Falando na apresentação da obra, Paulo de Carvalho revelou que o livro permite o contacto directo com uma diversidade de plantas e animais, aves em particular, hoje desconhecidas pelos mais novos.
O livro de contos é uma autobiografia de alguns anos da adolescência do escritor, entre 1940 e 1950. Naquela altura os jovens e as crianças sentiam como era indispensável proteger os animais, as plantas e as lagoas.
O livro, com 36 paginas, teve uma tiragem de mil exemplares e traz ilustração de Luandino Vieira.
A narrativa da obra de Arnaldo Santos destaca nas suas mensagens a educação dos filhos, a diferenciação étnica, os direitos humanos e a preservação do Ambiente.
Arnaldo Santos considera que a relação do homem e da criança com a natureza merecem uma investigação dos ambientalistas, arquitectos e moradores das zonas com espaços verdes reduzidos.
"Estou expectante pela forma como os leitores vão receber a obra. Espero que os pais, professores e assistentes sociais contem a história às crianças para que saibam como é urgente proteger a natureza. O urbanismo resolveu alguns problemas, mas há outros que forma criados. Tínhamos uma floresta galeria repleta de preciosidades de aves e já sabíamos que devíamos preservá-la".
"Tenho saudades de ouvir o canto dos pássaros na cidade. Há cada vez menos espaços verdes em Luanda", lamentou, acrescentando que o bairro do Kinaxixi ocupa um lugar especial na narrativa. Arnaldo Santos nasceu em Luanda, em 1935. Na década de 50 integrou o chamado "Grupo da Cultura". Colaborou em várias publicações periódicas da capital entre as quais a revista "Cultura", o Jornal de Angola (da década de 50), "ABC" e "Mensagem", da Casa dos Estudantes do Império". É membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA).
Aos 20 anos publicou a sua primeira colectânea de contos, "Quinaxixi". Com o livro de crónicas, "Tempo do Munhungo", conquistou em 1968 o Prémio Mota Veiga, o mais importante antes da Independência Nacional.
UEA-Digital, Seomara Santos, Pesquisa JA
