Imprimir esta página

A Alegria dos Sentidos e o Instante da Luz "No Útero da Noite" (...Ou o Eterno Poder da Palavra Poética) Destaque

Escrito por  Conceição Cristóvão
Classifique este item
(0 votos)
Se nos pedissem que de maneira lacónica fizéssemos a apresentação (desnecessária, por sinal) do livro “No Útero da Noite” e do seu autor diríamos simplesmente: - Aqui mora a poesia! E eis aqui o seu construtor, o “alquimista” da palavra! E talvez lêssemos também a síntese biográfica do autor. E ponto final. “O escritor possui uma paixão que é suficiente para o justificar: - a produção da forma.” Roland Barthes

Seria tudo quanto bastaria, na medida em que embora seja novo o livro que hoje vem à luz do dia, por conseguinte não é ainda conhecido, entretanto tal livro surge como proposta sempre renovada do discurso poético de um autor por demais conhecido: João Maimona, de seu nome próprio. Nascido aos 8 de Outubro de 55 em Quibocolo- Maquela do Zombo, é médico veterinário de profissão. Diplomado pelo “Institut Pasteur” de Paris e pela “École Nationale Vetérinaire d’Alfort/França, antes de tudo isso estudou Humanidades Científicas em Léopoldville. É assistente da Universidade Agostinho Neto, membro da União dos Escritores Angolanos, tendo ganho vários prémios literários dentro e fora do país. Tem colaboração dispersa também dentro e fora de Angola.

Porém, e esta é a “maka”, como a praxe literária em casos deste jaez manda que cumpramos o “sagrado rito” de gastarmos algum verbo e com isso cansarmos seguramente quem nos escuta ou lê, então cá estamos nós iniciando um exercício mais ou menos prolixo. Mas é como dizemos: - Aqui mora a poesia!

Não fosse a velha amizade que nos liga ao autor motivo bastante, ao menos o nosso particular e igualmente antigo desejo de “falar” do autor e da sua obra justificaria a alegria que nos preencheu a alma, ao termos recebido e aceite o honroso convite de João Maimona para produzirmos reflexões escritas, visando apresentar o seu mais recente livro de poesia intitulado “No Útero da Noite”.

Repetimos: - “No Útero da Noite” mora a poesia, pois há algo, que pulsa, que vibra, que explode: - a poesia. Com certeza.

E ao burilar, ao polir a palavra, ao transformar simples palavras em conjuntos de sonoridades que luzem aos olhos do leitor, João Maimona, o autor, transforma-se num autêntico alquimista (aqui entendida a expressão na sua acepção positiva, ou seja, aquele que é capaz de transformar “coisas” aparentemente sem valor em algo com muito valor); por isso dizemos que Maimona é um alquimista da palavra.

Logo, é mister afirmarmos que o livro que temos em mãos é um exemplo acabado de como o exercício sério com a palavra faz emergir do “útero da noite” verdadeiros seres, com vitalidade própria: - não a “palavra” enquanto entidade abstracta, mas as “palavras”, como entidades concretas, com volume, massa sonora, etc.

E para que, desde já, melhor se perceba do que vamos tratar propomos uma breve, incompleta, mas ainda assim momentaneamente satisfatória definição de “palavra”. Desta forma, “a palavra é uma massa sonora cuja emissão e recepção sugerem à consciência uma noção ou uma representação sensível” .

Com efeito, ao lermos J. Maimona em “No Útero da Noite” (começando já mesmo pelo subido valor simbólico do tropo de linguagem, que é a metáfora, utilizado no título “No Útero da Noite”), vários pensamentos afluíram à nossa mente, em torno de tudo aquilo a que à palavra diz respeito.

Por conseguinte, ocorreu-nos logo pensar no que Aristóteles enunciou no Livro I da Retórica, quando, para o estudo do discurso, estabeleceu a distinção entre “aquele que fala, o assunto de que se fala e aquele a quem se fala”, naquilo que mais tarde veio a sustentar a moderna teoria da comunicação.

De facto, aquele ilustre filósofo grego ao formular o seu pensamento sobre o discurso poético, mal podia imaginar que o poeta africano João Maimona na sua poesia e principalmente em “No útero da noite” - por paradoxal que pareça - esbateria liminarmente as fronteiras definidoras daquela original tripartição. Dito de outro modo: - no discurso poético de Maimona, i. é, nos seus versos, “aquele que fala”, “aquilo de que se fala” e “aquele para quem se fala” são um e apenas um, ou seja, fundem-se e assomam como um só.

Assim, na senda da teoria e da prática literárias, e após ter lido “No Útero da Noite”, já não temos qualquer dúvida em como o poeta Maimona assume-se como um epígono da sua própria criação ou produção literária.

Tanto assim é, que nos poemas deste autor confirma-se a ideia segundo a qual “em poesia as palavras iluminam-se com lumes recíprocos ...”, na medida em que, declaradamente, aí as palavras mantêm “um laço mais forte e mais estreito do que no discurso quotidiano”; entre as palavras ocorre aquilo a que se convencionou chamar, em teoria literária, de “correlação posicional”.

E Maimona é um exímio mestre, nisso de transformar palavras em verdadeiros “arquivos” de sonoridades, de sentidos e de cargas capazes de, a um tempo, implantar o caos no mundo e harmonizá-lo; capazes de explodir a ordem e os sentidos por via da implosão do verso e dele (re)estabelecer uma nova ordem humana, que releve da própria sintaxe poética.

A escrita desse nosso conhecido autor e confrade é aquilo a que se pode chamar com toda a propriedade de escrita circular, escrita da desconstrução gramatical e da desconstrução dos sentidos, e tão bem da restituição do valor simbólico e polissémico da palavra e do verbo.

E essa espécie de caos a que aludimos acima erige um conflito potenciado pelo elevado investimento que Maimona faz na palavra, ao transformá-la num verdadeiro “enigma” que, como tal e no autorizado dizer de E. Kongas–Maranda , comporta cinco elementos: 1. o significante; 2. a premissa constante; 3. a variável escondida; 4. a variável dada; 5. o significado

O admirável e o agradável mesmo é constatar que também aqui, todos os cinco elementos que caracterizam um qualquer “enigma”, stricto sensu, estão subjacentes em toda a poesia de “No Útero da Noite”; de tais elementos também chamados características “verbais” Maimona deduz as características semânticas para a estruturação do discurso poético que desconstrói o sentido lógico das coisas; cada palavra nos versos deste livro é um verdadeiro “signo de pé”, erecto, iminente.

Maimona neste seu mais recente livro de poesia, como de resto aconteceu em outros livros seus, constrói ou ergue uma “organização simbólica” do seu discurso, assente no poder que a palavra possui de sofrer metamorfoses e dizer silêncios audíveis, de activar o sentido da fala, da visão, do tacto, do olfacto, da audição e, sobretudo, de activar o sexto sentido: - o sentido da fruição estética. Com Maimona a própria estese (sentimento de estética) é redefinida, assentando sobre novos cânones, novas propostas valorativas.

Indiscutivelmente João Maimona com este seu novo livro consolida cada vez mais aquilo que é por demais consabido: - é um dos maiores cultores da palavra, do discurso poético denso, onde a hermeticidade da mensagem deflui da maneira intransitiva como o poeta trata ou usa a palavra, o verbo, a linguagem.

Maimona trata a palavra com a precisão e o rigor de um cirurgião (não fosse o autor, ele mesmo, médico de profissão) e com a concisão verbal típica de um poeta que bebeu do poder da adivinha e do provérbio africanos. Em suma, o autor é um artífice da palavra. E não é por acaso que insistimos neste aspecto, como ficará demonstrado mais adiante, quando fizermos uma breve incursão nalguns dos seus belos poemas.

Certamente tornar-nos-íamos desnecessariamente longos se nos propuséssemos realizar uma exegese, desde uma perspectiva da hermenêutica bem como do estilo e suas técnicas, dos trinta e um poemas que enformam “No Útero da Noite”, aliás algo que já foi feito de modo magistral por Maria Nazareth Soares Fonseca e Xosé Lois Carcía, respectivamente.

Entrementes não nos coibimos de submeter a uma análise algo minuciosa alguns textos, com o fito único de ilustrar aquilo que temos estado a dizer: - este livro é, todo ele, um oceano de poesia, dela sobrelevando o grande poder do verso denso, da escrita circular.

Escolhemos, para o efeito, o poema “Alegria dos Sentidos” que serve de prelúdio ao livro, e ainda os poemas “A Rua Contemplada in Vitro”, “As Fontes e as Cidades: Os Rios e os Países”, “O que Rodeia a Palavra Cataclismo”, “Os meus Versos. No Universo que Nasce”, “Relatório de Um Século de Torturas”, “Generosidade”.

Pela leitura de tais poemas facilmente se pode inferir que no que tange à palavra, Maimona recria-a, dando-lhe valor múltiplo; não se verifica nos lexemas usados nos seus poemas um aproveitamento intensivo do valor volumétrico da palavra, i. é, da exploração do seu volume (palavras longas ou palavras curtas), entretanto verifica-se a ocorrência de fonemas com sonoridades que estilisticamente emprestam beleza aos poemas.

Ao lermos qualquer dos poemas já referidos notamos que as ideias e as imagens são-nos sugeridas, não por via de descrições exaustivas e minudentes, mas através de versos construídos com palavras que contêm sons graves umas vezes, ou sons suaves outras tantas, o que só vêm confirmar que “a poesia é essencialmente sugestiva” .

João Maimona recorre à diérese, como recurso técnico-expressivo não só para alongar as palavras como também para marcar tanto o conteúdo quanto a sua massa. Verifica-se também que com a simples mas eficaz anteposição do adjectivo ao substantivo, Maimona consegue um efeito de amplificação da massa da palavra que, a par da isocronia, que é a duração sensivelmente idêntica de todas as unidades do verso, tornam os versos de “No Útero da Noite” em verdadeiros “reservatórios” de poesia.

Neste rigoroso “jogo” de palavras, tão bem ilustrado pelos poemas “As fontes e as Cidades. Os rios e os Países” e “Instante da Luz”, ficamos com a nítida sensação de que o autor explora até à exaustão o valor dos símbolos, tal como o fizeram os poetas simbolistas , tentando sistematicamente explorar ao máximo o poder sugestivo das sonoridades.

E nesta mesma senda incluímos o belíssimo poema “Noite Silvestre” que, para além de reflectir esse aturado trabalho de que vimos falando, facilmente se constata que vários títulos dos anteriores livros do autor perpassam o referido texto, atravessando-o em diagonal. Bastará, para tal, ler o poema “Noite Silvestre”, a pág.s 84, cujos estratos ilustrativos passamos a apresentar:

NOITE SILVESTRE “( dissolveu-se o arco da infância quando vi chegar / a montanha: a solidão da calçada fagocitando / o silêncio com sílabas que anestesiavam caminhos / auxiliares. entre as abelhas do dia e o parto / do meu rebanho havia uma colónia de estrelas. / ... / surgiam carícias de percurso. diante dos olhos / impróprios para intersecção de trevas desfilavam / uma multidão de árvores, o útero da noite, a / trajectória obliterada e o espaço virtual da / ... )”

Outros poemas reflectindo este mesmo trabalho podem ser encontrados no livro, mas interessará mostrar agora a bem pensada e ainda melhor produzida repetição de sons iniciais e de sons finais em certos poemas, o que ilustra bem como Maimona faz o tratamento milimétrico das palavras. Pesadas e colocadas, uma a uma, no seu edifício poético. Vejamos pois alguns exemplos acabados:

A CORDA DE SANGUE “ ... // era a corda que havia de dizer / os versos abertos contra o mar / era a corda que havia de estender / as chamas nas costas do mar.”

INSTANTE DA LUZ “ a ponte e a intimidade do sinistro / o sinistro e a intimidade da ponte / a ponte e o sinistro da intimidade / a intimidade e o sinistro da ponte / o sinistro e a ponte da intimidade / a intimidade e aponte do sinistro: / e o deserto pretendia desenhar / uma matéria visivelmente crucificada. / ...”

Quem já leu atentamente Maimona em outros livros seus, facilmente se apercebe daquilo que também ocorre nos textos que dão corpo a este seu novo livro. Referimo-nos à utilização dos sinais de pontuação, mormente o nosso conhecido ponto (.) e os não menos familiares dois pontos (:) como recurso técnico-expressivo com valor próprio e preciso, no quadro da construção dos versos e também da já supracitada desconstrução de sentidos.

A adicionar a esta desconstrução gramatical e de sentidos está a utilização invariável das iniciais minúsculas, mesmo depois do famoso e, como sempre afirmamos, castrador ponto (.).

Agora fixemos só mais o seguinte: - quando se lê Maimona, temos a sensação de andar-nos a cabeça à roda, pelo movimento circular criado pela sua escrita vertiginosa, desconcertante.

Com efeito, poucos são aqueles que logo em primeira ou segunda leitura captam o âmago dos versos ou dos poemas deste autor. Até porque os seus versos em particular e os seus poemas em geral, paradoxalmente, não têm âmago nem superfície; tudo se confunde. Aí, a superfície é profunda e o âmago é epidérmico, produzindo aquilo a que nós chamamos margens centrais e centros marginais. Mas apesar desse virtual caos, há um discurso poético harmónico, assente em fortes “redes de significação”, como diria Marcel Cressot.

Estes são alguns dos traços peculiares, algumas marcas made in Maimona – pelo menos no modo como isso é feito -, e que caracterizam sobremaneira a sua escrita poética, quase paradigmática.

Finalizaremos estas nossas palavras, que certamente nada acrescentarão a este belíssimo livro que aqui está - na sua inquietude que típica de todo livro a espera de ser adquirido e lido pelo leitor - mas que esperamos terem espicaçado a curiosidade dos que adoram fruir de uma boa leitura, dizíamos que finalizaremos acrescentando que em se tratando da arte de criar poesia séria Maimona não tem mãos a medir. Tanto assim é que em todos os poemas de “No Útero da Noite”, há uma constante transferência de sentido das palavras, i. é, há a presença dos chamados tropos que vão desde a simples mas eficaz metáfora , passando pela metonímia e pela sinédoque, casos típicos de transferência semântica amplamente utilizada, terminando na fina, na subtil ironia ou antífrase.

Qualquer profunda análise dos poemas deste livro revela-nos inequivocamente o forte investimento que João Maimona faz na palavra, tanto lançando mão das figuras de estilo e recursos de que vimos fazendo alusão como de outros aqui não referidos mas igualmente importantes.

Portanto, não gostaríamos de terminar esse exercício de produção metalinguística sem dizer que, em boa verdade e no dizer do poeta, assalta-nos a “ALEGRIA DOS SENTIDOS” pois “não são estranhas estas sementes soprando sobre chuvas solitárias. / luzes embaladas que conservam celas palpitantes. saberei as / imagens perversas como os mistérios de uma refrescada história. / harmoniosa angústia: o que dizem as mensagens que nascem como / perfume colossal: que imagens ou símbolos indiferentes quando / brilha o levantar de raios de signos?”

É ainda o poeta que, respondendo à sua própria interrogação assevera-nos que “se a música da noite pudesse poisar em minhas mãos: tranquilas / e ternas. visíveis e ardentes as mãos que não cultivam palavras / silvestres. lexemas caseosos. trevas e calçadas purulentas. saberei / recriar as palavras do dia para a alegria dos sentidos. / tão interior e coberta de árvore estável. antes da festa d’água se / despedir de meu penetrável discurso).

Portanto, quem quiser tomar contacto íntimo, amoroso com boa poesia “No Útero da Noite” não tem outro caminho que não seja adquirir este belo livro de boa encadernação, dois belos textos críticos de dois ensaístas de peso, trinta e um poemas de se lhes tirar o chapéu, repartidos em três cadernos, o último dos quais (Posfácio Plural. Celebrando os Meus Edifícios) foi o que mais connosco “mexeu”, sem qualquer demérito para os outros dois cadernos.

Sem dúvidas que escrever assim é coisa séria. E ler coisa séria vale a pena. Bem hajam, pois os que acreditam piamente na força do verbo e no poder da palavra!

CONCEIÇÃO CRISTÓVÃO / POETA E ENSAÍSTA /

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • ARISTÓTELES, “Poética”, texto grego e versão francesa de DUPONT-ROC, Roselyne e LALLOT, Jean, Seuil, 1980.
  • BALDINGER, Kurt, “Teoría Semántica. Hacia una Semántica moderna”, Romania, 1970.
  • BAYER, Raymond, “História da estética”, Editorial Estampa, Lisboa, 1979.
  • BARTHES, Roland, • “O grau zero da escrita”, Edições 70, Lisboa, Julho de 1984. • “Ensaios críticos”, Edições 70, Lisboa, Agosto de 1977. • “O prazer do texto”, Edições 70, Lisboa, Setembro de 1976.
  • BELO, Fernando, “Epistemologia do sentido”, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Julho de 1991.
  • CRESSOT, Marcel, “O estilo e as suas técnicas”, Edições 70, Lisboa, Janeiro de 1980.
  • MACHEREY, Pierre, “Para uma teoria da produção literária”, Editorial Estampa, Lisboa, Agosto de 1976.
  • REIS, Carlos, “Técnicas de análise textual”, Livraria Almedina, Coimbra, 1976.
  • TODOROV, Tzevetan, • “Simbolismo e Interpretação”, Edições 70, Póvoa de Varzim, Julho de 1980. • “Os géneros do discurso”, Edições 70, Póvoa de Varzim, Março de 1981.
  • VILELA, Mário, “Estruturas léxicas do português”, Almedina, 1979.

Definição constante do livro “O ESTILO e as suas técnicas” de Marcel Cressot e que remete-nos para realidades como a necessidade da existência de emissor e de receptor, e que por via dos sentidos ela, a palavra, possa exercer sobre a consciência o seu real papel de noção e de representação sensível. Aristóteles, filósofo grego ( 384 – 322 a. C. ), foi discípulo de Platão e preceptor de Alexandre Magno. Fundou em Atenas o Liceu – uma nova escola filosófica. Foi o maior sistematizador do pensamento humano, e durante quase dois milénios, o principal orientador do pensamento europeu.

E. Kongas-Maranda é citado por Tzevetan Todorov em “Les Genrs du Discurs”, Éditions du Seuil, 1978.

Aquilo a que se convencionou chamar de características “verbais” mereceu aturado tratamento por Youri Tynianov em “Probléme de la Langue du vers”.

Asserção retirada do livro “Petit traité de versification française” , Colin, 1965, pág. 124. Sobre os poetas simbolistas há bastante teoria formulada e sustentada por Baudelaire. Vasta bibliografia aponta outrossim para o valor que a poesia simbolista teve e ainda pode ter desde que aproveitados os seus aspectos positivos.

À repetição de um som inicial e à repetição de um som final no verso designa-se aliteração e homeoteleuto, respectivamente. Faz-se notar que um dos recursos estético-literários que mais pontifica na nova poesia angolana é precisamente o homeoteleuto.

De referir que o essencial da poeticidade no discurso de Maimona assenta na inteligente linguagem metafórica; aliás, a figura de estilo de eleição dos poetas não só cá da nossa constelação literária como também de outras paragens.

Ler 7569 vezes

Itens relacionados