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Personagem Porta-voz e Alter-ego na Criação do Romance Feminino Africano Caso de Niketche e la Révolte D'Affiba

Escrito por  Badou Koffi Robert
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No começo desse século XXI em que a humanidade passa por uma crise de ideologias e de modelos de desenvolvimento, nota-se entre outras tendências a busca de um desenvolvimento endógeno durável.

Finalidade que não poderá ser alcançada no decorrer desse século XXI em África, se não contarmos com o talento e a força da mulher africana. Educar uma mulher não é pensar na educação de todo um povo, de um país, de uma nação? Mas, a constatação feita até agora é que as mulheres, de maneira geral, em África não têm acesso às instituições sociais que decidem do devir delas, quando o acesso às esferas de decisões se encontra impedido por todo um conjunto de mecanismos, de crenças, de práticas socioculturais e entraves, caso do analfabetismo. As pressões sociais e o analfabetismo foram uns elementos importantes que durante muito tempo atrasaram o surgimento de uma literatura feminina africana. Portanto a entrada das mulheres africanas no mundo literário é relativamente recente em comparação com a dos homens.

1. O romance feminino no panorama literário africano e a questão do feminismo Segundo Pierrette Herzberger-Fofana, a criação do romance feminino africano remonta aos anos 1970:

A expressão literatura feminina em África nasceu em relação com os movimentos de emancipação feminina dos anos 70 na Europa e nos Estados Unidos. (...). Um dos traços característicos dessas obras femininas é o caráter engajado da narrativa que visa em destruir umas faces do muro patriarcal.i

Inspirando-se certamente da luta das suas comadres da Europa e dos Estados- Unidos, as mulheres africanas irão tomar consciência das suas condições deploráveis e irão, por conseguinte, reivindicar através da escrita os seus direitos. Paulina Chiziane, Regina Yaou pertencem a esta geração de mulheres intelectuais, que irão enfrentar os tabus sociais e desdenhar as "tolices" dos homens para escolher o difícil métier de escritoras. Os seus romances são em geral a (re)escrita do antigo mito misógino da superioridade do homem sobre a mulher e os problemas que enfrentam as classes desfavorecidas. Mas se as mulheres intelectuais africanas estão de acordo para recusar esse mito, a maioria dentre elas contestam a denominação "feminista". Herzberger-Fofana nota que "é pejorativo falar de literatura feminina, pois, é dar a impressão de que as mulheres são inativas (...). Certo que nunca ouviu falar de literatura feminina quando se trata das obras de Françoise Sagan ou de Nathalie Sarraute"ii. Nesse mesmo debate a marfinense Fatou Keita dá uma resposta ambígua:

À questão de saber se eu sou uma autora feminista, eu iria responder que sim, embora não gostasse do termo feminista que é cheio de conotações pejorativas. Se for feminista, é defender a causa das mulheres que em qualquer lugar do mundo são cidadãos de segunda colocação, portanto sim eu sou feminista. Mas, não luto contra os homens.iii

Por que recusar essa denominação? Por que as mulheres africanas não querem se identificar à luta das suas comadres européias e norte-americanas? Herzberger-Fofana explica essa situação pelo fato que elas não querem fazer um "mimetismo ocidental":

O paradigma de feminista tornou-se um termo passe-partout, confuso que não define exatamente a situação da mulher africana. Surgindo dos movimentos de reivindicações das mulheres européias e norte-americanas, o feminismo tal como é concebido hoje não reflete a experiência histórica das africanas. Ele não parece tomar conta das preocupações próprias às mulheres do Sul que preferem se dissociar. Para as feministas ocidentais, o feminismo confunde-se nos seus princípios com a noção de raça. Kate Millet, líder do movimento não hesitava em comparar a opressão das mulheres européias à dos Negros. Esse vestígio de racismo contribuiu para afastar as Africanas desse movimento ao qual elas não podiam se identificar. Aliás, K. Millet não inclui a luta das mulheres negras quando publica sua obra em 1960.iv

Outro problema colocado contra o movimento feminista explica-se, segundo Rangira Béatrice Gallimore, pelo fato que esse movimento exclui do seu campo de ação os homens que lutam ao lado das mulheres:

Não basta ser só mulher para entender todos os problemas femininos. Chandra Mohanty mostra que o antagonismo entre o sujeito masculino e o sujeito feminino não é uma simples oposição binária na sociedade do "terceiro-mundo" onde os fatores socioeconômicos e políticos têm um papel importante na opressão da mulher.v

Ela nota ainda que:

As mulheres que vivem nas sociedades coloniais e pós-coloniais sofrem uma tripla opressão baseada na raça, na classe e na identidade sexual. Assim em suas análises o crítico feminista deve tomar conta dessa multiplicidade de opressões à qual a mulher do "terceiro-mundo" foi submetida.vi Apesar das escritoras africanas em geral e das nossas autoras em particular não gostarem do conceito de "feminismo", elas não refutam, por enquanto, que se tratem nas suas obras os problemas que as mulheres vivem no quotidiano. Portanto a pergunta que iremos colocar é: O que é escrever para elas? Herzberger-Fofana descreve a relação da mulher africana com a escrita da seguinte forma:

A escrita torna-se a voz pela qual a mulher pode tomar a palavra hoje, expressar-se. Ela escapa à influência dos tabus alimentares e ao controle do homem. Entretanto, antes de chegar a esta etapa, a aluna tem que passar pelo estágio colegial. Isso significa aceitar ser marginalizada no meio da comunidade. Críticas, repreensões, e até violências físicas são as vivências das alunas.vii

De maneira geral, as obras das escritoras africanas traduzem os problemas que as camadas desfavorecidas - quer dizer as mulheres e as crianças - enfrentam no quotidiano. Outro assunto de predileção dessas escritoras é a crítica dos mitos e tradições ancestrais que constituem um bloqueio para o desenvolvimento da mulher.

2. La révolte d'Affiba e Niketche Em La révolte d'Affiba, Regina Yaou através da sua personagem Affiba, combate um mito profundamente enraizado nas sociedades africanas: A suposta "inferioridade" congênita das mulheres. Esse mito ideológico que sempre existiu em muitas sociedades africanas e desenvolvido pelos homens, está longe de desaparecer.

Então, todo sistema educativo nos países africanos em geral tende a fazer da menina uma pessoa menos importante do que o menino. Certos pais, com o medo de fazer de suas filhas umas "marginais e marginalizadas" quer dizer mulheres que se revoltam contra a ordem estabelecida, limitam a educação delas ao nível da escola primária. A mulher intelectual do tipo Affiba é, às vezes, vista pelos depositários da tradição como uma "ameaça" ao bom funcionamento da sociedade rural. O menino, por sua vez, beneficia de todos os privilégios e sacrifícios para permitir a sua eclosão social. A menina tem só deveres, mas nenhum direito. Sofrer os tabus que os homens e a sociedade lhe impõem sem reclamar e aceitar, pois é o direito da mulher de responder "sim" a tudo sem perguntar.

São esses aspectos que Affiba recusa quando se diz, por exemplo, que a mulher não pode herdar dos bens do seu falecido esposo e que é a família do cônjuge que tem que se beneficiar desse privilégio. Querendo se revoltar contra esse fato, ela provoca a raiva da família do seu marido que não hesita em lembrar que as tradições do seu povo proíbem que a viúva se aproveite dos bens materiais do seu falecido esposo.

E um fato interessante nesse romance é a desaprovação da mãe de Affiba que vai contra a revolta da filha proclamando a sua fidelidade à tradição. Portanto, com o comportamento da mãe de Affiba que se proclama respeitosa das tradições ancestrais, embora elas "oprimam" as mulheres, nós ficamos refletindo sobre o verdadeiro obstáculo à libertação e ao desenvolvimento da mulher africana.

Joseph Ki-Zerbo salienta que o ato do casamento em África é mais um assunto social que pessoal:

As práticas sociais africanas parecem às vezes não favorecer a mulher. Em certas regiões, ela não tem personalidade jurídica; ela faz parte do patrimônio do marido. O casamento é antes de tudo um assunto social e não pessoal. Às vezes a moça não tem escolha, pois ela já era noiva antes mesmo de nascer:

"Se Deus me der uma filha, ela vai ser sua".viii Com efeito, em certas regiões da África, a menina, desde o ventre da sua mãe, já tem pretendentes. Acontece que às vezes os pais da menina escolham o seu esposo antes mesmo dela nascer. Esse aspecto de livre escolha não se encontra na vida da menina. Igualmente, ao casar nunca sabe do que irá acontecer com ela. Ela fica nas ordens do marido que pode a qualquer momento, trazer uma co-esposa em casa. Ela entra num outro mundo caracterizado pela luta pela afirmação dentro de casa. Pois todas as coesposas vão com "golpes" tentar ganhar uma parcela de consideração no "todo poderoso" homem. A esfera poligâmica torna-se outro inferno para a mulher, outra prova da dominação do homem.

Paulina Chiziane descreve em Niketche ou uma história de poligamia através da trajetória da personagem Rami, o que pode ser o sofrimento de uma mulher que quer se rebelar contra a ordem estabelecida pela sociedade. Numa análise da obra feita pelas professoras Rita Chaves e Tania Macêdoix pode-se notar o caráter feminista que se constrói na decadência do protagonista Tony, mas, além disso, a própria sociedade moçambicana que se vê criticada de maneira irônica pela narradora "com Tony ou por causa de Tony, tudo parece responder a um projeto: pôr em causa um mundo alicerçado numa visão patriarcal, desconstruir alguns dos seus símbolos e sugerir a irrupção de uma nova ordem estruturada no feminino". Paulina mostra os limites desse mundo patriarcal, os limites da poligamia que só ajuda a aumentar o apetite sexual e o caráter insaciável do homem.

Nesse romance, Paulina Chiziane faz o retrato do conflito vivido pelas mulheres moçambicanas entre o mundo rural e urbano, entre os valores impostos pelas tradições locais e, sobretudo o sistema patriarcal que a deixa sem voz, sem valor. Um mundo que lhe é familiar e sobre o qual ela se apóia para escrever e se tornar, segundo alguns críticos, a primeira romancista de Moçambique.

Para essas autoras, o romance se torna, portanto, a ferramenta pela qual elas podem transmitir a mensagem aos leitores que constituem parceiros que elas vão encontrar nessa busca pela "complementaridade na diferença".

O feminismo tão depreciado torna-se uma arma eficaz ao serviço das aspirações das mulheres africanas. As autoras africanas desenvolvem o que Pierrette Herzberger- Fofanax chama um "feminismo africano cheio de valores heterossexuais, pro-natalistas".

Mais longe ela dirá que "a luta pela emancipação da mulher torna-se uma luta comum e não um confronto. Ela nunca se fez contra os homens, mas ela se faz com o homem"xi.

O desejo de complementaridade supera, portanto o da igualdade e confere a esse movimento outra conotação. O feminismo aparece desde então como um verdadeiro movimento de libertação, longe do caráter brutal e agressivo que nega o homem.

3. Personagem Porta-voz e alter-ego Os romances femininos tornam-se uma mina de informações sobre os "usos e costumes" de vários países, vistos segundo uma perspectiva feminista. Assim o leitor descobre personagens das sociedades africanas até então desconhecidas. São entre outros a "Dryanké" (Senegal), quer dizer a mulher de negócios, as "Badjeen" (Senegal), quer dizer as sogras e a pressão que elas exercem sobre o casal. Em Moçambique, por exemplo, nós temos o "Xamã" que é o curandeiro, e as "Muthiana Orera" que significa mulher bonita.

Ao lado dessas personagens típicas das sociedades acima mencionadas, as autoras criam personagens fictícias que saem do caráter ficcional para se inserir num ambiente real e transmitir a mensagem da luta pela revalorização da mulher africana, pela busca da complementaridade entre homem e mulher. As heroínas são, portanto o tipo de personagem porta-voz que "não se confronta apenas com os seus demônios interiores; integra-se numa sociedade e nela, entra em oposições violentas ou permanece marginalizado. Poderíamos concebê-lo, de novo, como uma projeção do autor nas suas ligações com a organização social do seu tempo"xii. Essa personagem porta-voz seria - numa aproximação com a análise do Antonio Candido -a "personagem transposta ou projetada"xiii. Portanto, nesse contexto, a personagem porta-voz se torna uma invenção concertada pelas nossas autoras, na lógica do universo em que elas vivem e do juízo que elas formulam sobre ele, sem descuidar por enquanto de direcioná-lo segundo a visão feminista que elas irão impor.

Assim nesses romances, evoluem heroínas porta-vozes que rejeitam a resignação e a passividade. Elas optam para um militantismo no feminino. Elas recusam a subordinação da mulher ao homem. Essas personagens não aceitam que o mundo feminino seja um mundo que existe só com as dimensões e limites que lhe impõem o olhar masculino e as tradições culturais. Elas têm trajetórias diferentes, mas se encontram ligadas com essas trajetórias a uma mesma tarefa. Ao lado delas evoluem protagonistas e outras personagens que se movimentam nessa esfera fictícia para chamar a atenção do leitor e legitimar essa busca pela complementaridade.

As porta-vozes Rami e Affiba vão se impondo como as personagens através das quais as autoras criticam as sociedades marfinense e moçambicana. Elas servem de "bode expiatório" para busca da complementaridade entre homem e mulher, para salientar o conflito ruralidade/urbanidade, para a questão da poligamia em África considerando as religiões de cada sociedade, para a questão da herança após o falecimento do marido etc.

As autoras constroem personagens porta-vozes para lhe dar o papel de "condutoras" de uma luta pela valorização da mulher seja ela emancipada ou não. Toda a trajetória da Rami ou da Affiba se constrói no âmbito de reivindicar um "ser" mulher africana revalorizada, com direitos a escolha e a tomada de decisões nas sociedades para que elas se tornem mais representativa dos valores que fazem da constituição do universo familiar africano o templo do verdadeiro saber, e através dele o próprio desenvolvimento do africano.

Considerando que a Rami e a Affiba são o meio pelo qual as autoras levam ao cabo a situação da mulher africana, elas podem ser vistas como alter-ego das autoras.

Alter-ego, pois, essas heroínas rejeitam a "ditadura masculina", elas recusam a passividade, a subordinação da mulher ao homem para entrar num militantismo que não afasta o homem, mas que define outros contornos de como tem que ser a relação de gênero, relação mulher-homem, a relação mulher-sociedade africana etc. Elas são além de porta-vozes, outra representação de como as autoras se vêem a si mesmas frente à sociedade em que elas vivem. A Rami e Affiba constituem outro "eu" referindo-se, com efeito, as próprias emoções das nossas autoras.

Referências bibliográficas:

CHIZIANE, Paulina. Niketche, uma historia de poligamia. Maputo: Ndjira, 2002.

YAOU, Régina. Le prix de la révolte. Abidjan : NEI, 1996.

La révolte d’Affiba. Abidjan : NEA, 1985. BOURNEUF, Roland; Ouellet Real. O universo do romance. Trad. Livraria Almedina.Coimbra, 1976.

CANDIDO, Antonio et al. A personagem de ficção. Teoria literária e literatura comparada. n. 2. São Paulo: Brasil, 1963.

CAZENAVE, Odile. Femmes rebelles: naissance d’un nouveau roman africain au féminin. Paris: L’harmattan, 1996.

CHAVES, Rita; MACÊDO, Tania (org.). Marcas da diferença: as literaturas africanas de língua portuguesa. São Paulo: Alameda, 2006.

GALLIMORE, Béatrice Rangira. "De l'aliénation à la réappropriation". In: Notre Librairie. No 117, Avril-Juin, 1994, pp. 54-60.

HERZBERGER-FOFANA, Pierrette: Littérature féminine francophone d'Afrique noire,Paris, l’Harmattan, 2000.

KI-ZERBO, Joseph: Le monde africain noir, Paris, Hatier, 1968.

i Versao original traduzida "L'expression littérature féminine en Afrique a vu le jour en rapport avec les mouvements d'émancipation féminine des années 70 en Europe et aux États-Unis. (...) L'un des traits caractéristiques de ces oeuvres féminins est le caractère engagé du récit qui vise àdétruire des pans du mur patriarcal". HERZBERGER-FOFANA, 2000, p. 23.

ii "Il me semble péjorative de parler de littérature féminine car c’est comme si on donnait l'impression que les femmes sont sur la touche (…). Il est certain que je n'ai jamais entendu parler de littérature féminine quand il s'agissait des oeuvres de Françoise Sagan ou de NathalieSarraute...". Idem, ibidem, p. 346.

iii Fatou Keita citada por Herzberger-Fofana in Littérature féminine francophone d'Afrique noire. Versão original traduzida "À la question de savoir si je suis un auteur féministe, je répondrai que certainement, même si je n'aime pas le terme féministe qui est lourd de connotations péjoratives. Si être féministe, c'est défendre la cause des femmes qui partout dans le monde sont des citoyens de second ordre, alors oui, je le suis. Mais, je ne me bats pas contre les hommes, en tout cas pas contre ceux qui en sont vraiment! (Il y a beaucoup de brutes!). J'espère tout simplement un homme meilleur". Apud HERZBERGER-FOFANA, op. cit., p. 346.

iv Versão original "Le paradigme de féministe est devenu un terme passe-partout, confus qui ne définit pas assez la situation de la femme africaine. Né des mouvements de revendication des femmes européennes et nord-américaines, le féminisme tel qu'il est conçu aujourd'hui ne reflète pas l'expérience historique des Africaines. Il ne semble pas toujours tenir compte des préoccupations propres aux femmes du Sud qui préfèrent s'en dissocier. Pour les féministes occidentales, le féminisme se confond à ses débuts avec la notion de race. Kate Millet, fer de lance du mouvement n'hésitait pas à comparer l’oppression des femmes européennes à celle des Noirs. Ce relent de racisme a contribué à éloigner les Africaines de ce mouvement auquel elles ne pouvaient s'identifier. D'ailleurs K. Millet n'englobait pas la lutte des femmes noires au moment où elle publiait son ouvrage en 1960". Idem, ibidem,, p. 347.

v Versão original traduzida "Il ne suffit pas non plus d'être femme pour comprendre tous les problèmes féminins. Chandra Mohanty montre que l'antagonisme entre le sujet masculin et le sujet féminin n'est pas une simple opposition binaire dans la société du tiers-monde où les facteurs socio-économiques et politiques ont joué un rôle important dans l’oppression de la femme". GALLIMORE, 1997, p. 125. vi Versão original traduzida "les femmes qui vivent dans les sociétés coloniales et post-coloniales souffrent d'une triple oppression basée sur la race, la classe et l'identité sexuelle. Ainsi, dans ses analyses, le critique féministe doit tenir compte de cette multiplicité d’oppressions à laquelle la femme du tiersmonde a été soumise". Idem, Ibidem.

vii Versão original traduzida "L’écriture devient la voix par laquelle la femme peut prendre la parole à présent, "sexprimer. Elle échappe à l'emprise des interdits alimentaires et au contrôle mâle. Cependant, avant d'accéder à cette étape, l'écolière doit passer par le stade de collégienne. Cela signifie accepter d'être marginalisée au sein de la communauté. Critiques, remontrances et même, violences physiques sont le lot des collégiennes". HERZBERGER-FOFANA, op. cit., p. 49.

viii Versão original traduzida "Les usages sociaux africains semblent parfois ne pas favoriser la femme. Dans certaines régions, elle n'a pas de personnalité juridique; elle est comprise dans le patrimoine du mari. Le mariage est en effet avant tout une affaire sociale et non personnelle. Souvent la jeune femme n'a pas le choix, pour la bonne raison qu'elle était fiancée parfois avant de naître: Si Dieu me donne une fille, elle vous est destinée". KI-ZERBO, 1968, p. 51.

ix CHAVES e MACÊDO, 2006, p. 81.

x HERZBERGER-FOFANA, op. cit., p. 348.

xi Versão original traduzida "féminisme africain pétri de valeurs hétérosexuelles, pro-natalistes... La lutte pour l'émancipation de la femme devient une lutte commune et non une confrontation . Elle n'est jamais dirigée contre l'homme, mais elle se fait avec l'homme". Idem, ibidem.

xii BOURNEUF, 1976, p. 238.

xiii CANDIDO, 1963, p. 59.

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