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Enlirização XI

Escrito por  Jorge Macedo
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Nos excertos poéticos transcritos nos números anteriores, IX e X, os processos de enlirização elucidam as conclusões teóricas avançadas por Oswal Ducrot

Nos excertos poéticos transcritos nos números anteriores, IX e X, os processos de enlirização elucidam as conclusões teóricas avançadas por Oswal Ducrot, Tyzevetan Todorov, em seu Dicionário das Ciências da Linguagem, Publicações Dom Quixote, 6ª edição, Lisboa, 1982, com 445 páginas:”as frases de que se compõem o discurso literário não têm referentes, afirmam-se como expressamente ficcionais, e a questão da sua verdade é desprovida de sentido (p.313).

Na mesma linha de reflexão, os dois autores citam a observação de Gottlob Frege, a páginas 313, opus cit.: “quando ecutamos, por exemplo, um poema épico, o que nos fascina, para além da euforia verbal, é unicamente o sentido das frases, assim como as imagens e sentimentos por ele evocados”.

No poema citado, José Luís Mendonça usa um processo de enlirização assente na estrutura profunda da tradução das sensações múltiplas causadas pelo acto erótico na sua imaginação e imaginário. Socorrendo-nos da teoria dos interpretantes (enunciados que explicam o sentido uns dos outros, ou cadeia de semiosis), explanada por Monica Rector e Iolanda Nunes, em seu Manual de Sem, editado por Ao Livro Técnico S/A – Indústria e Comércio, Rio de Janeiro – RJ/1980, com 171 páginas, podemos afirmar que esta poética de Mendonça em apreço conta uma história (recurso ficcional), qual a de ter dormido com uma mulher cheia de lepra (hipérbole, ironia) e as sensações suscitadas pelo acto. Cada enunciado poético corresponde a uma imagem (e o meu corpo no corpo dela falava de coisas sãs (personificação); o sumo da fruta ainda verde (metáfora); o ninho do canário com a mão de Deus lá dentro (metáforas); a pele dela era um astro, não um meteorito (metáforas); e sobre ela eu ardi toda a noite como um peixe (metáfora e comparação ou símile); deve arder no ventre quântico do mar (metáfora), etç Como o exemplo elucida a teoria, os mundos-imagens verbais, transcritos, elucidam as ilações de de Gotildo Frege, atrás citadas, sobre a matéria: (...) o que nos fascina num poema..., para além da euforia verbal, é unicamente o sentido das frases, assim como as imagens e sentimentos por ele evocados”. Este tipo de poética emerge de alguns geno-textos, nomedamente a “transportação” e a “tradução”.

Por transportação entendemos a faculdade do texto literário de fazer o receptor imaginar por fantasia pessoal um mundo de representações das sensações suscitada pelo texto em verso ou em prosa. Quer parecer que na letra da música “serenata”, composta em princípios dos anos 1970, já eludivávamos o fenómeno da “transportação” : “ o teu riso me ilumina / me ilumina/ me aquece/ me transporta/ branca açucena me derrama o teu olhar/ brisa amena me aconchega o teu andar/ a noite é bela/ o dia é lindo/ a lua encanta/ a estrela canta/ a noite bruilha/ a aklma vibra/ a ave voa/ a flor crepita/ porque o amor tudo transforma / o maor é criador/ é união/ é artesão/ é celestial.” O que é que a poesia mendonciana em apreço é mais simbolista, mais trabalhada, com imagens esculpidas em maiores e mais conseguidas dimensões estéticas. Considerando a transportação como excitante dinâmico, sugerindo linguagens imagéticas

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