Simão Souindoula defendeu esta posição durante uma palestra com o tema “Comemoremos a abolição desta escravatura. Agostinho Neto, poeta libertador”, organizada pelo projecto Kanawa em parceria com a União dos Escritores Angolanos (UEA).
Referiu que este prémio deveria compensar obras literárias, ensaios nos domínios das ciências ou acções de carácter político ou cívico, visando a eliminação de todas as formas de opressão humana.
O historiador realçou o facto de ser necessária esta ambição pela dimensão e visão histórica do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto.
Perante uma plateia dominada por jovens, Simão Souindoula iniciou com uma abordagem histórica sobre a penetração portuguesa no território hoje designado por Angola, abordando igualmente o período de fixação e o sistema de administração e relação dos angolanos com os colonizadores.
O orador abordou, de forma bastante interactiva com os presentes, as relações entre o texto poético de Agostinho Neto, que classificou como humanista, e a escravatura.
Defendeu que no texto poético de Agostinho Neto pode-se comprovar que o autor fez uma leitura absolutamente correcta da evolução histórica de Angola e que vai tentar traduzir, como principal argumento, na expressão poética.Referiu que o fundamento da sua mensagem literária é a consciencialização sobre a tragédia que foi para a pátria, o tráfico de mão-de-obra cativa, prática que perdurou, sob novas formas, até meados do século XX.
Nascido aos 17 de Setembro de 1922 em Kaxicane, Icolo e Bengo, licenciou-se em medicina em Outubro de 1958 pela Universidade de Lisboa (Portugal).
Tornou-se o primeiro Presidente de Angola aos 11 de Novembro de 1975 e foi membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA), criada em 10 de Dezembro de 1975.
Estadista e autor de obras bastante referenciadas no domínio da Poesia, como Sagrada Esperança, veio a falecer aos 10 de Setembro de 1979, em Moscovo, Rússia.
UEA-Digital, Seomara Santos, fonte Angop
