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Sobre a obra, a autora teceu as seguintes considerações: «Ana Lúcia de Sá já não necessita de apresentação quando às literaturas Africanas nos referimos. Incidiu esta sobre a obra de um dos mais originais e carismáticos escritores angolanos, Uanhenga Xitu, de que se tornou obviamente especialista. Analisou a obra deste escritor sob uma dicotomia conceptual clássica, eventualmente discutível à luz do pós-modernismo, mas, por enquanto, insubstituível à luz do pós-modernismo, mas, por enquanto, insubstituível na análise das sociedades e das experiências de vida africanas. Refiro-me às categorias tradicional e moderno. Consciente, todavia, da fragilidade conceptual que acompanha estas categorias, Ana de Sá sentiu a necessidade de mergulhar a fundo na teoria social para, de uma forma mais consistente, poder trabalhar tais categorias com a minuciosidade e o rigor devidos». Excerto da pág. 13

«Havia muito barulho! Corri para a janela assustado para ver o que se passava. Lá fora, estendia-se um mar de pessoas – com catanas, armas na cintura, outros até sem camisola – gritando num tom muito alto. Eles queriam invadir a minha casa. Corri para a sala ainda descalço, para ver se entendia o facto. Estranhei o que vi. Meu pai suava, a sua lendária expressão de corajoso, pela primeira vez, não deixava em dúvidas o que ele realmente sentia naquele momento: Medo. A minha mãe fitou-me nos olhos chorando desesperada». Excerto da pág. 9

«Em Outubro de 1945, um arrolamento extraordinário estava na iminência de ocorrer na Ombala de Tchiaia, capital de cinco aldeolas plantadas no cimo de montanhas vizinhas, que mais se pareciam com dedos de uma mão tentando tocar o céu: Pedreira, Kandongo, Samangula, Kawio e Tchiaia, hoje pertencentes à comuna do Sambo, município da Tchikala Tcholonga, na província do Huambo. Ia ao rubro a ansiedade na Ombala, como de costume em véspera de arrolamento. Cada família procurava catanar a idade dos filhos, o que contribuiria na diminuição dos impostos, o mesmo acontecendo com o número de animais domésticos. Excerto da pág. 29

Oh! Minha vida.

Ando desesperada por amar e nunca me sentir amada

Ou, por vezes, sinto-me amada e simultaneamente traída.

A vida tem sido, de vez enquanto, má para mim

Por vezes penso que é castigo, por estar sempre a reclamar dela

Ou porque não mereço ser amada,

Ou ainda por magoar também quem amo

Escrevo isso porque é o que sinto

Peço desculpa, caro leitor, por expressar-me assim,

Por ser tão pessimista e expressar a dor da minha alma

Como se o teto desabasse sobre o fervilhar das minhas ideias

Mas, é assim que eu me sinto.

 

Difícil é amar sem ser amada

Difícil é sofrer sem perdermos algo de nós

Ser pisoteada sem dar motivos

Ser agredida sem causas

Ter os hematomas tomando conta dos meus sonhos. Excerto da pág. 11

 

A caminho do assalto às cadeias de Luanda, dando início a luta de libertação nacional contra o colonialismo facista português, decerto passaram por homens, velhos, mulheres e crianças de várias raças. Não os tocaram. Estava identificado o seu inimigo. Era o colono que de armas na mão, mantinha um povo há quase quinhentos anos sob sua dominação e encarcerava todos aqueles que politicamente/pacificamente, se opunham a tal barbárie. O mesmo não aconteceu com outros grupos armados que vieram aparecer em Angola. Extrato da pág. 12

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