De perfil
desejando-te perdidamente/ mente
rodopias em
meu olhar esquivo oblíquo
Rodopias
suavemente/mente em
harmoniosas sinfonias
de odores fortes
- suor acácia fêmea rosas
cravo macho.
Me lembras
em tua carne rija bronze
Terra
mar encapelado
outono
fruto maduro
caju apetecível
Excerto do poema (que dá título ao livro), in “Tu, barbaramente meu amor”
Ricardo da Costa Manuel é um escritor português radicado em Angola há cerca de 40 anos, pelo que se considera, humoristicamente “mais angolano do que muitos angolanos”. Nasceu em Lisboa a 5 de Outubro de 1930.
É livreiro de profissão, trabalha para a livraria Lello, uma das mais antigas do género em Luanda. Colaborou em diversos jornais e revistas, com crónicas, contos e poemas, designadamente, no jornal “O Sul”(do Lobito), ABC, Diário de Luanda, Província de Angola e o actual Jornal de Angola onde coordenou uma página para jovens autores, “Safra nova”. Tem seis livros publicados, nomeadamente, “Angola meu amor”(poemas, 1979), na “Ponta da língua” (poemas, 1981), com prefácios de A.Bobela Mota e Ernesto Lara Filho(1937-1977) e com ilustrações na capa de Manuel Ribeiro e Pimentel Domingues, respectivamente. Os seus poemas e contos encontram-se dispersos por esse mundo fora, em países tais como o Brasil, Portugal e Coreia do Norte. Os seus poemas foram traduzidos na língua coreana. Publicou, igualmente, “Cantares para Maria (poemas e contos, 1995), “Tu barbaramente meu amor” (poemas, 1994) e “Figuras e mujimbisses” (crónicas, 1998) e “Crónicas para Luanda(2001)”. A propósito de “Angola meu amor”, título de estreia de Ricardo Manuel, o jornalista, cronista e poeta Ernesto Lara Filho escreve o seguinte: “A poesia de Ricardo Manuel é sensível e rica de pormenor(...) É pois válida a sua poesia já que por amor chamou ao seu primeiro livro “Angola meu amor”, acrescentando que “ Ricardo Manuel não só é angolano por ter nascido em Portugal. É um amante de Angola e do seu povo”. Já o jornalista e romancista Bobela Mota sublinha: “(...) porque foi que gostei deste trabalho de Ricardo Manuel, para além da impressão que me causou a sua sensibilidade e a espontaneidade dos seus maravilhosos versos, do prazer que me deu a sinceridade brotante dos seus conceitos”.
“Quando se vive só todos os dias
há sempre alguém por quem se espera
e quase sempre o alguém é ninguém.
(...) As flores colocadas
Na véspera
Nas mesinhas das salas
Morrem com mais depressa.
E a vida é mais morte.”
Excerto do poema “Maria solidão”, In “Cantares para Maria”, 1995.
Por seu turno, o destacado político Lúcio Lara enfatiza”(...) Muito lhe agradeço a gentileza de me enviar o seu livro “Angola meu amor”...Alguns versos como os que mencionei em epígrafe são excelentes de conteúdo. Faço votos para que não sejam os últimos”.
O também político e escritor, Roberto de Almeida (ver o seu verbete no link Bio-quem), afirma , a propósito do seu segundo livro de poemas: “Na ponta da lança” é uma contribuição importante para a literatura do nosso País. Faço votos que da sua perseverança e experiência literária, possam resultar novos rebentos que justifiquem e permaneçam como exemplo para as gerações futuras de Angola”.”
O crítico literário Lopito Feijóo sublinha que “Ricardo Manuel um puro e desmedido apaixonado de Angola, do povo angolano, dos poetas e da poesia angolana, como ele próprio nos havia tão bem revelado através da publicação da sua obra de estreia significativamente intitulada “Angola meu amor”.
O crítico, deputado e poeta acrescenta que “com a publicação do seu primeiro livro, e após vários anos de residência em Angola, iniciava então um percurso de entrega total à arte de talhar a palavra”, reforçando que “ao longo dos anos o autor solidificou a sua obra através de um constante aperfeiçoamento dos exercícios, no corte em que impera o vigor da palavra poética, marcando presença na imprensa actual por via da prosa e/ou da poesia”.
