Bio Quem

António Fonseca

“Se ainda no final do século passado preconceitos de natureza eurocentrista e racista sustentavam a inexistência de um passado histórico na África Sub – saariana e constituía razão de espanto a constatação feita por alguns estudiosos, da existência de uma leitura oral, é hoje geralmente reconhecido que se tratava de um grande equívoco e que todo o passado da África Negra se condensa naquilo que se designa por tradição oral , constituindo esta uma fonte essencial para a escrita da sua história. A este propósito, diz J. Ki – Zerbo que “a tradição oral não é mais uma fonte que se aceita por falta de outra melhor e á qual nos resignamos por desespero de causa. É uma fonte integral, cuja metodologia já se encontra bem estabelecida e que confere à história do continente africano uma notável originalidade”.

In Contribuição Ao Estado Da Literatura Oral Angolana Página – 15.

António Antunes Fonseca, nasceu no Ambriz , a 09 de julho de 1956. Licenciado em Economia pela Universidade Agostinho Neto, é diplomado em Estudos superiores especializados de políticas culturais e acção artística Internacional pela faculdade de Direito e ciências políticas da Universidade de Bourgogne, França, onde igualmente frequentou sob égide do Ministério Francês da Cultura, a «formação internacional cultura», em concepção, decisão e gestão culturais.

“O caso especifico de Angola, realidade que nos está mais próxima e nos é familiar, permite – nos constatar que mesmo nos dias de hoje, entre populações que conhecem a escrita ou pelo menos a ela têm acesso, entre pessoas que apenas falam a sua língua nacional ou o português ou noutros casos ainda , sejam belingues, questões essenciais como a história dos clãs ou das genealogias das linhagens, as normas do direito costumeiro, a reprodução dos “quintais”, seja por ruptura, seja de forma natural, se vejam transmitidas verbalmente de geração em geração, num quadro de oralidade. Seria pois ilusório pensar que a tradição oral tivesse perdido a sua vitalidade, sendo substituída pela palavra escrita e pelas instituições do estado, mesmo na cidade, quando se sabe que ainda hoje é comum, muitos dos imigrados para as cidades e seus descendentes nascidos no novo meio e mesmo escolarizados, possuírem frequentemente ou habitualmente dois nomes: um nome de adopção, o do Bilhete de Identidade e um outro, o nome próprio ou da comunidade. Por outro lado, que as instituições por si trazidas sobrevivem, algumas vezes à margem do Estado e do Direito e outras vezes harmonizando – se com estes, no que assume particular relevo os óbitos e os casamentos costumeiros, circunstanciais em que se torna mais evidente todo o peso da tradição, toda a riqueza da oralidade e do direito costumeiro. Não podemos no entanto circunscrever a tradição oral nas cidades ou mais precisamente nas zonas urbanas aos núcleos de imigrados pois, na verdade, ela existe, vive, subsiste no meio de extractos e famílias aparentemente desenraizadas do costume, aculturadas, miscigenadas, mesmo que se constate que nesse meio ela tenha sofrido alguma modernização o que, afinal, é normal acontecer quando há diversos elementos culturais em presença e cada núcleo ou sociedade não se fecha sobre si mesmo, tenha aspirações de desenvolvimento económico e progresso absorvendo por isso informações, coceitos, técnicas e instrumentos novos que em geral compatibiliza com as tradições, ao mesmo tempo que abandona aqueles que considere obsoletos ou contrários às sus pretensões ...”

In Contribuição Ao Estado Da Literatura Oral Angolana Página –17

Dirige a Empresa Nacional de Discos e de Publicações desde 1982 e já dirigiu o Instituto do Livro e do Disco de 1983 a 1994. Iniciou a actividade jornalística na Emissora Católica de Angola, ingressado posteriormente na Rádio Nacional de Angola, onde desde 1978, realiza e apresenta o programa Antologia.

“ Se o cenário da minha infância me permitiu conhecer a riqueza da oralidade e viver intensamente as peripécias de personagens da literatura oral como a Seixa e o Leopardo, a introdução desta temática no ensino pelos meados dos anos setenta impôs – me o desafio de contribuir para o melhor conhecimento da mesma e, por conseguinte, para a evolução qualitativa daquilo que sobre esta matéria começara a ser ensinada na escola...” In Contribuição Ao Estado Da Literatura Oral Angolana Página – Introdução.

Membro da União dos Escritores Angolanos, foi co – fundador da Brigada Jovem de Literatura e da Associação Angolana dos amigos do livro. Publicou Raízes, Sobre os Kikongos de Angola, Poemas de Raíz e Voz, e Crónicas dum Tempo de Silêncio. Figura em algumas antologias e possui colaboração dispersa em alguns jornais e revistas luandenses.

Informação Adicional

  • Nascido em: 1956-07-09
  • Naturalidade: Ambriz
  • Gênero literário: N/A

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