Bio Quem

Nicolau Sebastião da Conceição

Madiabo

 

Noite húmida com gemidos de múkua

Entrelaçam passos de kazumbis

Caminho incerto! Madiabo chegou

Corações gripados mastigam gissobongos

Pra tranquilizar espíritos

Adormecidos na mayombola

Não se direccione pelo sol

Fujam pela estrada longa

Gritem pelo deus do fogo

Não deixem que ponham

Fogo na sombra a noite sem mácula

É pior que tomada vernácula

 

In: Todos os Sonhos: Antologia da Poesia Moderna Angolana.

 

Biografia e atuação:

Poeta e museólogo. Kudijimbe cursou Museologia na Universidade de Muserak, Brno/Republica Checa, além de ter concluído o curso de Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário no Centro Internacional de Formação de Turim, na Itália. Em 1973, é preso pela PIDE/DGS e encerrado na Cadeia do S. Paulo, em Luanda. Restituído à liberdade, Kudijimbe prossegue os seus estudos na província de Cabinda, sob a condição de apresentar-se mensalmente à polícia política fascista, para questões de controlo. Em 1974, parte para Ponta Negra, República do Congo, e apresenta-se ao MPLA. É enviado para Brazzaville e posteriormente, para Dolisie e, como voluntário, ingressa nas fileiras das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola. (FAPLA). No CIR Kalunga, recebe a preparação de guerrilha e é transferido, mais tarde, para o interior de Angola, mais especificamente para a Zona B, Base Gorila, na província de Cabinda. Em 1977, segue para o Huambo e faz o curso de Inter-Armas na Escola de Oficiais Nicolau Spencer. De regresso a Luanda, Kudijimbe é colocado ao regime presidencial. Em 1991, foi condecorado com as medalhas do 1º de Agosto, como Guerrilheiro de Primeira Classe do MPLA, pelos serviços prestados à Nação. É articulista do Jornal de Angola, em regime de colaboração e é convidado, muitas vezes, para ser o orador de temas ligados à Literatura e aos Direitos Humanos.

Percurso Literário: época e geração

Kudijimbe é poeta da Geração de 80, a Geração das Incertezas. Seu percurso literário começa na mesma década, quando se torna membro fundador, juntamente com outros escritores, da Brigada Jovem de Literatura Alda Lara, na província de Huambo, onde também exerceu o cargo de Secretário Geral, no ano de 1983. Mais tarde, ajuda a fundar e preside a Brigada Jovem de Literatura de Angola – BJLA. Foi igualmente membro fundador da Oficina Literária Kuntuala, na Faculdade de Engenharia/Universidade Agostinho Neto; da Brigada Jovem de Literatura de Luanda - BJLL e da União dos Escritores Angolanos - UEA. Em 1980, foi indicado pela Direção da BJLL, de Luanda, para participar, como ator, no documentário Balanço do Tempo na Cena de Angola, realizado por Ruy de Carvalho. Em 1987, enquanto estudante da Faculdade de Engenharia, Kudijimbe publicou O Fardado e, meses depois, vinha ao lume a sua segunda obra. Em 1998, exerceu as funções de Diretor-Adjunto da Direção Nacional do Museu e Monumentos e Sítios da Forças Armadas. Seus textos poéticos fazem parte do acervo de diversos órgãos de Comunicação Social, nacionais e estrangeiros. Com o livro Fogo na Kanjica, Kudijimbe ganhou o 2º  Prémio Nacional do Concurso Literário das FAPLA, em 1985. Com António Jacinto e os Guerrilheiros (2003), o autor relata os aspectos vividos no Centro de Instrução Militar de Cabinda, em 1974, na altura dirigido por António Jacinto. No Amanhecer da Curva (2004), Kudijimbe realça aspectos da sociedade angolana e africana.

Obra Poética: cronologia e publicações

  • 1987 – O Fardado
  • 1988 – Fogo na Kangica
  • 2003 – António Jacinto e os Guerreiros
  • 2004 – No Amanhecer da Curva
  • 2006 – Pedaços de Areia
  •  2006 – A Morte da Noite
  • 2007 - Também Lutaram Por Angola
  • 2009- António Jacinto e os Guerrilheiros (2.ª Edição revista ampliada)

 

Crítica Literária:

Álvaro Macieira - escritor, artista plástico e autor do Prefácio de Fogo na Kangica- se debruça sobre a palavra de Kudijimbe e afirma:

Esta é poesia de Kudijimbe, a poesia que circula nas veias dos homens do nosso tempo. É uma poesia de outra “raça”. Que circula pelos rios caudalosos de Angola, onde vamos beber o sémen do amor, da dor... a certeza e o futuro, no ritmo do presente que se vive e se escreve. A poesia de Kudijimbe é de incontestável firmeza, porque traça o presente dos anseios do amanhã e encara a prosperidade de um tempo que se pretende: com beleza e melodia... A poesia de Kudijimbe é um apelo solidário á luta que se trava no Mundo para um futuro confiante e melhor. É uma poesia que ultrapassa a recordação dos tempos que se vivem e, entre realidade e simbolismo ritmo e cadência, lança as sementes na terra já desbravada por outras gerações de poetas de que o país se orgulha. (MACIEIRA, In: prefácio)

 

Álvaro Macieira - escritor, artista plástico e autor do Prefácio de Fogo na Kangica- se debruça sobre a palavra de Kudijimbe e afirma:

Esta é poesia de Kudijimbe, a poesia que circula nas veias dos homens do nosso tempo. É uma poesia de outra “raça”. Que circula pelos rios caudalosos de Angola, onde vamos beber o sémen do amor, da dor... a certeza e o futuro, no ritmo do presente que se vive e se escreve. A poesia de Kudijimbe é de incontestável firmeza, porque traça o presente dos anseios do amanhã e encara a prosperidade de um tempo que se pretende: com beleza e melodia... A poesia de Kudijimbe é um apelo solidário á luta que se trava no Mundo para um futuro confiante e melhor. É uma poesia que ultrapassa a recordação dos tempos que se vivem e, entre realidade e simbolismo ritmo e cadência, lança as sementes na terra já desbravada por outras gerações de poetas de que o país se orgulha. (MACIEIRA, In: prefácio)

 

Ainda sobre os poemas desse grande poeta angolano, o escritor Trajanno Nankhova Trajanno diz:

Do ângulo onde lemos este (s) poema (s), memorizarmos o silêncio desta voz sonora de um filme de Kudijimbi revela para a tela da vida de um tempo-presente, procurando na interação da naturalidade do tempo-comum onde habita a mestra não lúcida e dúlcida do tempo-étero que exige das sementes o tempo do percurso ermo e da inacção social, conciliando a voz da emoção e da razão. (TRAJANNO)

 

Após viver período superior a uma década sem editar, Kudijimbe reaparece, “contabilizando as cores invertidas de uma tabuada prolífera, com os sessenta instantes de saudades e de reflexão”.  Yara Simão, do Jornal de Angola, diz que


A morte da noite" é o mais recente trabalho literário do escritor angolano Kudijimbe. A obra, que por sinal vem marcar o novo estilo poético que o autor tem estado a engendrar nos últimos tempos, é uma emersão profunda das novas formas e modo de exprimir os sentires da alma. O livro, resultante de todo um trabalho realizado durante muitos anos, retrata o quotidiano da sociedade civil angolana, em particular, o percurso da vida militar do autor, através de uma recapitulação lírica dos feitos poéticos, que muitos escritores fizeram pela construção do país. (SIMÃO, In: Jornal de Angola)

  Referências Bibliográficas:  

KUDIJIMBE. BioQuem. Disponível na www http://www.uea-angola.org/bioquem.cfm?ID=47

 

____________. Entrevista a Agnaldo Cristóvão. Disponível na www: http://www.uea-angola.org/destaque_entrevistas.cfm?TermoBusca=&Pagina=4

MACIEIRA, Alvaro. Prefácio. In: KUDIJIMBE. Fogo na Kangica. Luanda: UEA, 1988.

MELO, Adriano de. Kudijimbe mostra em livro a história dos que ‘Também lutaram por Angola’. In: Jornal de Angola, Suplemento: Cultura. <URL: http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=86033&Seccao=cultura

SIMÃO, Yara. Kudijimbe apresenta novo estilo poético em ‘A morte da noite’. In: Jornal de Angola, Suplemento: Cultura. Disponível na www: <URL: 

http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=52875

TRAJANNO, Nankhova Trajanno. In: BioQuem. Disponível na www: <URL:http://www.uea-angola.org/bioquem.cfm?ID=46

VASCONCELOS, Adriano Botelho de. Todos os sonhos: Antologia da Poesia Moderna Angolana. Luanda: UEA, 2005. 

Informação Adicional

  • Nascido em: 15/10/1955
  • Naturalidade: Muxima, província do Bengo, Angola
  • Gênero literário: POESIA e PROSA

Contacto

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