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Publicada no SA de sábado, 10 de Abril de 2010.

Ao fim do seu terceiro mandato como Secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, ninguém melhor do que ele para fazer uma espécie de balanço do que foi a UEA nesses últimos anos, em que, reconheça-se, muitos desafios foram vencidos, graças à dinâmica que soube emprestar ao funcionamento da instituição, capaz de a tornar, hoje, numa das associações culturais mais pujantes do país.
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“Olhe lá, menina toda produzida. Não lhe vale de nada andar por aí aos choros. Ah, não tem quinhentas folhas verdes que possa recompensar o servicinho de troca de boa maca em prejuízo de um doente terminal, pelo corpo ainda cheio de vida de sua mãe?”, propôs sem qualquer hesitação ou ética. “Tenho… deixa ver”, puxou a bolsa pendurada no seu ombro esquerdo e vasculhou, remexeu os seus fundos. “Sim, só tenho duzentos dólares, essas folhas verdes chegam para a mudança?”, disse com voz pouco animada.

“Você não dá nenhum valor pelo seu doente. Ah, Ah, nem parece que se trata de sua própria mãe. Filha, olha que não é fácil no mundo substituirmos quem nos pôs no mundo”, explicou a empregada de limpeza com o queixo apoiado nas duas mãos que mantinham o peso da cabeça sobre o cabo da vassoura. “Mas não tenho onde roubar o resto, tenha compaixão, criatura de Deus”, pediu quase ajoelhada. “Porra, só tem gente pobre e mal cheirosa nesse corredor. Vou aguardar por alguém que possa ser mais generoso no bolso. Tenha melhor sorte. Saiba que Deus nunca abandona os que sofrem, vai ver que não me enganarei quando a sua sorte mudar”, e saiu quase dançando. A vassoura servia de instrumento que criava parte do ritmo que se espalhava pelo corredor enquanto caminhava dando costas ao sofrimento da filha da senhora que se contorcia de dores.

“As minhas colegas estão melhor, nas salas de clínicas privadas. Os que chegam com os doentes esticam logo as notas verdes assegurando à cabeça o bom trato. Isso é que é gente”, murmurou entre dentes cerrados a mulher da limpeza.

A senhora morte, e é, sem favor, uma bela figura de mulher, depois de deixar o médico divertido com os telemóveis da Unitel e da Movicel, apoiado em bons saldos de utts, na verdade assediado por muitas razões de saias e cirurgias, não teria como atender a todas as chamadas em lista de espera sem que abandonasse essas “pobres almas”. Voltou novamente à sala de urgências para averiguar o estado de atendimento. Desta vez, levou colado ao peito um relógio próprio para as estações de comboio devido a sua grande dimensão. O ponteiro dos minutos pintado de vermelho foi girando de forma inclemente já que em cada passagem completa roubava mais vidas, “De quem é esse morto?”, gritam os enfermeiros num ritmo estonteante.

 A senhora morte é muito aplicada. Vê-se no resultado do número de vítimas que sucumbiam nas macas ou à entrada do Banco de urgências, que aumentava a lista de infelizes. “Boa safra”, classificou usando o dicionário da agricultura. Resultado, só uma senhora e mais uma criança de oito anos ainda davam sinais de vida, e essa resistência não a deixava de todo feliz, parecia que eram mantidos por dois fios de vida muito resistentes.

 A senhora morte peidou, “Porra, que cheiro”. Gases fétidos cobrem todos os corredores do hospital, pairam nas casas de banho sem água corrente, nas salas de urgências, pior na pediatria e estão entranhados nos lençóis coloridos do Congo. “Encardiu os poucos lençóis brancos”, resmungou um doente...Excerto da Crónica «senhora morte»

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quarta, 17 fevereiro 2010 18:42

A Múltipla Silvana Menezes

Entrevista concedida Vírginia Leal Crisóstomo

Uma mulher bonita, sensual, decidida, inquieta, agitada, contemplativa, intuitiva, impulsiva, briguenta, interessante, multifacetada. Foi alfabetizada em casa e freqüentou tarde a escola. Quem sabe, até mesmo por isso, logo cedo se encantou pela poesia. Gostava de recontar para os amigos as histórias que ouvia dos pais e avós, em noites de lua cheia.
Fonte: Interpoética

 

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quarta, 17 fevereiro 2010 18:32

LARA "Não sou um 'puro sangue' alternativo"

As perguntas feitas nesta entrevista por Wellington de Melo foram publicadas originalmente no site www.wellingtondemelo.com.br, posteriormente Cida Pedrosa complementou a entrevista publicada agora na íntegra.
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Adriano Mixinge (nascido em Luanda, em 1968), historiador e crítico de arte, lançou em Luanda o seu mais recente livro, Made in Angola: Arte Contemporânea, Artistas e Debates, com chancela da editora francesa L’Harmattan. Como o título indica, a obra é um conjunto de ensaios sobre a arte e os artistas angolanos, residentes no país ou na diáspora. É o seu segundo livro depois do romance Tanda (Chá de Caxinde, 2007). Aproveitamos a oportunidade do lançamento da nova obra de Adriano Mixinge, actualmente conselheiro cultural da embaixada angolana em França, para o abordar a respeito de questões atinentes à arte contemporânea angolana.Aproveitamos igualmente o ensejo para "mergulhar" um pouco nas origens do próprio autor, na raiz do seu interesse pela arte.

 

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sexta, 15 janeiro 2010 17:47

Entrevista à Pepetela

Pepetela: Nasceu em Angola, licenciou-se em Sociologia, foi guerrilheiro, político, ganhou o Prémio Camões em 1997, é actualmente professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda. Falamos naturalmente de Pepetela a quem tivemos o prazer de entrevistar
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segunda, 27 junho 2011 07:45

Entrevista à Mia Couto

O Outro Pé da Sereia é um livro de relatos, de miragens, de viagens que se cruzam na história e nos sonhos de alguns personagens. O Portal da Literatura conversa com Mia Couto.

 

 

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Os leitores sempre se podem perguntar como ocorre o processo de realização de um livro de poesia, desde o âmago do autor-escritor às palavras numa folha de papel, ou mais correntemente num laptop (computador portátil). Também suscita curiosidade a forma de inspiração de cada artista. A nossa convidada a esta conversa é essencialmente uma poetisa. Crítica, autocrítica, mas coerente. Chó do Guri faz parte de um mundo ainda diminuto mas em franca ascensão que é o das escritoras. Apesar de ter já meia dezena de livros, ser conhecida a premiação do livro Chiquinho da Camuxiba deu-lhe maior proeminência.

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Entrevista de Aguinaldo Cristóvão

«O poeta nasce do ar que respira! E o ar que o poeta respira são as situações agradáveis, difíceis e tristes, quer de ordem material, social, emocional ou outra. A minha poesia começou a manifestar-se numa altura em que era professor e experimentava inúmeras dificuldades de ordem material pois o salário era simbólico! Então descobri na poesia uma forma de erguer a minha voz».

 

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Entrevista de Aguinaldo Cristóvão

 

«O escritor, quer seja de literatura infantil quer seja de outro tipo de literatura para adultos, deve trazer sempre algo que permita que a imaginação possa viajar para este ou aquele país, conhecer este ou aquele aspecto da fauna, da flora, conhecer vivências, porque as vivências de um povo são marcadas por aquilo que é a cultura, o que se realiza no dia-a-dia, a alimentação, os trajes, os seus penteados..»

 

P: Falamos com Cremilda Lima, que escreve literatura infantil tendo-se iniciado na década de 80, época em que provavelmente mais se escreveu com maior profundidade para crianças. Fale-nos um pouco desta época e do contacto que teve com Dario de Melo, Octaviano Correia, entre outros.

 

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