António João Manuel dos Santos, nasceu em Luanda, aos 14 de Novembro de 1963. Fez os estudos Primários na Escola Primária n.º 83 em Luanda, e a Instrução Básica ( IIº e IIIº níveis) na Escola Njinga Mbandi, também em Luanda. O Curso Médio de Educadores Sociais fê – lo no Instituto de Ciências Religiosas de Angola I.C.R.A. Actualmente é estudante do 1º ano da Faculdade de Direito na Universidade Agostinho Neto.
“Como falar de amor
Se a minha vizinha me xinga
Quando me vê confidenciar com o pôr- do- sol?
(Ela diz que eu tenho a mania de ser poeta)
como falar de amor
Se assistimos impavidamente
Ao enlouquecimento da compaixão?
Como falar de amor
Se o abecedário da reciprocidade está hipotecado?
Como falar de amor
Se há tanta tanta pedra
A dificultar-nos a caminhada?”.
In Quando o Sol Nascer Comum – Página - 35
Membro da Associação dos Educadores Sociais de Angola, da Associação Angolana dos Deficientes Ex- Militares- AMMIGA, Vice – Presidente da AMMIGA desde Setembro de 2001 e da União dos Escritores Angolanos (UEA), já publicou as obras: Quando o Sol Nascer Comum- Menção Honrosa do Prémio Literário António Jacinto em 1995 e A Erosão do Fogo em 2002.
Sobre a obra de Sapyruca, o escritor António Gonçalves diz “a Poesia é necessária ao homem como o pão de cada dia” conforme sentenciou Jonas Negalhas; e é precisamente o que nos diz Sapyruca, nesta proposta poética que temos a grata honra de apresentar, pronunciando, como profecia, a um alvorecer comum. A necessidade de harmonia, para garantia do equilíbrio universal é verdade, “a arma de defesa” e, consequentemente, “a de ataque” da nova geração que Sapyruca vem engrossar. “Quando o Sol Nascer Comum” transporta em si o canto á Pátria, fazendo-se porta- voz das aspirações sublimes dos estratos mais desfavorecidos de um povo sofredor que suplica a existência de um “espaço/ tempo sem noite nem noctívagos “ onde “ a claridade no horizonte “ não “ n´gombele a madrugada da consciência...``. Um ponto profundo apelo á Justiça e á Igualdade. Deste modo, Sapyruca entra para o mundo das letras, numa caminhada que se prevê difícil, mas que os poetas de gema têm sabido corresponder. Auguro sucesso ao nosso amigo e companheiro”.
Para o escritor Jimmy Rufino, a poesia contida em Erosão do Fogo, segunda obra poética de Sapyruka: “ representa perfeitamente a equação conceptual à altura da realização dessa descoberta humana; o lirismo filosófico e o romantismo fatal. São esses dois veículos de abordagem e de tecelagem temático – conteudística, tais proteínas de qualquer renascimento, que promovem e conduzem o discurso do poeta ao longo do livro Erosão do Fogo. Um fogo que compreende as falas e as preponderâncias de uma erosão. Que conhence as lavas da sua orgástica, que aqui, através da poética de Sapyruka, conhece um simbolismo de redobra valência filosófica e psicológica, se atender ao desígnio segundo o qual o discurso implícito e reinventadamente desenrolado no primeiro grupo de poemas, encara um lirismo do género indagador, de descoberta individual; uma tentativa de monologar as viagens múltiplas e emoções tantas já pelo autor vividas. Uma partida de si mesmo ao encontro ou á busca do seu outro eu, que parecendo aproximar – se, afasta – se permanentemente. Como remate, o escritor/ jornalista considera a Erosão do Fogo “ testemunha a verdadeira canção da vida, que é o amor, despido de pudores excelsos e de moralidade puritanas, alicerçada numa visão vivida e real do acontecer humano. Sapyruka, nesta sua novel obra poética, faz um auto de plena fidelidade a um modelo de vida que não adultera nem enferma os sentidos e as acepções próprias da vida, e que faz do amor a sua própria bússola inicial e terminal. A Erosão Do Fogo retracta uma vida descaradamente aberta aos desígnios do amor que fazendo parte de todos os desígnios da vida, faz festa e faz cataclismo de uma paz permanentemente ameaçada pelo homem que dando azo predominante à sua faceta animal, engendra barragens para a gesta da morte e do ódio”.
