Bio Quem

Manuel Rui Alves Monteiro

Manuel Rui Alves Monteiro nasceu na cidade do Huambo a 4 de Novembro de 1941. Efectuou os seus estudos primários e secundários no Huambo, seguindo para Portugal, onde estudou Direito na Universidade de Coimbra, terminando o curso em 1969. Enquanto estudante foi activista cultural da Casa dos Estudantes do Império (CEI), participou em acontecimentos literários e políticas, tenso sido preso por dois meses em Portugal. Exerceu advocacia em Coimbra e Viseu

“O Huambo era uma cidade muito específica, em que não acontecia uma pequena-burguesia negra, em que, me recordo, andava eu no meu 5º ano do liceu quando apareceu o primeiro funcionário da secretaria da escola comercial negro, ido daqui de Luanda... As primeiras pessoas que apareceram a instigar a ideia nacionalista – e que eram do convívio do meu pai – eram principalmente enfermeiros, idos aqui de Luanda, e missionários estrangeiros, alguns médicos...” Palavras do escritor sobre a sua cidade natal. In: Michel Laban. Angola. Encontro com Escritores. Porto, fundação Eng. António de Almeida, 1991, II vol. p. 713.

Foi membro da redacção da revista Vertíce, fez parte da direcção da Editora Centelha, participou em trabalhos do Centro de Estudos Literários da Associação Académica de Coimbra em 1969, coordenou o Sintoma, suplemento literário do Jornal do Centro.

Regressou a Angola em 1974, onde foi Director Geral da Informação e Ministro da Informação no Governo de Transição. Após a independência ocupou diversos cargos entre os quais o de Director da Faculdade de letras do Lubango e do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED). Foi também professor universitário e jurista.

Fecha só os olhos meu amor. E devagar escuta os mesmos sons. A água escorre para a sede quente: areia de pés nús.

Encosta só o ouvido. Respira esta harmonia deste corpo. Os mesmos sons projectos do tamanho deste mar.

Extractos do Poema “O Búzio” In: Manuel Rui. Cinco Vezes Onze Poemas em Novembro. Luanda, União dos Escritores Angolanos, 1985, p.135.

Poeta, contista, ensaísta, crítico, escreve com frequência comentário críticos para jornais e revistas angolanas. Tem alguns livros de literatura infantil publicados. É o autor do Hino Nacional, versão angolana da Internacional, Hino da Alfabetização, bem como de outros poemas que integram o cancioneiro angolano. Colaborou em diversos jornais como o Planalto, República, «Mosca», suplemento do Diário de Lisboa, Jornal de Angola, Correio da Semana. Foi galardoado com o Prémio «Caminho das Estrelas» de 1980, do Concurso de Literatura Camarada Presidente, outorgado pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco de Angola (INALD).

A sua obra está incluída em: Monangola. A Jovem Poesia Angolana (1976), No Reino de Caliban. Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa II (1976), Lavra & Oficina. Caderno Especial dedicado à Literatura Angolana em saudação à VI Conferência dos escritores afro-asiáticos (1979), Poemas para Pioneiros (1979), Manguxi da Nossa Esperança (1979), No Ritmo dos Tantãs (1991), Textos Africanos de Expressão Portuguesa (s.d.), Poemas a la Madre Africa. Antología de la Poesía Angolana del siglo XX (1992).

As suas obras publicadas são: Poesia sem Notícia (1967), A Onda (1973), Regresso Adiado (1973), 11 Poemas em Novembro. Ano Um (1976), Sim, Camarada (1977), 11 Poemas em Novembro. Ano Dois (1977), A Caixa (1977), 11 Poemas em Novembro. Ano Três (1978). Agricultura (1978), 11 Poemas em Novembro. Ano Quatro (1979), Cinco dias depois da independência (1979), Memória de Mar (1980), 11 Poemas em Novembro. Ano Cinco (1980), 11 Poemas em Novembro. Ano Seis (1981), Quem me dera ser onda (1982), 11 Poemas em Novembro. Ano Sete (1984), Cinco vezes Onze Poemas em Novembro (1985), 11 Poemas em Novembro. Ano Oito (1988), Crónica de um Mujimbo (1989), 1 Morto & os Vivos (1992), Rio Seco (1997), Da Palma da Mão (1998), Assalto (s.d.) Saxofone e Metáfora (2001).

O seu livro “Quem me dera ser Onda” foi editado diversas vezes e traduzido para algumas línguas. Uma obra que suscitou grande interesse do público leitor, pois aborda de uma forma satírica e mordaz os problemas sociais da sua época. Inocência Mata diz-nos sobre essa obra: “O primeiro convite que a leitura do texto de Manuel Rui nos sugere é uma análise sociológica: a leitura de uma teia textual em que quase numa visão caleidoscópica, Angola actual – através da sua cidade-cérebro – se nos apresenta, é lida, é analisada na sua trama social, sua História e sua Cultura social... Sintetizando qualquer abordagem sociológica a este texto, pode dizer-se que é um retrato realista da actual sociedade angolana, feito de forma irónica e satírica, mas de uma ironia pedagógica.” In: Inocência Mata. Literatura Angolana. Silêncios e Falas de Uma Voz Inquieta. Lisboa, Mar Além, 2001, p.154.

“O meu pai é um reaccionário porque não gosta de peixe frito do povo e ralha com a minha mãe. Ele é que é um burguês pequeno mas diz que o Cranaval da Vitória é um burguês [...] Carnaval da Vitória é revolucionário porque quando meu pai bateu em mim e no meu irmão Zeca ele lhe quis morder. Nós não vamos deixar matar Carnaval da Vitória porque a luta continua e o responsável da comissão de moradores não sabe as palavras de ordem que os pioneiros é que lhe ensinaram.” In: Manuel Rui. Quem me dera ser Onda. P.44.

A Professora Laura Padilha diz-nos sobre “Rio Seco”: “é a representação literária da possibilidade do encontro alquímico do poeta (senhor da letra e da transformação) com o nômade (senhor da voz e da tradição)...” In: Laura Cavalcante Padilha. “Em memória do rio (Um esboço de leitura de dois romances angolanos)”. I Congresso Internacional sobre Literatura Angolana, Luanda, 10-13 de Dez. 1997, p.6.

“É largo este rio. Para chegarmos a contra-costa por terra, agora, só atravessando este rio de barco. A ilha ficou dividida. São duas ilhas. Barcos para a água doce e barcos para a água do mar?” In: Manuel Rui. Rio Seco, 1997, p.531.

Informação Adicional

  • Nascido em: 1941-11-04
  • Naturalidade: Huambo
  • Gênero literário: Prosa, Poesia

Contacto

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