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Elefante altivo e formiguinha Destaque

Escrito por  Seke Ia Bindo
Era uma vez uma formiguinha que se perdeu da coluna, quando o vento e a chuva varreram os planaltos do Catchiungo. Andou dias e noites, incansavelmente, sem parar. Até que numa bela manhã de Sol chegou a uma frondosa mulembeira, onde os animais descansavam. Estavam lá todos. Mas o que mais admirou a formiguinha foi um grande outeiro que resfolegava à sombra da árvore. Era bicho ou montanha? A respiração era própria de um animal.

Mas a corpulência dizia aos sete ventos do Planalto Central que estava ali mais uma montanha intransponível.
A formiguinha perguntou à ngunga Cakusola o que era aquele bicho estranho, que mais parecia um outeiro. E ela disse que era o rei elefante.
- Boa tarde senhor elefante, espero que esteja a descansar bem! – Disse educadamente a formiguinha. Mas o outeiro continuou a resfolegar, sem dizer palavra. E a formiga voltou a saudá-lo. Nenhuma resposta às suas saudações. Depois de muito gritar, o elefante, sem se levantar, disse à formiguinha:
- Eu sou o rei dos reis, não podes falar comigo sem autorização. Sou eu que decido se podes saudar-me ou fazer algum pedido. Tens de me respeitar e homenagear. 
Dito isto, o elefante continuou a repousar. Mas a formiguinha não se calou:
- Tu podes ser o rei, mas tens que responder à minha saudação. E nunca te esqueças que a tua corpulência não é maior do que a minha inteligência. À minha maneira também sou a rainha das rainhas.
O elefante, bruscamente, mandou retirar a formiguinha. Ao abanar as orelhas ia acabando com a sua vida. Mas ela não se deu por vencida. E quando o elefante pôs a tromba no chão, ela entrou por ali adentro até à raiz. Quando lá chegou, começou a roer, a roer, a roer.
O elefante no início começou a sentir cócegas e ria desalmadamente, sem parar. Riu tanto que os outros animais fugiram com medo. E na raiz da tromba, a formiguinha continuava a roer, a roer, a roer. 
O elefante, desesperado, começou a bater com a tromba nos arbustos para se ver livre daquela impressão. Mas a formiguinha, roía, roía, roía sem parar. O outeiro começou a correr, a correr, a correr. E batia com a tromba nas árvores, derrubando-as. Andou assim um dia inteiro até que a tromba ficou em carne viva, sangrando como um rio.
O elefante, exausto e enlouquecido, deitou-se num capinzal e nunca mais se levantou. Perdeu muito sangue e acabou por morrer. Dentro da tromba, a formiguinha, roía, roía, roía. Quando sentiu que aquele outeiro imenso ficou imóvel, ela saiu da tromba. Na savana imensa, mais ninguém havia, apenas o elefante morto. A formiguinha foi até ao quartel de um exército de kissondes e informou o chefe de que tinham carne para um século.
O general saiu da toca com todas as suas tropas e fizeram uma coluna ordenada e disciplinada até ao cadáver do outeiro. Em breve começaram a comer. Mas foi formado um cordão de guardas à volta do elefante, para que mais ninguém se aproveitasse do banquete.
Foi assim que a minúscula formiguinha destronou o rei de todas as selvas, o poderoso elefante. E enquanto apreciava os kissondes devorando o elefante, exclamou: ove kokuange olunyi komboyo! Para mim tens a dimensão de uma mosca pousada no comboio. Já não és nada para mim.
Olupolo ka wendanda otembo ka niñili.


*Esta história foi-me contada por José Lucamba no Huambo

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