Publicada no SA de sábado, 10 de Abril de 2010.
Ao fim do seu terceiro mandato como Secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, ninguém melhor do que ele para fazer uma espécie de balanço do que foi a UEA nesses últimos anos, em que, reconheça-se, muitos desafios foram vencidos, graças à dinâmica que soube emprestar ao funcionamento da instituição, capaz de a tornar, hoje, numa das associações culturais mais pujantes do país.Entrevista concedida Vírginia Leal Crisóstomo
Uma mulher bonita, sensual, decidida, inquieta, agitada, contemplativa, intuitiva, impulsiva, briguenta, interessante, multifacetada. Foi alfabetizada em casa e freqüentou tarde a escola. Quem sabe, até mesmo por isso, logo cedo se encantou pela poesia. Gostava de recontar para os amigos as histórias que ouvia dos pais e avós, em noites de lua cheia.
Fonte: Interpoética
Adriano Mixinge (nascido em Luanda, em 1968), historiador e crítico de arte, lançou em Luanda o seu mais recente livro, Made in Angola: Arte Contemporânea, Artistas e Debates, com chancela da editora francesa L’Harmattan. Como o título indica, a obra é um conjunto de ensaios sobre a arte e os artistas angolanos, residentes no país ou na diáspora. É o seu segundo livro depois do romance Tanda (Chá de Caxinde, 2007). Aproveitamos a oportunidade do lançamento da nova obra de Adriano Mixinge, actualmente conselheiro cultural da embaixada angolana em França, para o abordar a respeito de questões atinentes à arte contemporânea angolana.Aproveitamos igualmente o ensejo para "mergulhar" um pouco nas origens do próprio autor, na raiz do seu interesse pela arte.
O Outro Pé da Sereia é um livro de relatos, de miragens, de viagens que se cruzam na história e nos sonhos de alguns personagens. O Portal da Literatura conversa com Mia Couto.
Os leitores sempre se podem perguntar como ocorre o processo de realização de um livro de poesia, desde o âmago do autor-escritor às palavras numa folha de papel, ou mais correntemente num laptop (computador portátil). Também suscita curiosidade a forma de inspiração de cada artista. A nossa convidada a esta conversa é essencialmente uma poetisa. Crítica, autocrítica, mas coerente. Chó do Guri faz parte de um mundo ainda diminuto mas em franca ascensão que é o das escritoras. Apesar de ter já meia dezena de livros, ser conhecida a premiação do livro Chiquinho da Camuxiba deu-lhe maior proeminência.
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
«O poeta nasce do ar que respira! E o ar que o poeta respira são as situações agradáveis, difíceis e tristes, quer de ordem material, social, emocional ou outra. A minha poesia começou a manifestar-se numa altura em que era professor e experimentava inúmeras dificuldades de ordem material pois o salário era simbólico! Então descobri na poesia uma forma de erguer a minha voz».
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
«O escritor, quer seja de literatura infantil quer seja de outro tipo de literatura para adultos, deve trazer sempre algo que permita que a imaginação possa viajar para este ou aquele país, conhecer este ou aquele aspecto da fauna, da flora, conhecer vivências, porque as vivências de um povo são marcadas por aquilo que é a cultura, o que se realiza no dia-a-dia, a alimentação, os trajes, os seus penteados..»
P: Falamos com Cremilda Lima, que escreve literatura infantil tendo-se iniciado na década de 80, época em que provavelmente mais se escreveu com maior profundidade para crianças. Fale-nos um pouco desta época e do contacto que teve com Dario de Melo, Octaviano Correia, entre outros.
O conflito armado, que durou 30 anos, levou à emigração de vários angolanos. Das memórias deste tempo consta o nome de um jovem que viria a tornar-se jornalista e escritor. Sousa Jamba é natural do Huambo, tem o umbundo como língua materna, e fala com semelhante aptidão o inglês e o português. Não espanta que o livro africano que mais o marcou seja The Man of the People, de Chinua Achebe. Sousa Jamba fez todos os estudos em língua inglesa, na Zâmbia, em Londres e nos Estados Unidos. Porém, afirma que nunca se desligou do continente africano e que nem pode ser considerado um exilado. Este cronista fala da paixão pelo jornalismo e "O meu sonho é ter uma bolsa para ir a uma instituição portuguesa ou brasileira para estudar, seriamente, a literatura portuguesa. Infelizmente, eu não faço parte do establishment literário", revela.
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