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Literatura, Cânone e Poder Politico

Escrito por  Pires Laranjeira
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1- O poder e suas consequências: representações literárias.

Ultrapassadas as fases literárias do Romantismo e do Negro-realismo oitocentistas e também a do Regionalismo das quatro primeiras décadas do actual século, a literatura angolana entrou, com a Geração da Mensagem, nas decisivas fases do Casticismo(1) (caracterizada esta pelo Sócio-Realismo e a Negritude) e da Resistência (de guettho e de guerrilha), que precederam a época contemporânea, que estamos a viver(2).

António Jacinto produziu uma poesia de escalpelização dos temas típicos do sócio-realismo: a dominação e a exploração coloniais, o analfabetismo, a prostituição, o alcoolismo, a alienação e a consciência de classe, a revolta e a transformação política da sociedade. No grande desafio contra o poder colonial, a união no campo político está expressa nos textos em que todos se aglutinam sob o foco iluminar do sujeito consciente de carregar a odiosa máscara branca da dominação na terra dos negros que quer ajudar a libertar.

Com Viriato da Cruz (ler o seu verbete no link Bio-quem), o código ideo-político da nação que emerge textualmente e exclui tanto soluções demasiado passadistas (de exclusivista apropriação poética do passado pré-colonial ou do presente rural) quanto soluções de matriz judio - cristã (vejam -se as alusões ao drama camítico da Raça in "Mamã negra (canto de esperança)" e a rejeição da imposição católica, in "Namoro"). O dia da humanidade do negro de todo o mundo seria realizado na assunção de uma nova cultura recusando o empecilho passadista, para dar passagem a um novo homem. No caso angolano, essa cultura, de que o símbolo seria mais a rumba do poema "Namoro" do que o makezu do poema homónimo, ajudaria a cimentar a consciência de pertença ao colectivo, isto é, à nova nação, erguida por sobre as ruínas colónias do chouriço e café com pão.

Na poesia de Agostinho Neto deparamo-nos com a representação de um poder imperial-colonial explicitamente recusado em "A renúncia impossível - negação", tão violentamente rechaçado que o texto ficou inédito até 1982, podemos supor que para não ferir o fraterno internacionalizo dos compagnons de route portugueses e, portanto, brancos. Como finamente observou Leonel Cosme, a poesia do fundador do Estado - nação angolano nega o poder, imperial do Ocidente do mundo branco, e procura instituir um humanismo não universal mas negro.

O poeta, sendo um despossuido, sem terra, nem língua, nem pátria “( in "O verde das palmeiras da minha mocidade), ganha consciência de que, com a sua voz pode ser "aquele por quem se espera", dando corpo ao desejo colectivo dos que, no exílio, com ele podem afirmar, no intuito de recuperar a plena posse da terra e dos bens e determinar o destino do povo: Havemos de voltar. 2 - A auto - justificação do papel do intelectual.

Se, como disse Frantz Fanon, a luta armada de libertação constitui, por si só, o acto de cultura mais nacionalmente afirmativo, o romance Mayombe, de Pepetela, surgido desse contexto, é um discurso duplamente fautor da consciência nacional, num país onde escasseia o trabalho sistemático sobre a história e particularmente sobre a história das mentalidade. Porque ficcionaliza essa odisseia fundadora, ao mesmo tempo que a reavalia, criticando-a construtivamente, para se apresentar como projecto resgatador contra novos poderes no interior de uma nova formação sócio-política. Assim, A revolta da Casa dos Ídolos, cuja acção se passa no século XVII, pode ser lida actualizadamente, esperando que não de forma perversa, como uma diatribe contra certa forma de exercício do poder dos novos manis. Noutro lugar, comparei a revolta dos antigos com os acontecimentos de 27 de Maio de 1977.

Por outro lado, no romance Yaka, o jovem Joel, branco, adere ao MPLA, mostrando ao bisavô ser esse o caminho para garantir a angolanidade nessa conjuntura, ao contrario da restante família, portuguesa sem remissão, apoiando estrategicamente a UNITA e a invasão dos sul-africanos. O sentido é: os brancos, para serem aceites durante o processo da independência, deveriam aderir ao MPLA; os que o não fizessem, ficavam irremediavelmente afastados dessa hipótese. O romance de Pepetela tem como complemento o de Jorge Macedo, Geografia da coragem, ambos expulsando simbolicamente da nova pátria, portanto, os que na terra não permaneceram. Será Yaka, nesse caso um mero romance de legitimação do papel dos brancos na independência de Angola ou, menos ainda, á luz de Frantz Fanon, uma ficção sobre o mundo dos colonos brancos, com algumas silhuetas negras por pano de fundo, portanto, sem representatividade social angolana uma vez que esta teria de ser sempre maioritariamente negra? Esse é o sentido do texto que Luís Kandjimbo publicou na revista estudos portugueses e Africanos da Universidade de Campinas, em que se interroga sobre poder ser um romance colonial(5).

3 - A instituição literária, a cânone e o poder político.

Estamos em presença de quê? Nesta fase histórica, os estudiosos, munidos de uma utensilagem que os seus predecessores africanos ou brasileiros não tinham, esgrimem argumentos pelo estabelecimento de um cânone que estabilize o «corpos» das obras-chave da literatura angolana. Luís Kandjimbo, num outro texto inserido na revista já referida, retira qualquer importância aos contributos do que chama a "tirania das metodologias acidentais", preferindo refugiar-se, pelo menos nesse artigo, no acalanto praticamente exclusivista dos teóricos africanos. Temos assim a irónica situação de, a respeito da negritude, por exemplo, poderem ser ignorados em Angola contributos a ter em conta de europeus.

Por outro lado, num país como Portugal, onde muito se lê, estuda e comercializa a literatura angolana, o pensamento dominante em sectores consideráveis dos estudos literários africanos e dos médias caracteriza-se, hoje, predominantemente pela instauração do conceito de crioulidade alargada a tempos e espaços imprevistos, a partir da teorização de Mário António Fernandes de Oliveira, retomada (a lembrar o luso-tropicalismo) por Salvato Trigo, Francisco Soares, Carlos Pacheco, José Carlos Venâncio, David Mestre, Ana Maria Martinho, José Eduardo Agualusa e outros(6). Independentemente dos juízos de valor que possamos emitir sobre o trabalho destes estudiosos e escritores, discordando ou não de algumas perspectivas, será justo reconhecer que, tal como João Carneiro, em tempos, no Brasil, alertava justamente para o desprezo a que tinha sido votado a obra de Viriato da Cruz, também eles se batem pela sua dama, qual seja, a revalorização da obra do poeta Mário António e do ensaísta Mário António Fernandes de Oliveira, além de outros, entre os quais Geraldo Bessa Víctor, Tomaz Vieira da Cruz ou Maia Ferreira. Alguns desses estudiosos vão ainda mais longe na sua concepção de um cânone angolano verdadeiramente abrangente, ou mesmo «saudosista do império», integrando escritores da literatura colonial portuguesa. Em geral, acompanha tal revalorização, no que a Angola respeita, um correlativo menosprezo por movimentos como o da Negritude e estéticas como a do Sócio-realismo e da Resistência, com a finalidade de sobrevalorizar o que chamam de mestiçagem ou crioulidade da cultura.

Para Kandjimbo, tratar-se-ia de coisas de europeus; porém, alguns são angolanos. Estamos, então, em presença da reivindicação de uma minoria que se sente culturalmente lesada, ou mesmo politicamente lesada, pela instituição literária do novel país? Coexistem aqui duas lutas por um novo cânone. Há a luta de Luís Kandjimbo para afastar do actual cânone obras, como Yaka, de Pepetela, que estariam sobrevalorizadas em relação ao que podemos pressupor serem a representatividade do mundo angolano no texto e os interesses dos leitores. Não posso avaliar se se trata do primeiro ataque em forma ao predomínio da forma e fortuna dos escritores brancos e sua representatividade no estrangeiro. Mas não posso deixar de dizer que me parece um indício de perversidade teórica duvidar da anti-colonialidade do romance de Pepetela (a não ser que a nova geração de críticos angolanos já não saiba com o devido rigor histórico, o que significa literatura colonial). A par dessa luta em prol de um cânone que provavelmente se deseja reafricanizado pelo retomar de novas formas de Negritude (o que estaria de acordo com algumas posições de sectores políticos que vêem na cultura de matriz rural a força centrípeta necessária), surge como se disse, outra luta de alguns intelectuais no exterior de Angola pela adopção de um cânone que contemple, com destaque, as obras representativas de um grupo social e de uma visão de mundo identificados com a referida crioulidade, a qual recobre tendências Luso-tropicalizantes, afro-portuguesas ou declaradamente parafascistas e fascistas (vejas a defesa que Tomaz Vieira da Cruz fez dos franquistas, na guerra civil de Espanha).

4 - Uma reflexão brasileira a propósito

As reflexões do brasileiro Flávio Kothe têm aqui um cabimento muitíssimo adequado, por nos ajudarem, pelo menos, na interrogação desta realidade literária e crítica que estou a tentar compreender.

Flávio R.Kothe, referindo-se ao cânone colonial brasileiro, afirma ser lamentável e profundamente traumatizante que o cânone literário do Brasil comece com a Carta de Caminha, um documento funcional de um paradigma lusíada, que acabou por ditar a lei canónica, segundo ele até à actualidade, sentindo-se lesado na sua herança de teuto-brasileiro. Daí que se interrogue sobre a desvalorização, ou mesmo ausência , de outros povos e outras matrizes culturais na formação da literatura brasileira contemporânea, como a italiana, japonesa, alemã, austríaca, libanesa, etc., Além claro, da ameríndia e africana, que como se sabe, nem sempre foram convenientemente consideradas e avalizadas(8). As aproximações, diz ainda Flávio Kothe, tem sido feitas, sobretudo em relação à literatura portuguesa, por sua vez subsidiária da italiana, francesa, alemã ou espanhola, quando se imporia estabelecer ligações sistemáticas directamente a estas. Desse modo, interiorizou -se o cânone colonial como legítima matriz da moderna literatura alienando-se a representatividade de outras culturas no amalgama brasileiro.

Se compararmos com o raciocínio de Kothe, o de Luís Kandjimbo parece querer expulsar para a literatura colonial um romance de Pepetela, por achar que o cânone literário angolano deve contemplar textos exclusivamente com representações do mundo negro, negando à minoria branca uma expressão literária que a par de Pepetela, se encontra, por exemplo, na obra de Leonel Cosme.

Noutra perspectiva, alguns escritores e críticos residentes em Portugal parecem querer que a canonização de escritores como Geraldo Bessa Víctor, Mário António e mesmo Tomaz Vieira da Cruz ultrapasse a de Agostinho Neto, fundador do discurso poético do negro e fundador do estado-nação e se possa equiparar à de um escritor como Pepetela.

Por outro lado, escritores como Manuel dos Santos Lima, José Eduardo Agualusa e Sousa Jamba, radicalmente diferentes no percurso literário, na vida e na política, escreveram a partir dos anos 80, contra o cânone estabelecido.

Manuel dos Santos Lima, após transpor para a ficção a sua experiência nos dois lados da barricada da guerra colonial, surgiu com um romance-panfleto que constituiu violenta diatribe contra o estado da nação, ultrapassando, em vigor crítico, a crítica de costumes e a crítica social de Manuel Rui e de Pepetela, em livros como «Quem me dera ser onda» e o «Cão e os calus».

José Eduardo Agualusa, depois de «Na conjura», tratar ficcionalmente um tema protonacionalista da viragem do século XIX, enveredou, em «Estação das chuvas», por contestar a pertinência da negritude, através da personagem Lídia do Carmo Ferreira, que em certo passo, diz: "a verdade é que eu não me identifico com a negritude(...) todos nós pertencemos a uma outra África; àquela mesma África que habita também nas Antilhas, no Brasil, em Cabo Verde ou em São Tomé, uma mistura da África profunda e da velha Europa colonial. Pretender o contrario é uma fraude". Para não irmos mais longe, uma personagem do romance, chamada Mário de Andrade, dá a resposta: “Isso é Freyre! (...) isso é a maldita mistificação luso-tropicalista”(9). Resgatar romanescamente a idade de “crioulização” afigura-se-me um projecto que, em «Nação crioula», Agualusa prossegue, em jeito de divertimento inocente, de feição rocambolesca, para não dizer pós-moderna, com Fredique Mendes, o semi-heterónimo de Eça de Queirós, a ligar-se a uma ex-escreva que se tornou rica e influente na alta sociedade luandense de Oitocentos.

Sousa Jamba, tal como Lima no início da sua obra, ficciona a partir daquilo que bem conheceu na vida real: o outro lado da questão, que é como quem diz, o outro lado da barricada, no tempo em que as armas falavam. Tratou-se de um outro ponto de vista da questão política e militar da pós-independência, que procurou descentrar o cenárida ficção para o espaço em que a UNITA se movia.

Porém, conseguiram eles modificar o cânone ou simplesmente limitaram-se a temáticas e a criar obras periféricas ao cânone, sem no entanto, o revitalizar?

De outro modo, pode o cânone ser modificado, na actual conjuntura, a partir de uma actividade institucional localizada, fora do espaço angolano, nomeadamente fora da instituição literário que funciona no país?

Penso que a actual tensão que se verifica na demarcação do cânone demostra não estarem totalmente ultrapassadas as sequelas do colonialismo e do afrontamento pós-independentista. Compreende-se que assim seja, tão fundas são as feridas. Penso que obviamente a produção de Agualusa, ou Sousa Jamba, tem o seu lugar cativo na história de Angola. O mesmo acontece com a poesia de Mário António ou de Geraldo Bessa Victor. Mas não creio que a estrutura destes escritores sobreleve as de Agostinho Neto, Luandino Viera, Pepetela, Uanhenga Xitu, Ruy Duarte de Carvalho ou João de Melo, porque encontramos no discurso destes autores o primado da terra, do homem e da polis como determinação nacional profunda e irrevogável, com extrema verosimilhança e sofrido sentimento de justeza, à margem de cabotinismo e entretenimentos.

5 - A construção do conceito de nação na época colonial e na época contemporânea.

A derruição do poder colonial através do discurso literário, como vimos, em Agostinho Neto e António Jacinto, torna-se expressivamente contundente noutros autores como António Cardoso, Costa Andrade ou Garcia Bires. Afinal, a luta de libertação nacional, ou seja, a Resistência, no ghetto das prisões, no ghetto social, no exílio ou na guerrilha, deixou marcas textuais demasiado importantes para não serem consideradas adentro do cânone. O mesmo não se pode dizer da ambiguidade e da aceitação face ao poder colonial.

A literatura angolana tem tendência, na época contemporânea, a rastrear os seus fundamentos culturais antigos, quer quanto à componente rural (cf. Uanhenga Xitu ou Ruy Duarte de Carvalho) ou mítico-etnológica (cf. Henrique Abranches e Pepetela, este em Lueji), quer quanto à histórica (cf. Pepetela e Pacavira). Esse rastreio intenta o mapeamento fundacional dos alicerces culturais da nação que a crítica de costumes sociais políticos e comportamentais complementa (cf. Manuel Rui, Pepetela e Manuel dos Santos Lima) no respeitante à actualidade. Reconhecemos a pervivência do gosto pelo Casticismo, em Uanhenga Xitu ou Boaventura Cardoso, que prolongam o doce saber da tradição, e que Arlindo Barbeitos e Ruy Duarte de Carvalho transpõem para linguagens de modernidade mais consentânea com uma compreensão universal.

Pode finalmente dizer-se que a literatura angolana, dada a sua génese e as sucessivas conjunturas, mostra sintomas de ter chegado à sua idade maior quando Henrique Abranches apresenta ao público a primeira ficção científica ou quando João de Melo, munido apenas dos complexos de estar vivo, se apropria do mais exaltante experimentalismo de vanguarda para cantar o amor e lamentar o morticínio da guerra. Seja como for, está-se a deixar de produzir uma escrita da nação ou já não se escreve para agradecer a vinda dessa nação, mas escreve-se a favor e contra novos poderes e, neste sentido da escrita, é visível a pressão (a sombra tutelar) que o poder político continua a exercer sobre a constituição do cânone literário angolano, assim contribuindo para a mudança do conceito de nação e de cânone. Pires Laranjeira (Universidade de Coimbra)

1-Usamos aqui o conceitos de Miguel de Unamuno, querendo dizer uma visão de mundo e de comportamento muito antigos e constantes, no seu livro En torno al casticismo, Madrid, Alianza, 1986.

2-Cf. Pires Laranjeira, A negritude africanas de língua portuguesa, Porto, Afrontamento, 1995; Literaturas africanas de expressão portuguesa, Lisboa Universidade Aberta, 1995 pp. 211-228; “ A construção do ideal nacional e a constituição de novas literaturas em África”, comunicação à 7ª Jornada Da Universidade de Passo Fundo ( Brasil, 1997)

3-Cf. Leonel Cosme, Agostinho Neto, a poesia e o homem, Luanda, INALD, sd. (1984)

4-Cf. Pires Laranjeira, “O reino do Kongo e A revolta da casa dos Ídolos de Pepetela”, in Finisterra, 18-19 (1995), Lisboa, Fundação José Fontana, pp. 173- 185.

5-Cf. Luís Kandjimbo, “Yaka: a ficção e o estatuto da história ou um romance colonial?”, in Estudos Portugueses e Africanos, 24-26 (1995), Campinas, pp. 57- 74.

6-Vejam-se os recentes romances de Agualusa, os ensaios de Venâncio, Carlos Pacheco e Trigo, além dos de Soares ( tese de doutoramento e artigos dispersos no Vértice, Letras & Letras, etc.), Ana Maria ( sobre narrativas de mulheres) e Mestre (os destes três últimos publicados pela própria editora do referido em primeiro lugar). Veja-se ainda o colóquio sobre a crioulidade realizado, em 1997, em Lisboa, por referidos defensores dessa corrente, com a presença de alguns intelectuais portugueses conotados como bastante conservadores e reunidos pela primeira vez para uma função desse género, de entre os quais destacamos Adriano Moreira, Luís Forjaz Trigueiro, João Bigotte Chorão e António Manuel Couto Viana.

7-Cf. João Carneiro, “ Viriato da Cruz - da urgência de reler um poeta”, in Vozes, Vol. LXXIII, nº 2 ( Março de 1979), Petrópolis, pp. 17-26.

8-Flávio R. Khote, O cânone colonial, Brasília, Universidade de Brasília, 1997.

9-José Eduardo Agualusa, Estação das chuvas, 2ª ed., Lisboa, Dom Quixote, 1996, p. 83.

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