Bio Quem

Dario Melo

“O professor era, como se sabe, um rapaz de ideias um-tanto-ou-quanto... mas útil. Como bibelot que não serve para nada, mas enfeita, dá gosto, quebra a monotonia. Ou melhor: prova evidente que não é por muitas universidades que as pessoas aprendem mais. Eles ( o intendente e o fazendeiro) com o aprendizado da vida, fechavam-lhe a boca num ai. Porém, o professor, por muita que gostasse de entrar numa boa discussão de direitos e deveres (em que se metia, quixotesco, argumentador e algumas vezes, um tudo-nada inconveniente) desta vez fazia de contas... Como se a aprovação não fosse com ele”.

In Aqui, mas do outro lado - Página 33

Natural de Benguela, Dário de Melo foi professor, inspector escolar, radialista, gerente agro - pecuário, funcionário do Ministério angolano da Informação, editor, cronista e escritor. Como se diz: é um pouco de tudo e, possivelmente, nada de coisa alguma. Da sua vida faz o seguinte balanço(também já foi guarda livros):

“Com 67 anos de idade, embora se desgaste, é velho. Como não tem dinheiro, embora se lastime, é pobre. Sem emprego fixo, embora se compadeça, está tecnicamente desempregado.”

“Mas o certo é que havia o outro - o rei preto. Tudo o resto, desde o filho de Deus, até mesmo o próprio Heródes, ao Judas, a Pilatos, eram brancos. E quando a gente se punha a esfregar as mãos de contentamento(que afinal, não era nosso o pecado de o ter morto, vinha o padre logo ali a explicar: que não fora um povo, uma raça que matara Cristo. Mas todos os povos e todas as raças, todos os homens e todas as mulheres, antes e depois de Cristo, nascidas e por nascer. Sendo assim, ficara unicamente a que glória do rei preto: entrara no presépio por um lado e logo a seguir desaparecera, no esquecimento do Evangelho. Regressara às profundezas incivilizadas do mato? Esquecera o manto e a realeza? Trocara o esplendor e a glória pela tanga? (Ele ouvira um caso, contado não sei por quem, que era a história de um preto médico que quando chegava a casa tirava o fato e punha a tanga, comia com as mãos e dormia no chão numa esteira...”

Como Jornalista, Dário de Melo tem trabalhos dispersos e foi director da Voz do Bié em 1972, em 1983 dirigiu a Tveja, Revista da Televisão Publica de Angola, fundada por Rui de Carvalho. No ano de 1991 foi director do Jornal de Angola, posteriormente passa para o Correio da Semana, semanário económico que fundou com Manuel Díonisio. No ano de 1992, após assassinato no Huambo dos fundadores do jornal “Jango”, assume a direcção daquele jornal.

Como escritor, tem editado para crianças e jovens, tem dezoito títulos, o último dos quais , “As sete vidas de um gato”, foi prémio PALOP 98 de Literatura infantil do fundo bibliográfico de Língua Portuguesa.

Publicou ainda um livro de poesia, “Onda Dormida”, e tem no prelo um volume de crónicas que ficarão disponíveis na Internet.

Para Adriano Vasconcelos, poeta, editor e empresário, a escrita de Dário de Melo "Prende-nos pela elegância e plasticidade, tem em grande dose o detalhe que nos oferece a efervecência da vida. Eu que tenho um medo atroz de viajar de avião, pude nesse estado de tensão e ansiedade, como quem necessita de uma bóia para não se naufragar, tive o gosto de ler e reler o conto intitulado "o Bigode". Recortei o conto editado na revista da Taag, com muito orgulho falei para os meus botões: é um grande conto que pode enriquecer o imaginário de qualquer País".

"Pegou na fotografia e saiu da penumbra do quarto para a sala. Abriu as cortinas. Echarcou-se de claridade we reparou: "...são espantosamente parecidos. Só lhe falta o bigode." Meteu a moldura na pasta, sem saber bem porquê e foi sentar-se à mesa. A mulher veio da cozinha, com aquele ar cheio de cuidados que tomava de manhã, sempre que se zangavam. "Mas afinal eles tinham-se zangado? E porquê?" Deu um bom dia seco e distraído: sabia que a mulher ficaria a pensar que ele ainda continuava magoado..."

Extracto do conto "O Bigode", in Revista da Taag, Setembro 2002.

Dário de Melo, tem últimamente sido chamado para apresentar os livros que têm marcado a vida editorial de Luanda, é membro fundador da UEA, e, actualmente, exerce o cargo de Presidente da Assembleia Geral da União dos Escritores Angolanos (UEA), e o seu mandato corresponde ao biénio - 1992/1994).

 

Informação Adicional

  • Nascido em: 1935-12-02
  • Naturalidade: Benguela
  • Gênero literário: Prosa

Contacto

AV. Ho-Chi-Min, Largo das Escolas
1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

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