“Chamei da vida
viagens soletradas
no verde melancólico
do teu olhar
que o silêncio abjura
Chamei nas distâncias
entre o desejo e a fuja
desmesurados nas tuas
ausências incómodas
Um breve beijo
na despedida das estrelas
inverteu o rumo do vento
mas a noite sonegar e desejo
porque as viagens soletradas
são contínuas e sempre duras
O verde melancólico
do teu olhar esfria-se
as distâncias ascendentes
na leveza ao infinito
sempre que te chamo
e me reclamo”.
In Noite por dia - Página - 17
Armindo Jaime Gomes (Arjaco), nasceu no Kuito, em 1962, actualmente reside no Lobito. Fez o ensino de base na terra natal, frequentou a academia Aérea de Krasnodar, URSS, entre 1983 a 1986. É licenciado em História e actualmente exerce o cargo de Assistente de História de Angola, no Centro Universitário de Benguela e é acessor técnico da Unidade de Educação para o Desenvolvimento da ADRA - Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente.
Foi professor de diversas Escolas de ensino de base e médio no Lubango, Namibe, Benguela e Luanda.
“Se o mar
é ausente
meu presente
é sempre em frente
pois na hora crescente
entendo porquê
o amor é sempre dor
porque o sol ardente”
extracto de obcecação: In Noite por dia – Página - 28
AJG, é membro fundador da Brigada Jovem de Literatura de Angola e publicou em 1998, a sua primeira obra literária intitulada, Noite por Dia.
“Em breve
entendo porquê
o surto de ecos
dilata as distâncias
entre as noites e os dias
Porque o mar
profundo é infinito
Eu que me confundo
sou tão pequenito
quem nem sinto
quando o sol entra
e a noite chega
Só sei que o vento dissemina
sonhos envergonhados
não muito próximo de mim
nem tão longe do fim”
In Noite por dia – Página - 14
