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A Influência Africana na Música Popular

Escrito por Martinho Vila
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Toda a música das Américas, dançante ou não, tem origem no continente africano. Os spiritous, o gospel, o rap e até o rock, americanos do norte, são negróides.

A marcação constante dos sembas, sistematicamente mecanizada nas produções discográficas feitas inicialmente nos Estados Unidos, é a base dos ritmos tocados nas discotecas e dançados em boates do mundo inteiro.

Acredito que o semba angolano, que deu origem à palavra samba, é parente distante do principal ritmo do Brasil, mas é irmão mais velho dos sons da América Central.

A contagiante música ligeira cubana, assim como o fank, o rag, o calipso e todos os sons das Antilhas, incluindo as canções dolentes, são essencialmente africanos.

Há muitos indícios de que foi dos sembas que surgiram as salsas centro-americanas e daí o carimbó do norte brasileiro.

Grande parte da música da América do Sul de colonização espanhola também recebeu influência da África, que é a mãe popular brasileira.

No Brasil os tambores das nações bantu e iorubana se misturaram nas senzalas, ritmando as cantorias da umbanda e do candomblé. Os rituais afro-religiosos nos legaram os jongos, afoxés e caxambus, bem como os congos do Espírito Santo e tantas outras manifestações regionais.

Na Bahia, os batuques aleatórios foram ganhando forma e surgiram as cantigas de capoeira, os sambas de roda e tudo que se chama hoje de axé-música.

No Rio, de maneira mais dolente, a cadência das batidas foi se definindo, dando origem ao samba de raiz e, como numa reação química em cadeia, foram nascendo outras formas como o samba de partido alto, o samba de enredo, o de breque, o sincopado, o samba-choro; a mais simples foi sendo ritmada nas cordas dos violões, resultando no samba-bossa nova, com influência harmônica do negro jazz tradicional.

Nos intervalos das actividades do vasto folclore brasileiro com seu infinito número de danças, cantos e ritmos, apareceram os calangos do Estado do Rio de Janeiro, essencialmente negros.

No CD Lusofonia, onde registrei músicas de todos os países de expressão portuguesa e fiz a versão de Carambola, música de São Tomé e Príncipe, constatei que esta é muito semelhante aos calangos fluminenses e aos pagodes caipiras de São Paulo das catiras e cururus.

No Nordeste brasileiro se dança e canta o coco, o xote, o xaxado, o baião, a ciranda, o frevo e o maracatu, além da grande variação de repentes, todos com influência africana.

De tudo que se pode chamar de música brasileira, incluindo a produzida no sul do país onde é muito presente a cultura européia, nada ficou alheio às emanações culturais das senzalas.

Musicalmente há, com toda verdade, um forte traço de união entre o Brasil e a Mãe África, de onde vieram os sons lamentosos, perceptíveis até nas alegres marchinhas de carnaval.

TRAÇO DE UNIÃO

(Martinho da Vila e João Bosco)

Um canto triste ecoou e penetrou nos corações

O canto se harmonizou no dedilhar de violões

Ao que encontrou se misturou

Se enriqueceu, se ritmou

E então ficou mulato assim

Extasiando as multidões

Este canto é da senzala, irmão

Chegou aqui com a escravidão

E cresceu nos trabalhos dos canaviais

É mais que um canto, é uma oração

Este canto é muito forte, irmão

É um forte traço de união

É linda a sua história

E a história deste canto

É a mesma história desta Nação

E como é bom pra se entregar

Descontrair nos Carnavais

Pular nos blocos, nos salões

E nos pagodes tão legais

Me faz chorar, me faz sorrir

Me faz sofrer, me faz vibrar

Sem ele, eu sei, não viverei

É como o amor, é como o ar

Calangos, baiões, carimbós e fandangos

Batuques, xaxados e jongos

Misturas do povo de cá

Fandangos, xaxados, batuques e jongos

Baiões, carimbós e calangos

Origem nos povos de lá

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