Bio Quem

Jacques Arlindo dos Santos

Casseca mexeu-se ruidosamente na esteira, embrulhando-se mais no cobertor, encetando nova tentativa para adormecer. Não se recordava de estar assim tanto tempo sem pegar no sono! A noite estava fria como todas as noites de cacimbo, convidava ao quente dos cambiriquitos. De olho cerrados, deu-se conta de que se deitara não tinha deixado um só momento de pensar que a manhã que não tardaria a raiar seria a do seu primeiro dia de trabalho de verdade, porque até aí, a sua experiência se tinha traduzido na ajuda que dava aos pais na lavra de Cambango, durante as safras, carregando regularmente do milheiral para a mbenza, afastado pouco mais de cinquenta metros do kitungu, o milho das maçarocas. Mais tarde, e já seco, era pisado nos kinus em sessões de exclusiva participação feminina em que sobressaia a arte de manejar com destreza e elegância os grossos paus que trituravam o cerial, numa cadência de ritmo perfeita e impressionante.

In Casseca página - 9

Jacques Arlindo dos Santos nasceu a 6 de Outubro de 1943, Fez os estudos primário em Calulo Kwanza – Sul, e secundário em Luanda. É profissional de Seguros há cerca de 25 anos, é igualmente Técnico de contas e exerce a função de Director Comercial na Empresa Nacional de Seguros e Resseguros de Angola. É ainda, sócio fundador da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, assumindo a presidência do seu Conselho Directivo.

“Tenho os olhos fechados, não quero reter a imagem sempre triste que fica quando acaba um pôr- do sol. Repouso a nunca e parte das costas no coqueiro amigo e vejo-me a suspirar fundo, um pouco cansado desta vida ao serviço da minha solidão e também das solidões alheias. Como é que eu vim parar aqui no Rabo Curto? Será que eu mesma sei? Mas já estou aqui, faz mais de um ano, ou será que já passou mais tempo? Parece que fujo de alguém, de quem fujo, afinal? O que procuro nesta conversa diária com o mar? Fujo sim, não serve de nada enganar-me a mim própria, fujo do passado, de tudo quanto já me aconteceu, fujo dessas recordações que tento afogar no mar imenso do qual espero muito, quem sabe a minha salvação! Na minha infância, não me lembro se no tempo em que o meu comportamento já se tinha pegado com a influência dessa alcunha de Ynari – significado de hiena, por ter riso esquisito anunciador desgraça, por me entreter quase sempre sozinha e adormecer tarde na noite, parte da liberdade que eu tinha, era sinónimo de brincar, correr, beber, comer e fazer apenas aquelas coisas que me apetecessem”.

In Berta ynari Página - 25

Jacques Arlindo dos Santos, é autor de “casseca”, uma obra publicada em 1993, Chove na Grande Kitanda, publicada em 1996 e ABC do Bê Ó e Berta Ynari, lançadas em 1998 e 2000, respectivamente.

Sobre Jacques Arlindo dos Santos, o escritor e deputado João Melo, considera: “o que o autor faz, a história das mentalidades sem tirar nem pôr. Acredite quem quiser. Não faltam, até, as trepidantes aventuras sexuais. Se os dramas individuais não fazem mover a história, pelo menos no seu conjunto (não renego minhas raízes marxistas!), têm muito mais importância do que, durante muito tempo, nos quiseram fazer crer os cientistas macro (céfalos?)”.

Informação Adicional

  • Nascido em: 1943-10-06
  • Naturalidade: Calulo Kwanza - Sul
  • Gênero literário: Prosa

Contacto

AV. Ho-Chi-Min, Largo das Escolas
1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

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