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Adriano Botelho de Vasconcelos Secretário Geral da UEA

Escrito por  Raimundo Salvador

Entrevista concedida ao JORNAL DE ANGOLA

 

1-A União dos Escritores Angolanos comemora, a 10 de Dezembro próximo, 30 anos de constituição. Sente que nos últimos anos foi recuperado o prestígio da casa?

 

 

 

1-A União dos Escritores Angolanos comemora, a 10 de Dezembro próximo, 30 anos de constituição. Sente que nos últimos anos foi recuperado o prestígio da casa?

R-Durante os nossos contactos quotidianos, sociais e de gestão, é muito frequente recebermos elogios que enaltecem o nosso trabalho, sentimos que somos uma parte viva e activa da sociedade, porque muitas são as instituições públicas e não governamentais que estabelecem parcerias para concretizarem de forma mais abrangente os seus programas de intervenção e, não apenas no domínio cultural. O último exemplo foi a parceria com o Ministério da Assistência e Reinserção Social, em que fomos co-organizadores da fogueira do idoso. Em muitos contactos, pessoas influentes não deixam de elogiar os nossos esforços, dizem taxativamente que, usando a gíria popular, a UEA «voltou a dar as cartas». O convívio entre os confrades mais assíduos tem acontecido e todos consideram que estamos no bom caminho, temos políticas activas que os beneficia; é o programa saúde, o espaço de uso dos PC ligados à Internet, e a nova dinâmica editorial que tira das gavetas os seus inéditos, é o nosso mundo digital que os projecta para fora da nossa geografia, são os projectos corporativos de sistematização de conteúdos que são, em termos físicos, a outra «cara» da nossa instituição, que oferece aos milhares de visitantes as condições de excelência e de qualidade. A Presidência da República adquiriu mais de 50 pacotes de livros, ao todo mil livros, para poder oferecer os seus visitantes, um gesto que atesta também o nosso momento. Poucas vezes ouvi palavras menos afectuosas, já não fazem mossa. Permita-me que lhe conte um episódio muito caricato: um certo dia de sol bem solto, recebi no meu gabinete um senhor todo bem enfatuado, os vincos das calças bem engomados, pensei que tinha à frente de mim um messenas, alguém que diria prontamente e sem pestanejar um segundo: «Diz o projecto que queres ver concretizado e escolhe o cheque». Mas não, o senhor foi logo comigo aos arames: «Essa é a porcaria de espaço tão famoso? Pópilas, eu não gostaria de estar sentado no seu lugar como gestor... Isso é uma pura pocilga, pensei que tivesse o mais refinado luxo». Respondi-lhe com igual cerimónia: «Melhor seria que fosse ouro, não?», «Pobre casa», ripostou ele com escárnio. Mesmo assim, abri a nossa casa para que visse os nossos esforços e como fecho de conversa respondi-lhe com algum caroço de manga na garganta: «Você não passa de um pobre homem, o fato fica-lhe muito bem, tem brilho e pose, mas saiba que o único ouro que podemos oferecer à sociedade angolana e que não tem preço são as nossas intervenções cívicas e os livros». Essas suas palavras até que foram úteis, gostaria de o ter outra vez sentado no meu gabinete. A sua conversa seria, certamente, diferente, porque temos forrado com «algum luxo» o nosso espaço. Creio que leu ou ouviu a entrevista do Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia (EU), na qual afirmou que o seu melhor momento no País, felizmente, passou-o na UEA, tivemos momentos de retórica, viu momentos de teatro e deixou três mil livros. Com o apoio do Ministério da Cultura, as relações são de permanente parceria, temos o Grande Prémio da UEA para a poesia e prosa, o apoio ainda no domínio do reforço das nossas verbas de saúde que beneficia o escritor. E não posso deixar de incluir como um dos pontos mais altos desse prestígio a audiência com o Presidente da República; estou certo que as nossas inquietações sociais, culturais e constitucionais foram de alguma forma ouvidas. Teremos o nosso tempo, falo do tempo de institucionalização das Bolsas de Criação, quando o País entender que deve ter uma melhor literatura, a exemplo do que fizeram os Estados Unidos, a França e a Alemanha com a política de atribuição de bolsas para os escritores e apoios à edição de páginas literárias. O nosso tempo chegará, existe uma passagem bíblica que diz que na vida «existe sempre um tempo de dor e um outro tempo de alegrias». Entre muitas coisas, disse ainda ao Presidente da República que o seu humanismo é o maior legado da nossa história de trinta anos, eu que vi a «carta lilás da morte» por vizinhança com as suas vítimas na cadeia de São Paulo, sei o quão importante é esse legado na sociedade de hoje e de futuro, já que permite que cada um de nós continue a usar o verbo como veio da sua maior existência. Já ouvi de pessoas muito influentes politicamente algum receio da nossa dimensão discursiva, falo mesmo de atitudes pejorativas: «Vocês são uns sonhadores», «São uns bons makeiros», outros mais criadores atiram-nos com a expressão «Não passam de uns pobres poetas», mas os leitores devem saber que só os escritores podem enriquecer a nossa dimensão utópica da existência até para que haja melhor política e mais «homem», e mais Angola dentro dessas mesmas regras ideológicas que alimentam os políticos. Essa dimensão só o imaginário pode apreender, porque é feito de palavras que vêm do ego, sem teatralização.

2- A visão quixotesca incomoda?

R- Uma visão tecnocrática do mundo exige que seja complementada com elementos de interioridade humana na sua expressão mais sensível; a humanização dessas mesmas medidas de austeridade. É preciso que no meio e no fim dos processos exista sempre alguém, um escritor, um filósofo, um louco, um príncipe que seja capaz de chorar com babas e ranho, suficientemente humilde ao ponto de lavar os pés dos que mais precisam de nós como prova da nossa pequenez quando diante de imensas obras imperfeitas. O escárnio dos tecnocratas e a exibição saloia da sua eficiência só fazem adiar partes da utopia partilhada como um todo pela comunidade. O que defendo é que não devem existir ciúmes entre esses protagonistas que marcam as sociedades e, no caso de Angola, ao contrário das experiências de outros países pluralistas, foram até os políticos que se adiantaram no discurso de democratização do nosso espaço existencial, tiveram a mais elevada dimensão intelectual como um modo de sentir e agir. Falando de triunfos, só mesmo o livro «Os Anões e os Mendigos», romance de Santos Lima, pode ser considerado a mais perfeita caricatura hilariante do que fomos durante o longo período cinzento da pós-independência. Hoje os políticos terão de olhar para a nossa literatura como espelho do que se constitui como modelos sociais e culturais que descaracterizam o meio. Os escritores terão sempre como algo que os engrandece o anti-discurso, não como obstrução, mas para desfazerem os conformismos, o que se cristaliza e a falta de ousadias que galvanizem os cidadãos. De agora em diante, vamos ter de ouvir como puro elogio a expressão muitas vezes usada nos debates de circunstância e de rua: «Não passam de uns poetas».

3-Hoje fala-se muito sobre a dimensão intelectual dos escritores, notícias não abonatórias ofuscam essa plenitude de vida, deixando abertas as contradição entre o escritor e o homem?

R-A dimensão intelectual é um quase de muitos momentos confessionais, onde cada um tenta ser a melhor expressão humana quando confrontado pelas diversas epopeias por que passa o seu potencial intelectual, é uma permanente pré-disposição de superação entre as arestas do quotidiano, a sua lama e a dimensão messiânica do seu ego, e esse exercício permite que nos destaquemos do que é terreno, moda, escamoso e rançoso, e por ser assim, todo o percurso de existência tem como pontos altos o anti-discurso e não é um apanágio só dos escritores por lhes ser mais fácil o verbo e poderem adequarem com mais frequência esse mesmo verbo ao seu agir. Todas as classes sociais perseguem essa dimensão, até os políticos, diante de estatísticas e regras fechadas, tentam ter esses elementos como pontos diferenciais que desfazem o que se pretenda como modelos políticos do ontem de uma nação. Se quiser um exemplo retirado da área da política, e passo para um exemplo de grande alcance, retenha o seguinte: será que não teve dimensão intelectual o acto que não é de generosidade, apesar da aparência e resultados, a atitude de José Eduardo dos Santos, que estabeleceu como regra para o fim do nosso conflito, não a destruição das pontes de diálogos conflituais através da dizimação do homem opositor, guerrilheiro, e tinha um veredicto e potencial de guerra como hipótese real, podia ordenar «avancem sobre os últimos redutos», mas num momento especial de luz, numa dimensão mais que intelectual, contrária ao que África oferece aos seus filhos nesses delicados momentos, tratou de vincar nas suas decisões algo que ficará na nossa história o: «salvem os homens, uma nação sempre se pode encontrar entre os escombros humanos», é uma frase ficcionada e hoje essas feridas que estavam na quase gangrena, têm sido saradas, não temos a mera regra material de País, temos os homens que a edificarão.

4-De que forma visível, a UEA beneficiou-se do facto de se ter tornado instituição de utilidade pública?

R-O ideal seria que o reconhecimento de utilidade pública contasse com um preceito de contratualização efectiva para que a nossa acção de gestão conhecesse a devida qualidade, porque todos os projectos discutidos e então aprovados teriam verbas para serem materializados, teríamos assim uma gestão na base de interesses partilhados, faríamos mais e melhor, já que o Estado, por natureza óbvia e dimensão, não o pode fazer com a mesma excelência. Temos de elogiar essa medida ordenativa que estabelece os preceitos, mas são ainda maiores os défices diante da dimensão pública do nosso objecto social e quando no mês de Julho de cada ano traço o quadro do nosso orçamento, deixo sempre uma cruz de sorte na área de despesas com o pessoal e de custos correntes para que a grande «tesoura» da austeridade são tantas as necessidades do País! não atinja de forma inclemente a nossa actividade.

5.Como gere a edição de livros dos seus membros, a par de três outras editoras no mercado angolano?

R-Criámos o Círculo de Leitores da UEA, uma estrutura que dirige a política comercial dos conteúdos publicados através de uma relação estreita com o potencial cliente de livros. Temos hoje uma base de dados com mais de 500 membros; temos membros deputados, tecnocratas, elementos do Governo, o Primeiro-Ministro é nosso sócio. O tempo de armazenamento dos livros é menor, é uma área que já contribui para a publicação de novos títulos. No ano passado vendemos livros de algumas editoras privadas. Estou ciente que um dia teremos um Círculo de Leitores cuja sociedade seja mista, com participação de todas as editoras e uma estratégia comum que domine o nicho de mercado de venda e publicação de títulos angolanos. Os nossos livros estão com boas qualidades de capa, «são uma relíquia», dizem os entendidos, com bom desenho. Só temos de melhorar os nossos processos internos para que se consiga duplicar os vinte e dois títulos que actualmente lançamos no mercado. O novo vigor editorial da UEA acontece nesse ano com o alto patrocínio da Sonangol. São apoios que têm sido congelados para que pelo terceiro ano consecutivo pudéssemos ser uma referência obrigatória quando se trate de mostrar as estatísticas do catálogo nacional de títulos publicados.

6. A par das makas a quarta-feira, nota-se o interesse dos jovens pela sala de internet e bibliotecas. Concordará que o espaço físico da UEA já é pequeno?

R-Concordo com a sua apreciação e é uma pergunta pertinente para que se possa ter ideia de um dos alcances públicos da nossa actividade. Sempre fomos um equipamento cultural virado à comunidade. O que acontece é que fizemos investimentos que alteraram o quadro qualitativo desses serviços e espaços: começámos por climatizar o espaço - pela primeira vez uma direcção agia no sentido de pôr fim ao ambiente carregado de altas temperaturas que só podiam aquecer os neurónios dos nossos visitantes -, mobilámos e afagámos o chão de tacos de madeira para criarmos um ambiente acolhedor, aumentamos o acervo, com mais de três mil títulos e, para mais conforto, criamos o Cyber, que serve de apoio aos estudantes que nos visitam porque têm de pesquisar matérias que não encontram fisicamente ou o usam simplesmente para digitalizar os seus dossiers e teses. Temos ainda uma sistematização de conteúdos inerentes aos mais de 120 verbetes dos escritores e que servem para consulta rápida. Antes o estudante ficava perdido, tinha de manusear vários livros indicados pelos professores para completar um trabalho bibliográfico e o serviço documental foi criado porque queremos que o aluno perca pouco tempo, já que o seu tempo é caro, feito de escola e entretenimento. Estamos a concluir o processo de tratamento informático de todos os títulos existentes, queremos diminuir os tempos de procura dos títulos. Temos, por ano, mais de 80 mil visitantes, um número impressionante que cria outras dificuldades espaciais e de atendimento. Diariamente temos de aprender a lidar e a ultrapassar essas dificuldades resultantes das constantes enchentes, principalmente durante os períodos de aulas, temos ainda que ser os seus «tutores», não só em disponibilidade de tempo que devemos ter para falarmos sobre as suas dificuldades de apreensão das questões da nossa história literária, como também, em muitos casos, temos de conversar com o visitante menos despreocupado com os aspectos higiénicos, por falta de banho ou de lavagem das suas sapatilhas, e muitas são as vezes que pedimos que se retirem do espaço todos aqueles que tornam desagradável o ar que se respira. Temos de ter uma atitude de Pais com autoridade. O futuro da nossa sociedade tem de contar com todo o tipo de gestos que concorram para uma melhor cidadania. Tivemos de construir dois jangos para descongestionarmos a biblioteca e estamos a fazer poupanças de cerca de 1.900 Usd para, de forma ainda precária, levantarmos o terceiro espaço jango/biblioteca. Todos se sentem bem porque à volta dos jangos existe um jardim, têm como companhia o chilrear dos pássaros, o verde da relva e a calmia, lenitivos que contribuem para que os estudantes do ensino médio ou superior tenham preferência pelo nosso espaço.

7. Recentemente inaugurou-se a sala de cinema. Que actividades deverão ser aí desenvolvidas?

R-A sala de cinema existe graças aos apoios da ChevronTexaco. Temos tido sessões que são seguidas de debate sobre o filme escolhido com rigor, até para que os jovens possam conhecer o outro cinema menos feito de efeitos especiais e de diálogos vazios. Já passámos muitos filmes, a «Queda», um filme sobre o Hiteler foi o que conseguiu mais enchentes. Interessa dizer que o próprio membro da UEA pode visionar filmes da sua colecção sempre que queira partilhar a sessão com amigos. O pedido é que deve ser feito com alguma antecedência. O filme do Zéze Gambôa passou no nosso espaço quando os membros do Corpo de Jurados do Grande Prémio Nacional da Cultura (MEC) tiveram de conhecer o filme e todos os nossos convidados gostaram do espaço, das condições acústicas.

8-É verdade que as melhores estimativas apontam para quase 100 mil visitantes no site da UEA até o primeiro trimestre de 2006?

R- O site é o projecto mais importante, a nossa visibilidade deixou de ser simplesmente doméstica, deixámos de ser uma instituição info-excluída, de beco e sem voz além fronteiras. Através do mundo digital levamos os nossos conteúdos para geografias longínquas, felizmente. Nos relatórios constatamos que, dos nossos visitantes, alguns são oriundos da China; em maior número e numa luta permanente pelo primeiro lugar, estão a Europa e a América do Sul; na cauda das estatísticas está África, com menos de um por cento de visitantes. O que estabelece verdadeiramente o ontem e o hoje da UEA é o projecto site porque alterou a nossa razão de existência. Até na dimensão nacional, somos um conteúdo que, por ser aberto e livre, está aí para ser usado pelos alunos, editores de jornais, pelos centros de estudo das faculdades. Gostaria que os visitantes angolanos pudessem alterar as estatísticas, que pelo menos, dos 100 mil visitantes, pudéssemos contar com 30 mil internautas do país. Temos essa obsessão pelos 100 mil visitantes e os dados estatísticos indicam essa grande possibilidade, mas não podemos ficar adormecidos sobre esses louros. Temos de ter novas ambições no enriquecimento do site com novos links que tragam mais internautas. Se clicar no «motor de busca» de qualquer portal, seja Google, Hotmail, Yahoo ou outro qualquer, vai constatar com muito orgulho que o mundo digital dos escritores, o site da UEA serve de cartão de visita do País. Temos um dossier onde podemos apresentar opiniões de especialistas que dizem que o nosso site é muito bom. Quando visitei a Academia Brasileira de Letras do Brasil, o Presidente de tão reputada instituição tratou de mostrar o site da sua instituição, num ápice. Depois de ver a funcionalidade do referido mundo dos escritores brasileiros, tratei logo de pedir que abrissem o nosso site, porque estava aí algo que podia apresentar com qualidade e com mais conteúdos. «Adriano, têm um site muito bom, nós ainda vamos melhorar o nosso», foram palavras de elogio, mas o nosso projecto só contou com o apoio da ChevronTexaco. O esforço da UEA não tem merecido o devido apoio, caminhamos sozinhos, mas deixamos marcas positivas na sociedade de informação que temos de edificar numa parceria com o Estado, porque somos uma sociedade ainda info-excluída, uma pobreza que não temos sabido combater. Prova dessa grande fluidez de troca de informações em área tão sensível, porque o mundo é feito de códigos e mensagens é o livre uso desses nossos conteúdos para alimentarem os centros de estudos das universidades, as páginas culturais, como hoje já acontece com o Jornal de Angola e tantas outras publicações. Quando iniciamos esse percurso, o semanário Agora colocou um «vermelho» de incapacidade debaixo da minha foto, insultaram e hoje só podem estar envergonhados porque o site para além de ter mais de 60 mil visitantes, para desespero de muitos está em mais de quatro posições no «top ten» dos sites mais procurados no portal da Nexus.

9-Em que sentido, a política de mecenato tem ajudado a UEA. Como pôde em menos de dois mandatos, voltar às publicações de livros, depois de mais de 10 anos de quase inactividade?

R-A gestão por objectivos, conjugada com o sentido de rigor das despesas quotidianas e de emergência resultante dos efeitos das chuvas torrenciais e excesso de visitantes, não têm afectado um dos mais importantes desideratos, que é recolocar a posição da UEA como uma das principais editoras do País, com boas estatísticas de edição de novos títulos. Se olhar para o mapa de publicações, constatará que são números que hoje já nos colocam numa posição cimeira. Os dinheiros do 1.º Programa de Apoio à edição, os 30 mil dólares, foram usados com parcimónia e neste ano, para além de apresentarmos conta desses gastos, fomos a editora que mais publicou e desde então mantemos bem alto esse desempenho para que a UEA tenha o devido reconhecimento. A Sonangol, o Primeiro-Ministro de Angola e também Durão Barroso foram os co-responsáveis por esse dignificante levantar do «chão», ou seja, da inactividade editorial que durou mais de uma década. Todos os recursos provenientes dos messenas para os livros são integralmente congelados e aplicados de acordo o plano de edição dos livros, que passa por um aturado regime de análise, pareceres e posterior revisão. Mas nem tudo são rosas. Gostaria de contar com o alto patrocínio do sector diamantífero, que está ausente da área literária, posso ainda expressar a minha fé de um dia a UEA contar com apoios por parte do sector bancário, em crescimento, mas que ainda não se «enamorou» pela a nossa dinâmica de intervenção que enriquece o imaginário dos seus trabalhadores e familiares directos. Outro sector ausente é o dos novos operadores telefónicos; a Movicel e a Unitel têm crescido muito e não se decidiram ainda pelo apoio ao sector menos convidativo da grande área cultural e que é, infelizmente, a literatura, porque é um meio que exige silêncio. Só podemos fruir os sonhos com alguma estabilidade do ambiente e quando o cidadão sente que deve conhecer o seu lado escondido através das personagens que pulam das páginas.

10-Estendeu o braço a alguns países africanos de língua portuguesa. Fale-nos da iniciativa da UEA de publicar alguns livros de autores moçambicanos?

R-Como sabe a UEA tem uma edição de romances muito aquém do número dos livros de poesia. Com Cabo Verde o assunto já vai mais adiantado, pois vamos escolher dois ou três romances por ano para enriquecer o nosso catálogo de títulos, que deve ser suficientemente comercial.

11.Os escritores têm dito que não se vive da literatura. Como vai a UEA em matéria de direitos autorais, comparativamente às editoras privadas?

R-Não, não se vive ainda da literatura. O mercado do livro ainda enfrenta problemas de consumo, já que as famílias têm poucos recursos e preferem usar esses meios para aspectos de subsistência. Temos já um grande número de cidadãos com salários com os quais já podem contemplar os gastos com os livros, mas os factores culturais de consumo ainda privilegiam outras prendas: o perfume, o disco, a garrafa de bom vinho. O vinho espiritual tem ficado para depois. Vem aí o Natal e, nos países desenvolvidos, nesse período vendem-se mais livros, todos gostam de oferecer um livro; nessas culturas, o livro é algo de especial, de elevação de espírito. No ano passado, a Edel, a Polícia Nacional, a Odebrechet ofereceram cabazes de livros, juntaram alimentos e livros e sei que a iniciativa foi bem recebida. A UEA pensa que a crise só vai ser resolvida se o Estado investir numa grande rede de bibliotecas que deve chegar até aos meios rurais como centros difusores de saberes. Olha-se para os municípios de Luanda e não se encontram esses espaços onde se pode matar igualmente a ignorância, bibliotecas comunitárias onde os jovens poderiam ocupar os seus tempos livres, poderiam viajar, conhecer filósofos, usar a Internet, sentir o cheiro dos livros, desfolhar os livros angolanos que encontrassem saídas de mercado nos processos de renovação dos acervos das referidas bibliotecas. Os direitos de autor são os mais altos, oferecemos 15 %, e pagamos no dia dos lançamentos independentemente da velocidade de venda.

12.Gostaria que nos adiantasse alguns dos mais ambiciosos projectos que tem em carteira, no plano literário. Sei que têm sido editadas inúmeras antologias...?

R-Este ano concluímos o projecto de edição de seis antologias que vão servir os estudantes e especialistas, porque no passado não tínhamos antologias ou colectâneas completas das disciplinas de todas as ficções ou poesia. Os especialistas e os estudantes tinham de tactear entre fragmentos, não tinham em mãos conteúdos antologizados que espelhassem de forma profunda e ampla os diversos acervos. O que tínhamos de antologias correspondia sempre a iniciativas por parte dos «amigos» da nossa literatura que na Europa ou no Brasil tratavam de seleccionar o que pensavam ser mais representativo. Naturalmente, um trabalho dessa índole nunca poderá ser completo, enfermará sempre de defeitos na catalogação das diversas vozes representativas. Nós temos essa visão de fundo e até eivada de ideias corporativistas, já que quotidianamente temos de recolher e tratar informações sobre o que se edita. A UEA levou trinta anos para liderar esses processos de sistematização de conteúdos e, enquanto seu gestor, jamais deixarei de nessa área descortinar os vazios e dilemas informativos dos que mais precisam da literatura angolana. É um acto de paixão, insónias, perspicácia e de insatisfação permanente, para que as ideias surjam como factores de geração de valores, já que é por essa via que surge o empreendedorismo que se alcança também através do saber ouvir. Assim, no próximo ano, ano das eleições na UEA, vamos publicar mais uma antologia sobre a «poesia de amor» e os «dossiers verbetes», um projecto que é dirigido pelo Secretário das Actividades Culturais, Abreu Paxe. Assinamos um outro contrato para que o poeta Conceição Neto, na qualidade de ensaísta, prepare a antologia da poesia discursiva, um projecto que deve servir de contra-peso necessário à antologia intitulada «É em momentos depois de ter sonhado», de Nilton Vasconcelos, jovem universitário, que setrata de uma obra que reúne uma boa parte dos poetas que fazem parte das correntes formalistas. O trabalho de casa está feito, espero que o Ministério da Educação não tarde em ter essas seis antologias como obras de leitura obrigatória, não vejo como não indicarem, são obras que podem marcar profundamente e de forma qualitativa os conteúdos de apoio à disciplina de literatura.

13. O projecto de entrevistas a escritores deverá ser entendido como acervo especializado da instituição?

R-As entrevistas não têm limites de espaço e tempo porque são colocadas no site da UEA. O escritor, nos processos de revisão da entrevista, pode sempre dizer muito mais, pode realçar novos aspectos e enriquecer com novos detalhes, pode mexer na entrevista se sentir que lhe falta a alma. É algo que só o silêncio do seu quarto pode aumentar de forma qualitativa a sua visão sobre o mundo. A instituição tem de ter um acervo documental sobre a dimensão cívica e não só dos seus membros, ter disponíveis as suas orações de sapiência e confissões; esse imperativo é próprio das sociedades de partidos. Só a palavra liberta e pode configurar a dimensão espiritual dos nossos egos. Parece mentira, mas já recebi no gabinete confrades que se queixaram da intervenção ideológica de outros membros, realçaram até o nome do meio informativo onde essas palavras que alcunham de «infelizes» foram amplificadas. O problema é que esses poucos confrades pensam que só as suas palavras têm magia, criam encantos, podem mover montanhas e são tão eternas como os diamantes, são verbos que nunca se corroem até diante da vida que teima em apresentar-nos os paradoxos e incongruências que tornam pálida a existência. Enquanto editor, espero que no link «entrevistas», todos os entrevistados aproveitem para enriquecer com muitos detalhes o site, possam falar de tal forma que cada vez mais o internauta entenda que a nossa História é algo absolutamente colectivo, sem trechos propositadamente cortados para que nesses hiatos sejam colocados os delírios de criadores de vírgula que pensam que a vida passa pelo mesmo veio de um romance «com personagem a saldo». Os alunos do ensino médio e superior e os ensaístas podem sempre utilizar essas respostas para nos seus cadernos «levantarem» o homem, apertarem os seus pulsos, conhecerem o escritor para além da sua destreza ficcionista; poderem sempre conhecer o «olhar crítico» do escritor.

14.Tem acolhido jovens autores, que aqui lançam os seus livros. Que conselhos tem dados a eles?

R-Temos sim. É o caso da jovem Leila dos Anjos que publicou «Angels» com a chancela da UEA e posso desde já adiantar que no próximo ano vamos aumentar o número de títulos de «jovens escritores», são jovens pelo número de títulos. O Décio, engenheiro, o Azzevas, psiquiatra, vão publicar os seus títulos através da nossa colecção «Guaches da Vida». Interesse apontar que muitos são os jovens que usam cartões de visita onde debaixo do nome colocam como referência de ofício a palavra «Escritor». Eu até acho que, no plano numérico, temos de aceitar com moderado agrado o surgimento de jovens que se lançam à escrita ficcional e poética, é uma irreverência salutar, mas devem fazê-lo depois de um longo período de oficina de escrita, depois de um longo período de leituras e releituras que lhes permita «matar figurativamente» os seus pais, já que não poderão ser meros discípulos através de cópias mal tiradas. Também não têm necessariamente que rejeitar o percurso literário dos mais antigos e que é suficientemente diversificado. O jovem, para além da escola, deve ainda partilhar com os mais velhos as suas experiências, deve criar círculos de interesse literário, devem participar nas tertúlias, deve conhecer os problemas das linguagens, deve participar em debates para que possa conhecer outras identidades intelectuais que animam a sociedade. Nós, os adultos, temos algo a dar e trocar. Agora falo de um bom exemplo, falo do trabalho do poeta Jorge Macedo. Uma vez por semana, ministra aulas sobre literatura em geral e criou um grupo de estudos que conta com mais de vinte e cinco alunos. Esse exemplo deve incentivar outros escritores para que cada um, no seu bairro, nas escolas da sua comunidade, seja capaz de criar ou acompanhar os núcleos oficinais de escrita, porque existem hoje saberes que, quando partilhados, podem tornar menos penoso o percurso dos jovens que queriam escrever. Um outro bom exemplo é o concurso «Quem me dera ser onda»: mais de cinco mil jovens participaram enviando os seus contos, é um projecto que incentiva os jovens a escrever pequenas estórias de rua, uma ideia do romancista e poeta Manuel Rui. Esse caminho de voluntariado de escritores consagrados vai contribuir para que o gosto pela escrita aumente nas camadas mais jovens. Os momentos de poesia na UEA, certamente, melhoram a dicção dos jovens voluntários que queiram recitar nessas sessões.

15.A UEA teve, na sua história, secretários gerais com vários anos de actividade. Pensa terminar o seu programa ou, deixá-la a meio e não recandidatar-se ao próximo pleito eleitoral?

R-O pleito eleitoral vai acontecer no próximo ano, no mês de Dezembro. O ideal seria que a reunião magna de avaliação das contas acontecesse no mês de Fevereiro de 2007, para apresentarmos o Relatório e Contas de acordo com o ano económico em causa e logo depois tivéssemos os 40 dias de debates que antecederiam o pleito que vai acontecer através de votos à urna. Tenho recebido muito carinho por parte de membros fundadores, os mais velhos. O trabalho é igualmente reconhecido por muitos escritores que dizem que deveria sacrificar-me para fazer mais um mandato. Tenho a minha vida empresarial, vamos ver o que dizem os sócios. Até agora, essa dupla missão não tem significado perda para qualquer uma das partes. Tenho uma visão da UEA do futuro, sem carências materiais. Será que poderemos encontrar esse caminho olhando para o nosso potencial imobiliário no contexto da sociedade de mercado, interessando privados do sector bancário, construtores e nós? Um membro fundador, há duas semanas enviou-me via fone uma mensagem bem telegráfica: «A UEA pode pagar-me uma pensão de velhice, por mais pequena que seja?» Se o debate for dirigido para aí podem contar com o meu empenho e disponibilidade para liderar uma lista que aposte nas grandes soluções.

16 - Não tem que dar prova de nada?

R-Não, já dei todas as provas. Posso indicar muitas realizações que podem ilustrar como sou capaz de dar expressão material aos meus delírios e promessas. No tempo colonial, com chancela da Lello publiquei «Voz da terra», a obra foi concluída quando tinha 16 anos e mereceu rasgados elogios por parte de muitos especialistas. Num período bem curto de três meses, empresarialmente coordenei a campanha do MLSTP e consegui a única grande maioria absoluta no Parlamento e tinha contra mim os milhões de dólares dos chineses da Formosa; sou o organizador do maior acervo crítico sobre a obra de Agostinho Neto, o livro intitulado «A voz igual» tem o meu cunho organizativo através do 1º Grande Encontro Internacional sobre Literatura que aconteceu no Porto, contei com o apoio dos estadistas Mário Soares, Cavaco Silva e Durão Barroso, posso ainda dizer que até hoje o jornal «Angolê - artes e letras» é usado como fonte documental, o projecto que dirigi esteve nas bancas portuguesas e disputava os espaços informativos e em nada se parecia a revista «África» today que mais vende em Angola, nós tínhamos os dados de venda das publicações; são as edições das grandes antologias; é o site que faz o nosso mundo digital; publiquei no Semanário Expresso e no Público através da ABV, os primeiros cadernos de promoção do sector diamantífero, do petrolífero e de divulgação das reformas económicas que ocorriam no País num período de hostilização, ainda na vida empresarial num sector onde o Estado angolano gastava por ano 5 milhões de dólares e que beneficiava uma empresa portuguesa, graças a nossa intervenção, felizmente, hoje gastam menos de trezentos mil dólares e esse serviço não conheceu a degradação, mas foram imensas as dificuldades, a falta de confiança no potencial dos angolanos. Poderia enumerar outros feitos, é só para dizer que gosto de traçar desideratos que me envolvam e nunca fugirei do debate, gosto muito da palavra e só a poesia pode enriquecer a palavra.

17-A sua decisão em retirar a obra Olímias da parte final do concurso do Grande Prémio de Poesia da UEA, certamente, apanhou muita gente de surpresa?

R-Gostaria de realçar o meu regozijo e conforto por ter ficado entre os cinco títulos mais votados, estou numa lista muito selectiva onde todos têm possibilidades matemáticas, qualquer um de nós pode vencer o prémio. «Olímias» é uma obra onde mais expresso o meu gozo pelo risco, trago elementos das dramaturgias, estilizo e desconstruo saberes milenares africanos e, como sabe, sempre que se procura o risco o trabalho pode ser recebido com alguma aversão. Também não posso deixar de notar que dois dos cinco membros do Corpo de Jurados são importantes ensaístas que melhor tratam de apresentar a dimensão poética da obra intitulada «Tábua». Recentemente, Inocência Mata, professora universitária da Faculdade de Letras de Lisboa fez sair numa revista científica americana um texto sobre o meu desempenho literário. É verdade que têm uma vida dignificada pelas atitudes incorruptíveis, em qualquer parte do mundo serão sempre autónomas nas decisões que tomarem, lidam com milhares de estudantes num sistema de ensino superior estável, mas seria triste que por má fé surgissem artigos que falassem de «apadrinhamentos». «Segura o pau, não ofereças as costas», foi o conselho telegráfico que recebi por parte dos meus familiares.

18.No seu programa eleitoral, previa mesmo a construção de um condomínio para intelectuais (fundamentalmente escritores e jornalistas). Que falta para materializar este projecto?

R-Estou ciente que é possível materializarmos esse sonho. Temos todos de criar sinergias cruzadas, temos de preparar uma atitude colectiva que consiga romper com a falta de diálogo entre instituições. O Correia de Azevedo, presidente da UNAC, tem cobrado; só espero que a Luísa Rogério, do Sindicato dos Jornalistas, faça também a sua cobrança. Vamos ter de ultrapassar muitos empecilhos. Um deles é a falta de diálogo. Veja como desanimam os cidadãos. A UEA enviou uma carta ao Governo Provincial de Luanda para tratar da legalização do seu terreno; a carta aí apodrece há mais de dois anos, apesar dos nossos protestos... Só pode ter um DC, iniciais que querem dizer «Deixa Cair», provavelmente colocado num dos lados do ofício apesar de o deferimento estar bem visível. Quem governa os munícipes não sabe que mais de 80 mil jovens que residem nas suas áreas de administração passam pela nossa biblioteca, mais de 9 mil jovens participam nas makas à 4.ª feira e só por isso merecemos outro tipo de tratamento e atenção por parte do poder local. Veja como são difíceis as linhas de diálogo. E no terreno contíguo ao nosso, a Escola Portuguesa constrói, os franceses construíram, outros estrangeiros nos espaços ainda por ocupar o farão sem esses transtornos, sem dores de cabeça, certamente, comemorarão com muitas taças de champanhe. Para viabilizarmos o projecto, só temos de contar com os jornalistas culturais, parentes mais próximos dos escritores, para que usemos de forma vigorosa a diplomacia de influência. No ano em que termino o mandato, ganharei nova coragem, nova paixão contra essa cultura ao avesso. Vamos ter de constituir a nossa cooperativa e eu acredito que, juntos, poderemos fazer o que outros criadores já experimentaram nos seus países com o apoio dos seus governos locais e centrais. O Presidente da República e o Primeiro-Ministro têm sido muito atenciosos, as nossas cartas têm sempre respostas e durante a visita de inauguração da Barragem Hidroeléctrica de Kapanda, o Primeiro-Ministro, muito cordial, disse: «Então, nunca mais pediu a minha intervenção para nada?». Respondi-lhe com um largo sorriso: «Trata-se de uma estratégia, deixarei passar mais tempo para o pedido ser maior». Tenho visitado experiências de auto-construção em várias regiões do mundo, até para que a nossa cooperativa não seja mais uma, na qual os custos não sejam atractivos.

19 - O que lhe apraz dizer sobre o poder autárquico, parece que coloca muitas esperanças nessa micro estrutura de poder, esperança no estabelecimento de diálogos?

R-Temos de institucionalizar o poder autárquico, e se passe a votar os políticos que vão gerir os munícipes das pequenas e grandes cidades, dos pequenos e grandes municípios. É um processo que se vai constituir na maior escola de políticos gestores comunitários, surgirão os líderes da micro-economia, esses políticos terão uma visão local acerca do que realmente apoquenta o cidadão. Essa proximidade será sempre muito importante. A constituição desse círculo de poder autárquico terá o efeito de uma boa almofada de pluma aquando dos conflitos sociais, metade do rosto de cada um dos políticos terá para eles virado um holofote que por essa divisão de funções ficará mais esbatido. O poder local, se por um lado permite que haja uma política nacional de desenvolvimento das comunidades periféricas, na verdade, de forma mais veloz e eficiente, porque não rompe com as vias de comunicação directa, por outro lado, procurará estabelecer contratualizações permanentes com o Estado central para partilha de projectos. O político local terá o condão de entender melhor as especificidades, as prioridades reivindicativas dessas comunidades e não menos importante será o facto de o painel da política poder contar com o contributo de personalidades independentes, «os sem partido» como são designados, em listas partidárias até porque esse poder, pela sua natureza menos ideológica e centralizadora, incentivará o concurso de todos os cidadãos. Teremos igualmente uma nova cultura nas relações de poder entre os que servem e os que são servidos, sem paranóias de elitismo, diferente serão as opções de investimento que contemplarão esses micro-mundos, periféricos em tudo. O poder dos votos coibirão as atitudes dos presidentes de câmara, esses aprenderão a olhar para os 4 anos de mandato como período de permanente exame e receberão as estatística do deve e haver das promessas. Vaticino que a classe dos escritores ainda vai oferecer muitos dos seus melhores artífices de ficção e poesia à política do poder local, gizarão políticas de qualidade de vida e esses desideratos só podem ter a biblioteca, o teatro, a dança e museus como elementos essenciais, muitos serão os vereadores que mais vão valorizar os discursos do anti-conformismo, edificarão os espaços culturais como parte importante dos processos de desenvolvimento da comunidade. No 11 de Novembro, o Presidente da República discursou sobre esse assunto. Sempre que possível, deveríamos abrir esse debate, falarmos sobre as vantagens desse poder que alargará de forma tão marcante a nossa democracia ao criar o maior contingente de políticos que quotidianamente vão trabalhar com o homem angolano no seu micro-espaço.

20-E como seria articulada a função actual dos governadores das províncias, na sua visão institucional?

R-Interessa realçar que defendo uma reforma da constituição pautada pelos processos de gradualização, até porque todas as constituições precisam de muito tempo de maturação, de processos de análise sobre os paradigmas que criam estrangulamentos funcionais do poder e, mais do que isso, não tendo um Partido de Governo os 2/3 no Parlamento, essas alterações só deveriam acontecer através de consensos e não por via de crispações entre os partidos que podem oferecer tal percentagem exigida por lei para se mexer na Carta Magna. A cultura de consensos não é fácil, é uma regra que exige que o «perde e ganha» da política tenha todos os sentidos e passe pelos dois pesos da balança. Eu proponho que os Governadores das províncias sejam indicados pelo Governo saído das legislativas ou que essa função fique entregue ao Presidente da República eleito. Teriam e só a função de liderar as políticas de protecção civil, forças de segurança; exército e polícia nacional. Os presidentes de câmara seriam eleitos pelos munícipes nos intervalos das eleições presidenciais e de Governo, essa funcionalidade eleitoral é a menos complexa, não tem como pêndulo o «gurnismo» (de GURN) e expressa melhor a vontade política das comunidades.

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