Bio Quem

Ndalu de Almeida

"A minha província chama - se Luanda. Ainda bem que os portugueses não mudaram esse nome também, porque há outras capitais de províncias como o Huambo, o Lubango e o Kuito que tinham outros nomes antes da independência. Vou - te explicar: por exemplo, o hospital Maria Pia, chama - se Josina Machel, mas há muita gente que ainda diz Maria Pia por causa desse tempo antes da independência em que as ruas, as províncias e até os hospitais tinham que ter nomes portugueses , isto já para não falar nas pessoas, que só podiam se chamar Pedro, João ou Afonso, não podia ser Luati, Kaiato ou Dembo. Nunca percebi bem isso, eu acho que dava muito menos trabalho eles aprenderem a dizer os nomes que já encontraram nas terras dos povos, do que estar a pôr nomes portugueses em tudo" In Angola a Festa e o Luto - Página 167.

Ndalu de Almeida (Ondjaki, nasceu em Luanda em 1977. No ano de 1996, faz um curso intensivo de escrita criativa e é, pelo conto que se inicia mais seriamente na escrita.

Frequentou em Lisboa, um curso de escrita criativa, que segundo Ondjaki "por ter encontrado um professor sério e comprometido com as magias da literatura", foi um marco na produção dos seus textos.

"Ás vezes apetece - me só escrever, nem penso no porquê. A camarada professora de português diz que isso é bom porque depois fica mais fácil escrever as redacções. Hoje vou te falar um bocado da minha escola, depois da minha cidade e depois do meu país. Posso? Eu gosto das aulas, acho que se aprende mesmo muita coisa. E a escola é um sítio engraçado, não percebo como é que há miúdos que não gostam da escola. Para além das aulas gosto dos intervalos e de todas as outras actividades, por exemplo, de manhã fazemos formação no pátio, cada turma uma fila. Depois, em sentido, cantamos o hino e dizemos palavras de ordem. Eu já ouvi dizer que há países que os miúdos não fazem formação, não cantam o hino de manhã e não limpam a escola, não sei que graça é que tem essa Escola".

In Angola a Festa e o Luto - Página 166.

É autor de três obras literárias, nomeadamente: Momentos de Aqui, Bom Dia Camaradas, Actu sanguíneo, Mensão Honrosa do Grande Prémio António Jacinto, Edição 2000, e O Assobiador, livro lançado na Póvoa de Varzim, em Maio de 2002. Frequenta, presentemente, em Lisboa, a licenciatura em Sociologia (ISCTE).

Sobre a sua obra, Bom dia Camaradas, publicada em janeiro de 2001, a escritora Ana Paula Tavares, fez a seguinte análise: "Eeste livro de Ondjaki, assenta numa lógica narrativa de tessitura muito complexa. A primeira pessoa ser - ve - se das falas de todos e mais alguns para encontrar as suas coerências e consegue. Entre mil e uma palavras para morrer e ser morto os exercícios de crueldade que tão bem praticam as crianças".

Em 1999 obtém o primeiro lugar na classificação nacional no Prémio PALOP de literatura, promovido pelo Fundo Bibliográfico Europeu, Momentos de Aqui. Concorrendo á antologia Internacional Agua en el Tercer Milenio Edições Pilar e Bianch Editores, 2000), edita oito textos de poesia sob o título Palavras Desapuadas. Na Antologia Mutilingue, é publicado o texto em prosa "A Feira".

"Na escola explicaram - nos que em 1975 nós conseguimos a nossa independência, claro que já estávamos a fazer a luta de libertação há muito tempo. Muitos portugueses tiveram medo de ficar aqui porque iam ser angolanos a ficar no governo. Eu até ouvi muitas estórias de pessoas que foram - se embora e deixaram tudo, e não acho isso nada bem, os portugueses já não mandavam no país e podiam morar aqui. Mas vendo as coisas doutra maneira, eu compreendo, sabes, aconteceram coisas muito más durante esses quinhentos anos que te falei, então as pessoas parece que ficaram com uma ideia esquisita dos portugueses, e quando chegou a independência houve esses problemas.

In Angola A Festa e o Luto - Página - 167.

 

Para Carlos Ferreira, "Bom dia Camaradas coloca um certo número de coisas nos seus lugares. Representa um olhar de transição, da infância para a adolescência e desta para a maturidade concomitante a uma fase agudíssima de transição social, política, moral, ética e psicológica. Felizmente , para nós, o Ondjaki foi buscar situações concretas, de um mundo muito especifico, num quadro social muito preciso, fruto de uma vivência que foi sua e graças à qual - junto com a educação, o ambiente familiar e percurso humanista de seus pais, configuraram a sua veia artística em diversos domínios".

Informação Adicional

  • Nascido em: 1977
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Prosa

Contacto

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1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

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