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Mediatecas são mais do que salas de leitura

Escrito por  Arnaldo Santos

Embora as mediatecas puderem vir a constituir-se em enormes acervos de informação, elas não se podem substituir às salas de Leitura. Liminarmente, a sua finalidade é outra, para além dessa, naturalmente, de intermediar nas acções para uma posterior aquisição de conhecimentos.

– É só mesmo... por uma questão de procedure... - dizia, no outro dia, um velho kamba que regressado com o ÉME do exterior, no contexto do nosso Governo de Transição, em 1975, não perdera o bom humor e o hábito de se baralhar com francesismos, mas que agora o fazia para não ofender ninguém ou envolver-se em controvérsias inúteis.
Decidi-me então ser eu próprio a entrar na tal questão da "procedura", a despeito de todos os gravames que aqui na banda acompanham alguns temas tidos como sensíveis como este da criação das mediatecas na actual conjuntura do desenvolvimento do país.

O nosso Ensino de Base está longe de ter atingido o nível qualitativo suficiente, não só para ensinar a ler como para interpretar a informação que se recebe com a leitura. O investimento resoluto na formação e domínio de linguagem natural através da expansão da "educação pré-escolar essencial à formação das crianças até aos cinco anos", é uma medida política constante do programa do Partido no Poder de grande alcance que justificará depois até a "Internet para todos" em banda larga.
Actualmente eu estou tentado a afirmar como um poeta moçambicano, que os jovens estudantes não terão nas mediatecas mais do que um "saber 'faz de conta' em banda larga". É nas salas de Leitura da primeira-cabunga que se começa por descodificar a mensagem escrita. É nas salas de Leitura que através de signos se entra em contacto com o mundo das ideias. Tudo isso parece pacífico, mas reina algum certo desajustamento relativamente à questão das prioridades de acções que concorrem para as mesmas finalidades, isto é, ao invés de se ensinar a multiplicar oferecem-se máquinas de calcular.

Pouca gente, porém, se atreve a demonstrar as suas dúvidas. Para isso contribuiu o facto de se propalar aos quatro ventos que as mediatecas constam de um plano nacional "devidamente orçamentado com o apoio do Presidente José Eduardo dos Santos, na qualidade de patrono do projecto". É do catecismo não só católico mas até do povo judeu, que não se deve invocar o santo nome do "Pai" em vão para quaisquer alianças, embora aqui se faça as devidas distâncias. Também não me parece apropriado que se faça alusão ao nome do Presidente dos Santos para debates transversais sobre um projecto que em si mesmo é de reconhecido interesse para a sociedade. O Secretário de Estado que o concretiza faz o que lhe compete mas, porventura, para assegurar a sua existência e continuidade terá que ter alguma inventiva e fala já na necessidade de formação de mediatequeiros(?) para as tornar viáveis e funcionais.

Depois de trinta anos de guerra civil e do seu inevitável quadro de horrores e consequências desastrosas, é justo que a nossa juventude precise de ter acesso à modernidade. Mas qual? Todas as transformações têm o seu

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