Bio Quem

Cândido Pedro Tomás da Silva

``Estava-se a poucos dias após a data do 25 de Abril de 1974. Esta data transformou-se num marco os povos de Portugal e respectivas colónias, após a ocorrência dos eventos nela havidos. Ficou nacional e internacionalmente sabido da realização com êxitos do golpe de estado em Portugal. Fechava-se assim o pano á vigência do fascismo nesse estado do velho continente. E, tal acontecimento abria novas perspectivas na vida dos povos da Metrópole e das suas colónias.

Até a efectivação do respectivo golpe de estado Portugal era tido como o último bastião do fascismo envelhecido, onde a discriminação rácica talvez residisse no facto de fazer com que o negro avisado e letrado chegasse a morar no mesmo bairro com um branco com nível de formação inferior e com um salário e emprego igual ou superior em relação ao autóctone. E também porque raramente a comunidade negra participava nos órgãos conseguinte, eles e respectivos filhos eram descriminados ou conheciam restrições quanto a sua participação em alguns locais de lazer, de tratamento, de saúde e de formação escolar. Nesta conformidade, no quadro de acções de protecção das comunidades brancas, as unidades do exército português constituídas somente por brancos, estacionadas, em Luanda começaram a frequentar com maior assiduidade os bairros suburbanos´´.

Extracto de um texto In: “É Mentira” Capitulo II, p.15

Kunduma, é o pseudónimo de Cândido Pedro Tomás da Silva, nasceu em Luanda, no último ano da década de 50 e faz parte da geração de jovens forjados no período pós – independência de Angola.

Fez Mestrado em Administração Geral Marítima no Reino da Suécia em 1986, com a defesa da tese “Maritime Transportation State Control”.

É Membro da união dos Escritores Angolanos, da Associação dos Economistas Angolanos, e Chefe do Sub-sector da Marinha Mercante junto da SATCC (SADC).

Obras publicadas, tem duas. É Mentira, publicada em 1997, e Aconteceu, publicada quatro anos depois, portanto, em 2001.

O grupo do velho Ngongo chegou à sanzala que pretendia visitar. Porém eles não Acreditavam o que os seus próprios olhos viam no local visitado. Encontraram uma enorme multidão aí concentrada, nunca antes observada na respectiva sanzala e locais circundantes. O que mais os surpreendeu, foi a presença em massa de indivíduos que vinham das cidades. O numero de pessoas provenientes das outras sanzalas e das aldeias vizinhas era inferior em relação aos citadinos. Eram crianças, jovens, adultos e velhos de ambos os sexos, vestidos, de acordo com as suas origens. Enquanto a maior parte dos camponeses trajavam panos para cobrir a parte inferior dos seus corpos e apresentavam-se de tronco nú, as suas senhoras vestiam-se de panos e quimones e andavam descalças como os homens da localidade porquanto, estes só usavam calças e camisas normais quando convidados para participarem em cerimónias importantes, como por exemplo, receber uma ilustre visita ou ir às cidades próximas para venda dos seus produtos conforme os europeus.

Tais gentes eram operários, privados, funcionários públicos e religiosos. Chegavam de viaturas ligeiras, autocarros, motorizadas e inclusive de bicicletas. O estacionamento dos seus meios rolantes era feito de forma anárquica, o que dificulta ainda mais a movimentação das pessoas na sanzala. Mais tarde, as pessoas a construir grupos de acordo com os seus princípios religiosos, educacionais e cívico.

Extracto de um texto In: “Aconteceu” Capitulo III, p49.50.

Aconteceu, segunda obra de Cândido Pedro Tomás da Silva, é assim analisada pelo Escritor João Melo: “Esta segunda obra trata-se de um conjunto de três estórias que se entrelaçam, melhor, que se colam umas às outras, mas que a meu ver, não chegam a construir um romance -, ganharia alguma coisa, penso, se o autor acrescentasse um ponto de interrogação ao título. Isso reforçar-lhe-ia o tom de relativa ambiguidade já presente, como disse, na sua estrutura, o que é sempre um interessante recurso literário...

Há entretanto, um procedimento do autor que chamará certamente a atenção dos leitores. Trata-se da transposição de estórias ou factos aparentemente localizados em épocas passadas (durante a colonização portuguesa?) para o actual cenário reinante no país, no qual pontifica a guerra fratricida que nos divide e dilacera desde a independência, sem esquecer, também o fenómeno do bom religiosos verificado nos últimos dez anos, com todas as suas grandezas e misérias. Esse procedimento diga-me não é um mero exercício de estilo. Assoma, por detrás dele, uma finalidade, digamos assim, cívico-pedagógica: dar lições aos leitores, á boa maneira das estórias tradicionais ( e também – será isso apenas uma coincidência? – da herança socialmente comprometida da própria literatura angolana moderna). Mais uma vez, portanto, Kunduma prefere ser coerente consigo mesmo, do que arriscar-se por exercícios formais modernos”

Informação Adicional

  • Nascido em: 1958-01-13 a 2011/02/06
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Prosa

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