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I Congresso Nacional Africanidades e Brasilidades - 26 a 29 de Junho de 2012 – Universidade Federal do Espírito Santo. GT Africanidades e Brasilidades: Culturas e Territorialidades (Gt 4)

Escrito por  Luanna Claudia Neppel Cossi
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CONCEPÇÕES ACERCA DAS PRÁTICAS CANDOMBLECISTAS Luanna

Claudia Neppel Cossi1

INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo foi de verificar se o nível de escolaridade dos entrevistados está relacionado ao pouco conhecimento e à manutenção de estereótipos frente às práticas candomblecistas.
Em pesquisas feitas na Scielo.org com a palavra Candomblé foram encontrados 30 trabalhos, mas nenhum que tratasse acerca da opinião da sociedade frente ao tema Candomblé. Não só nesta livraria online que reúne trabalhos acadêmicos de diversas áreas, como também de uma maneira geral, é possível evidenciar certa carência na literatura científica que revele como as pessoas veem e convivem com os candomblecistas. Essa prática existe e faz parte do povo brasileiro e da sua história. Portanto,


É cada vez mais evidente a necessidade de pessoas a refletir a

respeito do Candomblé, pois a história dos orixás, por si só, já não

esgota a carência de informações que sentem o iniciado e o não

iniciado (REIS, 2000, p. 27).

Por fim, o presente trabalho é apenas o início de um processo que pretende levar tanto ao campo acadêmico quanto a sociedade brasileira as faces que o Candomblé possui e suas contribuições para a formação da cultura brasileira.
1 Graduanda em Jornaslismo; UFES; Este trabalho está condensado para atender as normas do ICNAB, e para obter o trabalho completo entrar em contato com a autora por meio do e-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. .

MÉTODO PARTICIPANTES
Participaram deste estudo 20 pessoas, divididas em duas amostras: o Grupo 1, composto por 10 funcionários de serviços gerais da UFES do Campus de Goiabeiras e o Grupo 2, com 10 alunos de mestrado da referida instituição e localidade.
INSTRUMENTOS
Uma entrevista estruturada individual foi realizada em ambos os Grupos. Ela continha dois questionários: o Questionário Geral constituído por dados sociodemográficos e um Questionário Central com questões relacionadas à opinião e conhecimento acerca da temática Candomblé.
DELINEAMENTO E PROCEDIMENTOS
Esta pesquisa caracterizou-se por ser qualitativa e descritiva. As amostras foram por conveniência a partir de dois Grupos de pessoas. Todos foram abordados aleatoriamente (em seus respectivos Grupos) nos corredores e salas de aula da UFES e convidados a participar da pesquisa por meio de entrevista individual.
Os objetivos e procedimentos do estudo foram explicados e os participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido concordando em participar e consentindo que os questionários fossem gravados para a utilização de análise de conteúdo da pesquisa. Não foi divulgado o nome do entrevistado no ato da gravação, sendo somente feita uma identificação numérica para possibilitar sua localização dentro de um determinado Grupo.
ANÁLISE DE DADOS
Após a transcrição das entrevistas, os dados foram categorizados tomando como base a análise temático-categorial.
2
RESULTADOS
No primeiro Grupo, 2 participantes eram do sexo masculino e 8 do sexo feminino; a média de idade da amostra foi de 34,7 anos. O segundo grupo constituiu-se de 5 homens e 5mulheres; a média de idade foi de 28,8 anos.
O Grupo 1 em relação ao grau de escolaridade mostrou que dos dez participantes 5 tinham o fundamental completo, 2 fundamental incompleto, 2 ensino médio completo e 1 ensino médio incompleto. O Grupo 2 era composto por 10 pessoas com a pós-graduação incompleta.
Sobre a prática religiosa, no Grupo 1, 3 participantes não pertenciam a nenhuma religião, 4 eram católicos, 2 evangélicos e 1 missênico. No Grupo 2, dos participantes, 3 eram ateus, 1 não pertencia a nenhuma religião, 5 católicos e 1 protestante.
Na primeira questão2 do Questionário Central, no Grupo 1, de 10 funcionários de serviços gerais entrevistados, 3 responderam cinco palavras, 4 só afirmaram 3 palavras e expressões, 1 não quis responder e 1 não sabia o que era Candomblé. No Grupo 2, de 10 alunos do mestrado entrevistados, 9 disseram 5 palavras e expressões e 1 6 palavras e expressões. A partir das respostas válidas dos Grupos 1 e 2, foi possível criar três categorias: visões negativas, visões positivas e visões neutras.
Na categoria visões negativas (ver tabela 1) o Grupo 1 obteve 14 palavras e expressões válidas para essa categoria de 28 respondidas. No Grupo 2 foram 51 palavras e expressões respondidas, destas, 10 foram categorizadas como visões negativas. No Grupo 1 o entrevistado numérico 8 respondeu: "Coisa ruim, ordem de macumbaria, legião de demônios" No Grupo 2, o entrevistado número 14 respondeu: "Satanás, rituais macabros e sangue" A palavra ou sinônimo de
21o questão: Diga cinco palavras ou expressões que passam em sua mente quando eu digo a palavra candomblé.
3

macumba foi a que teve maior frequência (6) no Grupo 1. E a palavra preconceito foi a que mais apareceu (3) no Grupo 2.
Tabela 1. Formação de categorias Questão 1 (Questionário Central)
4
Visões negativas:
F
%
Grupo 1
Macumbaria Maldade
Falta de fé em Deus Demônios
6 3 2 3
42,85 21,42 14,28 21,42
Grupo 2 Macumba
Satanás
Sangue
Obscuro Preconceito Desconhecimento Minoria
2 1 1 1 3 1 1
20
10
10
10
30
10
10
A categoria visões positivas (ver tabela 2) foi a que revelou menor número de palavras tanto no Grupo 1 (3) quanto no Grupo 2 (1). A palavra festa e seu sinônimo aparece 2 vezes no Grupo 1. No Grupo 2 a palavra alegria é respondida uma única vez.
Tabela 2. Formação de categorias Questão 1 (Questionário Central)
Visões positivas:
F
%
Grupo 1 Festa
Confraternização
2 1
66,66 33,33
Grupo 2 Alegria
1
100

Na categoria visões neutras (ver tabela 3) o Grupo 1 elaborou 11 palavras e expressões. E o Grupo 2, 33 palavras e expressões. No Grupo 1 os entrevistados relacionaram a palavra espiritualidade 3 vezes ao Candomblé. Já no Grupo 2, Culturas Africanas é o que tem maior frequência (8).
Tabela 3. Formação de categorias Questão 1 (Questionário Central)
Na segunda questão3 do Questionário Central, no Grupo 1 (ver tabela 4), de 10 entrevistados 9 tinham alguma ideia do que seria o Candomblé, 1 não soube dizer.
5
Visões neutras:
F
%
Grupo 1 Espiritualismo Santos
Cultura africana Comunidades Religião

Dança Folclórica
3 2 1 1 2 1 1
27,27 18,18 9,09 9,09 18,18 9,09 9,09
Grupo 2
Culturas africanas Negro
Dança
Música
Religião
Cor Branca Terreiro
Brasil
Forças Místicas
8 3 3 3 4 3 4 2 3
20 7,5 7,5 7,5 10 7,5 10 5 7,5
3 2o questão: O que é o Candomblé para você?
Tabela 4: Questão 2 (Questionário Central)
Desses 9 funcionários, 3 consideraram como uma seita e 2 como religião. Já no Grupo 2 (ver tabela 5) 5 dos participantes responderam Religião e 3 como uma crença, e 2 como uma seita.
Tabela 5: Questão 2 (Questionário Central)
6
O que é o Candomblé
F
%
Grupo 1 Macumba
Seita
Religião
Crença
Cultura africana Não sabe o que é
2 3 2 1 1 1
20
30
20
10
10
10
O que é o Candomblé?
F
%
Grupo 2 Macumba
Seita Religião Crença
0 2 5 3
0 20 50 30
Quando questionados se conheciam algum praticante de Candomblé, no Grupo 1 (ver tabela 6) 5 conheciam alguém; já no Grupo 2, 3 responderam que sim.
Tabela 6: Questão 3 (Questionário Central)
Conhecimento de praticantes
F
%
Grupo 1 Sim
Não
5 5
50 50
Grupo 2 Sim
3
30

7
Não
7
70
No Grupo 1, do total de 10 entrevistados, 3 já tinham ido pelo menos uma vez a um terreiro de Candomblé. No Grupo 2, apenas 1 foi uma vez.
Dos 10 funcionários de serviços gerais, 1 já tinha lido algo de positivo sobre o Candomblé, e 4 participantes leram algo de negativo. No Grupo 2, 5 leram coisas positivas e 8 coisas negativas.
Só o entrevistado 4 (Grupo 1) já tinha lido ao menos uma vez um livro específico sobre o Candomblé e o entrevistado número 16 (Grupo 2) folheou uma vez. Os outros 17 entrevistados nunca leram. A partir das respostas obtidas pela última pergunta4 do Questionário Central, foram catalogadas as mesmas categorias da primeira questão do re Questionário Central.
Na categoria visões negativas (ver tabela 7) do Grupo 1, 4 pessoas consideraram o que viam como uma coisa ruim: "Quando se trata de bicho, eu nem presto atenção, quando é pra falar de Deus, sim" – entrevistado de 1. "Na televisão, um ritual, achei uma coisa horrível, quem faz isso não tem amor as pessoas, aos animais, nem amor a própria vida' – entrevistado 8. No Grupo 2, apenas dois entrevistados tiveram uma visão negativa sobre o que assistiu: "Quando era garoto, uma novela, na minha infância a minha família é muito católica e ela considerava isso magia negra" – entrevistado 15.
Tabela 7: Questão 9 (Questionário Central)
Visões negativas:
F
%
Grupo 1
Entrevistados de no: 1, 3, 8 e 9
4
40
Grupo 2
Entrevistados de no: 15 e18
2
20
4 9o questão: Você já assistiu programa(s) de televisão, novela(s) ou vídeo(s) na internet que tenham abordado o tema candomblé? Caso a resposta seja sim, o que você achou?
Na categoria visões positivas (ver tabela 8) o Grupo 1 apresentou 2 participantes favoráveis ao que já tinham assistidos: "teve uma novela que teve um negócio assim, que falava de Iemanjá. Achei legal, pra algumas pessoas passarem a entender, acho importante" – entrevistado 5. No Grupo 2, 1 aluno do mestrado obteve lembrança positiva sobre o que viu: "[...] Descobri um ritual com muitos adereços, muito bonito, e também bonito enquanto prática." – entrevistado de 17.
Tabela 8: Questão 9 (Questionário Central)
A categoria de visões neutras (ver tabela 10) revelou que no Grupo 1 apenas 1 foi imparcial: "[...] achei interessante, porque o Deus deles é o mesmo, só muda o nome" – entrevistado 6. Já no Grupo 2, 4 respostas foram neutras: "um vídeo, uma aula uma vez, eu me lembro de umas coisas, danças, não tenho nada a declarar." – entrevistado 19.
Tabela 10: Questão 9 (Questionário Central)
8
Visões positivas:
F
%
Grupo 1
Entrevistados de no: 4 e 5
2
20
Grupo 2
Entrevistado de no: 17
1
10
Visões neutras:
F
%
Grupo 1
Entrevistado de no 6
1
10
Grupo 2
Entrevistados de no:
11, 16, 19 e 20
4
40
DISCUSSÕES
Nota-se uma distinta variação de respostas entre os Grupos 1 e 2 no que concerne a 1o questão do Questionário Central. Enquanto o primeiro demonstrou 14 palavras e expressões negativas, o segundo, 10 palavras e expressões; no
que se refere às palavras neutras, a diferença foi exorbitante, enquanto os funcionários de serviços gerais abarcaram 11 palavras e expressões, os mestrandos contabilizaram 32 palavras e expressões. Diante disso, supõe-se que por estar no patamar de mestrandos, isso os faça camuflar suas verdadeiras culturas e ideologias. Já os funcionários de serviços gerais, sentiram-se mais a vontade para dizerem o que realmente pensam.
Constatou-se que independentemente do grau de escolaridade ambos os grupos apresentaram participantes que reconheciam a prática candomblecista como uma seita. Apenas 2 participantes do Grupo 1 a adjetivaram como religião juntamente com 5 mestrandos. Há ainda 2 participantes do Grupo 1 que a classificaram como macumba, e 3 participantes do Grupo 2 que a consideraram uma crença. Isso demonstra que socialmente não há um consenso sobre o que é verdadeiramente o Candomblé.
Na última questão do Questionário Central, os participantes puderam dar as suas opiniões sobre algo que assistiram referente ao Candomblé. No Grupo 1 ninguém se recusou a dar sua opinião, houve quem nunca tinha visto ou não conhecia; já no Grupo 2, 3 participantes só disseram o que assistiram, não revelaram a sua opinião. Novamente o Grupo 2 mantivera-se neutro.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Há de se elencar que alguns participantes, de certo modo, não contribuíram positivamente para o levantamento de dados, omitindo consideravelmente suas concepções acerca do tema Candomblé. Diante disso, pode-se afirmar que o objetivo desta pesquisa não atingiu significativos resultados.
O presente estudo possui algumas limitações, dentre elas, o número de questões abertas: só em duas os entrevistados foram convidados a explanar sobre o Candomblé, o que diminuiu a possibilidade de maiores conclusões sobre as opiniões dos mesmos.
9
Por fim, o que se pode seguir a partir dessa pesquisa é que há muito a ser abordado sobre o Candomblé, tanto sobre suas características quanto à opinião e a vivência das pessoas sobre o tema. Há certa carência na literatura científica sobre o tema, e isso reflete inevitavelmente na ignorância da sociedade.

REFERÊNCIA

REIS, Alcides Manoel dos. Candomblé: a panela dos segredos. São Paulo: Arx, 2000.

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