Bio Quem

Arnaldo Moreira dos Santos

Busquei nos teus olhos um refúgio
E pus tuzekueto numa pausa
Que teus cílios fizeram ao pousar

Minhas encruzilhadas junto teus pés
Na disakela da tarde escureceram
Confessando meu destino sem perdão

Porém tu eras longe
Na mão do tempo
Redemoinho desfrisado sonho rente
Alucinada de néon
Tu eras longe

Extractos de “Momento com mulata”. In: Arnaldo Santos. Poemas no tempo. 3ªedição, Luanda, União dos Escritores Angolanos, 1988.

Arnaldo Moreira dos Santos nasceu em Luanda a 14 de Março de 1935. Fez os seus estudos primários e secundários em Luanda. Passou a infância e adolescência no bairro Kinaxixe, em Luanda, que ocupa um lugar privilegiado nos seus escritos, tendo publicados diversos contos que têm como localização o Kinaxixe. Autodidacta, foi funcionário público, jornalista, chefe da redacção da revista Novembro, dirigiu o Jornal de Angola, o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD) e o Instituto Angolano de Cinema (IAC)

“Não sou um escritor que se preocupa muito em construir histórias no abstracto. Tenho muita necessidade de estar vinculado à realidade que eu conheço e às minhas vivências, para falar das coisas. Dada talvez a pouca vivência que eu tinha sendo novo, creio que já não havia outro mundo possível de que eu pudesse falar com uma certa força, com uma certa «autenticidade» - às vezes tenho medo de empregar esse termo.” Extracto de uma entrevista dada a Michel Laban. In: Michel Laban. Angola. Encontro com Escritores. Porto, Fundação Eng. António de Almeida, 1991, p.498.

Poeta e contista, encontra-se entre os chamados elementos da «geração silenciosa». Os seus primeiros poemas foram editados pelo jornal O Brado Africano. Integrou na década de 50, o chamado “grupo de Cultura”, colaborando, na década de 60, em várias publicações periódicas luandenses como Cultura (II), Mensagem (CEI), ABC e Jornal de Angola. Recebeu o Prémio «Mota Veiga» pela publicação de “Tempo de Munhungo”.

Entrega-me o teu destino de fim de semana
Rasgado sobre os círculos do mngolongolo
Erguido sobre o fogo não extinto das masulca
Sobre o quitelembe dos corpos saciados

Entrega-me o ventre branco das tuas praias
Onde a gestação dos passos se interrompe
E os rituais de iniciação apodrecem

Extractos do poema “Purificação da Ilha”, In: Vergílio Alberto Vieira (Coord.) Monangola. Jovem Poesia Angolana. 1976, p.10

A sua obra está incluída em diversas antologias como: Poetas Angolanos (1960), Contistas Angolanos (1960), Poetas Angolanos (1962), Novos Contos de África (1962), Antologia Poética Angolana (1963), Literatura Africana de Expressão Portuguesa 81967), Novos Contos do Ultramar (1969), Contos Portugueses do Ultramar (1969), Afrikansk Lyrik (1970), When Bullets Begin to Flowers (1972), No Reino de Caliban. Antologia Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa (1976), Sonha Manana África (1988), Poetas Africanos (1989).

Suas principais obras publicadas são: Fuga (1960), Uíge (1961), Quinaxixe (1965), Tempo do Munhungo (1968), Poemas do tempo (1977), Prosas (1977), Kinaxixe e Outras Prosas (1981), Na Mbanza do Miranda (1984), O Cesto de Katandu e Outros Contos (1986), Nova Memória da Terra e dos Homens (1987), A Boneca de Quilengues (1991), A Casa Velha das Margens (1999)

Fernando Mourão considera que Arnaldo Santos focaliza o tema do choque cultural e linguístico ao abordar por exemplo o contexto do ensino na língua portuguesa numa escola dos musseques de Luanda, exemplificando com o conto “A menina Vitória”: “Nas suas redacções vagueava então tímido sobre as coisas, com medo de poisar nelas, decorava os nomes das árvores, das aves, dos jogos descritos no seu livro de leitura...Imitava passivamente a prosa certinha do gosto da menina Vitória. Esvaziava-a das pequeninas realidades insignificantes que ele vivia, das suas emocionantes experiências do menino livre, agora proibidas e imprestáveis.” In: Arnaldo Santos. Kinaxixe e outras prosas. São Paulo, Ática, 1981, p.34-35.

Para Jorge Macedo este autor usa “lexias-kimbundo no interior de um português de luzidia correcção”.

“Na posição em que estava sentado, e entre uma ou outra advertência solene, Emídio foi examinando o recorte da sua testa alta, uma barbicha musgosa e os lábios que se entreabriam de vez em quando para pronunciar aquelas pequenas frases entrecortadas, ou sugar um cachimbo de espuma que ele escolhera expressamente entre seus outros cachimbos de madeira, pêxis, kihumbos, não faltando o tenga-ia-riamba, que ele exibia também, pois que assim se queria distinguir perante o forasteiro, em deferência da mucanda de Pascoal.” In: Arnaldo Santos. A Casa Velha das Margens. p.155

Mário António considerava Arnaldo Santos “um poeta do futuro, pela voz extraordinariamente própria que pressinto nos seus poemas, económicos, de uma beleza que se esconde, com um sentido plástico que me lembra a arte da gravura.” In: Mário António Fernandes de Oliveira. Reler África. Apresentação, revisão e nota bibliográfica de Heitor Gomes Teixeira. Coimbra, Instituto de Antropologia/Universidade de Coimbra, 1990, p.177

Informação Adicional

  • Nascido em: 1935-03-14
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Poesia

Contacto

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1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

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