Bio Quem

Conceição Cristóvão

"aquilo que meus olhos captam
é leão adormecido nos passos
dados á laia de novas equações
para velhas matemáticas
aquilo que meus ouvidos calam
é dor lancinante de fogos esparsos
luzindo em nossas orações
oiros alheios às musas míticas
aquilo que meu olfacto (des) diz
algo que o sol se esqueceu de acariciar
num ténue sussuro a desmaiar
cores que perderam já o lustro do verniz
aquilo que meu paladar morde
num ronco de harmonia contra
diz guerras: voa nos olhos do mundo
in feliz por'indo não saber andar
aquilo que meu tacto não soube deixar
ao longo dos dedos
fluir na poesia:
sentidos implícitos da vida cansados
ausência de um sexto sentido
ao fim e ao cabo".

In Amores Elípticos (Entre o Amor e a Transparência), Página 21.

 

Conceição Luís Cristóvão, ou simplesmente Conceição Cristóvão, nasceu em Malanje a 04 de Junho de 1962. Formado em Engenharia, é Consultor e Docente na Universidade Agostinho Neto, tendo nesta qualidade organizado e dirigido projectos e estágios académicos de fim de curso, dentro e fora do País.

"quando era mais novo/deleitava - me só rindo no meu choro/ abraçava meus sonhos/ e estancava rios em mim/ com os cinco dedos - abertos - / da mão direita/ a esquerda guardava - a eu/ no fosso roto das horas/ a esquerda guardava futuras ilusões/ acabei com o vício:/ beber meus delírios/ pelo cálice e boca de terceiros/ agora a coisa é outra: - limpo das margens das veias/ o gosto restante da bílis. e o sangue agu/a)do/ e cá do topo dos meus ligeiros 100 anos - por fazer/ suporto a fragilidade da vida/ lento, rumino grave mente restos/ que a electrónica dos beijos em mim gravou:/- flamulas para um velho sonho/ que renasce agora na pena do poeta/ no fogo das lágrimas incinera - se/ o triste fim que se me reserva".

In Amores Elípticos (Entre o Amor e a Transparência), Página 75

Membro da União dos Escritores Angolanos, da Ordem dos Engenheiros de Angola, foi igualmente membro da Brigada Jovem de Literatura, da qual exerceu durante quatro anos, o cargo de secretário Geral.

Deputado á Assembleia Nacional, CC, antes da sua actividade política foi, Presidente da Associação dos Alunos do Ensino Médio (Huambo) , Secretário Nacional para o desporto, Cultura e Recreação da Associação dos Estudantes do Ensino Superior, 2º Secretário Nacional e posteriormente 1º Secretário Nacional da JMPLA. Em Julho de 1996, juntamente com outras figuras políticas nacionais, nomeadamente: Kundi Payhama, Lúcio Lara, Coelho da Cruz , Paulo Jorge e Dino Matross, foi condecorado pelo conselho de Estado Cubano.

Para Lopito Feijó, Conceição Cristóvão " é um autor seriamente apostado na inclusão do seu nome, por via da versificação, no rol dos adultos vates angolanos cujas referências datam da primeira metade do pretérito século. "... um poeta de bom verso, de corpo teso e terso e também possuidor da apetente e típica hambre de picasso". "... autor de um exercício poético aturado e amadurecido pelo coração sagrando entre os diálogos do silêncio e da morte..."

AMORES ELÍPTICOS, é praticamente a confirmação da afirmação na continuidade da obra de estreia . Notamos - lhe, mesmo a vista desarmada, uma inteligente estruturação da palavra poética ..." mais adianta: "Conceição Cristóvão, como dissemos já noutro contexto é dos autores dos anos 80, o que melhor alia a política a poética". Lopito Feijó descodifica o estilo de C.C. e avança a identificação desses elementos estéticos: "Na agressividade metafórica de um intenso intimismo entre o tempo e o espaço e tão bem entre o gesto e o verso, a poética deste nosso correligionário pretende - se, não raras vezes , humidamente satírica para governo dos seus leitores. Também, um notório trabalho lexical, indiciando o seu apurado sentido de escolha, oferece ao volume uma vistosa dose de experimentalismo poético que traz - nos por vezes á memória belos versos da um conhecidíssimo autor português. É ele E. M. de Melo e Castro." E para situar a temática de C.C, Lopito Feijó considera o seguinte: "Na família poética do nosso jovem autor encontramos propostas que desde os idos de 40 ao limiar do século XXI, somente souberam engrandecer os motivos estéticos e éticos de uma literatura cujo corpus é hoje, indubitavelmente , uma realidade saudável".

Para Jorge Macedo, escritor, jornalista, ensaísta e etnomusicólogo, Conceição Cristóvão "como simbolista subscreve linguagens figuradas, de sentidos encobertos cuja descodificação induzem o leitor a patamares semânticos que a teoria literária designa por significação segunda, isto é, um conjunto de significados que é preciso ler nas estrelinhas. A qualidade de um escritor em geral e de um poeta em particular afere - se a partir da paixão que ele tem pelo fascínio das palavras, pela riqueza das significações. Significações estas originais que lhe permitem a sensibilidade e o talento. Com conhecimento da causa, Cristóvão subscreve a constatação do linguista brasileiro, J. Mattoso Câmara Jr., que na sua obra intitulada Princípios de linguistica Geral, afirma: «na literatura a linguagem está na própria essência da actividade cultural artística». Com efeito, é consciente e ciente desta regra de oiro que o poeta da Idade Digital do Verso intitula o primeiro capitulo da obra em apreço, «Metalinguar a palavra (sinais. homenageando silêncio e palavra)», (pp. 28 - 52). Sendo «matalinguar» «a arte de trabalhar artisticamente as palavras no quadro das significações que o escritor pretende inculcar - se a si próprio e inculcar aos seus receptores»... Não sendo práxis do poeta a prática da arte pela arte, em Idade Digital do Verbo várias inquietações o assaltam. A primeira reside na sublimação do verbo estético, a que já fazemos referência, ideal que consagra lídimo artífice das Belas Letras. O segundo tema por si eleito centra - se em preocupações políticas , que astem todo bom patriota" Sobre o hipotético conflito de gerações, João Melo diz que: "Conceição Cristóvão - á semelhança, aliás, de alguns outros autores da chamada Geração de 80 - dialoga conscientemente (mas sem precisar de mencioná - los) com os escritores angolanos anteriores, sobre tudo dos anos 50 e 60, de quem rejeita, principalmente, a tendência excessivamente discursiva, naturalmente esgotada, até mesmo do ponto de vista ideológico ("a igualdade / é mera estética de silêncios"). Assim, ele opõe ao verbo derramado e prolixo a contenção e a nudez do signo, que, dá ele a entender, programaticamente (?), "agora é o verso". Aparentemente, portanto, à poesia bastará utilizar metalinguisticamente a palavra, para revelar todo o seu infinito encanto. Conceição Cristóvão não hesita, inclusive, em declarar que "quando se dinamita o verbo/ explode o verso". Nos 56 poemas de Idade Digital do Verso, a palavra "silêncio" é utilizada trinta vezes, são contas do Poeta João Melo, que sobre a "obsessiva tendência" , tem as seguintes considerações: "Assim, á primeira parte (Metalinguar a Palavra) corresponde o silêncio como metáfora metalinguística ("o poema é amor e silêncio á mistura", "a palavra. / sangrando silêncios", "(...) palavras/ a derramar sobre a terra húmida/ todo este silêncio cósmico", etc.). O silêncio como metáfora social e política corresponde à segunda parte do livro (kingungu a Njila, Minha Fénix), como se pode ver em alguns versos("|...| ruas frias e nuas/ onde coabitam lixo e luxo/... destas paredes de silêncio", "|...| igualdade/ é mera estética de silêncios quadrados", "a vida é silêncio de agulhas e espadas", "leio surdas vozes retidas em seu silêncio sofrer"). Enfim, a terceira parte do livro(confissões eróticas) corresponde à utilização do silêncio como metáfora intimista, pois parece pacifico que, pelo menos para a poesia , a linguagem do amor, do encontro de dois seres que se amam e do gozo que só eles são capazes de viver é perfeitamente compatível com o silêncio. Afinal de contas, "audíveis silêncios visíveis deslizam/ na subtil curva da guitarra da mulher", "Eros/ germina uma flor/ a fingir o longo silêncio" e "a língua/ são sensações de asfixiado fogo/ quando toca a raiz húmida e erecta/ do silêncio".

Informação Adicional

  • Nascido em: 1962-06-04
  • Naturalidade: Malange
  • Gênero literário: Poesia

Contacto

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