No prefácio da obra, Henrique Guerra salienta trata-se de uma reedição do "Boletim Cultura" e dá-se numa circunstância pouco confortável, pois entre os que colaboraram naquele órgão da antiga Sociedade Cultural de Angola já poucos restam.
"Além da minha modesta pessoa, tenho presente Luandino Vieira, Arnaldo Santos e Antero de Abreu. Alguns que ximbicaram nas suas canoas para portos acolhedores do imenso mundo me desculpem se não consigo traçar o resto de suas viagens", lê-se no prefácio da obra.
De acordo, ainda, com Henrique Guerra, o número dos que desapareceram é impressionante, quando comparado com o dos que restam vivos, como se pode ver pela lista dos autores da obra.
A Sociedade Cultural de Angola foi criada em 1942, no dizer da PIDE, até 1947, altura em que o seu vice-presidente, Eugénio Ferreira, assume a direcção do jornal, tendo sido publicados 12 números até 1960, quando é proibido e encerrado pelas autoridades portuguesas.
Henrique Guerra recorda que a "Sociedade Cultural de Angola" é extinta em 1965, por portaria de 5 de Março do então governador-geral, e a ordem de expulsão de Eugénio Ferreira é assinada, mas não posta em prática, por temerem que tal facto pudesse provocar agitação e alarme entre a população portuguesa.
"É a reedição daqueles 12 números da revista 'Cultura' que constituem afinal o cerne da questão do actual trabalho de Irene Marques e Carlos Ferreira (Cassé)", refere. O "Boletim Cultura da Sociedade Cultural de Angola" tem 210 páginas e teve uma tiragem de 3.200 exemplares. Assistiram ao lançamento, além dos autores, escritores, estudantes e público em geral.
Hoje, às 18h00, também na União dos Escritores Angolanos, é lançado o livro "No País chamado Árvores e outros Contos", de Giuseppe Mistretta, primeiro livro da colecção "Letras do Mundo" da UEA. Amanhã, às 16h00, no mesmo local, realiza-se um encontro de promoção do prémio "Quem me dera ser Onda", promovido pela instituição literária.
O concurso tem a finalidade de estimular nos jovens o gosto pela leitura e o surgimento de novos autores infanto-juvenis. O prémio destina-se a jovens estudantes entre os 13 e os 17 anos. Participaram no concurso alunos das províncias de Luanda e Bengo.
O objectivo é passar o testemunho de valores aos jovens estudantes sobre a tradição literária da União dos Escritores Angolanos.
A vencedora da primeira edição do concurso é Alice da Conceição, de 14 anos, estudante do Colégio Rivior, com a obra "Pati, A Menina de Rua".
Está, igualmente, prevista para o próximo dia 12 o lançamento dos romances "Makala, o menino do mercado" e "Gamal", de Hendrik Vaal Neto. No dia de São Valentim, 14 de Fevereiro, é lançado do livro "Luanda: História e Património", pela Associação dos Amigos da Cidade de Luanda (Kalu) e pelo Núcleo de Estudos da Faculdade de Arquitectura da Universidade Lusíada.
Está agendado para o dia 26 deste mês uma homenagem ao escritor Henrique Guerra e o lançamento do seu livro "O Tocador de kissange" (e outros contos). No dia 5 de Março é lançado o livro "Educar sem violência", de José Luís Mendonça, no dia 12 de Março, "O exercício da cidadania", de Cesaltina Abreu, e no dia 19 de Março "O menino velho e os pássaros", de Arnaldo Santos, com ilustrações de Luandino Vieira.
UEA-Digital, fonte JA
