Bio Quem

Henrique Guerra

Penetro no teu templo de silêncio e insubstância

A teus pés deposito minha história destroçada

Espero a minha paz e a minha vida

Ó Poesia, minha deusa de formas inconsúteis

Ainda há pouco ressoavam os tambores

Das vozes dos poetas que em ti buscam

Os sinais de uma nova profecia

E eram então

Senhor e Aimé Cesaire

A bela voz de Guillén

E no luzir das espadas afiadas

Neto e Viriato

Agora

Pacientemente gerimos

O erzahtz da vida que sonhámos

Extracto de um poema inédito

Henrique Lopes Guerra nasceu em Luanda em 1937. Começou a escrever nos fins dos anos cinquenta nas revistas Cultural (da Sociedade Cultural de Angola), Jornal de Angola ( da Associação dos Naturais de Angola) e Mensagem II (da Casa do Estudantes do Império).

A sua obra poética está representada em diversas antologias, tais como Na Noite Grávida de Punhais ( de Mário de Andrade), Poesia de Angola ( de Irene Guerra Marques) e No Reino de Caliban ( de Manuel Ferreira). Publicou Quando Me Acontece Poesia (1976) e Alguns Poemas (1977).

Manancial verde ondulando as folhas verdes As folhas do capinzal das bissapas selvagens Dos algodoeiros em estudada simetria A fita da estrada por onde vem o progresso... Mas o que eu vejo são os panos garridos Das mulheres curvadas apanhando as sementes Corpos curvados das misérias sofridas Mãos-misérias apanhando as sementes Corpos curvados misérias-sementes

In Alguns Poemas , UEA., colecção Cadernos Lavra & Oficina

As sua principais obras são: Quando Me Acontece Poesia (1976) Alguns Poemas (1977) Em prosa publicou Cubata Solitária(contos, 1962), o Circulo de Giz de Bombo (teatro,1979) e Três História Populares ( contos baseados na tradição oral, 1982).

Como ensaísta fez diversos estudos sobre a literatura angolana de século XIX e prefaciou livros de António de Assis Júnior publicados pela União dos Escritores Angolanos. O seu ensaio mais conhecido é Angola- Estrutura Económica e Classes Sociais, um estudo sobre a economia angolana nos últimos anos de ocupação portuguesa, escrito durante a sua passagem pelas prisões políticas portuguesas(1965-1973) e publicado em Luanda em 1975.

É engenheiro civil, reformado, e presta assessoria a empresas. Sobre os aspectos temáticos e de concepções estéticas, HG, diz o seguinte: “Presentemente preocupo-me com o papel da literatura angolana dentro da reconstrução cultural, e nesse sentido destacam-se os seguintes poemas: “Cultura Nacional” ( e sua relação temática com “Língua-Mãe”), “Regresso”, “O Bairro do Golf”, “Madrigal”, “O romance de Vavô Fuxi, e “Reflexão” (I e II)” e mais adianta o contista e poeta que: “Quanto a “Poema para Guillén”, parto da posição de que como ideologia política a Negritude é ineficaz e reaccionária. (...) Por outro lado, acredito que no âmbito crítico-literário a Negritude continuará a exercer a sua influência na linguagem e na estética em geral de escritores do chamado mundo negro, inclusive Angola.”, entrevista concedida ao ensaísta norte-americano, professor Russel Hamilton.

“Dom Pételo vivia perto da grande povoação, junto da grande água que corre para o mar, esses infinitos reinos de Kalunga de onde vieram empurrados pelo vento os barcos dos homens brancos, vestidos de factos de ferro e armados comas suas longas armas que vomitam fogo. A boa faca de caça de Dom Pételo já havia cortado dezenas e dezenas de orelhas de elefante e a sua longa lança já se havia enterrado na pele dura de centenas de pacaças. E atraídos pelas fama da sua coragem muitos homens pobres que viviam dispersos pela orla da grande água entravam em sua casa, quebravam a sua louça e desta maneira ingressavam voluntariamente como escravos para a sua Kanda. As mulheres e os escravos teciam as longas redes de ráfia com que Dom Pételo mandava cercar os campos da vasta savana. O fogo, estalando os nós da mudiádia e cobrindo de vastas manchas vermelhas o fumegante capim, empurrava os animais para os sítios onde os caçadores os esperavam com setas e mocas. Dom Pételo era, pois, um grande caçador. Os habitantes da grande povoação vinham trazer-lhe louças de barro e artefactos de mabela , que trocavam pela preciosa carne para reconfortar os estômagos ressequidos por fomes seculares. A sua casa enchia-se de objectos valiosos, os currais estavam sempre cheios de gordos animais, as lavras florescem risonhas. Tudo isso causava transtornos a Dom Pételo por causa dos mabata, os homens velhos que governavam a povoação e zelavam pelo cumprimento dos costumes da antiga democracia comunal: como é que ele, quase um mani, haveria de dar conta da sua vida aos que zelavam pelo cumprimento dos costumes do passado, de antes da chegada de Numi- ia- Lukeni?”

Extracto do conto In: “Os Dois Filhos de Dom Pételo”, “Três Histórias Populares”, edição da União dos Escritores Angolanos, 1989, pg. 33/34.

O sol que queima as folhas das palmeiras

E os pés caminhantes sobre a areia

O sol que trás o vento e afasta o peixe

Ele não esquentará a água do moringue.

Não há sol no canto desta casa

Há a sombra dos luandos que fazem as paredes

A areia do chão trás a frescura da terra

Os caniços

Trazem a frescura

Que trouxeram das terras de Cabiri.

Excertos do poema “O Moringue”, In “Alguns Poemas”, UEA (1978).

Na orla da capa do livro “Alguns Poemas”, edição da União dos Escritores Angolanos, 1976, o editor traça o seguinte perfil literário de H.G.: “O prosaísmo da sua poesia é apenas a marca visível da meditação anterior à escrita, da sua fidelidade ao real. E não é fácil penetrar na poesia da poesia de H. Guerra – exige a adesão ao mundo, seres e coisas, a compreensão humilde da sua grandeza.”.

Informação Adicional

  • Nascido em: 1937-07-25
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Poesia

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