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VIVENCIAS TRANSCENDIDAS IN "DEGRAVATA" DE Carmo Neto

Escrito por  Jimmy Rufino
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Marcados por vivencias de actos e falas contemporâneas, numa conjuntura interpenetrada em diversas temáticas, realidades e respectivos planos sócio-antropológicos, eis que, pela via do conto, somos surpreendentemente transportados ao plano transcendental de realidades dialectizadas e multefacetadas em historias de homens, num espaço de rotas e vivencias reencontradas.

Toda uma historia incrustada em estorias factuais, impregnadas também de casualidades que, por sua índole, reconfiguram o ser colectivo do existir de um povo diverso mas também único; Reunido numa amálgama de viagens e de vencialidades feitas realidade social imanente, em cujo traço e espaço os homens, feitos recriadas palavras e emoções, esculpem as mantas e as redes figurais do seu substracto maior, a própria vida vivida e acontecida; com os rostos e os signos das suas caminhadas, e os rastos e os trilhos das suas crenças mais imanentes; num corolário de estoriados enredos, subjacentes em contos, estórias e crónicas, intercaladas numa extensa prosódia ao longo da qual, a narrativa assume-se o grão mestre da respectiva textualidade.


Apesar das delongas que caracterizam os seus períodos criativos (sic..), eis que, Carmo Neto, revela-se já, entre poucos dos seus coetâneos, um apaixonado e costumaz feitor da crónica, na linhagem criativa da narrativa e do conto popular Angolano, numa intencional e inevitável perspectiva da ligação entre a ruralidade e a urbe, entre o popular/ rural e o popular/moderno; numa cinética figural, existencial e factual em que o tempo e o espaço, semioticamente congeminados, comungam uma tecida malha literária conbstanciada em escrita estribada em fecundo misticismo, pulsando um inebriante realismo fantástico, ora casado aos ditames ambiencienciais da tradição eminentemente rural, como norteado por uma dimensionada cosmovisão dos processos sociais populares urbanos, interpenetrada em cálidos diálogos vivenciais em que, tradição e modernidade, resultam nesse perfumado acontecer sociológico de que a literura Angolana se sai plenamente engrandecida.


Numa demarche estética meramente Oralista, uma lupa estética que alias lhe é peculiar, establecendo-lhe uma ponte pendularmente antropológica, a narrativa de DEGRAVATA, viaja pelas órbitas da antropolgia popular e da cosmopolia urbana; o autor anda pelas bandas de uma visão religiosa desse interpenetrado mundo, cujos existires, espaços e dinâmicas , de modo insuspeito, cristalizam uma cena artística de fecundas transcendências sócio-culturais, marcadas por abruptas rupturas conjunturais, clivagens e exuberantes contradições éticas, entre outros catarses vivenciais; Carmo Neto faz do seu texto, um painel gráfico de "intensas rebuscas colectivas", através de exercícios psicologiantes e pedagógicos de escrita bilingual, ingredientando um exercício artístico em cujo caudal, o povo retrata-se ao sabor das suas superstições e ansiedades, e ao ritmo das suas preces à liberdade, promovendo também a sua faceta singular de actor colectivo, cuja responsabilidade central, é ser percursor do seu multifacético existir, na senda das necessidades existenciais mais sagradas ao seu devir. Trata-se pois, de um exercício literário densamente fiél a uma escrita despropositada e despretensiosa, no cerne de cujos relevos, os valores e marcas da narrativa e a fala, como um todo existencial, eregem a realidade social, com a relevância da sua pulsante personalidade cultural, efabulando, com rotundo humor, os valores do seu existir, num entrecruzar de quotidianos muitas vezes interrompidos e descomprometidos, entre rotas de infâncias perdidas e sonhos roubados, pró caldo de utopias em cujos banquetes muitas esperanças se foram fatidícamente conglomerar. .. E aqui, a critica,veladamente insubordinada, no regaço das falas e linguagens populares, entre magnos juízos de sabedoria, tais gurus do tempo volátil e ontológico, se instituem e se projectam palavra vivas, vigorosas, entre falas de relevos coloquias, entre cromatismos multi-étnicos e pluri-sociais; em cujas vitrinas se entrevê, com inigualável vitalidade, o dia das vitórias supremas, comum aos genuínos destinos da fé colectiva...
DEGRAVATA, reporta-nos pois, de modo intencionalmente irónico e lúdico, a densidade sociológica do nosso existir colectivo, em condições históricas muitas vezes, ou quase sempre, coercivas à uma paz social que felizmente, ainda se hospeda nas falas, nas canções, nos amares e nos aromas deste povo grandiloquente, e com uma vocação histórica singulares. Por conseguinte, eis um retrato textual das irmanadas vozes, que caracterizam as caminhadas colectivas de um povo, conhecedor dos idiomas e das luzes necessárias, para iluminar as buscas dos seus desideratos ontológicos. Em suma, em DEGRAVATA, está o mesmo povo reunido, num encontro de velhas conversas, entre novos mahêzus e velhos jisâbus, que o autor, pela via da anedota e de um cronismo narratívico, promove estórias de bem querenças vivencias que poderão, de registada marca, ser incluídas no galarim das vozes escritas que se referem ao magno curso das nossas verdadeiras contemporaneidades...

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