Octaviano Correia
“Soba Ganja sentiu ao acordar que o angariador já vinha a caminho. Chegara a hora de se cumprir o que se escrevera na sua vida. Durante a noite, ao ouvir o tiroteio e os rebentamentos na cidade longe, sentira isso como um ente palpável. Vivo. Saltou da esteira. Atirou-se para o chão com o Kambrikite feito rodilha e levantou as tábuas que serviam de tarimba. Puxou a moamba de landoves que trouxera com galinhas compradas no Ferreira da Chimbemba. Embrulhando em trapos e cartões da loja do Marta, estava o canhangulo.No escuro sentiu a presença da velha arma há muito escondida. Pegou-lhe com uma carícia. Diante dos seus olhos raidos da cangonha passou num relâmpago fugaz da infância a figura do bisavó, soba muila do Jau, empunhando o bacamarte, rechaçando remotos invasores diante das muralhas do Leo”.
