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I CONGRESSO NACIONAL AFRICANIDADES E BRASILIDADES 26 A 29 DE JUNHO DE 2012 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO VITÓRIA (ES)

Escrito por  Luciano Marques da Silva
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GT Africanidades e Brasilidades em Literaturas

 

Diário de uma solitária: Carolina, escritora negra e favelada

 

Luciano Marques da Silva

Orientação: Valeria Rosito, UFRRJ

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Instituto Multidisciplinar

Diário de uma solitária: Carolina, escritora negra e favelada
Luciano Marques da Silva, UFRRJ
6o período Licenciaturas de Port.-Espanhol
Orientação: Valeria Rosito, UFRRJ Profa. Adjunta Literatura Brasileira
Resumo: Este trabalho tem por objetivo analisar a solidão em Carolina Maria de Jesus em "Quarto de Despejo – diário de uma favelada". Discutiremos à luz de Joel Rufino dos Santos, a aventura existencial de Carolina que decide vivê- la sozinha. Sob a perspectiva de gênero, raça e classe social buscaremos as razoes que a levam a abrir mão de um companheiro, mesmo diante de uma vida na miséria da favela, catando e vendendo papel para garantir sua sobrevivência e a de seus três filhos. Procuramos selecionar um corpus que representasse as relações de amizade e as de afetividade a partir dos seus relatos autobiográficos. Queremos entender a relação dela com as vizinhas, numa relação com o feminino, e a relação com os companheiros ou possíveis pretendentes.
Analisar a solidão de Carolina Maria de Jesus é decompor, principalmente, suas relações afetivas, ou seja, fazer um exame do drama vivido em quatro relacionamentos com o sexo oposto, assim como interrogar sua relação com as mulheres da favela. A solidão é o estado do que está só, sem companhia. Carolina opta por esta, não comungando daquele ambiente onde ela não se sentia parte. Ainda assim, Rufino aponta sua natureza solidária:
Carolina foi uma pessoa solidário. Vivendo da boca pra a mão, se não saísse não ganhava e não comia; muitas vezes dividiu comida e roupa com os mais necessitados. Funcionou também muitas vezes como juiz de conciliação, conselheira dos vizinhos. (Santos, 2009: 115).
Joel Rufino desenvolve uma análise dessa aventura existencial de Carolina sob o prisma da solidão: "Sua aventura existencial ela a viveu sozinha. Seu martírio e glória, para depois se aquietar numa paz angustiada, não quis partilhar com grupo algum." (Santos, 2009,115) o escritor se refere aos grupos e movimentos, tais como o movimento negro e o de mulheres em que rechaçava, pois não se identificava com a identidade de negra pobre. Para Santos (2009) ela mesma traçava seu caminho pelo mundo e se colocava quase sempre do lado contrário ao da sua condição de mulher negra favelada sendo autônoma em relação ao mundo que viveu.
Podemos entender duas atitudes diferentes em relação à comunidade. A primeira diz respeito à atenção de Carolina para com sua comunidade, no que diz respeito ao socorro, ajuda e solidariedade. Por outro lado sua relação com as mulheres da vizinhança, em termos de amizade, luta e convívio social, essa relação era inexistente conforme podemos ver nas descrições acerca da fila para pegar água, em que Carolina evita o encontro com as mulheres da favela. Para isso tem que chegar bem cedinho à fila e evitar ouvir as fofocas que tanto desaprova em seus escritos: "Deixei o leito as 4 horas para escrever. Quando o astro-rei começou despontar eu fui buscar água. Tive sorte! As mulheres não estavam na torneira. Enchi minha lata e zarpei." (Jesus, 2006, 18)
Ao exclamar "tive sorte" podemos entender perfeitamente o distanciamento de Carolina para com as suas vizinhas. O verbo "zarpar" é utilizado dando um efeito de "sumiço" da fila, da possibilidade de ter que falar ou ouvir sobre a vida alheia. Coisa que não interessa à Carolina que está preocupada em deixar água para os filhos e sair para catar papel, voltar para casa e voltar a escrever. Em relação ao masculino, o diário de Carolina traduz sua percepção da incompatibilidade entre sua condição de escritora e uma vida conjugal: "Sua insistência em escrever, sua obsessão por cadernos e livros prova que a residência do ser humano é a palavra". (Santos, 2009, 20) E é através deste trabalho com a palavra que analisaremos as relações afetivas de Carolina.
A primeira razão desta atitude repulsiva em relação à vida a dois está na questão da violência doméstica. O casamento é objeto de suspeita que Carolina presencia todos os dias na favela. "A Sílvia e o esposo já iniciaram o espetaculo ao ar livre. Ele está lhe espancando. E eu estou revoltada com o que as crianças presenciam. Ouvem palavras de baixo calão." (Jesus, 2006, 10) Ela fala do cotidiano de violência doméstica a que muitas mulheres na favela são obrigadas a conviver. Também descreve a traição. Carolina rechaça ambas atitudes e por estes motivos não aceita conviver com um homem da favela. Carolina diz que tem nojo de presenciar estas cenas. "Eles brigam sem saber porque é que estão brigando. As vizinhas contou-me que a Odete jogou agua fervendo no rosto do seu companheiro. Hoje varios homens não foram trabalhar. Coisa de segundas-feiras. Parece que eles já estão cansados de
trabalhar." (Jesus, 2006, 69) Ainda em relação ao casamento institucionalizado, onde as relações de gênero são desfavoráveis ao feminino, o vício entendido como um desvio, e no caso aqui, o do alcoolismo, é próprio do gênero masculino. Esta é uma das questões que mais causavam horror em Carolina, a bebida e as brigas que surgiam daí.
A minha porta atualmente é theatro. Todas crianças jogam pedras, mas os meus filhos são os bodes expiatorios. Elas alude que eu não sou casada. Mas eu sou mais feliz do que elas. Elas tem marido. Mas, são obrigadas a pedir esmolas. São sustentadas por associações de caridade. Os meus filhos não são sustentados com pão de igreja. Eu enfrento qualquer especie de trabalho para mantê-los. E elas, tem que mendigar e ainda apanhar. Parece tambor. A noite enquanto elas pede socorro eu tranquilamente no meu barracão ouço valsas vienenses. Enquanto os esposos quebra as tabuas do barracão eu e meus filhos dormimos socegados. Não invejo as mulheres casadas da favela. (Jesus, 2006, 14)
Carolina tem orgulho de não ser sustentada por um homem. Também tem satisfação de não precisar do pão da igreja. Enfrenta as adversidades do dia-a-dia catando e vendendo papel. Sua independência e liberdade são troféus. Diz "não casei e não estou descontente. Os que preferiu-me me eram soezes e as condições que eles me impunham eram horríveis." (Jesus, 2006, 14) A utilização do termo "soez" implica a consciência das condições aviltantes que se agravam nas relações de gênero dentro da vida doméstica. Ao optar pela vida autônoma, Carolina reconhece na sua solidão, o caminho que tem que trilhar para alcançar uma vida mais digna, diferente daquela que presencia à sua volta. Carolina faz uma crítica aos esposos que se aproveitam de suas mulheres e empacam dentro de casa: "Os esposos quando vê as esposas manter o lar, não saram nunca mais." (Jesus, 2006, 18) Para a escritora estar com um companheiro assim é melhor não ter: "Não tenho marido e nem quero." (Jesus, 2006, 20) Não quer um qualquer, mas a vida de Carolina está repleta de oportunidades amorosas. "Ablui as crianças, aleitei-as e ablui-me e aleitei- me. Esperei até as 11 horas, um certo alguém. Ele não veio. Tomei um melhoral e deitei-me novamente." (Jesus, 2006, 9)
Carolina não quer comprometer este certo alguém. Ao fazer uso de uma classe gramatical do indefinido, ela estabelece uma relação entre a sua condição e a linguagem propriamente dita. "Um certo alguém" é incerto demais.
O nome não tem importância, o que é valorizado por Carolina está em outro lugar. Textualmente, a solidão está marcada desde o começo pela omissão do nome próprio masculino.
Em Quarto de Despejo há dez fragmentos de relacionamentos amorosos, porém debruçaremos nos quatro principais trechos impactantes em que Carolina dá um cuidado linguístico que nos possibilita tal cuidado. Há por exemplo o relacionamento com seu Gino que insiste que ela vá a sua casa. Escreve Carolina: "Seu Gino di que eu estou lhe despresando. Disse-lhe: Não! É que eu estou escrevendo um livro, para vendê-lo. Não tenho tempo para ir na casa de ninguem. Seu Gino insistia. Mas o meu coração não pede para eu ir no quarto dele." (Jesus, 2006, 25)
Fazer uso da frase "meu coração não pede" está estritamente relacionado com a questão autônoma com que ela prefere encarar sua vida. O coração não quer porque Carolina sabe o preço pago pelo feminino da relação entre gêneros.
O coração de Carolina bate pelo português Manuel. Ao longo de sua escrita este senhor aparece de alguma forma, namorando ou ajudando-a com as crianças. Ele deseja se casar, mas ela não aceita.
O senhor Manuel apareceu dizendo que quer casar-se comigo. Mas eu não quero porque já estou na maturidade. E depois, um homem não há de gostar de uma mulher que não pode passar sem ler. E que levanta para escrever. E que deita com lapis e papel debaixo do travesseiro. Por isso é que eu prefiro viver só para o meu ideal. Ele deu-me 50 cruzeiros e eu paguei a costureira. Um vestido que fez para a Vera. (Jesus, 2006, 44)
Mais do que não se permitir conviver com um homem o que Carolina não deseja é ter que parar de escrever para poder servir ao seu esposo. Neste fragmento encontramos a chave para a solidão da escrita feminina. A uma mulher não é delegada a função de escritora. A uma mulher negra, pobre e favelada muito menos. Lápis e papel ocupam o lugar do erótico. O homem está sendo substituído pelos instrumentos do ofício de escritora que vem em primeiro lugar. Joel Rufino (2009) alegava o lado marrento, inteligentíssimo de Carolina que se tornou uma escritora com só dois anos de escola, tornando-se
uma mulher interessante. Trocar um homem por lápis e papel é, para Carolina, tornar-se protagonista de seu destino.
Dentre todos os pretendentes o que mais agrada Carolina é o cigano Raimundo que tem um terreno em Osasco e o oferece em caso ela fique desabrigada com o fim da favela. Raimundo é bonito, gosta de conversar sobre música e arte. Principalmente, sabe ler, gosta de livros e sabe ser carinhoso com Carolina. É um pretendente que serve para casar, é o único com quem Carolina estabelece trocas simbólicas pela palavra, leitura e escrita, mas é andarilho e se recusa a permanecer na Canindé. Atitude que Carolina não entende. Há também um lado pernicioso e que ela vai perceber no olhar de Raimundo para com as meninas mais novas. É curioso como o cigano mexe com a emoção de Carolina que se vê totalmente envolvida com os filhos dele e no ambiente poético que criam. O que os aproxima de fato é uma troca mais profunda que ambos exploram um no outro. Gostam de ler, ouvir boa música e nos momentos que estão juntos compartilham situações em que Raimundo compara-se ao à imensidão do mar e a quentura do sol. Observe como as jogadas eróticas derivadas da troca poética, da rede de palavras trabalhadas de que o cigano se mune para conquistar sua pretendente.
Fui na casa de um cigano que reside aqui. Condoeu-me vê-los dormindo no solo. Disse-lhe para vir no meu barraco. Quando a noite surgiu, ele veio. Disse que quer estabelecer, porque quer por os filhos na escola. Que ele é viúvo e gosta muito de mim. Se eu quero viver ou casar com ele. Abraçou-me e beijou-me. Contemplei a sua boca adornada de ouro e platina. Trocamos presentes. Disse-me que se eu casar com ele que retira-me da favela. Disse-lhe que não me adapto a andar nas caravanas. Disse-me que é poetica a existência andarilha. Ele disse-me que o amor de cigano é imenso igual ao mar. É quente igual ao sol. Respondi-lhe que eu tenho uma vida confusa igual um quebra-cabeça. Ele gosta de ler. Dei-lhe livros para ele ler. (Jesus, 2006, 131)
Carolina sente-se muito a vontade com Raimundo: "Se eu estivesse sozinha dava-lhe um abraço. Que emoção que eu sentia vendo-o ao meu lado. Pensei: se algum dia eu for exilada e este homem indo na minha companhia, ele há de suavizar o castigo." (Jesus, 2006, 134) Sofre muito quando ele vai embora. Sente ciúmes de sua vizinha Rosalina. Rende-se a beleza dele que cega as mulheres e estas se iludem com rostos bonitos.
Disse-me que vai embora para a sua casa. E que se um dia a favela acabar, para eu procurá-lo. Fez o mesmo convite a Rosalina. Eu não apreciei. Não foi egoismo. Foi ciume. Ele saiu e eu fiquei pensando. Ele não estaciona. É o seu sangue cigano. Pensei: se algum dia este homem for meu, hei de prendê-lo ao meu lado. Quero apresentar-lhe o mundo de outra forma. (Jesus, 2006, 134 - 135)
Na relação de Carolina com o pai de seus filhos, encontramos fragmentos uma linguagem rica de significados. O pai é de classe empresária, não é identificado e quando Carolina é obrigada a requerer, junto às instâncias judiciais, uma pensão para a filha, ele aparece.
Eu estava ensinando contas para os filhos quando bateram na porta. Era o pai da Vera. Ele entrou. E perpassou o olhar pelo barracão. Perguntou: - Você não sente frio aqui? Isto aqui não chove? – Chove, mas eu vou tolerando. Você me escreveu que a menina estava doente, eu vim visitá-la. Obrigado pelas cartas. Te agradeço porque você me pretege e não revela o meu nome no teu diario. Ele deu dinheiro aos filhos e eles foram comprar balas. Nos ficamos sozinhos. Quando os meninos voltaram a Vera disse que quer ser pianista. Ele sorriu: - Então quer ser granfina. Ele sorriu porque os filhos dele são músicos. Quando ele saiu eu fiquei nervoca. Depois cantei. (Jesus, 2006, 150)
O pai da Vera é rico, podia ajudar-me um pouco. Ele pede para eu não divulgar-lhe o nome no diário, não divulgo. Podia reconhecer o meu silencio. E se eu fosse uma destas pretas escandalosas e chegasse lá na oficina e fizesse um escandalo? – Dá dinheiro para a tua filha! Ele deu 120 cruzeiros e 20 para cada filho. Ele mandou os filhos comprar doces para nós ficarmos sozinhos. Tem hora que eu tenho desgosto de ser mulher. Dei graças a Deus quando ele despediu-se. (Jesus, 2006, 156)
Através das frases: "ficamos sozinhos" e "tenho desgosto de ser mulher" pressupomos que o pai das crianças se aproveitava da miséria de Carolina, da qual participava com uma ínfima pensão para a filha. Esta prática é totalmente abominada por Carolina. É justamente contra a coisificação da mulher na relação íntima que ela se volta. Ela, ao dizer "desgosto", quer dizer muito mais. Desgostar de ser mulher é deixar de ser a mulher dos séculos passados, a mulher de sua época. "Tem hora que eu tenho desgosto" mostra facilmente que a hora em que escreve é gostosa. A hora que é violentada em sua dignidade de ser humano, essa sim é uma hora desgostosa, injusta e aquela que não quer para ninguém.
A solidão se reitera, como podemos ver, na proposta de Euclides, outro pretendente. Podemos perceber que na passagem que se segue, Carolina utiliza o verbo afastar. Ela enriquece nossa análise desta condição da mulher autônoma e quer distância deste tipo de relacionamento de submissão:
Fiquei pensando num preto que é meu visinho. O senhor Euclides. Ele disse-me: - Dona Carolina, eu gosto muito da senhora. A senhor quer escrever muitos livros? Mas a senhora não tem quem te dê nada. Precisa trabalhar. Eu vejo que a sua vida é muito sacrificada. Se a senhora quizer ficar comigo, eu peço esmolas e te sustento. É de dinheiro que as mulheres gostam. E dinheiro eu arranjo para você. Eu não tenho ninguém que gosta de mim... Eu sou aleijado. Eu gosto muito da senhora, a senhora tá dentro da minha cabeça. Ta dentro do meu coração. Quando ele ia me dar um abraço, afastei. (Jesus, 2006, 152 - 153)
Carolina se recusa a viver da esmola de Euclides, assim como não aceita as propostas de se Gino e do português Manuel. Nem tampouco o cigano Raimundo. Quiçá o pai dos filhos quem lhe causa desgosto e desprazer.
Em conclusão, a solidão de Carolina é duplamente qualificada. Ela não cumpre o papel de gênero integralmente, somente na qualidade de mãe. Num primeiro momento vemos a solidão de Carolina em relação ao feminino. Há duas nuances. Há os momentos de solidariedade com os que sofrem na Canindé. Mas em relação à identidade de mulher pobre, negra e favelada se afasta de sua comunidade, pois não quer se submeter ao código machista, ao contrário de suas vizinhas. Não quer conversar com as vizinhas, não precisa fofocar; o que Carolina deseja é escrever. E o convívio com essas criaturas da favela a distancia de sua meta que é trabalhar e escrever. Quanto à relação de Carolina com o masculino, apontamos que o cigano Raimundo se aproxima do poético e das artes. Outros tentaram aproximação, mas todos comprometiam sua condição de mulher escritora.
Carolina, em seu diário, deixa escancarada essa triste realidade da nossa sociedade cuja formação é também negra e africana. Carolina nadava contra a corrente. Imersa na Canindé luta para que seus escritos sejam publicados. Audálio Dantas a ajuda publicando sua obra e inserindo-a no universo literário brasileiro e no exterior. Consegue sua tão almejada casa de alvenaria. Poderia ser a história de qualquer mulher brasileira das classes
pobres, negra, semi-analfabeta, favelada, sofrida com tantas que existem no Brasil afora, se não fosse, como diz Joel Rufino, um detalhe – a paixão pela leitura e pela escrita e afirma que não é difícil amar a palavra quando se é instruído, difícil é amá-la irrestritamente quando não se passou do curso primário. A solidão, portanto, se explica pela sua condição dupla de mulher negra e escritora.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 8.ed. São Paulo: Atica, 2006.
SANTOS, Joel Rufino dos. Carolina Maria de Jesus: uma escritora improvável. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.

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