Bio Quem

Carlos Ferreira

Para a foto. “Meu modo estranho de te amar
teu jeito sereno de me entender
tua boca aberta para eu poder beijar
minha sede de não te perder”

O braço, o abraço,
ousados.
Imagens recortadas de um sentimento comum.
As bocas, num beijo
a reconfirmar um amanhã.
O amor, sentido, feito à margem de um rio em maré
sempre a subir,
em tonalidades
a oferecer-nos os seus segredos.

Maré Alta. In: Carlos Ferreira. Projecto Comum. Luanda, União dos Escritores Angolanos, 1982, p.23.

Carlos Sérgio Monteiro Ferreira (Cassé), nasceu em Luanda, a de 1960. Passou a sua infância em Luanda, onde fez os seus estudos primários e secundários. É jornalista, trabalha como redactor na Rádio Nacional de Angola.

“se esta obra conseguir espelhar algo, é o produto do cruzar de várias gerações, de várias raças, de vários credos, e de várias opções, que confluíram todos num mesmo sentido. O de cumprir uma gesta que desse flor e fruto a sonhos antigos. Uma epopeia que permitiu chegar ao princípio da idade adulta e ter um Hino, uma Bandeira, e o nome República Popular que ainda hoje, quando os ouço, vejo e sinto, são raros os momentos em que as lágrimas não sentem vontade de explodir .... A inversão de todo este processo é ainda dolorosa e vou-o vivendo, como alguns de vocês, de forma muitas vezes autofágica. Esse tempo, que atravessou pelo menos três gerações, marcou-me de tal froma que ainda não consegui buscar formas novas de estar e ser.” Palavras do escritor na apresentação da sua última obra. In: Angolense, ano IV, nº 149, semana de 22 de Setembro a 29 de Setembro, 2001, p.20.

Poeta e cronista, é fundador da Brigada Jovem de Literatura de Luanda (BJLL) e membro da UEA. Em 1996 foi «Menção Honrosa» no concurso literário «Camarada Presidente» do então Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), pela adaptação poética da “Heróica de Beethoven”. Figura na No Caminho Doloroso das Coisas. Antologia de Jovens Poetas Angolanos (1988), obra dirigida por Lopito Feijóo.

E os anos passados
e as vidas perdidas
e os monstros sagrados
e as mentiras sofridas?
E as vozes caladas
e as gentes fugidas
e os olhos ceifados
de chamas mal paridas!
E os destinos libertos
e os homens acesos
desatino do acerto
e os homens surpresos!

In: Carlos Ferreira. Marginal. Luanda, Edições Jango, 1994, p.12.

As suas obras publicadas são: Ponto de Partida (1981), Projecto Comum (1982), Projecto Comum II (1983), O Homem nos Quatro Andamentos. Adaptação poética da Terceira Sinfonia de Beethoven (1985), Sabor a Sal. Crónica de Dias Cinzentos (1986), Começar de Novo (1988), Voz à Solta (1991), Marginal (1994), Namoro o Mar (1996) Ressaca (2000), A Angústia do Fim (2001).

“Carlos Ferreira procura trabalhar esta matéria difícil que são as palavras, as ideias, os sentimentos, ainda com a inexperiência dos meninos inocentes que, da vida, conhecem apenas a sua boa fé, a sua boa vontade, as suas boas intenções, sem pressentir, sem adivinhar sequer, a maldade, a ignominia e a vileza dos outros. Por isso ele se mostra vulnerável no seu romantismo quase ingénuo, na precipitação fogosa das suas descobertas, na inconstância repentina dos seus humores.” Rui Carvalho, prefácio Projecto Comum. In: Carlos Ferreira. Projecto Comum, Luanda, União dos Escritores Angolanos, 1982, p.215-16.

estrelinhas no mar
espuma brilhante parece prata a reluzir
e até a minha cara se vê reflectida.
ah! Quem me dera mergulhar
ser simplesmente diferente
não necessariamente igual a toda a gente.

“Décimo Quinto Poema” In: Carlos Ferreira. Namoro o Mar. Luanda, Edições Jango, 1996, p.29.

Irene Guerra Marques ao prefaciar “Ressaca” disse sobre o autor: “Falar de Carlos Ferreira, para nós, Cassé, é falar do Amigo, do Poeta de rara sensibilidade e talento indiscutível. A formação cultural e literária, a experiência pessoal, a força universalizante, a beleza formal, o conteúdo profundo e actual da sua escrita poética concedem-lhe um lugar de destaque na literatura angolana contemporânea. “Ressaca”, canto de revolta, sofrimento e amor, fecha um ciclo que teve início com a publicação da obra “Projecto Comum”, em 1982... “Ressaca” não será mais um canto de revolta e de dor; é a Poesia de Carlos Ferreira que continua a assumir, com coerência, a relação entre si e os seus ideais; é a voz do Cassé, que com verticalidade e coragem, não desiste das tréguas e desavenças com o seu País e os seus Amigos.” In: Carlos Ferreira. Ressaca. Luanda, Edições Chá de Caxinde, 2000, p.13,17.

“Gostava muito da palavra Comandante. O termo General caía-lhe mal. Pensava que tinha ar de tudo menos disso. A imagem de um General era qualquer coisa que tinha aprendido a ver imponente, majestosa, grave, com um ar muito sério, decidido, distante, frio, com uma ponta de arrogância. É assim que na nossa cultura se impõem as pessoas. Pelo medo. Pela distância. Sem nos verem exactamente como somos, respeitam-nos mais. E ele sentira-se sempre longe de tudo isso.” In: Carlos Ferreira. A Angústias do Fim. Luanda, Edições Chá de Cachinde, 2001, p.15.

 

Informação Adicional

  • Nascido em: 1960-02-28
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Poesia

Contacto

AV. Ho-Chi-Min, Largo das Escolas
1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

Telefone: (222) 322 421 Fax: (222) 323 205

e-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Blogs

blogspotuea1    blogspotueamulembeira           blogspotueanguimba
         
ytlogo2   blog-poetenladen   logotips