poemas na vertente de um ateu! (Caso fôssemos o entrevistador, aqui, narraríamos que o entrevistado sorriu, cofiou a barba e prosseguiu!... Mas nada disso diremos.) Aos olhos de quem não professa o que professamos, não estaremos já a escrever na vertente de um ateu? «Ateu» é uma terminologia que pretende classificar pessoas que não acreditam em Deus, no ponto de vista de determinada igreja. Quanto muito, os que não se vinculam ao pensamento de determinado segmento religioso. Não acreditamos que a sensibilidade para o ritmo, para o belo, seja apanágio de igreja alguma. Nada temos, é claro, contra o que este ou aquele segmento religioso possa transmitir a seus seguidores. Tentamos sempre respeitar todos e tudo o que nos rodeia e é desta forma que procuramos dirimir o peso de nossa consciência acumulada pelos atropelos, que voluntária ou coagidamente plantamos e que o carácter obrigatório da lei nos ensina a colectar resignadamente ao longo de nossas sucessivas vidas. Sabe, caro Cristóvão, nós ainda estamos habituados a sermos servidos e não a servirmos, então cognominamos tudo e todos seguindo a pauta de nossas conveniências. Enquanto se tratar de mero exercício de identificação, não nos parece relevante, a maka começa quando condicionamos nossa compreensão e accionamos mecanismos de exclusão e desamor contra quem não pertence as nossas fileiras. Pois se entendermos por «ateu» o que sentimos no quotidiano, que é o ponto de vista que acima descrevemos, então estaremos todos a escrever, a falar, a brincar, a cantar, a namorar, a pensar e por aí vai, na vertente de um ateu para os que não são do nosso céu!

P: O que pensa da literatura esotérica. Que livros tem lido?

R: É, no nosso entender, uma literatura bastante dinâmica, ousada. Uma literatura que faz tempo vem chamando a nossa atenção para outras realidades, mas a estrutura histórica que temos do passado do mundo tem feito com que a releguemos para o espaço fantástico da vida. Para a ficção e muitas das vezes para o utópico. É claro que, como em tudo, na literatura esotérica também encontramos os seus exageros. Também aqui devemos utilizar o crivo da razão para não tragarmos vinagre por água. Quanto à segunda parte da pergunta, permita-nos dizer-lhe que temos lido e cativam-nos matérias sobre as civilizações iniciáticas. Mas lemos sobretudo matérias ligadas à REVELAÇÃO CÓSMICA. Que na verdade é uma Codificação que nos pontifica o aparecimento da vida na terra, «a rebelião luciferiana», mais concretamente o desmistificar de assuntos como «céu e inferno», «fim do mundo», «pecado e Diabo». Outra visão sobre «a vida além-túmulo» na sua vertente cósmica, a «comunicabilidade com outras manifestações de vida inteligente», ou seja, extra-terrestres, a aproximação do planeta Terra do cosmos, ou seja, a «Reintegração Cósmica». Aliás, temas que estavam no centro das discussões hodiernas da lendária Alexandria de Alexandre III, O Grande (356-323 a. C.), e que o cinzel do tempo apagou da nossa memória imediata.

P: Foi militar, tem prestado serviços cívicos, tem actividade religiosa activa para além de se ter formado em guionismo. Tem alguma razão especial para esta constante procura da perfeição?

R: Viver! Queremos viver, para tal procuramos adequar os meios que nos possam colocar ante o modo de vida que nos propomos conquistar. Não podemos reclamar frequentemente da tosse que nos grassa o órgão respiratório se não nos propomos a largar o cigarro e os demais agentes nocivos que nos inviabilizam a cura. De que nos servem as lamentações sobre o cansaço se ao fim de cada jornada não procurarmos descansar? É comum ouvirmos que nos tem faltado tempo para isso e para aquilo, falta-nos dinheiro para «x» e «y», que não conseguimos amealhar aquilo e aqueloutro, que estamos assim ou assado, que temos de largar este ou aquele vício. No entanto, arranjamos argumentos, uns mais pomposos que outros, julgando poder driblar nossa própria razão. A exemplo do indivíduo que pensa: beberei apenas hoje alguma coisa quente, porque está frio demais. Outro dia bebe algo frio por estar demasiadamente quente. No entanto, bebemos para comemorar algo, depois para abafar certa desilusão, depois ao recebermos uma visita e a seguir para a despedirmos. Em outro instante bebemos para não parecermos careta junto à turma dos filhos... E quando alguém que se preocupa connosco nos aborda sobre o assunto, retóricos, respondemos que está tudo sob controlo: Bebo apenas socialmente. E o pior é que muitas das vezes é verdade. Passou apenas a beber socialmente, só que, como está grande parte da semana em ambientes sociais, acaba ingerindo socialmente mais do que a saúde suporta. Por outro lado, é muito comum ouvirmos desabafos como: «Eu não vou votar!... Votar ou não votar é sempre a mesma mesmice, nunca cumprem o que prometem». E nós questionamos: se não votamos para quem ajuizamos ser o melhor ou razoável para a possibilidade de realização de nossos sonhos, com que legitimidade reclamaremos a acção inviabilizadora dos que não pensam como nós? Como reclamar o desagrado se não quisermos exercer o nosso direito na escolha das coisas que nos agradam? Na permanente intenção de melhorarmos a gestão de nossos anseios, receios e devaneios, aprendemos ao longo dos anos que o ser humano não é apenas uma belíssima estrutura de ossos e músculos, células e neurónios. Diz bem o ditado NEM SÓ DO PÃO VIVE O HOMEM! Como tal, precisamos de alimentar o «ser atemporal» que vive no ser humano. Ou seja, o «espírito» precisamente a parte no homem que a igreja chama de «imagem e semelhança de Deus». Como dizíamos, precisamos alimentar o «ser atemporal» que vive em nós à semelhança de um atleta que treina regradamente para sua própria superação. Em causa não pode estar antes e acima de tudo a intenção de ser melhor que alguém. Mas conquistar sempre marcas melhores, por nós mesmos antes conquistadas. A vida em todas as vertentes e a todos instantes mostra-nos haver indubitável e permanente necessidade em sermos amanhã o que ainda não podemos ser hoje. Como militar, voluntariamente fizemos parte dum quadro circunstancial em que ingressámos nas fileiras de alguns nacionalistas que se debatiam com o que de melhor tinham em busca de independência e posteriormente fomos colocar nossa pedra no alicerce da coesão das fronteiras da Pátria. Já na actividade cívica procuramos o complemento de nós mesmo, a nossa plenitude no próximo, uma vez que o bem que fazemos a outrem a nós mesmos fazemos. Até porque todos os dias, em todos os momentos, alguém nos faz um bem muito grande, na rua, no lar ou no local de trabalho, em gestos comuns que parecem insignificantes, mas de bastante relevância para a vida em comunidade, como olharem para nós com ternura, um beijinho atirado com a mão ou colocado em nosso rosto, um olá, uma palmadinha no ombro. Percebemos que nossas alegrias também são vividas pelos outros, assim como as tristezas; por aí galvanizamos a ideia de que cada um é complemento de outro. Acreditamos nos que afirmam «Haver mais prazer em dar do que em receber». Amélia Cazalma, em mensagem telefónica endereçada aos amigos e conhecidos, por ocasião do dia Internacional da Criança de 2005, escrevia: «Jesus, a paz das nossas almas, o amor, a força sempre presente no nosso quotidiano, saúda-nos, em mais um dia especial, «o Dia Internacional da Criança», a criança o nosso futuro, o futuro do planeta Terra. Reflictamos nos exemplos que damos a criança, em casa, na escola, na rua, enfim. Joguemos à fraternidade, ao amor, ao perdão. Beijos.» A actividade cívica, seja quem for que a pratique, nela com certeza estará por respeito a sua própria consciência, tendo sempre em conta os demais que o rodeiam. O rio do nosso riso jamais alcançará o mar, nem será navegável, se não nos propusermos a desassorear regularmente seu leito.

P: Antes de falarmos da sua obra literária, gostaria que nos falasse dos principais momentos que marcaram a sua entrada para o mundo das letras.

R: Se estivermos a compreender «entrada para o mundo das letras» como sendo o momento da apresentação pública de nossa primeira obra literária, teremos três momentos. O primeiro episódio, bem no acto da apresentação de A Morte do Pão. Alguém nos abraçou efusivamente e como era quase duas vezes o nosso tamanho quase repousou sobre nós e disse entre sério e sorridente: «Ainda bem que agora já podemos denunciar o regime». Pensámos com alguma tristeza: «Este amigo tem-nos como seu correligionário, com certeza». O segundo episódio, já no fim da apresentação do livro. Alguém de nossas relações apareceu e jocoso, mas com um tom apelativo, comentou: «Sabemos que és dos nossos, ó Trajanno, não faça isto!... Este título assim contundente nesta fase do campeonato!...». E rindo deu-nos uma palmada no peito. Rimos todos. O terceiro episódio veio de alguém, que ajuizámos tê-lo visto naquele instante pela primeira vez. Apresentara-se como professor, procurando fazer enigmaticamente um acordo de exclusividade de venda dos livros e que obrigaria os alunos a adquiri-los. Perante nosso espanto, vociferou: «Como é que pensas que os livros aqui se esgotam indo parar para as escolas?!»

P: Diz o professor Jorge Macedo [in Poesia Angolana Apontamentos Históricos, 1975-2002] que os poetas da sua geração se inscreveram nos anais da história da literatura angolana por cultivarem uma corrente «simbolista-concretista». O simbolismo é nítido na sua obra. Tem alguma intenção de vincar o «concretismo»?

R: Aos especialistas como o venerando professor Jorge Macedo, a quem estimamos como indivíduo e estudioso de vasto arcaboiço cultural, cabem as definições. De uma coisa lhe podemos assegurar, caro Cristóvão, enquanto nos restar fôlego, enquanto pudermos receber intuição dos benfeitores da humanidade, aqui nos terás a escrever o que nos vai pela alma, com a mesma intensidade com que trabalhamos a terra para vermos produzir frutos que seu íntimo faz brotar da semente.

P: Porque entrou para a UEA apenas em 1996, quando já tinha publicado três livros?

R: Ao longo de sua vida, a UEA foi assumindo posturas várias. Entre elas uma bem célebre: «só poderia ser membro da União quem tivesse uma ou mais obras publicadas». Paradoxalmente só poderia publicar quem fosse membro da união. Felizmente esta cláusula desapareceu da União. Fora disso, o tempo que separa a apresentação de A Morte do Pão e a recepção de uma certa missiva do ex-Secretário-Geral, o escritor António Gonçalves a convidar-nos a ingressar para a UEA fora relativamente curto. A Morte do Pão saiu a público na sexta-feira 13 Dezembro de 94 e o nosso cartão de membro com o número 79 data de 03.04.1996.

P: Têm surgido outras associações literárias. De que forma encara este fenómeno, do ponto de vista da unidade de classe?

R: Antes de qualquer outro argumento, devemos reafirmar que o exercício de constituição de associações é livre, logo deve ser recebida com entusiasmo a ideia de cidadãos socializarem-se. Regrarem seu modo de estar na vida e em sociedade como melhor convier. Julgamos que a classe não se torna mais forte nem mais fraca pelo facto de aparecerem outras associações, mas sim caso prevaleçam as razões que vêm catapultando alguns cidadãos ao afastamento tanto voluntário quanto coercivo. Pois sabemos todos que quando pudermos juntar a classe, sem as intolerâncias gratuitas que ainda promovem um pouco por toda parte determinadas exclusões, a UEA tornar-se-á decididamente uma força mais coesa e interactiva, capaz de trazer sem tabus para seu seio, em todos os sentidos elementos novos, assim como poderá disseminar para a sociedade novos elementos embasados na unidade. Estamos em crer que falarmos em termos de uma única associação que pudesse galvanizar toda a classe de escritores implicaria claros posicionamentos em prol do objecto social da instituição, longe da sistemática pretensão de partidarização de ideias. Só assim instituiríamos, é claro, não uma instrumento mono, mas uma harmonizada voz, que exista a par da necessidade urgente que temos de erguer uma nova atitude nacionalista. Não aquela produzida por partidos políticos, mas uma atitude nacionalista fundada na fraternidade, na amizade, na responsabilização da coisa pública, no respeito à família, em suma, no amor. Só assim faríamos verdadeiramente ecoar nossa voz com maior sonoridade e respeitabilidade na necessária e urgente senda evolutiva do homem e da nação sem nunca perder de vista o planeta. Mas temos fé. Fé raciocinada, não a fé cega que tudo aceita, temos fé que num curto espaço de tempo teremos a UNIÃO!

P: Só publicou um livro pela UEA, oito anos depois de ter sido admitido. Porquê?

R: Primeiro, parece-nos razoável que se diga, pelo que julgamos acompanhar a certa distância. Três momentos distintos marcam a vida editorial da UEA: um primeiro em que muito se publicou e em grandes tiragens, logo após a sua criação. Um segundo momento em que se reclamava frequentemente de falta de recursos financeiros para as edições. Foi nesse período, o segundo, que ingressámos na União dos Escritores Angolanos. E um terceiro momento, felizmente o vigente, em que a instituição volta a respirar saúde financeira. Para sermos mais objectivos, entrámos para União no período das vacas magras. Não significando no entanto que não se publicava. Aliás, havia-nos sido solicitado trabalho. Mas nunca soubemos a razão da não publicação. A título de elucidação, podemos dizer-lhe que após nos termos tornado membro da UEA publicámos pela Direcção Provincial da Cultura de Luanda (Terra Nova : teatro. Prémio Cidade de Luanda), pelo INIC (Pedestal de Argila: poesia), pela NZILA (Melodia da Água: poesia. Prémio Nacional de Poesia Dr. Agostinho Neto) e em edição do autor (De Que Lado Está Deus : teatro. Menção honrosa do prémio Sagrada Esperança). Não nos faltou material para fazê-lo junto da UEA, graças a Deus. Mas a verdade é que não aconteceu e se voltar a perguntar-nos o porquê, a nossa resposta continuará a ser a mesma. Desconhecemos a razão. No entanto, de forma alguma lhe poderemos dizer que tenhamos ficado muito satisfeitos com o acto de apresentação da nossa primeira obra, na UEA. Esperávamos que a União assumisse seu papel de editora, que chamasse a si um pouco mais do protagonismo que estes momentos requerem. Há coisas que são intransferíveis na relação editor/escritor. Por exemplo, coisas que estão intrinsecamente ligadas ao papel do anfitrião, como seja a divulgação, antes e após a apresentação do livro. Da distribuição dos convites. Da negociação com quem apresenta o livro. Não falo da escolha do apresentador, falo da negociação assim como da cerimónia. Falo da assinatura de um contrato onde ficam redigidas as linhas de conduta entre editor e escritor. Por mais anedótico que possa parecer, nunca, entre nós aconteceu. Como consequência não sabemos quais foram os caminhos percorridos pelo Caminhos da Mente se doados a uma instituição de caridade ou coisa parecida. É claro que temos tido momentos menos nublosos, justiça seja feita, o confrade Botelho, o Secretário-Geral da UEA, fez editar Caminhos da Mente com qualidade, e em muito pouco tempo após a entrega do material, pelo que lhe somos imensamente gratos.

P: O seu primeiro livro A Morte do Pão [Luanda, EAL, Colecção Viva Vida, 1993, poesia] foi publicado numa altura em que, em Angola, reacendia um conflito armado pós eleitoral. Este livro trouxe a esperança ou a reflexão?

R: O quadro psicossocial do período em referência suscitava atenção especial. Tínhamos, nós, os Angolanos, conseguido ser um extraordinário exemplo de civismo para o mundo físico, espiritual e moral, com lisura e afecto, tanto entre as várias populações que começavam a cruzar os espaços não acessíveis de então, como o receber caloroso aos estrangeiros que nos visitam, que já faz parte de nós. As eleições representavam a grande esperança duma população que já naquela altura estava estafada de entabular conversas, com a forma mais vil que a humanidade conhece: a guerra. Efectivamente estávamos todos esperançados. Não da esperança que nunca morre, mas sim da esperança que motiva a realização. Da esperança que é antes e depois de tudo força motriz do desenvolvimento. Assim, através da poesia procurámos exteriorizar nossa opinião de então. E A Morte do Pão refere-se quer ao pão derivado do trigo, quer ao pão que deveria alimentar a parte não física do homem que estava sendo novamente atrocidado. Se A Morte do Pão trouxe a esperança ou a reflexão, melhor do que nós poderia responder o caro leitor. Nossa intenção era chamar a atenção para a situação que vivíamos e o que precisávamos para viver, como uma sociedade civicamente tranquila, capaz de albergar seus filhos e visitantes à volta da mesma mesa. Se conseguimos ou não, não sabemos, sabemos sim que, teorizando sobre A Morte do Pão, para o Jornal de Angola de 08 de Outubro de 1995, o então estudante finalista de Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Português/Francês, na Universidade de Aveiro: Portugal, Jomo Fortunato, actual Professor Universitário e Director do Instituto Nacional do Livro e do Disco, dizia: «(...) É uma obra singular que contorna um modo de dizer poético, inédito entre nós, e atinge soluções estéticas de literariedade que só confirmam o que há muito venho defendendo: no meio de tanta selvajaria social que vai jorrando, mundo afora, há um chimbeco onde nos podemos refugiar: A recente poesia angolana de sabor e alcance augustamente poético. (...) Trajanno é, pedagogicamente, um Spielberg do nosso cinema poético, não fosse o cinema a poesia da imagem e a sua poesia é o pão que Nzambi arremessou (...)». O jornalista Zarito Mukonda, no jornal O Independente de 17 de Julho de 1999, afirmava: «(...) Ao proceder à crítica das obras de Nankhova, temos de ter em conta que «toda a obra autêntica produz uma iluminação no espírito de quem lê (...)».

P: Este seu livro e o seguinte, Fronteira da Lágrima [Luanda, EAL, Colecção Pão & Alma, 1995, poesia], reflectem claramente a sua preocupação social. Como viveu o reacender da guerra civil em Angola e como transpôs esta realidade para o papel?

R: Como qualquer cidadão da terra sente ao ver uma parcela de seu continente lambida por altas labaredas, provocando mortes e não só, aos contendores e a todos que estiverem ao alcance da gratuita ira. Psicologicamente, desmobilizámo-nos do exército por entendermos que estava terminada a razão que nos havia levado para as frentes de combate. Acto contínuo, solicitámos a efectiva desmobilização. Éramos todos angolanos e precisávamos apenas de reconhecer isso com profundidade, altruísmo e amor, para em seguida trocarmos as armas de guerra pelo abraço. Aconteceu mais tarde, felizmente aconteceu. Sempre «escrevemos com uma esferográfica internacional, sobre uma mesa africana em papel angolano». Logo, o facto de nunca perdermos de vista que vivíamos num mundo onde não éramos os únicos, estávamos esperançados de que os bons exemplos que nos chegavam e chegam dos encarnados e desencarnados de outras latitudes cedo ou tarde nos despertariam para sentimentos mais nobres que não eram alheios ao nosso conhecimento e ao comportamento de muitos angolanos e dos muitos que com os angolanos sentiam necessidade de paz.

P: Em Fronteira da Lágrima, exprime desejos, estabelece monólogos e, somente depois, transmite uma conclusão (normalmente na última estrofe) que sustenta a sua tese. De que forma articula os seus versos?

R: Fronteira da Lágrima era antes de mais uma atitude de consolo para nós. Acreditávamos e acreditamos que o homem é e será aquilo que ele mesmo desejar ser. As nossas formas pensamentos, formas sentimentos hão-de responder em realização segundo a intensidade com que revivermos os nossos próprios filmes. Quer para o bem quer para o mal. Em Fronteira da Lágrima foi o externar do sentimento de fim de... início de...: Fronteira, para nós simboliza a chegada e a partida. A divisória subtil, mas substancial de algo, para o nosso caso de então o fim da lágrima e como consequência o início do sorriso. O fim do complexo de exclusão, o início do amplexo e da união. Os versos foram articulados dentro dum ambiente que preconizamos como vivencial. Tudo era real, aliás assim sempre procedemos. Sempre nos projectámos para um ambiente futuro que elegemos e trazemos para o momento de trabalho e também para o de meditação. E muito mais que isso, no caso concreto da sua pergunta, ao articularmos os versos, exercitávamos e concitávamos os demais a sentirem e a vivenciarem antecipadamente tal realidade, para que a força da mente agisse, despoletasse a lei de fluir e refluir. Só uma causa rosa-flor pode produzir um efeito flor-rosa.

P: Nesta obra, já negligenciava a estrutura formal da poesia. Uma das suas características é precisamente extravasar as regras da poesia. Concorda?

R: A nossa concepção do mundo, hoje, é a de um mundo em constantes mutações; com ele mudam-se as vontades, mudam-se os passos de dança ao ritmo de nova harmonia e com ela a poesia. Para nós, circunscrever a obra de criação em redomas criadas para o efeito é muita ousadia. Cada ser é um ser com deveres e direitos, com pontos de vista e argumentos distintos. Até mesmo em ciências exactas variam as fórmulas para resultados convergentes. Na poesia, pensamos, cabe tudo e nada cabe. Não foi a «maiêutica» quem fez Sócrates, mas foi Sócrates quem a fez. A poesia, conforme a percebemos, exprime-se muito além das disposições gráficas que o aturado labor permite em estruturadas pautas. Com iniciais maiúsculas ou não. Com pontuação ou não. Distendida no horizontal ou elevada ao vertical. Não será «poesia pagã» por ser escrita em época de carnaval, nem poesia romântica se escrita no verão no meio do olor inebriante de flores em elegante jardim. A poesia, em última instância, como a concebemos, é o éter instante da comunicação de alma para alma, cuja letra, ou seja, a disposição gráfica é o elo pelo qual caminham as vibrações que despertam e tocam o violino da alma de quem a lê, manifestando-se na essência divina nele existente. Diz Rossini: «O espírito que tem o sentimento da harmonia é como o espírito que tem a riqueza intelectual: um e outro gozam constantemente da propriedade inalienável que granjearam.» A determinada altura da vida o ser terráqueo não pode mais olhar o mundo através dos olhos de outrem, segue marcando sua existência no planeta através de seu próprio tirocínio pessoal, respondendo pela ousadia de assim proceder. Se colocarmos cinco homens diante de um elefante e pretendermos saber o que acham do bicho, em função de suas origens socioculturais, necessidades fisiológicas, psicossociais, económicas e políticas, enquanto o nosso primeiro homem vê o elefante e imagina uma mesa farta, o segundo pode imaginar-se coberto confortavelmente pela pele quente do elefante. No entanto, o terceiro pode predispor-se a normar regras para preservação do ecossistema. Entretanto, fazendo deleitar a alma ao som de belíssima melodia, o quarto homem no lugar do elefante vê um piano. Já o quinto, ante a ímpar ginga do elefante, vê sua apaixonada noiva de busto desnudo, exibindo luxuosos colares de pérolas em marfim. Como vemos, a acção de lançarmos os olhos a algo, por si só, produz reacção em quem lança, que não se compadece a interpretações circunscritas em redomas de regras milenares. Jomo Fortunato, no Vida e Cultura do Jornal de Angola, afirmava: «...Trajanno Nankhova Trajanno é um caso singular no mosaico dos singulares. Quando arbitrou A Morte do Pão (1994), Trajanno encorajou a sua criatividade e esculpiu, com mais acuidade, as propostas poéticas posteriores. Falamos dos textos conservados na obra Fronteira da Lágrima (1996). Trajanno tem vindo a abordar um discurso poético ímpar. Hábil nos paradigmas, o poeta tem tido resultados surpreendentes ao nível dos sintagmas. Se Trajanno é um poeta do futuro, temos «saudades do futuro»».

P: Que significado têm, para si, o céu, as lágrimas e a água?

R: O céu! A educação religiosa de então apresentava o céu como sendo a morada do Criador, e o céu era o limite azul de anil que os nossos olhos não transpunham. Com a evolução das ciências, sobretudo da Astronomia, e com as grandes viagens em naves, o céu foi elevado cada vez mais para o infinito, para o inatingível. No entanto, o céu não perdeu por esta razão o seu fascínio, muito pelo contrário. Funciona em nós um pouco como a proibição incompreendida que aguça a criança pelos doces. O céu desperta em nós o fascínio etimológico da palavra, assim como o deslumbre das cores, o sonho, a esperança de realização. A lágrima! Longe da sua vital função de lubrificação de um dos nossos sentidos e de partilhar a função de escape de emoções, a lágrima marca o ritmo da vida, quer na alegria quer na arrelia. É, para nós, lagrimar um momento de sublimidade, entre o ser interno e externo, o ser social e o ser espiritual. A água! A água exerce em nós um fascínio que nem mesmo para nós temos explicação. É certo que a Embriologia afirma que o corpo humano é constituído de água; o de uma criança tem aproximadamente 98% de água e o de um adulto entre os 65 a 75% de água. Mas uma coisa é assumir esta água de que é constituído nosso corpo físico e outra coisa é o extra fascínio que a água cria à volta de nosso espaço hodierno. Do mesmo modo que da árvore evola dúlcido e suave perfume da folhagem quanto da fruta, o balão da lâmpada através do filamento de metal projecta luz para o caminhar humano, a água tem voz humana e, por mais incrível que possa parecer, ela reúne todas nossas vozes. É comum sentir nossas vozes na voz universal da água do mar quando o visitamos no alto silêncio da noite.

P: Escreve mais tarde um livro de dramaturgia, De Que Lado Está Deus [Luanda, EAL, Colecção Pão & Alma, 1998, teatro]. Associado ao seu curso de guionismo, que mais prevê escrever em matéria de teatro?

R: Permita-nos um pequeno ajuste cronológico. De Que Lado Está Deus surge antes do guionista de televisão, mas depois do realizador de cinema. Gostaríamos de ter já colocado no mercado mais alguns títulos de teatro, mas tudo a seu tempo. Quiçá ainda antes do fim do corrente ano fazemos chegar ao confrade Botelho um título de teatro!

P: Um ano após a publicação do primeiro livro de teatro, Terra Nova [Luanda, EAL, 2000, teatro] é galardoado com o prémio Cidade de Luanda de Literatura. Que importância atribui aos prémios literários?

R: Num meio literário como é o nosso, onde existe um grande défice de crítica, os prémios ou os concursos, que muitas vezes permitem a confusão de definições acabam funcionando um pouco como barómetro do que se produz. Há também o seu lado puramente editorial. É o exemplo do «Prémio António Jacinto», dos poucos, senão o único, com o perdão do erro, que se propõe editar jovens que se iniciam nas letras sem dinheiro próprio ou sem patrocínio. Como as editoras também reclamam pela falta do dinheiro e aclamam pela urgente aprovação duma lei que proteja e promova o livro, aqui abrimos parênteses para falar de promoção da cultura e artes em sua amplitude, os prémios acabam tendo muito mais importância do que à primeira vista possa parecer. Há, em suma, a recompensa pecuniária, sobretudo para muitos que se propõem a tempo inteiro dedicar-se às letras ou às artes em geral e que não podem ver seus desígnios satisfeitos, visto que a exiguidade salarial que assola sobretudo o funcionalismo público, não permite que o usuário ou o destinatário do produto de arte possa adquiri-lo com regularidade, inibindo sobremaneira a sobrevivência do artista. E o que é mais grave, vai mantendo afastada grande parte da população da necessidade de leitura. E povo que não lê, conclua o amigo Cristóvão, o que será do futuro enquanto nação?

P: Terra Nova surge assim como uma continuidade ou persistência do escritor no género dramático?

R: Caso nos iniciássemos na literatura pelo género dramático, acredito que estaríamos hoje diante de uma pergunta inversa. O drama é para nós tão apaixonante quanto a poesia. Aliás, em todos os géneros ou modalidades artísticas cabe a poesia. Diz Jimme Rufino em prefácio para Terra Nova: «(...) Da pena de Trajanno Nannkhova Trajanno, exubera a teatralidade no dizer literário e a dramaticidade do dizer artístico. Uma literatura de pertinente sotaque dramatural, decorrente de transfigurados exercícios de intertextualidade e de semiologia, resultante numa ficcionalidade prenhe em intelecções cénico-teatrais dinamicamente persuasivas, e uma abstracção filosófica exuberantemente pedagógica e normativa». Quando Amélia Cazalma em prolegómenos para De Que Lado Está Deus registava: «Mais que uma peça de teatro, De Que Lado Está Deus é uma obra artística de profunda raiz cultural estirando-se na arte de educar e amar o chão prenhe de rosas de sangue e de secundinas ancestrais. É um verdadeiro instante de sublime encorajamento à equidade do género. Um repto ao subconsciente, permitindo abertura da guarda espiritual para húmus de ressonância consciente, conduzindo-nos para o centro motriz da existência, na condição de seres cósmicos com responsabilidades pela vereda teatral da vida (...)». Até onde julgamos poder descodificar o que sentimos na dramaturgia, permite-nos dizer-lhe, caro Cristóvão, que concluímos nunca termos saído da poesia quando vamos para o drama e de igual forma nunca nos sentimos fora do drama quando nos expressamos em poesia. O que comummente acontece é que gastamos mais tempo para produzir em forma de drama do que em poesia. Mas pode crer, amigo Cristóvão, que ao longo de nossa actividade literária nos encontraremos ainda algumas vezes em espaços convencionados para o drama.

P: Pedestal de Argila [Luanda, INIC, Colecção A Letra, 2001, poesia] vinca a poesia simbolista e filosófica que passou a trazer de forma aberta. Os seus poemas foram escritos antes ou depois do fim do conflito armado em Angola?

R: O conflito armado teve fim no ano 2002, um ano depois de Pedestal de Argila.

P: O título do livro é alvo de diversas interpretações. Penso ser o autor a pessoa mais indicada para desvendar o mistério...

R: É comum para o estágio evolutivo em que nos encontramos fazerem-se interpretações várias para uma mesma coisa. Vimos já o caso dos cinco e o elefante. Julgamos ser improdutivo a todos os sentidos retirar a expectativa ao leitor. Até porque nossa função é precisamente levantar questões e esperar que juntos encontremos os melhores caminhos para as coisas boas da vida. Vezes sem conta o que apresentamos ao leitor em forma de arte (oxalá assim seja) são hábitos e costumes que no mundo encontramos, logo o título pode não ser tido da mesma forma por razões várias. Quando nos propusemos assistir a uma inspirada bailarina Baluba, a um artesão Cokwe ou a um endiabrado guerreiro Kwanyama em seu habitat numa dança ritual, por exemplo, a da sucessão do rei como a que há alguns anos atrás escrevemos e participámos na montagem com Pedro Cristo para o BALLETT TRADICIONAL KILANDUKILO, e que genericamente intitulámos «Óhámba» (rei) corríamos variadíssimos riscos de interpretações. Só o facto de transformar um esquema espontâneo, dançado em disposição circular com uma assistência interactiva também circular, para um esquema de certa forma rígido, teatralizado, seguindo alguns convencionalismos para que pudesse ser transportado para um palco de assistência apenas frontal, formal e até mesmo foral, geralmente apática e esperando o fim para fazer ouvir o bater do martelo de suas emoções, o que obriga o artista a grandes esforços expectativos em busca do agrado do júri-oficial, do júri-literário normalmente agindo por carolice ou por razões profissionais e o júri formal que paga para ver, é claro que esse baile há-de ter uma interpretação diferente da do baile no terreiro de origem. No entanto, a peça citada e muitas outras do período em referência fizeram do «Ballett Tradicional Kilandukilo» um grande campeão não só dentro como fora da Nação. Voltemos à poesia, ao título Pedestal de Argila, para lermos como lera Pombal Maria na liberdade de sua intelectualidade ao redigir o prefácio da obra em referência: «O título da obra, Pedestal de Argila, convida o leitor a leituras várias, uma espécie de aperitivo à leitura dos poemas que se seguem. Pedestal é, normalmente, o suporte de uma estátua enquanto que argila é uma substância terrosa, formada de sílica e alumínio, com a qual se fazem várias peças preciosas de arte. Pedestal de Argila denota, acima de tudo, a própria existência do ser enquanto mortal». Para nós, nada mais nos atrai no título para além do próprio título. O título na obra literária comporta-se como o nome no homem, tem como função primária a identificação. Quando nos envolvemos com alguma profundidade percebemos que os títulos, quanto os nomes, carregam em função da região, religião, ciência e crendices um enorme peso psicológico. É assim que Kasinda ou Fuxi (indivíduos nascidos imediatamente após os gémeos) se comportam como seres afortunados/protegidos, por conta do misticismo que anda à volta dos gémeos. De igual forma, mantendo uma carga psicológica elevada em auto-estima, andam de modo geral os que sustentam nomes como: Esperança, Bela, Felizardo, Glória etc., enquanto que de forma inversa funciona a química dos nomes: Azarado, Feio, Infeliz, Desdito etc., que se comportam como desafortunados/desprotegidos, muito raramente geram momentos de felicidade. Quer num ou noutro grupo as pessoas deixam-se influenciar pela carga energético-vibratória do anúncio título/nome, adicionando o poder persuasivo do momento psicológico do anunciante/leitor, agindo sobre a crença do nominado que conduz para negativo ou positivo o esforço da transformação da actividade nervosa em actividade psíquica de quem lê/é chamado. Em tudo o que olhamos ou devido à sua força transcendental em relação ao nosso ascendente ou descendente posicionamento psíquico, há-de haver algo de misterioso, até ao dia em que não haja mais mistério em relação a «x» ou «y» de quem olha. No entanto, esse vasto universo de identificação, funciona entre afectos e desafectos, ante a lei de afinidades que compõe a vida em fase de evolução na terra, quando entre si, não há retracção, há refracção.

P: Ao ler os livros posteriores a Pedestal de Argila, noto que Trajanno enveredava pela poesia em prosa, que tem sido cada vez mais frequente...

R: Manana, romance de baptismo de Uanhenga Xitu, é de anverso a reverso eivado de poeticidade, chega mesmo a ser, a nosso entender, muito mais poético do que alguns livros feitos na rígida estética formal do verso curto e sobreposto que identifica a usual, mas não única, imagem gráfica da poesia. A extensão do verso a que muitos chamam de «poesia prosaica» não é para nós, ao menos do ângulo em que nos encontramos, motivo que nos convoca a profundos momentos de reflexão. Em opinião especializada feita para o jornal português Jornal de Letras, de 05 de Março de 2003, sobre Pedestal de Argila, o Doutor Pires Laranjeira escrevia: «(...) Trajanno desenvolve um discurso de substantivos e preposições que atestam o desejo de materialidade dos sinais, muito curiosamente em contraponto com (ou mesmo na contramão de) um imaginário tocado pela derivação de misticismo de que se destaca o hindu, assente na repetição prana. Mas, mais do que metafisica, a sua poesia atinge a simplicidade da complexidade trabalhada, consciente de que o amor, o enigma ou a morte se conjugam com o paradoxo da «juba de jasmim» numa «trova tétrica» ou, por outro lado que o ímpeto político (também filosófico) pode despontar por entre os mais delicados versos líricos: «na angústia satírica de que nos fingimos seres governados», «oh Pátria oh Besangana oh Ana». Note-se a subversão ideoliterária de identificar Pátria e Rapariga. E sublinhe-se que também não é por mero acaso que usa a exclamação no final dos poemas, mas com o claro intuito (sem pieguice) de marcar sentimentalidades, saudades, recordações».

P: Outro aspecto a reter na sua poesia é a sui generis subdivisão que faz nos seus livros. Estamos, novamente, perante uma fuga ao estilismo formal ou há outra razão estética do poeta?

R: O intervalo é para nós algo deveras encantador. Não o intervalo embasado na inacção, mas o intervalo revitalizador. Senão vejamos. Pausa o homem para que volte do sono refeito da faina do dia anterior. Pausa o homem para sair da mesa, e se farta fosse para todos melhor seria, para voltar a queimar calorias. De pausa em pausa, pausa o homem para cambiar de balizas no campo de jogos. A divisão formal do tempo é elo condutor da vida manifestada no movimento contínuo/descontínuo. Não concebemos o ritmo num compasso linear, como não nos inebria o olhar felino/feminino intenso, sem quebras.

P: Neste caso, que função poderá o leitor atribuir aos capítulos e intertítulos que povoam, por exemplo, Melodia da Água [Luanda, Nzila, Colecção Poetas Angolanos, 2003, poesia]?

R: Continuaremos a respeitar a liberdade intelectual e moral do leitor. Do mesmo modo que quando trabalhamos nunca é com receio ou esperança de sermos taxados desta ou de tal forma. Nada de esperanças ilusórias muito menos pensamos em glórias. Procuramos sim fazer sempre melhor que a obra anterior. Escrevemos para nos sentirmos felizes, esperando fazer o mesmo ao leitor. Apraz-nos constatar que o leitor pode ter oportunidades várias de leituras num mesmo texto. Aliás, conduzir o leitor para uma estrada sem saída seria inibi-lo da co-criação que qualquer trabalho de arte possibilita, em seu momento de leitura, na sublimidade que a interpretação profunda ou inspirada logra ao descodificar novos elementos culturais artísticos e/ou científicos que a vida oferece ao homem através de outro homem.

P: Mas escreve belas metáforas: «receio haver ausência de receio na alma do verso»(pág. 31). Partilha a opinião de que a poesia deve ser clara, acessível ao leitor: «no olhar da criança é grande o desejo da árvore» (pág. 38)?

R: O verso como unidade expressiva do belo, em se tratando de poesia, tem sido uma caixa de ressonância através do qual expomos o íntimo conforme o momento psicológico em que escrevemos. A abertura do nosso campo vibratório permite a emersão ou a acessibilidade à mente transcendental do mesmo modo que nos dispomos a receber fluidos de outras paragens cósmicas, cujos principais agentes desse mundo imponderável são os benfeitores espirituais, a quem somos eternamente gratos, pois sabemos que nada conseguiríamos fazer se não nos dispuséssemos a receber o seu auxílio quer de forma directa ou indirecta. Há quem defenda que os primeiros versos vêm do Senhor e os seguintes devem, de nossa parte, muito suor. Para nós «os primeiros e todos os seguintes versos vêm do Senhor com suor e amor».

P: Ao premiá-lo, o júri do concurso nacional de poesia «Dr. António Agostinho Neto» alicerçou-se na sua qualidade poética, de oficina apurada quanto aos elementos verbais situados num ritmo e opções de ludicidade, «que se identificam com a mundivivência angolana e se propõem ao universalismo da arte pela palavra». Que crítica tem recebido sobre a sua linguagem e escrita por parte de especialistas e leitores? Como as avalia e encara?

R: Independentemente do que possa ser dito sobre nossa literatura, o especialista merece de nossa parte respeito, carinho, admiração e incentivo. Primeiro, pela coragem de se expor afirmando sobre pensamentos de outrem, que julgamos tratar-se de uma tarefa muito séria e nobre. Sobretudo de coragem intelectual e idoneidade moral. Depois, pelo tempo que consome para ajudar os muitos leitores a encontrarem um fio de leitura, claro, que não lhes iniba o horizonte, visto tratar-se do ponto de vista de quem escreve, ainda que embasado em parâmetros culturais, artísticos e científicos. Afinal, são áreas, em constante crescimento. Quanto à «avaliação a fazer ao trabalho dos especialistas e leitor» sobre nosso trabalho, não será feita nunca. Agradecemos sempre directa ou indirectamente quando podemos. Por um lado, pela coragem do exercício de uma actividade que cobra permanentemente de quem a pratica atitudes de isenção e honestidade intelectuais. Por outro lado, por ser muito mais cómodo ser avaliado do que avaliar. Já dizia Hipócrates (460-377 a. C.): «A vida é curta (carnal), a oportunidade, passageira, o experimento, perigoso, o julgamento, difícil».

P: Em Caminhos da Mente [Luanda, UEA, Colecção Guaches da Vida, 2004, poesia], o seu primeiro livro publicado pela União dos Escritores Angolanos, traz o mais difícil exercício poético para os seus leitores. Tem esta pretensão de levar os seus leitores a completar «puzzles»?

R: Ao nosso leitor, antes e depois de tudo, levaremos amor em forma de poesia.

P: A dada altura do contacto com a obra, começamos a acreditar que se usa uma qualquer filosofia de linguagem ou de raciocínio, que é a chave para o entendimento da obra na sua plenitude. Qual é esta filosofia?

R: A da vida! A da vida em plenitude! Todas as filosofias procuram o melhor para o planeta, mesmo quando a nossos olhos assim não pareça. O facto de procurarem perceber alguma coisa que transcende a inacção do caminho até então percorrido, para nós é por si só uma atitude de nobreza. Curiosamente, há aqui na tua pergunta dois vocábulos que, a par da «Solidariedade» e do «Amor», vêm norteando a nossa forma de estar, não só na literatura, como na vida, que são a «Filosofia» e a «Plenitude». O vocábulo «filosofia», com certeza por automatismo de heranças de vidas pregressas, catapulta-nos para plateaux diferentes dos da banalização quotidiana. Envolve-nos em vibrações agradáveis e sobretudo dá-nos a sensação de liberdade e honestidade intelectuais, que nos parece vezes sem conta haver necessidade de exercitá-las cada vez mais por este planeta fora. Enquanto que o vocábulo «plenitude» assume em nós uma atitude de gratidão por todos quantos sem receios de suas vidas se debatem para a realização de nova ordem política e sócio-económica do planeta, quer sejam encarnados ou desencarnados numa interação comum.

P: Ana Lúcia de Sá, que prefacia a sua obra, também interroga a sua construção poética. Como entender subtítulos como «Asterísmos sinfónicos do silêncio», «Compassos sistólicos e distólicos do passo», «Nostalgia convexa das sementes», «Luz algébrica da alva» ou mesmo «Solenidade telúrica da flor»?

R: No prefácio a que se refere, a dado momento, diz a veneranda Ana Lúcia de Sá: «(...) Nos poemas, joga-se com os sentidos e com os significados das palavras, mas, mais do que isso, com os sons, com as rimas internas de cada verso. (...) Nota-se aliás, ao longo das insidências um pendor etimologista ou reetimologista, de recolocação de palavras sacralizadas pelo uso em contextos novos, inéditos e surpreendentes. Outro pendor da poesia de Trajanno que me cativou, desta feita não em termos formais, foi o sentido épico dado à mensagem dos textos. Os verbos conjugados preferencialmente no futuro conferem um valor projectivo à narração de uma Pátria e dos seus integrantes fundada num passado e em especial, num desejo de futuro em paz. Exemplo desta interpretação encontra-se nos retratos feitos do espaço que é, para o poeta, lugar e do tempo, da vida e da morte, do País e da cidade, cantados em hino, género que serve os desígnios do poeta (...)». Em que ficamos? Para o semanário A Capital, de 21 a 26 de Maio de 2005, Cristóvão Neto, sobre Caminhos da Mente, escreve: «(...)O selo aglutinador deste recente trabalho de Trajanno Nankhova Trajanno é a extravagância do seu verbo inovador prenhe de cientificidades. O poeta brinda-nos com um sem número de palavras oriundas do léxico restrito de muitas ciências; e que há alguns anos atrás era inimaginável trazê-las para o campo da poesia, por se julgarem cacofónicas. Trajanno ousa e deste modo, funda, na base desta arritmia, uma nova musicalidade. A festa das consoantes. (...) Podemos situar a poesia de Trajanno Nankhova Trajanno na grande constelação simbolista (aliás, como em Trajanno, a palavra poética dos simbolistas assume sempre uma certa coloração filosófica e religiosa), mas com uma característica particular com relação aos seus correligionários: a frondosa sebe de assonâncias que tece no interior do texto». Em que ficamos?

P: Trajanno Nankhova procura fundar uma maneira própria de estar na poesia. Acredita que os diversos estilos de poesia devem ser estudados em faculdades de letras ou cursos de literatura angolana?

R: A razão diz-nos que, a exemplo dos demais países, a ninguém deveria causar asco estudar coisas de sua própria origem. Sem colocar de parte o que nos vem de outras latitudes planetárias e extra-planetárias. Mais do que estudarmos algo para nos munirmos de um diploma, será procurar ampliar os nossos horizontes na busca de perenidade e plena interação com o que vimos chamando de civilização. Procurar perpetuar, dentro da dinâmica do movimento crescente, o desenvolvimento que é sempre feito no sentido da adição das coisas boas e no automatismo do decréscimo das coisas nocivas até à sua extinção. Para tal, as universidades e outras tantas instituições académicas, do mesmo modo que ganhariam por munir seus docentes com estudos dos mais diversos estilos de poesia e demais manifestações artísticas e científicas, contribuiriam para o desenvolvimento da nação e do mundo. Na própria nação, através do singularismo que este ou aquele agente de cultura registara, quer tal e qual recebera, quer de forma tratada segundo seu posicionamento e estilo dentro do vasto património que temos de preservar. Sem chauvinismo e sem a obrigatoriedade intelectual de sermos iguais enquanto co-criadores das belezas e prazeres que o mundo espera sejamos sempre seus produtores, a singularidade, desde que harmoniosa, não nos parece algo a contestar, antes pelo contrário: aceitá-la demonstra a nossa capacidade de tolerância, atributo preponderante para a vida em democracia. Seremos mais nós, em termos de memória cultural colectiva, se pudermos ser antes de mais seres individualizados com identidade, vontade e patrimónios próprios, com possibilidade de benefício para o colectivo. Jamais teremos a veleidade de nos acharmos diferentes; de igual modo não pretendemos fazer tal e qual o que já fora feito. Chancelamos aqui o que em Pedestal de Argila, em seu prefácio, Pombal Maria cita de Eugénio Ferreira, in Crítica Neorrealista: «(...) Cada época dá, aos problemas fundamentais de adoptação da concepção geral do mundo ao desenvolvimento económico e social, específicas soluções divergentes, em função das tendências e dos interesses opostos daquela classe. Por isso, é que cada época impõe os seus escritores». E nós, que não somos desiguais, estamos sujeitos às leis da vida. A lei do fluir e do refluir que determina o desenvolvimento da humanidade. Logo, dentro de nossa época, sem pretenciosismos de espécie alguma, com a humildade que nos for possível, faremos com que do trabalho aturado resulte um produto literário onde possa não só externar o que nos vai na alma e o que em forma de intuição recebemos das forças cósmicas, mas sobretudo editar somente o que o nosso estado psicológico ajuizar como sendo útil a nós e aos nossos leitores. Na verdade, não há em nós a predisposição de «procurar fundar uma maneira própria de estar na poesia», usando a expressão por si empregue; no entanto e, à semelhança das mudanças que o planeta vem atravessando, se o que apresentarmos for não só tido mas assumir-se enquanto produto literário como original, não teremos porquê não assumir o resultado de nosso próprio trabalho.

P: Uma série de questões ficaram por se tratar. Que questões gostaria de ter abordado?

R: A volta do Cristo! A segunda volta do Cristo é um tema de grande fascínio para nós. Não apenas por reconfirmar a existência da vida além-túmulo, mas porque esperamos que aconteça a Sua majestosa vinda ainda nos dias da nossa vida carnal, visto estarem já bastante evidentes os sinais bíblicos. Julgamos que o assunto Advento do Cristo deveria ser, a esta altura do campeonato abordado não só com maior frequência e abertura, mas sobretudo com maior assumpção. Deveria fazer parte da nossa melhor atenção hodierna, pela magnitude da questão e pela brevidade do que julgamos perceber estar previsto o tão esperado momento. Atenção, não nos referimos ao facto de o Cristo estar sempre connosco, referimo-nos à Sua vinda, em toda a Sua plenitude e glória cósmicas, em que os nossos olhos físicos o poderão ver, assim como todos os outros sentidos perceberão Sua majestosa presença.

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