Bio Quem

Jofre Rocha

“Que mais dizer – te,
Meu amor perdido?
resta – me apenas agarrar
essa réstia de luar
sinfonia a bailar em esperança
Que sempre recordo com saudade”

In 60 Canções de amor e Luta – página 52

Jofre Rocha, pseudónimo literário de Roberto António Victor Francisco de Almeida, nasceu em Icolo e Bengo , a 05 de fevereiro de 1941.

Fez os estudos primários na Escola da Missão Evangélica em Luanda, ingressando depois no Liceu Nacional Salvador Correia, na mesma cidade, que frequenta de 1952 a 1961.

Em Junho de 1961 é detido pela PIDE á sua chegada, no aeroporto de Lisboa, permanecendo nessa situação na Cadeia do Aljube até Setembro do mesmo ano, data em que é recambiado para Luanda, sempre sob prisão . Cumpre assim um período de prisão sem culpa formada, que se prolonga até Fevereiro de 1963.

“Vida das pessoas é assim mesmo. Pessoa ás vezes faz uma coisa sem poder pensar que essa coisa vai dar muita volta, vai esticar tanto até dar uma maka grande que vira a vida da gente. Como uma chuva que está ainda começar com gotas pequeninas, que começa ainda trazer alegria na cara dos monandengues, sem ninguém poder adivinhar nessa chuva pequenina a chuva grande que vai fazer cair o barro das cubatas e estragar a semente nas lavras, é assim também outras coisas que vêm na vida das pessoas...”

In Jofre Rocha – Estórias do Musseque”

Em 1970, matricula-se na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (não havia na altura Faculdade de Direito em Angola ), estudando o 1º ano como aluno á distância ... por dificuldades várias acaba por desistir. Em 1989/90, conclui em Luanda a licenciatura em ciências sociais .

Aquando da conferência pronunciada na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em Setembro de 1984, Jofre Rocha teve ocasião de referir o seguinte: “ O inicio do século XIX caracteriza – se por uma marcada penetração capitalista mais acentuada na colónia de Angola. Em 1906 foi criado o imposto de trabalho, que veio sobremaneira tornar mais difícil a vida dos camponeses, forçando – os a assalariar – se. Por outro lado, para que os monopólios pudessem assumir integralmente a sua actividade de exploração dos recursos de Angola e assegurar os interesses de Portugal, o governo colonial tomou medidas tendentes a eliminar a burguesia local, afastando – a também dos postos da administração e da economia. Essa conjuntura política provocou a agudização da luta entre a colonização e o colonizador, reflectindo – se também na imprensa. Origina – se aqui um protesto colectivo de intelectuais angolanos contra um artigo ultra – reaccionário publicado na Gazeta de Loanda, em 1909. Esse protesto intitulado “ A voz de Angola clamando no deserto” assume um caracter combativo e constitui um libelo polémico e bem documentado a favor da situação do colonizado, onde se verifica já uma tomada de posição nacionalista e a aspiração pela dignificação do homem angolano. Os primeiros textos da poesia angolana que se conhecem, abordam a temática lírico – sentimental, tecendo sobretudo à terra à beleza da mulher africana.”

In Literatura Angolana ontem e Hoje – 1984 – Página – 9.

Membro do MPLA , após a Independência do país em 1975, foi chamado a desempenhar vários cargos tanto no governo como no seu partido. Só para citar alguns: Director – Geral do Ministério das Relações Exteriores, Vice- Ministro das Relações Exteriores, Ministro do Comércio Externo, Ministro do Planeamento e é desde 1996, Presidente do Parlamento angolano.

Membro fundador da união dos escritores Angolanos, teve colaboração dispersa em vários órgãos nacionais e estrangeiros, figurando no cancioneiro “Angola, Poesia 71” e nas antologias “Poesia Angolana de revolta “, de Gluseppe Mea, “ No Reino de Caliban” , de Manuel Ferreira (// Vol.) “ Os Anos da Guerra “, de João de Melo, “ Manguxi da nossa Esperança “, Caderno Lavra e Oficina nº 26 , dedicado a Agostinho Neto , e “ Poemas a la Madre África “, de Xosé Lois Garcia. Figura ainda na obra “ Angola – Encontro com Escritores, de Michel Laban e antologia “ Poesia da África ao Sul do Sahara, editado pela UNESCO . No período de 1978, em que deixou de publicar, foi director da Revista “ NOVENBRO. É autor de várias obras literárias, entre elas: Tempo de Cicio – Cadernos Capricórnio, Lobito – 1973, Estórias do Musseque – Edições 70, Lisboa – União dos Escritores Angolanos 1979, Colecção 2k – 2ª Edição, União dos Escritores Angolanos – 1979, Editora Ática – São Paulo, Brasil – 1970, Assim se Fez Madrugada – Edições Asa, Porto – 1977, Estórias de Kapangombe – Caderno Lavra e Oficina Nº 13, União dos Escritores Angolanos – 1978, Crónicas de Ontem e de Sempre – Caderno Lavra e Oficina Nº 47 – União dos Escritores Angolanos – 1984, Estória Completa – Caderno Lavra e Oficina Nº 56 – União dos Escritores Angolanos – 1985, 60 Canções de Amor e Luta – Edições Asa, Porto Portugal. Entre Sonho e Desvario – Caderno Lavra e Oficina, 1985.

Sobre o escritor, o poeta António Jacinto escreveu: “Jofre Rocha, revela a mesma posição face aos problemas do povo angolano, revela a mesma força telúrica e o mesmo patriotismo. Militante enquanto homem, permanece militante enquanto poeta. E acrescenta um novo e oportuno vigor à poesia, abarcando o internacionalismo que a militância impõe. Com homens, militantes e escritores como Jofre Rocha, «Assim se faz (e vem fazendo) Madrugada».

Para Aires de Almeida Santos, Jofre Rocha: “ Caminhava no trilho aberto pelos “Mais Velhos”, sem vacilações. No decorrer dos anos, ele, que vinha cumprindo uma trajectória corajosa dentro da Revolução, conseguiu sempre ocultar essa coragem por detrás de uma modéstia insuspeita, um cabaz de sorrisos para todas as crianças, inflexibilidade de princípios e muito amos. Recordo desse tempo, que Jofre Rocha sempre se manteve apegado ao estudo. Lia tudo, aprendia tudo. Tinha a certeza de que, o que hoje aprendesse, amanha seria útil, a si e ao seu povo, principalmente ao seu povo. Pires Laranjeira, professor Universitário e crítico literário português, opina da seguinte forma, sobre a geração poética de Jofre Rocha: “Quatro poetas no ghetto angolano, numa viagem de década, publicam alguns livros que, circulando com bastantes dificuldades (directas, com tiragens reduzidas), se impõem com discursos poéticos novos – um discurso poético novo - de diferente , portanto da mensagem ou da cultura. João Maria Vilanova; Vinte Canções para Ximinho – 1971, Ruy Duarte de Carvalho, Chão do aperto – 1972, Jofre Rocha; Tempo de Cício – 1973, David Mestre; Crónica do Ghetto – 1973. Estes são os livros que, no inicio dos anos 70, tempo que antecede o 25 de abril, foram publicados em Angola, com um real valor de inovação.”

Informação Adicional

  • Nascido em: 1941-02-05
  • Naturalidade: Icolo e Bengo
  • Gênero literário: Poesia, Prosa

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