Anunciado ontem, no Museu Victoria and Albert, em Londres, o prémio é um dos mais prestigiados da Inglaterra, e distingue o autor pelo conjunto da obra e importância a nível internacional e não se centra apenas num livro.
É primeira vez que um autor de língua portuguesa foi seleccionado para a lista de finalistas, o que surpreendeu Mia Couto.
"Recebo a notícia com surpresa, seria uma arrogância e de uma vaidade que não posso ter se dissesse o contrário, trata-se de um prémio com prestígio internacional", afirmou o autor de "Terra Sonâmbula."
A nomeação do escritor moçambicano, vencedor do Prémio Camões em 2013, para o MBIP, foi considerado "um acontecimento cultural e histórico" para Moçambique, considerou o Presidente da República, Filipe Nyusi, numa carta dirigida ao autor.
"A presente nomeação é mais um reconhecimento internacional às tuas qualidades de grande escritor de dimensão mundial", declarou o Chefe de Estado moçambicano, elogiando "a sabedoria, humildade e talento" de Mia Couto, que "enche de orgulho os moçambicanos".
A presidente do júri, a escritora Marina Warner, considerou o vencedor um escritor visionário de extraordinária intensidade e alcance vocal que capta a textura de existência actual em cenas que "são terríveis, estranhas, terrivelmente cómicas e muitas vezes devastadoramente bonitas".
O vencedor
Nascido em 1954, Laszlo Krasznahorkai é conhecido pelo romance "Satantango", adoptado para o cinema por Bela Tarr, e "The Melancholy of Resistance".
Além de Mia Couto, chegaram à final os escritores César Aira (Argentina), Hoda Barakat (Líbano), Maryse Condé (Guadalupe), Amitav Ghosh (Índia), Fanny Howe (Estados Unidos da América), Ibrahim al-Koni (Líbia), Alain Mabanckou (República do Congo) e Marlene van Niekerk (África do Sul).
Além da escritora Marina Warner, que presidiu o júri do prémio, o corpo de júri foi constituído por escritores e académicos,e integrou a romancista Nadeem Aslam, a romancista, crítica e professora de Literatura Inglesa na Universidade de Oxford Elleke Boehmer.
Também fizeram parte o director da revista "New York Classics Series", Edwin Frank e o professor de Literatura Árabe Comparada na Universidade de Londres, Wen-chin Ouyang.
O prémio, no valor de 93.500 dólares, foi criado em 2004 e é atribuído de dois em dois anos.
Em 2013 foram vencedores os escritores Lydia Davis, Philip Roth, Alice Munro, Chinua Achebe e Ismael Kadare.
UEA-Digital, Seomara Santos, Fonte JA