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Mãe extremosa vigilante velho Destaque

Escrito por  Seke Ia Bindo
Lengwe era a melhor de todas as mães. Tirava da sua boca para alimentar os filhos, cobria-lhes a nudez com panos, tecidos feitos pelas suas mãos, agasalhava-os sob as asas quando o Sol estava vermelho e lançava frio sobre os ninhos. Mas como ficou viúva cedo, faltava-lhe um homem que a ajudasse a vencer os tempos difíceis. Passava dias inteiros à janela para ver se passava algum pretendente.

Um dia passou à porta da sua casa um belo jovem e ela perguntou:
- Queres agasalho, viajante? Mas ele não respondeu. Lengwe foi ter com ele e atravessou-se no seu caminho. Repetiu a pergunta:
- Queres agasalho, viajante? Mas o homem nada disse. Respondeu com gestos, porque não ouvia nem falava. Lengwe pensou: 
- Este pode ser o companheiro que me interessa, porque o surdo não ouve intrigas: tjisit’atwi kayevi olombonde! 
O homem seguiu o seu caminho, sem dizer uma palavra. Lengwe ficou triste, mas continuou a cuidar dos filhos.
Num belo dia aproximou-se da sua casa um homem ricamente vestido mas com um andar aos tropeções. Lengwe interpelou-o:


- Queres agasalho em minha casa, viajante?
O homem parou a sua caminhada e respondeu:
- Onde estás que não te vejo? 
Lengwe pensou:
- Este homem é cego, pode ser o companheiro ideal, porque os cegos não conseguem ver as desgraças: omeke kamoli owima!
O viajante respondeu:
- Vou em demanda da terra da luz, onde os meus olhos podem ver. 
E seguiu o seu caminho aos tropeções.
Lengwe aceitou a sua solidão e continuou a cuidar dos filhos com carinho.
Andava na sua azáfama quando um dia aproximou-se da casa um jovem forte, que cantava cânticos desconhecidos. A mulher perguntou-lhe:
- Queres casar comigo, jovem cantor?
O homem respondeu:
- Eu nasci para percorrer o mundo, derrubar fronteiras e preconceitos, contradizer todos os deuses e reduzir a nada as religiões: ame ndukwalunamalala, nda kuti, ndukwakulengwila, l’okuleva afendelo osi!
E continuou o seu caminho por montes e vales.
Lengwe acabava de cuidar dos filhos e logo se punha à janela, à espera de um pretendente. Até que um dia passou à sua porta um homem velho, alquebrado, amparado a uma bengala.
A mulher pensou:
- Este velho dá um bom marido. Sabe muito e pode ajudar-me a carregar o meu pesado fardo.
- Queres casar comigo, viajante?
O velho parou, limpou o suor e respondeu:
- Eu sou uma velha montanha, a única coisa que vejo é donde vem a sombra: ndukula womunda, oku kwilila ulembo, ndeteko!
- És mesmo tu, o desejado!
O velho nesse momento transformou-se num pássaro de mil cores, voou em círculos por cima da casa de Lengwe, de repente poisou no terreiro e transformou-se num belo rapaz. Os dois casaram e foram muito felizes.

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